sábado, 20 de julho de 2024

Os Evangelhos Apócrifos

Em tese, tudo aquilo que importa para o cristianismo sobre a vida de Jesus está contada em quatro textos não muito longos, atribuídos a quatro dentre os primeiros de seus seguidores: Mateus, Marcos, Lucas e João. No total, são 89 capítulos narrando as principais passagens daquele judeu pobre nascido na Palestina que arrebanhou discípulos por suas pregações e, conta-se, teria realizado alguns milagres. Para os cristãos, estas narrativas contêm “a verdade”. Contudo, é de se imaginar que não foram as únicas versões sobre a vida de Jesus que circularam na Antiguidade. E que, se os evangelhos canônicos se atêm basicamente sobre a vida adulta e a morte — e o episódio da chamada ressurreição —, outros textos também se ocuparam em preencher lacunas a respeito daquele personagem que, nos primeiros séculos da nossa era, começava a se tornar um mito, famoso e conhecido a ponto de fazer nascer, a partir de suas histórias, uma nova religião: o cristianismo. Chamados de apócrifos, esses relatos que não foram incluídos no cânone oficial da Igreja sempre despertaram a curiosidade de religiosos, pesquisadores e historiadores. E a própria relação da Igreja Católica com esses textos também mudou: se no início sua leitura era malvista, tida até mesmo como uma postura herética, hoje se entende que esses textos enriquecem a experiência da fé — e se não são considerados “a verdade”, ao menos contêm elementos preciosos sobre a vida daqueles primeiros cristãos, os que se ocupavam em assentar as ideias e histórias de Jesus nas comunidades que passaram a seguir essa então nova religião. “Os evangelhos apócrifos e quase toda a literatura apócrifa do Segundo Testamento [o Novo Testamento] exerceram fascínio e despertaram curiosidade nos cristãos, desde a sua origem, com a visão alternativa dos grupos opositores ao cristianismo apostólico que, aos poucos, ia se tornando hegemônico”, comenta à BBC News Brasil o frade franciscano Jacir de Freitas Faria, membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (Abib), e autor de seis livros sobre os apócrifos. Faria estudou o tema em seu doutorado, realizado na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte, e mantém um canal no YouTube sobre o assunto. Segundo ele, o cristianismo popular devocional nos primeiros séculos “bebeu da vasta fonte apócrifa complementar aos textos canônicos”. “A influência dos apócrifos do Segundo Testamento foi, e continua sendo, objeto de estudo de muitos pesquisadores, os quais procuram entender os motivos da rejeição e da aceitação desses escritos ao longo da história do cristianismo”, acrescenta. A própria terminologia já é carregada de juízo de valor. “Apócrifo” vem do grego e significa “coisas escondidas”. “A importância dos apócrifos dependeu de condicionamentos históricos na vida da Igreja e do modo como ela entendeu a literatura apócrifa”, diz Faria. Para o teólogo e cientista da religião Marcelo da Silva Carneiro, pesquisador do cristianismo primitivo e professor na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), é preciso situar os apócrifos como “material elaborado a partir da cultura popular cristã primitiva, que registra elementos não comentados ou registrados nos textos que depois foram canonizados”. “A não aceitação [pela Igreja] está ligada a questões como a origem do documento não estar ligada a um apóstolo, ou ser de origem de grupos rivais dos ‘pais da Igreja’, ou por transmitir ideias que foram percebidas como desviantes daquelas que foram colocadas nos textos canonizados”, explica Carneiro, à BBC News Brasil. Quando o bispo Eusébio de Cesareia (265-339) resolveu fazer aquela que é considerada a primeira tentativa de organização dos textos cristãos que circulavam, ele classificou alguns como canônicos, inspirados, e opôs a eles os que considerou heréticos ou apócrifos — entendendo-os como “não confiáveis para a Igreja”, nas palavras de Faria. “O substantivo apócrifo tornou-se sinônimo de mentiroso”, contextualiza o frade franciscano. “O grande público e a maioria dos cristãos não conhecem o conteúdo desses textos pelo fato de a Igreja ter ensinado que eles fazem parte da literatura que se opôs ao cristianismo que se tornou hegemônico, sendo escritos após os textos canônicos. Tudo isso levou os cristãos a olharem os apócrifos com preconceito, sustentando a premissa de que são falsos, heréticos, fantasiosos e, portanto, não são critérios para a fundamentação do Jesus histórico”, acrescenta. Na introdução do livro Evangelhos Apócrifos - Gregos e Latinos, uma edição traduzida e comentada pelo professor Frederico Lourenço, da Universidade de Coimbra, ele questiona por que “o termo ‘apócrifo’ evoca, de imediato, os sentidos pejorativos de ‘falso’ e de ‘herético’?”. Lourenço prossegue afirmando que, de certo, é “porque se projetou nele um juízo de valor acerca de textos cristãos não canônicos, tidos como falsificações atentatórias da ortodoxia”. Professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) A não aceitação [pela Igreja] está ligada a questões como a origem do documento não estar ligada a um apóstolo, ou ser de origem de grupos rivais dos ‘pais da Igreja’, ou por transmitir ideias que foram percebidas como desviantes daquelas que foram colocadas nos textos canonizados”, explica Carneiro, à BBC News Brasil. Quando o bispo Eusébio de Cesareia (265-339) resolveu fazer aquela que é considerada a primeira tentativa de organização dos textos cristãos que circulavam, ele classificou alguns como canônicos, inspirados, e opôs a eles os que considerou heréticos ou apócrifos — entendendo-os como “não confiáveis para a Igreja”, nas palavras de Faria. “O substantivo apócrifo tornou-se sinônimo de mentiroso”, contextualiza o frade franciscano. “O grande público e a maioria dos cristãos não conhecem o conteúdo desses textos pelo fato de a Igreja ter ensinado que eles fazem parte da literatura que se opôs ao cristianismo que se tornou hegemônico, sendo escritos após os textos canônicos. Tudo isso levou os cristãos a olharem os apócrifos com preconceito, sustentando a premissa de que são falsos, heréticos, fantasiosos e, portanto, não são critérios para a fundamentação do Jesus histórico”, acrescenta. Na introdução do livro Evangelhos Apócrifos - Gregos e Latinos, uma edição traduzida e comentada pelo professor Frederico Lourenço, da Universidade de Coimbra, ele questiona por que “o termo ‘apócrifo’ evoca, de imediato, os sentidos pejorativos de ‘falso’ e de ‘herético’?”. Lourenço prossegue afirmando que, de certo, é “porque se projetou nele um juízo de valor acerca de textos cristãos não canônicos, tidos como falsificações atentatórias da ortodoxia”. Professor na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do cristianismo primitivo, o historiador André Leonardo Chevitarese defende que é melhor evitar usar o termo apócrifo “porque, de alguma forma, isso é uma maneira de jogar uma sombra sobre as boas-novas que não entraram no corpus do Novo Testamento e, ao mesmo tempo, lançar luz sobre aqueles quatro evangelhos que fazem parte do Novo Testamento”. “Tudo é literatura antiga cristã, então [nesse contexto] não existe apócrifo, não existe texto canônico. O que existe são literaturas produzidas por autores cristãos”, argumenta ele, à BBC News Brasil. “Esses evangelhos que não entraram no corpus do Novo Testamento falam sobre experiências reais e concretas, de como ao menos o autor do texto via e experimentava o que era o cristianismo. Esse é o ponto central”, diz ele. “O corpus [ou seja, os livros canônicos, que acabaram eternizados pela Bíblia] não foi algo natural. Foi uma criação das elites cristãs no final do século 4º, início do 5º, e dali por diante”, afirma Chevitarese. Pintura do século 19, de Carl Heinrich Bloch, ilustra a ressurreição de Jesus ao lado de dois anjosCRÉDITO,DOMÍNIO PÚBLICO Legenda da foto,Pintura do século 19, de Carl Heinrich Bloch, ilustra a ressurreição de Jesus ao lado de dois anjos Quantidade é incerta — e mais podem ser descobertos Ainda hoje fragmentos de textos considerados apócrifos acabam sendo descobertos por arqueólogos em escavações ou mesmo historiadores que se dedicam a decifrar textos antigos arquivados em bibliotecas pelo mundo. E, claro, uma infinidade de obras deve ter sido escrita e seus registros se perdido completamente, sem que chegassem aos tempos atuais. “Há uma lista muito extensa de livros apócrifos. Centenas, dependendo de como se os conta”, comenta à BBC