domingo, 27 de setembro de 2009

O ASSASSINO JOSEF MENGELE E SUA EXPERIMENTAÇÃO MÉDICA NO BRASIL USANDO CRIANÇAS COMO COBAIAS (A PERSONIFICAÇÃO DO ESPÍRITO MALIGNO)










Josef Mengele na casa dos Brossart na cidade de Bertioga São Paulo

O passaporte italiano de Mengele











A exumação do enigma
O mistério do caso Mengele
pode estar chegando ao fim


O último capítulo de um mistério que já dura quarenta anos pode ter sido exumado na quarta-feira passada no modesto cemitério do Rosário, na cidade de Embu, a 27 quilômetros de São Paulo. Ali jaziam, desde 8 de fevereiro de 1979, os restos de um homem que um casal de austríacos residente em São Paulo jura ser Josef Mengele, o célebre médico nazista que entre 1943 e 1945 comandou, no campo de concentração de Auschwitz, pavorosas experiências que lhe valeram o apelido de "Anjo da Morte" e fizeram dele o criminoso de guerra mais procurado em todo o mundo nos últimos anos. Os indícios de que a trajetória de Mengele terminou na sepultura número 321 do cemitério do Embu são decididamente fortes. Caso se comprove que não é dele o cadáver, a ativa e discreta rede de proteção aos foragidos nazistas, que há quatro décadas os esconde e ajuda, terá montado a maior, mais arrojada e mais minuciosa operação de despistamento já desencadeada desde o fim da II Guerra Mundial.

No final da semana, colocado no centro da curiosidade mundial, o enigma exumado no Embu - um monte de ossos enegrecidos, mechas de cabelos e sete dentes - encontrava-se numa caixa lacrada, protegida por gradis, no Instituto Médico Legal de São Paulo. Até a última semana deste mês, especialistas do IML tentarão colher provas suficientes para identificar os restos como pertencentes ao alemão Josef Mengele, nascido a 16 de março de 1911 em Günzburg, na Baviera - a origem de uma biografia que nas décadas seguintes incorporaria espetaculares histórias de horror e mistério. Os técnicos do IML têm como trunfo principal os quatro dentes que restaram da arcada superior, sustentados por uma prótese, e outros três da arcada inferior, um dos quais com uma obturação aparentemente em ouro. Se a confrontação entre esses dentes e uma ficha dentária de Josef Mengele feita na Alemanha e datada de 1938 não levar a resultados conclusivos, haverá a alternativa da ossada, sempre uma boa fonte de revelações quando submetida a exames minuciosos. Ainda que os trabalhos do IML resultem inúteis, é improvável que o cadáver permaneça sem identificação. Na sexta-feira passada, médicos legistas da Alemanha e dos EUA informaram que, nesses países, aparelhagens moderníssimas têm plenas condições de desvendar o enigma do Embu. Assim, o mundo parece prestes a saber se afinal terminou a mais longa caçada jamais empreendida contra um criminoso nazista - pelas autoridades da própria Alemanha, em primeiro lugar, e de todos os países que, como o Brasil, mantêm o compromisso de extraditar-lhe os autores de crimes cometidos durante a era de Adolf Hitler.

BUSCA PROVEITOSA - Até o final da semana passada, havia à disposição das autoridades uma extensa coleção de fatos concretos e incontroversos. O primeiro deles ocorreu em maio deste ano, quando um professor universitário alemão repassou à polícia da Alemanha confidências feitas a ele por Hans Sedlmeier, ex-procurador da empresa de máquinas agrícolas que dois sobrinhos de Mengele têm em Günzburg. Segundo o informante, Sedlmeier se gabara de ter providenciado, em anos anteriores, uma vultosa ajuda financeira a Josef Mengele. A polícia alemã mantinha Sedlmeier em observação desde 1960, quando ficou comprovado que ele se encontrara no Paraguai com Mengele - àquela altura um colecionador de furtivas passagens por outros pontos do planeta. Decidiu-se promover mais uma busca na casa de Sedlmeier em Günzburg no último dia 31 de maio. Desta vez, ao contrário das ocasiões anteriores, a investida foi proveitosa. Foram apreendidas algumas cartas do próprio Mengele, duas delas remetidas por um casal de austríacos, Wolfram e Liselotte Bossert, que vivia em São Paulo. Ficou evidente, pelo conteúdo das cartas, que os Bossert sabiam onde estava Mengele. Sedlmeier foi preso e, no mesmo dia 31 de maio, a informação foi transmitida pelos policiais alemães para o gabinete do delegado Romeu Tuma, superintendente da Polícia Federal em São Paulo, acompanhada pelo endereço do casal austríaco: Rua Missouri, número 7, no Brooklin, um bairro de classe média tradicionalmente favorecido por estrangeiros.

