O Grande Arquiteto do Universo

 





O Grande Arquiteto do Universo

**REVISTA & ESCOLAS DE MISTÉRIOS**

*Postado por Rodrigo Veronezi Garcia em 27 de outubro de 2009*

## Parte I: Elementos do Tetragrammaton

Acompanhe a descrição de alguns elementos do Tetragrammaton:

 * **Pentagrama:** O pentagrama assume diversos significados de acordo com o contexto em que é encontrado. Neste caso, é a base do Tetragrammaton. Assim, podemos interpretá-lo como o símbolo do "Homem Realizado", isto é, uma representação da entidade humana evoluída em todos os estágios espirituais.

 * **Os Olhos do Pai (Júpiter):** No ângulo superior do pentagrama, encontramos "Os Olhos do Pai" e a representação do planeta Júpiter. Trata-se de uma alusão aos olhos do Criador: o espírito, o poder que coordena tudo e todos.

 * **Marte:** Nos "braços" do Tetragrammaton, encontra-se o símbolo astrológico e zodiacal do planeta Marte, representando a força ou a energia pura da criação.

 * **Saturno:** Nos ângulos inferiores, está a representação astrológica e zodiacal do planeta Saturno. É um dos principais símbolos usados na Magia, representando os mestres que anularam o próprio ego e as falhas inerentes ao ser humano, atingindo, assim, a perfeição.

 * **Sol e Lua:** Posicionados nas linhas verticais do pentagrama, próximos ao centro da figura, o Sol e a Lua fazem referência aos polos feminino e masculino da criação, contidos em todos os organismos, incluindo o Microcosmos e o Macrocosmos.

 * **Mercúrio e Vênus:** Estes símbolos são amplamente encontrados na literatura alquímica e são representações astrológicas e zodiacais de tais planetas. Localizados sobrepostos no centro da figura, referem-se à união dos polos de onde surgirá o Caduceu de Mercúrio.

 * **Caduceu de Mercúrio:** É o símbolo alquímico da transmutação. Associado aos símbolos superiores de Mercúrio e Vênus, refere-se à criatura, ou seja, ao resultado da união entre os polos feminino e masculino, entre as forças lunares e solares, e ao ponto de equilíbrio entre eles. Por estar localizado no centro da figura, também pode ser interpretado como a "coluna vertebral" ou *Kundalini*, responsável pela união da energia sexual entre as polaridades.

 * **Jehova:** Esta inscrição hebraica é um tetragrama pronunciado como Jehova (lê-se da direita para a esquerda), sendo mais uma das várias alusão ao "Nome de Deus".

 * **Alfa e Ômega:** Alfa e Ômega são, respectivamente, a primeira e a última letra do alfabeto grego. Esta é uma referência ao princípio e ao fim de todas as coisas. Alfa está abaixo dos "Olhos do Pai". Ômega encontra-se invertido, na base do Caduceu de Mercúrio. Isto pode significar o caldeirão utilizado pelos alquimistas ou, ainda, o caldeirão (útero) da Deusa, para alguns ocultistas.

 * **Binário:** Localizados fora do pentagrama, os números 1 e 2 são referências à bipolaridade, isto é, uma representação de que todas as coisas possuem dois lados. Seguindo este conceito, podemos também compreendê-los como outra manifestação dos polos masculino e feminino, início e fim, bem e mal, entre outros.

 * **Logos:** Palavra grega que significa "razão", mas que também é interpretada como "fonte de ideias" e "verbo divino". Associados ao Tetragrammaton, os números 1, 2 e 3 representam, respectivamente, o Pai, a Mãe e o Filho. Também podem ser interpretados como a Tríade do Cristianismo (Pai, Filho e Espírito Santo) ou como o triângulo, amplamente encontrado nas tradições esotéricas.

 * **Cálice:** Significa o polo feminino da criação. Na alquimia, é utilizado para representar o elemento Água.

 * **Espada Flamejante:** A "espada de fogo", dentro do contexto alquímico, representa o próprio elemento Fogo. Porém, associada ao Tetragrammaton, assume o papel do polo masculino e do pênis, símbolo de fertilidade entre as antigas tradições.

 * **Báculo:** É o bastão comumente usado por magos. Está dividido em sete escalas que representam os estágios de evolução. Na alquimia, está relacionado ao elemento Terra.

 * **Hexágono do Mago:** Representa o domínio do espírito sobre a matéria. Na alquimia, está relacionado ao elemento Ar.