News Brasil o teólogo, filósofo e jornalista Domingos Zamagna, professor na Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP) e na Faculdade São Bento. “Chegaram até nós nos idiomas latim, grego siríaco, copta, armênio, georgiano, paleoeslavo e etiópico antigo”, diz ele. Zamagna conta que “há manuais que elencam 113 livros apócrifos, 52 do Antigo Testamento e 61 do Novo, certamente serão encontrados ainda outros”. “Ao longo de mais de mil anos [do século 2 a.C ao século 10 d.C], muitos livros considerados apócrifos foram escritos, sobretudo nos três primeiros séculos do cristianismo”, contextualiza o religioso Faria. “A lista dos livros apócrifos é grande. São em torno de 52 livros que dizem respeito ao Primeiro Testamento [o Antigo Testamento] e 128 ao Segundo Testamento, totalizando 180, computando livros e fragmentos encontrados.” O especialista pontua que mais de 30 deles foram escritos nos 2 primeiros séculos de nossa era. “Na minha próxima obra sobre o tema, estarão traduzidos a maioria deles”, conta. — a previsão é de que o livro saia em agosto deste ano. Dentre esses textos, o cientista da religião Carneiro lembra que ao menos 15 são evangelhos — ou seja, narrativas que procuram compreender de Jesus. “Apenas alguns foram preservados de forma completa, como o Evangelho de Tomé. Muitos outros tiveram o manuscrito corrompido ou foram encontrados apenas fragmentos, como é o caso do Evangelho Sobre a Infância de Jesus”, acrescenta. Lacunas preenchidas Maria Madalena e Jesus, em obra de Ciro Ferri, do século 18CRÉDITO,DOMÍNIO PÚBLICO Legenda da foto,Maria Madalena e Jesus, em obra de Ciro Ferri, do século 18 Lourenço escreve que parte dos evangelhos apócrifos dedicou-se à alegada “revelação de ditos que Jesus teria proferido em contexto privado, tendo como únicos ouvintes os 12 apóstolos e Maria Madalena”. Outros buscaram “dar resposta à curiosidade dos cristãos sobre a biografia de Jesus”, incluindo aí sua infância e adolescência — períodos não contemplados por Marcos e João e pouquíssimo abordados por Lucas e Mateus. “A descoberta dos livros apócrifos é um mundo novo que se abre para muitos judeus e cristãos. Adentrar nessa literatura não é fácil”, pontua Faria. “Os apócrifos do Primeiro Testamento procuraram discutir questões judaicas como a predestinação, o destino dos pagãos, a salvação e o juízo de Deus em relação ao ser humano”, diz ele. Como os evangelhos canônicos negligenciaram muitos aspectos da biografia de Jesus, há textos apócrifos que procuram suprir as lacunas, com tais informações tendo sido possivelmente inventadas no segundo século. Pesquisador associado da Hagiography Society, nos Estados Unidos, o estudioso de textos antigos Thiago Maerki destaca à BBC News Brasil que “alguns elementos em que a Igreja acredita atualmente surgiram da leitura de textos apócrifos”. Exemplos são o dogma da virgindade de Maria e a narrativa de sua assunção aos céus. “A Igreja não pode ignorar. São textos antigos que remontam uma tradição antiga da Igreja. São registros de crenças e tradições daqueles cristãos do início do cristianismo, que muitas vezes estavam à parte do ensinamento oficial”, comenta ele. Outra história cujos detalhes só aparecem em texto apócrifo é a de José, o carpinteiro que teria sido o pai humano de Jesus. “Há um evangelho que conta o que teria acontecido com ele e como havia sido o relacionamento entre os dois”, descreve à BBC News Brasil o teólogo e historiador Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Parece-me que a preocupação desses evangelhos era cobrir pontos obscuros da vida de Jesus”, pontua o professor. “A análise interna do material não canônico […] pode evidenciar sua dependência das tradições conhecidas como canônicas, em relação às quais tende a explicar, a seu modo, o que nas narrações sobre Jesus não ficava claro, o que a nível popular parecesse pouco claro”, comenta à BBC News Brasil o padre barnabita Giovanni Rizzi, professor emérito da Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. “Provavelmente se trata de elaborações lendárias, sem real fundamento histórico, mas com a intenção de responder a necessidades populares concretas”, diz ele. Um exemplo é como o episódio da ressurreição de Jesus é narrado no Evangelho de Pedro. “Enquanto nos textos canônicos nunca se descreve o momento da ressurreição de Jesus no seu sepulcro, neste não canônico se fala do terremoto, do estupor dos guardas e de Jesus que sai ressuscitado ao lado de dois anjos, com o estandarte da cruz”, comenta o padre Rizzi. Santa Ana, com Maria ao colo, em ícone grego feito por Angelos Akotandos no século 15CRÉDITO,DOMÍNIO PÚBLICO Legenda da foto,Santa Ana, com Maria no colo, em ícone grego feito por Angelos Akotandos no século 15 “A iconografia acolhida em nossas igrejas recorre facilmente a essas imagens não canônicas para dizer algo sobre o momento da ressurreição”, pontua Rizzi. “Representações iconográficas da anunciação do anjo a Maria são outras tantas elaborações baseadas em textos não canônicos.” O padre explica que “a elaboração não canônica tenta conciliar dados diferentes das tradições cristãs em um único relato imagético”. Outro ponto interessante é que os evangelhos da Bíblia mencionam “irmãos” de Jesus — hoje isso costuma ser interpretado na realidade como “parentes”, como primos, membros do mesmo clã familiar. “Nos evangelhos não canônicos sobre a infância de Jesus, pensou-se em resolver a questão da virgindade de Maria, a mãe de Jesus, elaborando uma explicação de que José, quando se casou com Maria, já era bastante velho e, viúvo, teria vários filhos e filhas de um casamento anterior”, acrescenta Rizzi. E, assim, “mesmo sem aprovação eclesiástica”, como frisa o teólogo Zamagna, os escritos apócrifos sobreviveram — justamente porque trouxeram respostas a questões que passaram a circular entre os primeiros cristãos. “Serviram para cultivar algumas religiosidades populares e fornecerem algumas informações, como os nomes dos pais de Maria, Joaquim e Ana; os pormenores do nascimento de Jesus numa gruta, com a presença de um boi e um jumento; o número e os nomes dos magos; o nome do soldado romano que perfurou com a lança o lado de Cristo; elementos para a iconografia cristã”, enumera o teólogo. “Os apócrifos cristãos procuram preencher lacunas sobre a vida de Jesus e seus seguidores, sejam de forma complementar, aberrante ou alternativa em relação aos canônicos, ainda que tenham recebido influências de cristianismos gnósticos”, diz Faria se referindo à doutrina religiosa dos primeiros séculos da Igreja que mistura aspectos do cristianismo com judaísmo e algumas crenças orientais vigentes na região. Ele classifica os apócrifos do Novo Testamento em três grupos. Os aberrantes são aqueles que exageram nas descrições de Jesus e seus seguidores. Os complementares trazem informações adicionais aos textos canônicos, “demonstrando que havia outras formas de pregação e catequese, sendo que algumas foram compiladas nos apócrifos, outras se mantiveram na oralidade”. E os alternativos, que traziam narrativas não compatíveis com o cristianismo que se tornou status quo. “Os apócrifos resgatam a face dos cristianismos perdidos ou excluídos, possibilitando-nos o conhecimento dessas correntes de pensamento condenadas ao ostracismo, nas quais poderiam estar traços do pensamento de Jesus que foram aplastados pelo cristianismo que se tornou hegemônico”, destaca Faria. “Os apócrifos do Novo Testamento revelam a luta desenfreada pelo poder, nos primórdios do cristianismo, entre suas lideranças. Nesse sentido, os apócrifos, sobretudo os gnósticos, evidenciam o papel, a liderança da mulher na era apostólica”, exemplifica ele. A assunção de Maria aos céus, em obra de Rubens, do início do século 17CRÉDITO,DOMÍNIO PÚBLICO Legenda da foto,A assunção de Maria aos céus, em obra de Rubens, do início do século 17 Nesse quesito, Maria Madalena é o melhor exemplo. “Em dois livros de minha autoria sobre o evangelho de Maria Madalena ressalto a importância dela e sua relação com Pedro, no que se refere ao poder de liderança apostólica. Ela não aparece como prostituta nesse evangelho e tampouco nos evangelhos canônicos. No apócrifo ela é mestra e detentora dos ensinamentos do mestre”, salienta. “As mulheres nesses materiais sempre têm um forte protagonismo, colocadas como líderes e até apóstolas”, complementa Carneiro. O historiador Chevitarese também destaca a importância da narrativa desse evangelho, como um “bom exemplo acerca