Até quarta-feira passada, policiais paulistas vigiaram o sobrado dos Bossert, que moravam em companhia de dois filhos, e seus movimentos. Nesse dia, quando três agentes da polícia alemã já voavam rumo a São Paulo para participar das investigações, a casa foi invadida. Liselotte, embora inquieta, não pareceu surpresa. Em meio a uma crise de choro, disse que ela e o marido haviam acobertado Josef Mengele em São Paulo entre 1970 e 1979, quando o fugitivo morreu afogado durante uma curta temporada de verão numa praia de Bertioga, no Litoral Norte do Estado. Nas horas seguintes, Wolfram e Liselotte contaram à Polícia Federal uma história que, indiscutivelmente, tem começo, meio e fim.

HÓSPEDE NO SÍTIO - Nessa história, Wolfram Bossert, um ex-cabo do Exército nazista que mora no Brasil desde 1952, foi apresentado a Mengele em 1970 num sítio no município de Caieiras, a 30 quilômetros de São Paulo, por Wolfgang Gerhard, um compatriota austríaco que chegara ao país quatro anos depois do fim da II Guerra Mundial. Gerhard apresentou-o a Bossert como "Peter Gerhard", um viúvo que estava sendo perseguido por motivos políticos e saíra poucos meses antes do Paraguai, onde vivia escondido desde 1959. Precisava, explicou Gerhard, da ajuda de amigos. Bossert aceitou o pedido. Na semana passada, ele disse à Polícia Federal que preferiu "não fazer perguntas". Nem haveria necessidade de fazê-las para saber que tipo de pessoa estava ajudando - em 1970, alemães com mais de 45 anos de idade só poderiam ser perseguidos por motivos políticos se fossem criminosos nazistas.

Não há dúvida de que alguns amigos efetivamente ajudaram o fugitivo. Entre 1969 e 1974, "Peter", ou "seu Pedro", viveu como hóspede no sítio de Caieiras em que fora apresentado a Wolfram Bossert. O sítio, de 5 hectares, pertencia ao imigrante húngaro Gesa Stammer, que prestava serviços como topógrafo à prefeitura do município e ali morava em companhia da mulher, Gittara. Na semana passada, Luiz Carlos Luz, 36 anos, comerciante em Caieiras, contou que nessa época costumava freqüentar o sítio a convite de seus amigos Miklus e Peter Stammer, filhos de Gesa e hoje oficiais da Marinha brasileira. "Foi então que conheci um estrangeiro com cerca de 60 anos, cabelos e bigodes brancos, robusto", lembra Luz.

O comerciante notou que se tratava de um homem de pouca conversa - até porque praticamente ignorava o português. "Nas raras vezes em que falou comigo, não consegui entender", diz Luz. O hóspede dos Stammer, costumava usar um grande chapéu de palha e exibir uma barba de alguns dias. Calçava botas de cano comprido e passava a maior parte do tempo entretido em trabalhos de jardinagem. Já nessa época o discretíssimo Pedro freqüentava o sobrado do casal Bossert na Rua Missouri, onde consumia horas a fio em conversas sobre os velhos tempos, sem tocar em assuntos ligados à guerra, ou ouvindo discos de músicas alemãs. Em 1974, os Stammer venderam o sítio em Caieiras e Pedro transferiu-se para uma casa encravada num terreno de 1.000 metros quadrados na Estrada do Alvarenga, 5773, perto da Represa Billings. A casa pertencente aos Bossert tem dois quartos, sala, saleta, cozinha e banheiro. Hoje, suas paredes estão descascadas pelo abandono e o mato tomou conta do quintal.

CASA DE PRAIA - Wolfram Bossert, técnico em mecânica desempregado, e sua mulher, Liselotte, então professora do Colégio Humboldt, em Santo Amaro, muito procurado por imigrantes alemães com filhos em idade escolar, compõem um típico casal de classe média - e é certo que casais nessa faixa não costumam ceder moradias gratuitamente mesmo aos melhores amigos. Pedro, todavia, pôde alojar-se na Estrada do Alvarenga sem pagar aluguéis, embora haja evidências de que não lhe faltava dinheiro. "Ele me pagava um bom salário e chegou a me fazer empréstimos algumas vezes", conta Elza Gulpian de Oliveira, 34 anos, que foi sua empregada doméstica em 1977 e 1978. "Era um homem bastante atencioso e amigo de todos, inclusive dos empregados." Em certa ocasião, documentada por uma fotografia recolhida pela Polícia Federal na semana passada, Pedro levou para jantar num restaurante em Santo Amaro a empregada Elza, Dalva Vigerelli, que lhe prestava serviços como costureira, e um amigo de Dalva.