> Não é possível definir apenas uma relação entre os vários símbolos que compõem o Tetragrammaton, e tampouco uma finalidade específica desse conjunto. Seus sinais transitam entre correntes tão distantes que a interpretação, em certos casos, chega a ser paradoxal.

*(Crédito da Imagem: Horsehead Image Credit: NASA, ESA, and The Hubble Heritage Team)*

### O Tetragrammaton em Paris e o Tau

O **Tau** recebeu esse nome por reproduzir a letra grega Tau. É considerado, por muitos, como a cruz da profecia e do Antigo Testamento. Dentre suas muitas representações estão o martelo de duas cabeças — como sinal daquele que faz cumprir a lei divina, encontrado na cultura egípcia — e a representação da haste utilizada por Moisés para levantar a serpente no deserto.

## Parte II: O Impronunciável Nome de Deus

A tradição esotérica dos judeus, a Cabala, considera o nome de Deus sagrado e impronunciável. Possivelmente, a origem deste conceito está no Terceiro Mandamento:

> "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão". (Êxodo, Capítulo XX, Versículo VII)

Assim, um grupo de sábios judeus, conhecidos como Massoretas, incorporou "acentos" que funcionavam como vogais e viabilizavam a pronúncia do tetragrama, resultando na palavra *Adonai* (Senhor), que passou a ser utilizada para enunciá-lo. Os nomes Jeová, Iehovah, Javé, Iavé ou, ainda, Yahweh, são adaptações para a língua portuguesa da palavra *Adonai*, e não do tetragrama original.

Porém, há ainda uma crença entre os judeus do início do período cristão de que a própria palavra *Torah* seria parte do nome divino. Há outra relação interessante encontrada nos nomes originais de Adão e Eva: *Yod* e *Chawah*, respectivamente. Uma combinação entre estes dois nomes resulta numa das variações do tetragrama, YHWH, fato que sugere uma relação direta entre Criador e criatura. Com o decorrer do tempo, foram adotados outros termos para se referir ao Tetragrama: "O Nome", "O Bendito" ou "O Céu".

## Parte III: O Selo de Salomão, Antimatéria e o Antimundo

Nessa hipótese, admitindo que Deus rege o Universo, Ele vê-se substituído pelo Antideus e pelo antiuniverso a cada mudança de ciclo. Pois tudo contém dois polos chamados a substituírem-se um ao outro. Num mundo único onde reina a simetria, nada pode haver além do nada: o vácuo. Os próprios espaço e tempo não existem. Em suma, o nosso Universo não teria sido senão a superfície de um oceano cujos abismos desconhecíamos.

"Poesia é a verdade", dizia Goethe, antecipando o antimundo e "o outro espelho" suspeitado por um grande vidente: Jean Cocteau.

Os físicos franceses Louis de Broglie e J. P. Vigier desde há muito imaginavam, para além das partículas conhecidas, um subuniverso do qual as partículas classificadas (elétrons, prótons e partículas estranhas) e as antipartículas (antielétrons e antiprótons) não seriam mais do que as primeiras manifestações. Deve-se ao físico inglês P. Dirac a teoria das antipartículas que possibilitou, em 1928, a descoberta do antielétron (ou pósitron) e do antipróton, de massa igual à dos prótons, mas de carga negativa.

Em pura especulação, a antimatéria seria assim formada de antiátomos de núcleos negativos, rodeados por pósitrons. Em 1966, no Laboratório Nacional de Brookhaven (E.U.A.), foi criado um núcleo de anti-hidrogênio a partir de um antipróton e de um antineutron. Esta descoberta, no estágio molecular, torna, pois, admissível a teoria dos antimundos.

Ao contrário de Oskar Klein e de Andrei Sakharov, o filósofo estoniano Gustav Naan pensa que o antimundo não estaria perdido nos confins do Universo, mas existiria no nosso. Seria um mundo paralelo, de certa maneira. Alguns sábios julgam mesmo que os fótons (partículas de luz) seriam o resultado da energia suscitada pela combinação das partículas e das antipartículas.

Em resumo: do choque de um mundo e de um antimundo nasceria a luz. Ou, por outras palavras, de acordo com as doutrinas secretas: de Deus e do Antideus nasceriam a luz e a criação. Quando um Universo em contradição atinge o zero, que é o nada, ele penetra no antimundo.