das tensões que gravitavam em torno dos papéis de liderança nos movimentos de Jesus sem Jesus ao longo dos três primeiros séculos”. Outro texto que ele comenta é o o chamado Evangelho de Judas, que dá um significado diferente ao episódio da traição do apóstolo. “Eles abordam a figura de Judas com Jesus o convencendo de que ele precisava agir, precisava matar o corpo de Jesus para liberar sua alma, o seu espírito. É uma nova roupagem que mostra que havia, para algumas comunidades, o problema de um discípulo ter traído Jesus”, analisa Chevitarese. “Os apócrifos poderão eventualmente servir para completar aspectos da cultura, dos mitos, dos alcances e limites das diversas e longas épocas em que foi escrita e transmitida a Bíblia”, avalia o teólogo Zamagna. “O fato desses materiais não terem sido oficialmente canonizados não tirou deles o efeito de manter as tradições ricas. Muitas coisas que os cristãos hoje pensam e creem vêm de textos apócrifos, e não dos canônicos”, afirma Carneiro. Um exemplo que ele lembra é a afirmação de que os apóstolos Paulo e Pedro morreram em Roma. “[Isso] só pode ser explicado pelos apócrifos, que registram suas mortes”, destaca. “Os canônicos nada falam da morte deles. Coisas assim são colocadas à parte, e não se fala nelas”, ressalta. “Sobre Jesus, o que se fala são consideradas lendas, mas se compararmos com os textos canônicos, quando lidos com frieza e distância, não são muito diferentes. Logo, podem ter origem em situações concretas”, diz Carneiro. Críticas e controvérsias “Popularmente falando, apócrifo ou pseudoepígrafo designa um texto não autêntico, porque é de origem suspeita, duvidosa”, ressalta Zamagna. “O termo tem decididamente um sentido negativo atualmente”, acrescenta. “A Igreja Católica, há até bem poucas décadas, impedia aos leigos o acesso dos apócrifos. Eu, quando comecei a publicar sobre os apócrifos, em 2003, tive resistência por parte de vários bispos”, conta Faria. “Hoje, é mais tranquilo.” O cientista da religião Carneiro relata que a “Igreja Cristã” — ainda não denominada Católica — quando chegou às esferas do poder em Roma, “decidiu proibir toda essa literatura”. “Muita coisa foi queimada e perdida”, lamenta. “E, claro, os seguidores dessas tendências foram todos declarados hereges, em especial nos movimentos onde mulheres tinham mais espaço de poder”, diz ele. “Em diferentes momentos da história, a Igreja chegou a condenar quem usava esses textos”, afirma à BBC News Brasil o vaticanista Filipe Domingues, vice-diretor do Lay Centre, em Roma, e professor na Pontifícia Universidade Gregoriana, também em Roma. “A difusão desses textos nunca foi recomendada porque havia um medo de criar confusão. Mas agora, recentemente, há uma abertura mais científica a esses textos”, complementa. O teólogo Moraes lembra que tais narrativas, em sua maioria, começaram a circular no século 2. “Elas vão brotando e se consolidando. Vai haver basicamente quase 400 anos para que a Igreja tenha um mínimo de unanimidade em relação aos que deveriam ser canônicos e aqueles não aceitos”, contextualiza. Ao longo da história do cristianismo sempre houve posicionamentos contrários e a favor do uso desses textos. Ireneu de Lion (130-202), o Santo Irineu, foi um dos primeiros críticos. Segundo Zamagna, ele argumentava que tais livros continham “muitos erros”, intencionalmente “introduzidos para impressionar e confundir os simples”. Primeiro tradutor dos textos da Bíblia para o latim, o teólogo Euségio Sofrônio Jerônimo (347-420), São Jerônimo, foi uma evidente voz contra tais textos. “Defendeu que pouco se podia usufruir da literatura apócrifa. Para ele, essa literatura era um delírio”, comenta Faria. Outro santo, o teólogo e filósofo Agostinho de Hipona (354-430), tinha opinião diferente. “Ele reconheceu certo valor nos apócrifos”, diz o frade franciscano. A organização do cânone da Bíblia remonta a essa época, século 4. Foi quando aqueles considerados “pais da Igreja” foram determinando o que era “livro inspirado” e o que não deveria ser adotado como “a verdade”. O período foi de discussões intensas entre os líderes do cristianismo. “Havia uma agitação entre os membros daquele cristianismo primitivo. O debate fez com que alguns dos primeiros padres da Igreja escrevessem a respeito. Um deles disse que ‘muitos tentaram escrever o Evangelho: a Igreja possui quatro, as seitas antigas possuíam numerosíssimos’”, conta Maerki. Hoje, o acesso aos apócrifos não é condenado pelo Vaticano. Zamagna lembra, contudo, que “a Igreja não incentivou nem incentiva a sua leitura fora do âmbito dos estudos especializados”. “Atualmente, o pensamento da Igreja é que há coisas importantes nesses textos, embora nem tudo o que esteja ali, segundo a Igreja, seja ‘verdade de fé’. Hoje, certamente, a Igreja não proíbe esses livros”, avalia Maerki. Moraes destaca que a literatura apócrifa “ajuda a compreender mais e melhor como o cristianismo se articulava em seu momento inicial”, tendo um “valor inestimável”. Para o professor Lourenço, a leitura desses “textos marginalizados nos deixa vislumbrar o modo fascinante e diferenciado como as várias gerações de cristãos entenderam e veneraram a figura de Jesus”. “Interpreta-se hoje, na Igreja, que esses textos são documentos históricos, embora o que esteja ali não é entendido como ‘verdade’, já que do ponto de vista religioso entende-se que os evangelhos canônicos foram ‘revelados por Deus aos autores’. Mas reconhece-se o valor cultural e a necessidade de se olhar historicamente. “A principal relevância desse material é entender a pluralidade do protocristianismo, quando ainda não era uma instituição papal. Isso tem reverberação para os dias atuais”, acrescenta o cientista da religião Carneiro. Padre Rizzi comenta ainda que estudiosos contemporâneos valorizam tanto a literatura judaica quanto a cristão não canônica. “Porque tais textos refletem concepções, mesmo que parciais, mas ainda assim interessantes, para se entender o desenvolvimento das várias formas de judaísmo e cristianismo”, destaca. Livros sobre os Evangelhos Apócrifos: Em português: * Evangelhos Apócrifos (Companhia das Letras) - Tradução e organização de Frederico Lourenço: Uma obra completa que reúne os principais evangelhos apócrifos, com introduções e notas explicativas. * Os Evangelhos Apócrifos (Paulus Editora) - Luigi Moraldi: Uma visão geral dos evangelhos apócrifos, com foco em sua história, conteúdo e significado. * Evangelho de Judas (José Lázaro Boberg): Uma análise crítica do Evangelho de Judas, um dos evangelhos apócrifos mais famosos. * Evangelho de Maria Madalena (José Lázaro Boberg): Um estudo do Evangelho de Maria Madalena, outro evangelho apócrifo importante. Em inglês: * The Apocryphal Gospels (Oxford University Press) - Edited by Richard Bauckham: A comprehensive collection of apocryphal gospels in English translation. * The Nag Hammadi Library (HarperCollins) - Edited by Marvin Meyer: A translation of the Nag Hammadi Library, a collection of early Christian Gnostic texts that includes many apocryphal gospels. * The Secret Gospel of Mark (Harvard University Press) - Morton Smith: A controversial book that argues that the Secret Gospel of Mark is an authentic early Christian gospel. * Mary Magdalene in Early Christianity (Eerdmans) - Elaine Pagels: A study of the portrayal of Mary Magdalene in the early Christian texts, including the apocryphal gospels. Estudos sobre os Evangelhos Apócrifos: * The Apocryphal Gospels: An Introduction (Society of Biblical Literature) - Edited by Douglas E. Aune: A collection of essays that provide an introduction to the study of the apocryphal gospels. https://www.sbl-site.org/ * The Nag Hammadi Library and the Gnostic World (Brill) - Edited by Bentley Layton: A collection of essays that explore the Nag Hammadi Library and its significance for the study of Gnosticism. https://brill.com/display/serial/NHS?language=en * The Secret Gospel of Mark: A Critical Edition (Brill) - Morton Smith: A critical edition of the Secret Gospel of Mark, with an introduction and commentary. https://yalebooks.yale.edu/9780300254938/the-secret-gospel-of-mark * Mary Magdalene: Beyond the Myth (HarperOne) - Karen King: A study of the portrayal of Mary Magdalene in the early Christian texts, with a focus on the Gospel of Mary Magdalene. Esta é apenas uma pequena seleção dos muitos livros e estudos disponíveis sobre os evangelhos apócrifos. Espero que esta lista seja um bom ponto de partida para sua pesquisa.