Celebrações desse gênero eram, contudo, raríssimas - o morador do número 5773 da Estrada do Alvarenga, cujas contas de luz vinham em nome não de "Peter Gerhard", como fora inicialmente apresentado, mas de "Pedro Stammer", em um homem de hábitos rígidos e morno cotidiano. Acordava às 8 horas, dava longos passeios pelas cercanias, fazia pequenos consertos na casa, cuidava do jardim e saía para compras modestas, sempre de ônibus e trajando terno e gravata. Uma vez, com amigos, fez um passeio pela região de Itatiaia. Ouvia muita música clássica, sobretudo sinfonias de Beethoven, escrevia cartas e demorava-se em anotações no livro Die Evolution der Organismen, de Gerhard Heberer. Nas margens das páginas do livro, que traça um paralelo entre a visão do Gênese segundo a Bíblia e a visão do darwinismo, fazia observações vagamente filosóficas em alemão e as traduzia para uma mistura de palavras em espanhol e português.

Pedro contentava-se em almoçar pratos simples da cozinha brasileira e substituir o jantar por saladas de frutas, mas não gostava de falhas funcionais: numa espécie de diário, em meio a observações banais sobre como fora seu dia-a-dia, anotava os erros eventualmente cometidos pelos empregados. Além da empregada Elza e do jardineiro Luís Rodrigues, hoje com 25 anos, Pedro tinha a companhia de um vira-lata. E falava com carinho de um jovem cujas fotos às vezes guardava entre seus pertences e a quem se referia como "um sobrinho" que morava na Alemanha. Em 1977, esse jovem, descrito sumariamente por Elza como "um moço muito bonito que falava alemão e italiano", hospedou-se por duas semanas na casa da Estrada do Alvarenga.

CONVERSAS A DOIS - Às terças-feiras, Pedro recebia a visita de Wolfram Bossert, em companhia de quem jantava para depois ouvir música clássica. Nas noites de sábado, também Liselotte se sentava à mesa de jantar. Uma vez por mês, um homem com cerca de 70 anos, alto e magro, visitava Pedro para longas conversas a dois, sempre em alemão, e para entregar-lhe um envelope. Elza deduz que havia dinheiro nesse envelope. "Eu recebia o pagamento sempre um dia depois da visita desse homem", lembra a empregada. O conteúdo do envelope era imediatamente guardado num baú que Pedro conservava em seu quarto, fechado com uma chave da qual jamais se separava.

É incontestável que o homem da Estrada do Alvarenga se comportava como um foragido. Evitava falar sobre o próprio passado, não costumava mostrar fotografias de amigos ou parentes e jamais recebia cartas das mãos de carteiros - a correspondência era invariavelmente entregue no endereço dos Bossert, que a encaminhavam a Pedro. Ele também sempre fez questão de não ter telefone em casa. Não tinha conta bancária nem usava talão de cheques. Esporadicamente, recebia visitas de vizinhos, que retribuía com parcimônia, e procurava não emitir juízos sobre outras pessoas, mesmo quando lhes votava evidente hostilidade. Segundo a empregada Elza, o silencioso patrão não gostava de pretos. "Bem que ainda podia existir a escravidão", disse Pedro certa feita. Nos momentos de irritação, dava um tapa na testa e exclamava: "Sacramento!"

O monástico alemão não gostava de ter a rotina perturbada pela aparição de desconhecidos. "Em 1978, ele sofreu um derrame e ficou três dias na cama, sem chamar um médico", lembra o jardineiro Luís Rodrigues. "Quem cuidou dele nesses dias foi dona Liselotte, que preparava as refeições e lhe levava a comida na cama." Também o visitou, na época, o homem que lhe levava o misterioso envelope mensal. Ao fim dos três dias, por lá apareceu Wolfram Bossert, que se encarregou de transferi-lo para um hospital nas imediações do aeroporto de Congonhas. "O senhor Pedro me dizia que, antes de vir para São Paulo, ele cuidava de animais numa fazenda", recorda Luís Rodrigues. "Ele tinha em casa seringas para aplicar injeções e soro contra picadas de cobras."