### Persistência Biológica e Física Quântica

Todavia, descobertas em eletrofísica e em biologia podem dar crédito às teses dos espíritas, desde que se descobriu no organismo celular, quase ao nível do átomo, fenômenos singulares que parecem provar que, após o seu desaparecimento físico, manifesta-se uma persistência cuja natureza e duração são desconhecidas. Este fenômeno não seria uma reminiscência da vida real, mas um fantasma de natureza desconhecida pertencente a um universo diferente do nosso.

Certas ondas, dizia recentemente o professor Bernard d’Espagnat, do Colégio de França, têm o dom da ubiquidade: sem se dissociarem, sem se dividirem, sem se partilharem, mantendo-se sempre elas mesmas, mudam contudo de natureza e existem simultaneamente em vários caminhos diferentes. Elas vivem, pois, num universo que o sábio controla, sem todavia poder compreendê-lo ou imaginar-lhe a essência!

É também a opinião do Dr. J. Glazewski, sábio americano de origem polonesa, que afirma:

> "Chegamos atualmente, por meio de pura análise científica, à prova da existência de um mundo indivisível e imaterial. Esta verificação é fruto de vinte e sete anos de pesquisas sobre a onda gravitacional".

Em resumo, pode dizer-se sem receio de exagero que todo corpo organizado e, sem dúvida, todos os corpos, têm o seu equivalente num outro mundo... algo como um harmônico. Entre o eu real e o seu harmônico existe uma certa ligação de analogia, mas não uma simultaneidade, de tal modo que um pode desaparecer e o outro permanecer, pelo menos durante um período apreciável. Segundo este princípio, está no domínio dos possíveis que, mesmo que o nosso planeta voe em estilhaços, o seu duplo possa continuar a gravitar em volta do duplo Sol.

## Parte IV: A Origem Templária e o Pergaminho de Kirkwall

Para muitos historiadores e maçons, a prova da origem templária da maçonaria está no **Pergaminho de Kirkwall**, um dos mais antigos documentos maçônicos de que se tem notícia. Repleto de antigos emblemas, imagens e mapas, o Pergaminho de Ensinamentos de Kirkwall foi datado do final do século XIV, período em que a Ordem do Templo de Salomão foi dissolvida. É um dos poucos registros sobreviventes das Cruzadas na Terra Santa.

Feito de linho resistente e enegrecido nas bordas, sua parte central contém uma série de símbolos maçônicos pintados que culminam na cena da Criação descrita na Bíblia. Há duas seções laterais que retratam a jornada dos filhos de Israel para a Terra Prometida. Há uma profusão e confusão de ícones: a colmeia da indústria e o cavalete com a prancha da construção; o esquadro e o compasso; o prumo e o lápis; o pavimento enxadrezado; as colunas de Jaquin e Boaz; um homem cercado por oito estrelas e o olho que tudo vê do discernimento divino.

## Parte V: Teísmo vs. Deísmo no Conceito de G.A.D.U.

Uma das finalidades desse estudo é firmar e confirmar o princípio fundamental — *landmark*, *rule*, *old charge*, norma ou diretriz, sejam como quiserem denominá-lo —, talvez o único em que não há divergência no seio da maçonaria autêntica e tradicional: **a fé num Deus pessoal, Princípio e Fim de todas as coisas, Criador do céu e da terra.** E, em consequência, ajudar a fazer com que seus aderentes tomem mais consciência disto e evitem usar a expressão G.A.D.U. (Grande Arquiteto do Universo) apenas como uma etiqueta vazia e sem conteúdo. Para isto, deve-se fazer com que este G.A.D.U. seja, para cada um deles e de nós, um **DEUS VIVO** e não um **DEUS MORTO**.

Que este perigo existe, e existe na atualidade, não há dúvida. Se não fosse assim, a Conferência Episcopal Alemã, depois de conversações oficiais durante os anos de 1974 a 1980 (por incumbência da mesma e das Grandes Lojas Unidas da Alemanha), não teria chegado à seguinte conclusão:

> "IV-4 – O conceito de Deus dos maçons livres. No centro dos rituais se acha o conceito do 'Grande Arquiteto do Universo'. Não obstante a boa vontade de abertura para abraçar toda religião, trata-se de um conceito marcadamente deísta. Em tal contexto, não há nenhum conhecimento objetivo de Deus, no sentido do conceito pessoal de Deus do teísmo. O 'Grande Arquiteto do Universo' é um 'Ser' neutro, não definido e aberto a toda a compreensão possível..." *(cf. "Maçonaria e Igreja Católica: Ontem, Hoje e Amanhã". Ed. Paulinas, 1981, pg. 281).*

E eis o motivo pelo qual insisti em deixar bem claros os conceitos de **teísmo** e **deísmo**, demonstrando que as diferentes alterações das Constituições de Anderson e as diversas declarações das Grandes Lojas Mães da Inglaterra, Escócia e Irlanda não deixam dúvida alguma quanto a este conceito ser teísta, e não deísta. É claro que, para se entender isto, é preciso refletir com muito vagar e tempo sobre toda esta documentação, a fim de obter ideias claras e precisas.