sexta-feira, 19 de julho de 2024

O Urim e Tumim magia ou tecnologia?

O Urim e Tumim era um instrumento bíblico utilizado pelos sacerdotes judeus para obter respostas de Deus em questões específicas. Vamos explorar o significado e o contexto desse misterioso objeto: Significado e Origem: A expressão Urim e Tumim provém do hebraico e significa “luzes” e “perfeições” ou “luzes e completude” 1. Essa combinação de palavras é mencionada nas escrituras do Antigo Testamento e está associada ao Sumo Sacerdote de Israel. No entanto, a definição exata do Urim e Tumim permanece misteriosa, pois a Bíblia não descreve detalhadamente como funcionava ou como era usado. As informações disponíveis são limitadas. Contexto Bíblico: O Urim e Tumim estava relacionado ao peitoral do juízo, uma parte das vestes do sumo sacerdote (Êxodo 28:16). O peitoral do juízo continha pedras preciosas e era usado como um meio de discernir a vontade de Deus em decisões importantes. A passagem bíblica mais descritiva sobre o Urim e Tumim diz o seguinte: “Ponha também o Urim e o Tumim no peitoral do juízo, para que estejam sobre o coração de Arão sempre que ele entrar na presença do Senhor. Assim, Arão levará sempre sobre o coração, na presença do Senhor, os meios para tomar decisões em Israel” (Êxodo 28:30). Possíveis Funcionamentos: Existem duas sugestões principais sobre como o Urim e Tumim funcionava: Dois Objetos Idênticos: Alguns acreditam que o Urim e o Tumim eram dois objetos idênticos, possivelmente pedras preciosas, guardados em uma bolsa no peitoral do juízo. Quando necessário, o sumo sacerdote retirava um dos objetos da bolsa, e a resposta (sim ou não) era determinada pelo objeto escolhido. Dois Lados de Objetos Achatados: Outra hipótese sugere que havia dois objetos achatados idênticos, com um lado chamado de Urim e o outro de Tumim. Era como um “cara ou coroa”. Dependendo de qual lado aparecesse, a resposta era interpretada. Limitações e Desaparecimento: A Bíblia menciona que a resposta através do uso do Urim e Tumim poderia ser inconclusiva (1 Samuel 28:6), o que sugere que não era um método infalível. Após o período de Esdras e Neemias, o Urim e Tumim não é mais mencionado nas escrituras, e seu uso parece ter cessado. Em resumo, o Urim e Tumim era um meio pelo qual os sacerdotes buscavam a orientação divina em questões importantes. Embora seu funcionamento exato permaneça um mistério, sua importância espiritual e simbólica é evidente nas escrituras do Antigo Testamento. 2: Estilo Adoração 1: Significados 3: Salmos Bíblia Devocionais 4: The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints 5: Respostas Bíblicas

A Torre de Babel

A Torre de Babel é uma construção mencionada em uma narrativa mítica encontrada no livro de Gênesis, na Bíblia. Essa história é usada para explicar o surgimento da diversidade linguística da humanidade e a dispersão dos seres humanos pela Terra1. A História da Torre de Babel A história da Torre de Babel aparece no Antigo Testamento, mais precisamente no livro de Gênesis (capítulo 11). Nesse relato, todos os homens falavam a mesma língua e habitavam uma terra onde havia apenas uma maneira de falar. Determinados a construir uma cidade com uma enorme torre que alcançasse os céus, os homens se reuniram para erguer esse edifício ambicioso2. A Construção da Torre Os homens partiram do Oriente, encontraram uma planície na terra de Sinear e habitaram ali. Decidiram fazer tijolos e queimá-los bem, usando esses tijolos como pedra e betume como argamassa. A construção estava progredindo rapidamente até a intervenção divina2. Deus desceu para ver a obra que os homens faziam e confundiu a língua de todos os envolvidos na construção, fazendo com que falassem línguas diferentes. Assim, a diversidade de idiomas foi estabelecida, e os homens se espalharam pela Terra2. Significado e Interpretações A Torre de Babel é rica em simbolismo e pode ser interpretada de diferentes maneiras: Ambição humana: Uma das interpretações mais comuns é que a torre representa a ambição humana de alcançar a divindade. Os construtores da torre desejavam se igualar a Deus e se tornarem famosos, mas foram punidos por sua arrogância. Origem das línguas: A história explica por que temos tantos idiomas distintos na Terra. A confusão das línguas foi um castigo divino para impedir que os homens se entendessem e continuassem a construir a torre. Profusão de idiomas: A narrativa atravessa séculos como uma importante explicação para a diversidade linguística que encontramos hoje. Apesar das inquietações e da falta de evidências científicas de que a torre realmente existiu, o conto fundacional permanece como uma narrativa significativa sobre a origem das línguas e a relação entre a humanidade e o divino23. Portanto, a Torre de Babel continua a nos inspirar e a nos fazer refletir sobre nossa busca por conhecimento, ambição e as consequências de nossas ações coletivas.
A Torre de Babel, narrativa bíblica encontrada no livro de Gênesis, é um mito fundador que explica a origem das diferentes línguas. De acordo com a narrativa em Gênesis 11:1–9, a humanidade, unida nas gerações seguintes ao Dilúvio, falava uma única língua e migrou para o leste até a terra de Sinar (שִׁנְעָר). Lá, concordaram em construir uma cidade e uma torre alta o suficiente para alcançar o céu. No entanto, Deus, observando a cidade e a torre, confundiu sua fala para que não se entendessem mais e os espalhou pelo mundo. A Torre de Babel é considerada um mito, mas alguns estudiosos modernos associaram-na a estruturas conhecidas, como o Etemenanqui, um zigurate dedicado ao deus mesopotâmico Marduque na Babilônia1. Quanto à língua hebraica, ela é uma das mais antigas do mundo e desempenha um papel crucial na história religiosa, cultural e linguística. A Bíblia original, a Torá, que os judeus ortodoxos consideram ter sido escrita na época de Moisés, há cerca de 3.300 anos, foi redigida no hebraico dito “clássico”. Embora hoje em dia seja uma escrita foneticamente impronunciável devido à inexistência de vogais no alfabeto hebraico clássico, os judeus sempre a chamaram de “A Língua Sagrada” (לשון הקודש ou Lashon ha’Kodesh), acreditando que foi escolhida para transmitir a mensagem de Deus à humanidade. Após a destruição de Jerusalém pelos babilônios em 587 a.C., o hebraico clássico foi substituído no uso diário pelo aramaico, tornando-se primariamente uma língua franca regional usada na liturgia, no estudo do Mixná (parte do Talmude) e no comércio. O hebraico renasceu como língua falada no final do século XIX e início do século XX como o hebraico moderno, adotando elementos de idiomas como árabe, ladino (língua dos judeus sefarditas), iídiche (língua dos judeus oriundos da Europa) e outras línguas que acompanharam a Diáspora Judaica. Atualmente, o hebraico é falado pela maioria dos habitantes do Estado de Israel, sendo a língua oficial primária2. Quanto às línguas mais antigas faladas da humanidade, aqui estão algumas delas: Sumério: Originário do sul da Mesopotâmia, o sumério foi descrito pela primeira vez em 3.100 a.C. e é considerado o idioma mais antigo existente3. Sânscrito: Uma das línguas mais antigas da Índia, o sânscrito tem uma rica tradição literária e é a língua sagrada dos textos budistas. Hitita: Falado no antigo Império Hitita, o hitita é uma língua indo-europeia. Tâmil: Originário do sul da Índia, o tâmil tem uma história literária rica e é falado por milhões de pessoas. Língua avéstica: Uma língua antiga do Irã, usada nos textos religiosos do zoroastrismo. Essas línguas têm raízes profundas e continuam a ser estudadas e preservadas por sua importância histórica e cultural43. Além disso, estudos recentes mostram que muitas línguas compartilham sons semelhantes, mesmo sem parentesco, o que sugere que a relação entre palavra e significado pode não ser tão arbitrária quanto se pensava anteriormente2. A diversidade linguística é fascinante e revela a riqueza da comunicação humana ao longo da história. A intrigante história da Torre de Babel é encontrada no capítulo 11 do livro de Gênesis na Bíblia e tem capturado a imaginação e curiosidade dos leitores há séculos. Vamos explorar algumas perspectivas e lições relacionadas a esse evento marcante: Construção da Torre de Babel: A narrativa começa com a humanidade vivendo em unidade, compartilhando uma única língua e um propósito comum: construir uma torre que alcançasse os céus. A ambição desmedida e a arrogância dos construtores desencadeiam a ira de Deus, que confunde suas línguas, criando assim as diferentes línguas que conhecemos hoje1. Essa aspiração de construir uma torre monumental reflete a ambição e a grandeza do espírito humano, desejando alcançar alturas inimagináveis e deixar uma marca indelével na história. Confusão Linguística e Dispersão: A intervenção divina resulta na confusão das línguas e na dispersão da humanidade. A história da Torre de Babel não é apenas uma narrativa; ela explora as complexidades da natureza humana e os limites do conhecimento humano. Oferece lições sobre a importância da humildade e do respeito pela diversidade. Genealogia de Sem a Terá: O capítulo também apresenta a genealogia de Sem a Terá, destacando os descendentes de Sem e a linhagem que leva a Abraão. Reflexões: A Torre de Babel nos convida a refletir sobre nossa própria busca por grandiosidade e as consequências de nossas ações. Ela nos desafia a explorar questões profundas sobre a natureza humana e a relação com o divino, enquanto nos lembra da importância de reconhecer e valorizar a diversidade que enriquece nosso mundo. Em resumo, a história da Torre de Babel transcende o tempo e continua a nos ensinar sobre a complexidade da condição humana e a necessidade de humildade e compreensão mútua12. 🌟 A língua inglesa tem uma história de cerca de 1500 anos e sua origem e evolução estão divididas em três períodos distintos: Old English: Essa foi a primeira forma do idioma, em voga entre os séculos V e XI. O Old English surgiu com os idiomas falados pelos povos germânicos que, a partir do século V, ocuparam a atual Inglaterra. Destacam-se os Anglos e os Saxões como os principais grupos. O vocabulário do Old English evoluiu gradualmente, e com a introdução do cristianismo, ocorreu a primeira influência de palavras do latim e do grego. Além disso, invasores escandinavos que falavam o nórdico antigo também influenciaram o inglês nesse período1. Middle English: Esse período de desenvolvimento médio ocorreu entre os séculos XI e XVI. O Middle English teve início com a batalha de Hastings em 1066, quando o rei William, o Conquistador, derrotou o exército dos anglo-saxões e impôs suas leis, seu sistema de governo e sua língua, o francês. Novas palavras foram incorporadas à língua falada pelas pessoas comuns, como servos e escravos. Muitos desses termos passaram a ser usados na corte e no militarismo, adquirindo um elevado status social1. Modern English: A forma moderna do idioma inglês data a partir de 1550, quando a Grã-Bretanha se tornou um império colonial, espalhando-se por todos os continentes. Comparado ao inglês moderno, o Old English é quase irreconhecível tanto na pronúncia quanto no vocabulário e na gramática. A evolução do inglês ao longo de 1500 anos foi influenciada por outras línguas, incluindo o celta, o latim e o francês. Além disso, o vocabulário acumulado das mais diversas línguas de todo o globo também contribuiu para a configuração atual do inglês, especialmente devido à expansão do Império Britânico no século XIX e à posterior expansão dos Estados Unidos12. A fascinante história da língua portuguesa tem suas raízes no latim vulgar, que era a forma cotidiana do latim falada pelas pessoas comuns do Império Romano. No entanto, a formação da língua portuguesa também foi influenciada por outros fatores e povos. Vamos explorar essas origens e entender como a língua evoluiu ao longo do tempo: Latim Vulgar e Romanização: O latim vulgar foi introduzido na Península Ibérica pelos conquistadores romanos. Essa forma de latim era usada pelas pessoas comuns e diferia do latim clássico, que era a língua oficial de Roma. Com a queda do Império Romano no século V, as tribos germânicas invadiram a Península Ibérica, trazendo consigo suas línguas. Essa interação entre o latim vulgar e as línguas germânicas contribuiu para a formação do galego-português1. Galego-Português: O galego-português foi o idioma falado na Galiza, na atual Espanha, e nas regiões portuguesas do Douro e Minho. Esse idioma permaneceu até o século XIV e foi uma fase importante na evolução da língua portuguesa. Português Arcaico: O português arcaico é o idioma falado entre o século XIII e a primeira metade do século XVI. Durante esse período, começaram os estudos gramaticais da língua portuguesa, e as primeiras publicações com verbetes semelhantes ao idioma atual foram encontradas. Português Moderno: O português moderno é o idioma falado atualmente no Brasil e nos demais países lusófonos. A unificação de Portugal, que ocorreu no século XIII, marcou a definição de um idioma para o país. O galego passou a ser a língua oficial, e o idioma foi definido como galego-português. Também foi nesse período que a língua portuguesa começou a se consolidar como a língua oficial do Estado português. Influências Locais e Diversidade: O processo de expansão territorial português levou a língua a quatro continentes. No Brasil, o idioma sofreu influências locais, incluindo palavras de origem indígena e africana. O Brasil apresenta uma imensa diversidade linguística, com diferentes dialetos regionais, como o amazônico, nordestino, baiano, fluminense, mineiro e sulista. Acordo Ortográfico: Em 12 de outubro de 1990, os países lusófonos assinaram o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, buscando padronizar a escrita em todos os países que falam português1. Em resumo, a língua portuguesa tem uma rica história, com influências do latim vulgar, das línguas germânicas e das culturas locais. Hoje, é uma língua global, falada em diversos países e continentes, e continua a evoluir com o tempo123. Estudo de línguas mortas e extintas revela histórias e culturas do passado indo-europeu O professor José Marcos Mariani de Macedo, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, reforça a relevância do aprendizado da linguística fora do mainstream: “Cada língua tem especificidades que podem iluminar as demais línguas. Além disso, um estudo mais aprofundado da língua, em seu aspecto histórico e diacrônico, ilumina também os documentos da cultura”. Buscando expandir essa perspectiva, Macedo deu início ao Grupo de Estudos de Línguas Indo-Europeias Antigas (Geliea) no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, projeto que visa a aproximar estudantes e pesquisadores do que se chama de indo-europeística — o estudo das línguas indo-europeias. A linguística indo-europeia antiga consiste nos idiomas presentes no território europeu e em parte do asiático, atestados desde o século XIV a.C. até o século XV d.C. O grupo estuda línguas como sânscrito védico, hitita, grego antigo, tocário, latim, osco, celta e eslavo eclesiático antigo. São línguas, em sua maioria, mortas ou extintas, mas elas não estão tão distantes assim da realidade atual, explica o professor. “Pelo seu estudo, por serem línguas de mais remota atestação, o entendimento das línguas modernas é totalmente reconfigurado. A compreensão da gramática do alemão moderno, por exemplo, é facilitada pelo conhecimento do gótico e do alto e médio alemão antigo”1. Muitas dessas línguas, de atestação mais remota, são documentos religiosos ou poéticos. Então, a língua te dá acesso não só a ela própria, mas também à cultura, à antropologia e a vários outros fatores. O estudo da língua é uma porta de entrada, e sobretudo, um aprofundamento no conhecimento histórico e geográfico. “Estudar essas línguas envolve saber onde eram faladas e conhecer a geografia do local. No tocário, por exemplo, que é a língua de atestação mais a leste do globo, na China, é preciso entender como os documentos surgiram, porque eram sobretudo documentos de origem budista, e explicar a que eles dizem respeito”1. Acompanhe as atividades do Grupo de Estudos de Línguas Indo-Europeias da FFLCH USP pelo site aqui.1