Também estou convencido de que as Grandes Lojas Unidas da Inglaterra, da Irlanda e da Escócia, ao firmarem invariável e ininterruptamente o verdadeiro conceito de G.A.D.U. na Ordem, não estão dogmatizando ou sendo menos liberais (no sentido empregado pelo Grande Oriente de França). Elas estão apenas defendendo um *landmark*, *rule* ou *old charge* fundamental. E muito menos ainda estão querendo defender uma determinada religião — o que seria contra o espírito e a letra das Constituições Andersonianas —, mas sim a **Religião Natural**, que se baseia na Teologia Natural (ou Teologia Fundamental, ou ainda, Teologia Filosófica), que é a **Teodiceia**. Esta é uma das disciplinas ensinadas pela verdadeira Filosofia desde os tempos dos filósofos gregos, muito antes de Cristo, sobretudo por Platão e seu genial discípulo Aristóteles. Filosofia esta que, penso, os maçons se veem impelidos a estudar, já que sua instituição é eminentemente filosófica (e até, como dizem alguns, "Maçonaria é Filosofia").

Caso contrário, o conceito se torna vago, vazio, dilui-se e arrasta determinadas mentes ao perigoso desvio que se registra na História da Maçonaria pela interpretação errônea do Artigo 1º das referidas Constituições, desencadeando o seguinte processo regressivo descendente:

E tudo isso apesar de tais mentes declararem que apenas queriam defender a *liberdade absoluta de pensamento*... Por isso, não se esqueçam da distinção fundamental:

 * **Teísmo:** É a doutrina da escola filosófica que admite a existência de Deus como o primeiro princípio e o fim último de tudo o que existe. Um Deus pessoal.

 * **Deísmo:** É um sistema filosófico-religioso (ou espécie de religião natural) que se opõe à religião revelada e, mais especialmente, ao Cristianismo. Não nega a existência de Deus; entretanto, Deus só pode ser alcançado por argumentos puramente racionais. Não há, pois, revelação, e o Cristianismo se torna desnecessário. Nega também a intervenção de Deus no mundo, rejeitando a sua Providência. Deus, então, confunde-se com a natureza (como no Panteísmo, com o qual se identifica) ou exclui-se e separa-se dela (como no dualismo discrítico), acabando por ser um ente neutro, sem conteúdo algum, e resultando, enfim, no ateísmo vazio.

## Parte VI: O Perigo da Estagnação e da Proibição de Debates

A estagnação também pode vir a se tornar um **ateísmo prático**. E este perigo existe e é, parece-me, mais frequente do que se pensa. Isto decorre de uma errônea ou deficiente interpretação do Artigo 6º das Constituições Andersonianas. Tanto é verdade que lembro a citação que fiz durante a quarta aula do autorizadíssimo Marius Lepage, que, por sua vez, é lembrado pelo não menos autorizado Nicola Aslan no seu grande *Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia* (Vol. IV, pág. 915, no verbete *Quatuor Coronati Lodge*).

Nicola Aslan, depois de frisar muito bem a importância desta que é a mais célebre Loja de Pesquisas históricas, fundada em 1884, com seus 3.000 membros de todas as partes do mundo (junto com sua êmula de igual nome na Alemanha, a *Villard de Honnecourt* de Paris, a Academia Maçônica de Letras do Rio de Janeiro, etc.) e de dizer que todos os trabalhos apresentados em Loja são lidos, discutidos e, posteriormente, publicados anualmente nas famosas atas *Ars Quatuor Coronatorum* (Trabalhos dos Quatro Coroados) — que registram discussões, biografias e críticas de livros, esplêndida e abundantemente ilustradas, comportando atualmente mais de 80 volumes (isto em 1976) —, acrescenta a restrição do venerável Marius Lepage, extraída de sua obra *L'Ordre et les Obédiences*:

> "Entretanto, os nossos irmãos ingleses não tiraram desta superabundante riqueza todo o partido que normalmente se poderia esperar. Isto é devido, e darei exemplos, ao temperamento particular dos maçons ingleses, para quem todas as discussões relativas a assuntos políticos e religiosos são estritamente proibidas em Loja. Veremos mais adiante que uma discussão sobre o aspecto religioso do pensamento de Anderson não pode ser levada a fundo por causa dessa proibição."