terça-feira, 16 de julho de 2024

A Vida é um Sonho de Deus

O Logos, ou o Divino Verbo, estará sempre em processo de sublime criação. Sua Magna Obra veio a ser concebida no silêncio de uma “noite”, quando novamente acordou para mais um “dia”, dando assim origem à Luminosidade. Tanto o espírito quanto a matéria, que no Seio do Eterno sempre coexistirão de forma maravilhosa, não são absolutamente permanentes – somente passando a existir durante um determinado período de manifestação. Esse Verbo, a Causa Primeira de Todas as Coisas, que tudo contém sem no entanto por nada ser contido, torna-se assim imanente em todas as coisas, uma vez que o Universo visível nada mais é do que a imagem concreta de uma abstração ideal, plasmada segundo o modelo de uma Primeira Ideação Divina, pré-existente desde toda a insondável eternidade! Os verdadeiros Evangelhos, isto é, os considerados “apócrifos” e por isso mesmo ocultados às massas, são bem claros ao afirmar que “se Deus dormisse ou parasse de sonhar o Universo desapareceria instantaneamente” Os antigos místicos ensinavam que toda a criação não passa de uma visualização de Deus e que no princípio era apenas a Mente, que através de um mistério profundo residia em Si Mesma. E nos seus sonhos indescritíveis e sublimes visualizava miríades de mundos – habitados pelas mais exóticas e fascinantes criaturas! Então, em um dado momento, estabeleceu a primeira e a mais elevada das suas Leis: Todo o Amor Sozinho Jamais Passará de Uma simples Metade! E o Amor, naquela que foi a sua expressão mais pura, necessitando portanto da sua contraparte, apoderou-se daqueles sonhos sublimes, saturando-os de uma intensa Luz! Aí estava o Ponto-Zero do nosso fantástico Universo, pois aquela Força Mental Sublime tornando-se maravilhosamente o Pai e também a Mãe, saturada daquele imenso e luminoso Amor, sentiu necessidade imperiosa de CRIAR. Então, Ela se fragmentou, expandindo-se, através de um movimento contínuo e progressivo que perdura até os dias atuais. Miríades de mundos, não menos habitados do que o nosso, espalham-se certamente por este e quem sabe por muitos outros Universos, situados em inúmeras outras dimensões que não as física e material a que estamos habituados e condicionados a conhecer, interpenetrando-se de maneira fantástica –assim como hoje a própria ciência verdadeiramente de vanguarda tende a reconhecer! E essa ciência, diante daquilo que classifica como “um imenso número de coincidências físicas altamente improváveis”, vem a cada dia que passa se curvando diante da enorme sabedoria do passado, ao constatar que existe de fato uma Suprema Inteligência, a qual, na falta de uma denominação talvez melhor e mais apropriada, chamamos DEUS. Cientistas sérios e renomados estão plenamente cientes de que o Universo não aconteceu por mero acaso e é até mesmo dirigido por aquilo que chamam de uma “observação participante”! Essa diretriz inteligente é regida por uma constante numérica, ou seja, números com a magnitude de 1 seguido por 40 zeros (equivalente a 10 elevado à trigésima nona potência!) e que está presente desde a minúscula partícula do átomo até a mais grandiosa galáxia. Isso que também classificam de Isotropia Inteligente, por outro lado, é prioritariamente dirigido no sentido específico de criar a VIDA, o que em outras palavras significa que essa mesma vida é uma constante em todos os rincões do espaço sideral! As diversas equações matemáticas igualmente provam a espantosa existência de uma Força Planejadora que movimenta e mantém todas as coisas, uma espécie de MENTE que permeia tudo! Foi, assim, constatado que uma movimentação de átomos gera uma radiação de 3 graus Kelvin, um tipo de corrente uniformemente ionizada que banha todo o Cosmo com restos arrefecidos de uma expansão (ou explosão inicial) extremamente quente, ocorrida há muitos bilhões de anos. Essa radiação, um tipo de energia extremamente rara, é responsável pela geração da vida quimicamente organizada onde quer que existam as condições favoráveis para seu desenvolvimento. E isso não é tudo: essa Diretriz Inteligente que permeia tudo, bifurcou o Universo criando também uma infinidade de MUNDOS PARALELOS e descontínuos, dotados igualmente da mais alta probabilidade de sustentação de vida! De espanto em espanto, os mais notáveis cientistas concordam com os Mestres do passado, que afirmavam ser Deus Essencialmente Matemático e portanto Absolutamente Justo. De fato, a mais pura de todas as matemáticas se manifesta em toda a Criação. B L I O G R A F I A : NAS FRONTEIRAS DO DESCONHECIDO – Sérgio O. Russo – Ed. Tecnoprint Ediouro http://theshadowlands.net www.gcom1.net/sosem.htm Sorusso@starmedia.com Sorusso66@hotmail.com

domingo, 7 de julho de 2024

A Lista dos Reis Sumérios anteriores ao dilúvio mítico.

A tarefa de listar todos os escritores e textos que abordam os reis sumérios anteriores ao Dilúvio é bastante ampla, pois a história dos reis sumérios é um tema que tem sido explorado por muitos historiadores, arqueólogos e estudiosos ao longo dos anos. Aqui estão alguns pontos principais: 1. **Escrituras e Tábuas Sumérias Originais**: - **Lista de Reis Sumérios (Sumerian King List)**: Esta é a principal fonte primária sobre os reis sumérios anteriores ao Dilúvio. As tábuas sumérias que contêm esta lista foram descobertas em várias escavações, como em Nippur, Isin, Larsa e outras cidades sumérias. As versões mais famosas são as tábuas WB 444 (Museu da Universidade da Pensilvânia) e a tábua de Weld-Blundell (Museu Ashmolean, Oxford). 2. **Estudos sobre o Assunto**: - **Thorkild Jacobsen**: Um dos principais estudiosos da literatura suméria, Jacobsen traduziu e interpretou a Lista de Reis Sumérios em seu livro "The Sumerian King List". - **Samuel Noah Kramer**: Outro importante assiriologista que escreveu extensivamente sobre a história e a literatura suméria, incluindo traduções e análises da Lista de Reis Sumérios. - **Gwendolyn Leick**: Em seu livro "Who's Who in the Ancient Near East", Leick discute os reis e as dinastias sumérias. 3. **Lista Completa dos Reis Sumérios Anteriores ao Dilúvio**: - **Alulim** de Eridu: Reinou por 28.800 anos. - **Alalngar** de Eridu: Reinou por 36.000 anos. - **Enmenluanna** de Bad-Tibira: Reinou por 43.200 anos. - **Enmengalanna** de Bad-Tibira: Reinou por 28.800 anos. - **Dumuzid, o Pastor** de Bad-Tibira: Reinou por 36.000 anos. - **Ensipazianna** de Larak: Reinou por 28.800 anos. - **Enmenduranna** de Sippar: Reinou por 21.000 anos. - **Ubara-Tutu** de Shuruppak: Reinou por 18.600 anos. Esses reis são descritos como tendo reinado por períodos extraordinariamente longos, refletindo a mitologia e as tradições literárias da antiga Suméria. A precisão histórica dessas listas é objeto de debate acadêmico, mas elas são inestimáveis para o estudo da antiga Mesopotâmia. ### Lista dos Reis Sumérios Anteriores ao Dilúvio A principal fonte de informação sobre os reis sumérios anteriores ao dilúvio é a Lista de Reis Sumérios, um documento que enumera reis de Sumer e suas dinastias. A lista menciona uma série de reis que governaram antes do grande dilúvio mítico. Aqui estão os principais reis listados antes do dilúvio: 1. **Alulim** - Rei de Eridu 2. **Alalngar** - Rei de Eridu 3. **Enmenluanna** - Rei de Bad-tibira 4. **Enmengalanna** - Rei de Bad-tibira 5. **Dumuzid, o Pastor** - Rei de Bad-tibira 6. **En-sipad-zid-ana** - Rei de Larak 7. **Enmenduranna** - Rei de Sippar 8. **Ubara-Tutu** - Rei de Shuruppak ### Literatura sobre Reis Sumérios e o Tempo Anterior ao Dilúvio #### Fontes Primárias 1. **Lista de Reis Sumérios**: Esta é a fonte primária mais conhecida que menciona os reis antediluvianos. Várias cópias fragmentárias desta lista foram encontradas em diferentes locais arqueológicos, incluindo Nippur, Isin e Larsa. #### Estudos e Referências Acadêmicas 1. **"The Sumerians: Their History, Culture, and Character" de Samuel Noah Kramer**: Esta obra clássica oferece uma visão abrangente da civilização suméria, incluindo discussões sobre os reis antediluvianos. 2. **"The Sumerian King List: Translation and Commentary" de Thorkild Jacobsen**: Este trabalho fornece uma tradução detalhada e comentário da Lista de Reis Sumérios. 3. **"The Sumerians" de Gwendolyn Leick**: Um estudo mais recente que aborda a civilização suméria e inclui discussões sobre suas dinastias e reis. #### Artigos Acadêmicos e Publicações 1. **"The Sumerian King List and the Early History of Mesopotamia" de Thorkild Jacobsen**: Publicado no Journal of Near Eastern Studies, este artigo discute a importância histórica da Lista de Reis Sumérios e sua interpretação. 2. **"Kingship and the Gods: A Study of Ancient Near Eastern Religion as the Integration of Society and Nature" de Henri Frankfort**: Este estudo explora a relação entre a realeza e a religião nas civilizações antigas do Oriente Próximo, incluindo Sumer. ### Dados Históricos e Arqueológicos Os dados históricos sobre o período anterior ao dilúvio são escassos e frequentemente envoltos em mitologia. No entanto, há algumas descobertas arqueológicas e interpretações que fornecem insights: 1. **Escavações em Eridu**: Eridu é frequentemente considerada a cidade mais antiga de Sumer. As escavações revelaram camadas de assentamento que datam de antes do período do dilúvio. 2. **Tabuletas de Nippur**: Várias tabuletas cuneiformes foram descobertas em Nippur, algumas das quais contêm versões da Lista de Reis Sumérios. 3. **Estudos de Sedimentos**: Análises geológicas na região da Mesopotâmia sugerem que houve eventos de inundação significativos que podem ter inspirado os mitos do dilúvio. ### Considerações Finais O estudo dos reis sumérios anteriores ao dilúvio é uma combinação de história, arqueologia e mitologia. A Lista de Reis Sumérios é a principal fonte documental, e a pesquisa acadêmica continua a explorar e interpretar os dados disponíveis. Para um estudo aprofundado, é essencial consultar tanto as fontes primárias como as obras acadêmicas que discutem e interpretam esses textos antigos.