Esta grave advertência de Lepage deve nos obrigar a uma séria meditação porque, segundo minha observação pessoal, é também, salvo melhor juízo, o ponto fraco de determinadas correntes maçônicas e de certos maçons brasileiros. Isso pode arrastar a instituição a uma verdadeira estagnação, contrariando frontalmente uma das diretrizes das Constituições, que determina **a investigação constante da verdade**.

Prova disso é o inquérito feito em 1973 pela CNBB, ao qual responderam 182 maçons. Pode não ser decisivo (já que, para ser definitivo, dever-se-ia inquirir todos os maçons brasileiros), mas já é um resultado provisório apreciável que nos deve levar à meditação: dos 182, 81 responderam que a Maçonaria em nada influi em sua religião, quando, em nosso parecer, deveria ter influenciado, e influenciado para melhor.

## Parte VII: As Perguntas Fundamentais do Homem

Ora, meus caros ex-alunos, como disse então e repito agora, para que esta afirmação também fique registrada: se devemos **investigar** a verdade sob todos os ângulos e em todos os seus aspectos e terrenos — no histórico (como estão fazendo superabundantemente os maçons), no geográfico, no das ciências positivas, no da sociologia, da economia, da Política (com "P" maiúsculo, excluindo a partidária), no filosófico, etc. —, devemos fazê-lo sobretudo no que toca mais profundamente o homem: o aspecto religioso.

Porque, quer queiramos ou não, todo homem é um filósofo, assim como todo homem é um teólogo. Cedo ou tarde, todo ser humano racional acaba se perguntando:

E quer, evidentemente, respostas claras a estas três perguntas fundamentais. É tal a necessidade que, se não atender a este reclamo de sua natureza profunda, o indivíduo acaba em desconcerto mental. Poderia agora adentrar na psicanálise e na psiquiatria, mas basta, por ora, a citação que fiz em aula e registro aqui do Dr. C. G. Jung, grande psiquiatra e discípulo de Freud (embora nem sempre concordasse com o Mestre):

> "Durante os últimos trinta anos, pessoas de todos os países civilizados têm vindo consultar-me. Tenho tratado muitos milhares de pacientes... Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, com mais de trinta e cinco anos, nem um só tem havido cujo problema, como último recurso, não fosse o de encontrar uma perspectiva religiosa da vida. Pode-se afirmar com segurança que cada um deles caiu doente porque havia perdido aquilo que as religiões vivas de todos os tempos têm dado a seus seguidores, e nenhum deles ficou curado senão quando recuperou a sua fé religiosa". *(cf. "Modern Man in Search of a Soul", pg. 264, cit. por Fulton J. Sheen em "Peace of Soul", trad. de Oscar Mendes sob o tít. "Angústia e Paz", Ed. Agir, 1950, 281 pgs., pg. 55).*

Discutimos um pouco a conveniência ou não de tratar do assunto em Loja. Infringiria o Artigo 6º de Anderson?

Seja como for, não poucos têm levado ao extremo o espírito desta proibição, o que é um grave erro que conduz à estagnação. Como já disse, isso contrariaria nossas aspirações mais profundas, já que o homem é tanto um animal religioso quanto um animal filosófico. Ele tem necessidade de Deus. Entreter-se com Deus, como conclui uma das ciências positivas mais novas, a **Fenomenologia Religiosa**, é uma atividade conatural ao homem. Afirma ela que:

> "Não há religião sem experiência religiosa, isto é, sem que o homem tenha experimentado pessoalmente, com maior ou menor intensidade, a realidade de um poder superior ou de forças superiores que fundam e mantêm a existência do mundo e do próprio homem".

E conclui:

> "Quando, pois, cientistas e filósofos afirmam que a experiência religiosa é uma 'ilusão', deve-se pensar que algo não corre bem com eles: ou estão de tal forma intoxicados pelo seu cienticismo e racionalismo que já não conseguem perceber 'as coisas do espírito', ou sofrem de algum 'complexo antirreligioso' que lhes bloqueia a capacidade de perceber o que há de profundo e grandioso na experiência religiosa".


Comentários