Apocalipse significa Revelação o que dizem todas as religiões sobre este evento.

A palavra "apocalipse" vem do grego antigo "ἀποκάλυψις" (apokálypsis), que significa "revelação" ou "desvelamento". No contexto religioso, especialmente no Cristianismo, refere-se à revelação de coisas que estavam ocultas, frequentemente associadas ao fim dos tempos ou eventos cataclísmicos que antecedem uma nova era. No livro bíblico do Apocalipse (ou Revelação) de João, por exemplo, trata-se de visões proféticas sobre o fim do mundo e o julgamento final. Na Índia, as crenças sobre o "fim dos tempos" variam entre as diferentes tradições religiosas. Aqui estão as perspectivas principais das grandes religiões indianas: ### Hinduísmo 1. **Kali Yuga**: No hinduísmo, o tempo é cíclico e dividido em quatro eras (yugas): Satya Yuga, Treta Yuga, Dvapara Yuga e Kali Yuga. Estamos atualmente no Kali Yuga, uma era de corrupção e decadência moral. O fim do Kali Yuga é associado com grande destruição e renovação. 2. **Kalki**: No final do Kali Yuga, acredita-se que o deus Vishnu encarnará como Kalki, um cavaleiro apocalíptico que destruirá o mal e restaurará a justiça, inaugurando uma nova era de Satya Yuga. 3. **Pralaya**: Pralaya é um conceito que refere-se à dissolução cósmica, onde o universo é destruído e reabsorvido antes de ser recriado novamente. ### Budismo 1. **Maitreya**: O budismo também tem uma figura messiânica chamada Maitreya, que é o futuro Buda que surgirá para ensinar o Dharma quando os ensinamentos de Buda Gautama tiverem sido esquecidos. 2. **Declínio do Dharma**: O budismo ensina que o Dharma (os ensinamentos de Buda) declina com o tempo. Durante este período de declínio, a moralidade e a sabedoria se deterioram até que Maitreya apareça para restaurar a ordem. ### Jainismo 1. **Ciclos de Tempo**: No jainismo, o tempo também é cíclico e dividido em dois períodos: Utsarpini (período ascendente) e Avasarpini (período descendente). Cada ciclo consiste em seis eras, com a quinta e sexta eras sendo de decadência espiritual e moral. 2. **Renovação**: Após a sexta era de decadência, o ciclo reinicia com a era de regeneração espiritual. ### Sikhismo 1. **Kalyug**: Os sikhs também acreditam que estamos na era de Kalyug, uma época de escuridão e falsidade. No entanto, o Sikhismo coloca ênfase em viver uma vida justa e devota, independentemente da era em que se vive. ### Zoroastrismo (influência histórica) Embora não seja uma religião nativa da Índia, o Zoroastrismo tem seguidores na Índia e uma visão escatológica influente. Acredita-se que haverá uma batalha final entre as forças do bem e do mal, seguida por um período de renovação e purificação do mundo. Essas perspectivas mostram uma diversidade de crenças sobre o Apocalipse ou o fim dos tempos na Índia, refletindo a rica tapeçaria de tradições religiosas do subcontinente. Os judeus ortodoxos não têm uma crença formal ou padronizada no Apocalipse ou no Anticristo semelhante às concepções cristãs. No judaísmo, a escatologia (doutrina sobre o fim dos tempos) tem algumas diferenças significativas em relação ao cristianismo. Aqui estão alguns pontos sobre a visão judaica ortodoxa: 1. **Mashiach (Messias)**: No judaísmo, espera-se a vinda do Mashiach, um líder ungido que trará uma era de paz e justiça, reunirá os exilados de Israel, reconstruirá o Templo em Jerusalém e trará um período de prosperidade global. Este conceito é mais central do que qualquer ideia de um Anticristo. 2. **Fim dos Tempos**: O conceito de "fim dos tempos" no judaísmo envolve a vinda do Messias, a ressurreição dos mortos e o julgamento final. É uma época de restauração e renovação espiritual e moral, não de destruição apocalíptica como em algumas interpretações cristãs. 3. **Gog e Magog**: Há menção a uma batalha final envolvendo nações chamadas Gog e Magog, que aparecerá antes da era messiânica. Isso é visto como uma grande guerra que precede a redenção final e a chegada do Messias. 4. **Satan**: O judaísmo vê Satan como uma entidade que trabalha dentro dos limites do que Deus permite, mais como um anjo acusador do que como um ser oposto a Deus, diferentemente da visão cristã de um Anticristo. 5. **Literatura Rabínica**: Textos rabínicos como o Talmud e o Midrash contêm várias discussões e interpretações sobre o fim dos tempos, mas não apresentam uma figura única equivalente ao Anticristo cristão. Essas crenças podem variar entre diferentes comunidades e escolas de pensamento dentro do judaísmo ortodoxo, mas esses pontos fornecem um esboço geral de como a escatologia judaica ortodoxa é tradicionalmente entendida. As crenças sobre o Apocalipse ou o fim dos tempos na China são influenciadas principalmente pelo Taoismo, Confucionismo e Budismo, além de algumas tradições folclóricas. Aqui está uma visão geral de como essas tradições abordam o tema: ### Taoismo 1. **Ciclos de Tempo**: O Taoismo acredita em ciclos naturais e cósmicos de criação e destruição, semelhantes às marés e estações. Não há um conceito linear de apocalipse, mas sim um processo contínuo de transformação. 2. **Grande Paz (Taiping)**: Alguns textos taoistas falam sobre uma era de "Grande Paz" ou "Taiping" que virá após um período de caos e desordem. Esta era será marcada por harmonia e equilíbrio com o Tao (o caminho). 3. **Imortalidade**: O foco no Taoismo é frequentemente em alcançar a harmonia com o Tao e, em alguns casos, alcançar a imortalidade espiritual, em vez de uma catástrofe apocalíptica. ### Confucionismo 1. **Harmonia Social**: O Confucionismo é mais focado na ordem social, ética e moralidade do que em especulações sobre o fim dos tempos. A crença central é que uma sociedade ordenada e justa pode ser alcançada através da prática de virtudes como a benevolência (ren), retidão (yi) e lealdade (li). 2. **Mandato do Céu**: O conceito de "Mandato do Céu" implica que dinastias e governantes têm a legitimidade divina enquanto governam com justiça e moralidade. Quando falham, podem ser derrubados, simbolizando uma forma de renovação ou purificação. ### Budismo Chinês 1. **Declínio do Dharma**: Similar ao Budismo em outras regiões, o Budismo Chinês acredita que o Dharma (os ensinamentos de Buda) está em declínio. Este período é visto como uma época de corrupção e ignorância. 2. **Maitreya**: O Bodhisattva Maitreya é aguardado como o futuro Buda que virá para restaurar o Dharma após um período de decadência. ### Tradições Folclóricas 1. **Mitologias Populares**: Na cultura popular chinesa, há mitos e lendas sobre grandes catástrofes, inundações e outros desastres que são vistos como sinais de desequilíbrio entre o céu e a terra. 2. **Profecias e Visões**: Algumas seitas e grupos religiosos na China têm suas próprias profecias apocalípticas, muitas vezes misturando influências taoistas, budistas e cristãs. Por exemplo, a seita do "Movimento do Povo Taiping" no século XIX teve uma visão apocalíptica combinada com crenças cristãs. ### Influência Moderna 1. **Movimentos Religiosos Recentes**: Algumas religiões e seitas modernas na China, como o Falun Gong, também têm suas próprias visões sobre a renovação espiritual e moral, frequentemente em resposta a percepções de decadência social e moral. Essas visões variam amplamente, mas geralmente compartilham uma ênfase na transformação e renovação, em vez de um apocalipse definitivo e final como é frequentemente encontrado nas tradições ocidentais. Há uma vasta gama de literatura e estudos sobre o conceito de Apocalipse em diferentes religiões. Abaixo, listo algumas obras e estudos importantes sobre o tema em várias tradições religiosas: ### Cristianismo 1. **"The Book of Revelation"** - A Bíblia Sagrada (Novo Testamento) 2. **"Revelation: A Shorter Commentary"** - G. K. Beale 3. **"Apocalypse: A Brief History"** - Martha Himmelfarb 4. **"The End of the World and the Ends of God: Science and Theology on Eschatology"** - John Polkinghorne e Michael Welker ### Judaísmo 1. **"The Jewish Apocalyptic Heritage in Early Christianity"** - James C. VanderKam e William Adler 2. **"The Apocalyptic Imagination: An Introduction to Jewish Apocalyptic Literature"** - John J. Collins ### Islamismo 1. **"Apocalyptic Islam and Iranian Shi'ism"** - Abbas Amanat 2. **"The End of the World: The Mahdi, the Messiah, and the Anti-Christ"** - Dr. Muhammad ibn ‘Abd al-Rahman al-‘Arifi 3. **"The Day of Judgment"** - Bilal Philips ### Hinduísmo 1. **"The Myths and Gods of India"** - Alain Daniélou (discute o ciclo das eras e a figura de Kalki) 2. **"The Vishnu Purana"** - Tradição purânica que inclui descrições das Yugas e Kalki ### Budismo 1. **"Buddhist Eschatology"** - Kevin Trainor (em "Encyclopedia of Buddhism") 2. **"Maitreya, the Future Buddha"** - Alan Sponberg e Helen Hardacre ### Jainismo 1. **"The Jaina Path of Purification"** - Padmanabh S. Jaini (inclui discussões sobre a cosmologia jainista) 2. **"Jainism: A Guide for the Perplexed"** - Sherry Fohr (discute ciclos do tempo e eschatologia jainista) ### Taoismo 1. **"Taoist Mystical Philosophy: The Scripture of Western Ascension"** - Livia Kohn (explora crenças taoistas sobre ciclos e renovação) 2. **"Daoism and Chinese Culture"** - Livia Kohn ### Tradições Folclóricas e Outras Religiões 1. **"The End of Time: The Maya Mystery of 2012"** - Anthony Aveni (sobre profecias maias) 2. **"African Religions: A Very Short Introduction"** - Jacob K. Olupona (discussões sobre visões de fim de mundo em religiões africanas) 3. **"Zoroastrianism: An Introduction"** - Jenny Rose (inclui discussões sobre escatologia zoroastriana) ### Estudos Comparativos 1. **"The End of the World: A Comparative Study in Christian, Islamic and Hindu Apocalyptic Texts"** - Richard Landes 2. **"Visions of the End: Apocalyptic Traditions in the Middle Ages"** - Bernard McGinn ### Referências Acadêmicas 1. **"Journal for the Study of the Pseudepigrapha"** (muitos artigos sobre apocalíptica judaica e cristã) 2. **"Numen: International Review for the History of Religions"** (artigos sobre escatologia em várias tradições religiosas) 3. **"History of Religions"** (publicações sobre conceitos de fim do mundo em diversas religiões) Esses livros e estudos oferecem uma perspectiva ampla sobre como diferentes religiões e tradições culturais entendem e representam o Apocalipse ou eventos escatológicos.

sábado, 6 de julho de 2024

Alternative 3 o sinistro documentário da TV inglesa.

"Alternative 3" foi um pseudo-documentário transmitido pela TV Anglia no Reino Unido em 20 de junho de 1977. Dirigido por Christopher Miles e escrito por David Ambrose, o programa foi originalmente planejado para ser exibido no Dia da Mentira, mas acabou sendo adiado. Apresentado como o último episódio de uma série chamada "Science Report", o documentário apresentava um enredo fictício mas foi inicialmente interpretado como verdadeiro por muitos espectadores. ### Enredo **Introdução:** O programa começa investigando a fuga de cérebros, onde cientistas e profissionais altamente qualificados estavam desaparecendo misteriosamente em todo o mundo. **Descobertas:** Ao longo da investigação, os jornalistas fictícios descobrem um plano secreto envolvendo os governos dos Estados Unidos e da União Soviética. Segundo o documentário, esses governos estariam cientes de que a Terra estava à beira de um desastre ambiental iminente, que tornaria o planeta inabitável em um futuro próximo. Eles teriam desenvolvido três alternativas para lidar com essa crise: 1. **Alternativa 1:** Reduzir drasticamente a população mundial através de guerras nucleares e catástrofes ambientais controladas. 2. **Alternativa 2:** Construir uma vasta rede de bases subterrâneas onde uma elite selecionada poderia sobreviver. 3. **Alternativa 3:** Colonizar Marte, utilizando tecnologia avançada para transportar e sustentar vida humana no planeta. **Clímax:** A "Alternative 3" é apresentada como a opção mais viável, e o documentário mostra imagens supostamente secretas de uma missão tripulada que já teria chegado a Marte nos anos 1960, usando uma tecnologia chamada "propulsão por plasma". ### Reações O documentário incluiu entrevistas com supostos cientistas e ex-astronautas, bem como filmagens de estilo "encontrado" que aumentavam a sensação de autenticidade. Isso, combinado com o formato sério de documentário, levou muitos espectadores a acreditar que a história era verdadeira, causando um pequeno pânico. ### Revelação Eventualmente, foi revelado que "Alternative 3" era uma farsa elaborada, criada como uma pegadinha do Dia da Mentira. Os créditos finais do programa indicavam que todos os personagens eram fictícios e que as entrevistas e filmagens haviam sido encenadas. ### Legado Embora tenha sido desmascarado, "Alternative 3" deixou uma marca duradoura na cultura popular e continua a ser citado em discussões sobre teorias de conspiração. O livro "Alternative 3" de Leslie Watkins, publicado em 1978, expandiu a história do documentário, apresentando-a como um romance de não-ficção, o que ajudou a perpetuar a lenda. O documentário ainda é um exemplo fascinante de como a apresentação e o formato podem influenciar a percepção do público e alimentar teorias conspiratórias. "Alternative 3" foi um documentário da TV Anglia, exibido em 1977, que abordou teorias de conspiração sobre o fim do mundo e planos secretos envolvendo governos e cientistas. Embora tenha sido transmitido como um documentário sério, foi revelado posteriormente que era uma pegadinha do Dia da Mentira. Se você estiver interessado em livros e literatura sobre "Alternative 3", algumas obras destacadas incluem: 1. **"Alternative 3" por Leslie Watkins, David Ambrose e Christopher Miles**: Este livro expande as ideias apresentadas no documentário, misturando ficção científica e teorias de conspiração. 2. **"The Cosmic Conspiracy" por Stan Deyo**: Embora não seja especificamente sobre "Alternative 3", este livro aborda várias teorias de conspiração que podem ser de interesse para os fãs do documentário. 3. **"Behold a Pale Horse" por William Cooper**: Este livro, muito popular entre teóricos da conspiração, discute uma variedade de temas, incluindo controle governamental e teorias de encobrimento que ressoam com o espírito de "Alternative 3". Esses materiais podem oferecer uma visão mais profunda sobre as teorias apresentadas no documentário e explorar o contexto em que ele foi produzido.

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