MORTE NA PRAIA - Segundo o jardineiro, Pedro gostava de trabalhos manuais, mas queixava-se de dores freqüentes na mão esquerda. "Ele não conseguia movimentar direito os dedos", diz Luís Rodrigues. Inês Mehlich, 48 anos, que trabalhou cerca de um ano na casa da Estrada do Alvarenga e ali permaneceu até dois meses depois da morte do patrão, recorda que nos últimos meses ele parecia inquieto com uma teimosa alergia que lhe castigava o pescoço. "Ficou distraído, quase foi atropelado na porta da casa e por pouco não caiu num poço que havia no quintal", conta Inês.

A última empregada do misterioso fugitivo lembra que, no verão de 1979, ele não pareceu animar-se com o convite para uma curta temporada em Bertioga, feito pelo casal Bossert. Dizia-se muito cansado, mas afinal concordou em viajar. "Vou para a praia porque minha vida está no fim", disse Pedro. Em Bertioga, os três amigos alugaram uma casa na Rua Manoel da Nóbrega, 272, e também ali implantaram o código da discrição. "A casa vivia fechada e nunca ouvíamos barulho na cozinha", atesta Arnaldo Santana, 31 anos, que mora com sua mulher, Dulcinéia, 29, numa edícula nos fundos da casa. "Eles só conversavam em alemão e nunca falavam com a gente", diz Santana.

Na tarde do dia 7 de fevereiro de 1979, Santana, que hoje trabalha como escriturário no Sesc em Bertioga, foi à praia jogar futebol e viu Liselotte chorando, rodeada por um grupo de pessoas. "Notei que havia um corpo no chão", conta Santana. "Era um senhor idoso, amigo deles, que também estava hospedado na casa." E incontestável que, naquele 7 de fevereiro, um homem que estava em companhia do casal Bossert morreu afogado na praia da Enseada, em Bertioga, como também é certo que desde então o enigmático morador da Estrada do Alvarenga nunca mais foi visto.

INDÍCIOS DE DERRAME - O cabo Espedito Dias Romão, 39 anos, da PM de Bertioga, patrulhava a praia da Enseada naquela tarde quando viu o grupo de banhistas em torno de um homem aparentando quase 70 anos, trajando um calção preto. "Ao lado dele, uma mulher de maiô chorava muito, e dizia palavras numa língua estrangeira", lembra Romão. Perto, um homem curvado sobre a própria barriga parecia sentir-se mal. "A mulher me disse que era seu marido e que ele tentara salvar o amigo do afogamento", conta o cabo da PM. Wolfram Bossert explicou-lhe mais tarde que, ao observar o amigo nadando, notou que ele tinha dificuldade para movimentar um dos braços. Atirou-se à água para salvá-lo e quase afundou também. Há indícios de que o homem que nadava sofreu um derrame e não conseguiu ficar à tona.

No boletim de ocorrência que registra o caso do afogado de Bertioga, preenchido pelo plantão do 6º Distrito Policial, não aparecem, contudo, os nomes "Peter" ou "Pedro". Ali se informa que o morto era "Wolfgang Gerhard, de nacionalidade austríaca, cor branca, 54 anos, viúvo, técnico mecânico, residente à Rua Missouri, 7, Brooklin Novo, São Paulo" - ou seja, "Pedro" morria com o nome do homem que o apresentara ao casal Bossert. "A mulher que chorava parecia desesperada e só chamava o homem de Wolfgang", confirma o cabo Romão. Na verdade, esse nome já o acompanhava há muito tempo. É indiscutível que desde 1969, quando chegou ao Brasil, o fugitivo usava documentos falsos com o nome do seu protetor - mais precisamente, uma carteira modelo 19 de Wolfgang Gerhard, da qual fora retirada a foto do legítimo portador e colocada, em seu lugar, uma foto de Pedro. Em 1976, ao refazer alguns documentos, tangido por mudanças na carteira modelo 19, o falso Wolfgang Gerhard estava em perigo. Sua falsa carteira de identidade perderia o valor.

Nessa ocasião, para socorrer o amigo em dificuldades com a documentação, o verdadeiro Wolfgang Gerhard, que regressara à Áustria em 1975, veio ao Brasil - e é certo que ninguém faz viagens tão dispendiosas para socorrer um conhecido qualquer. Wolfgang Gerhard teve de vir ao Brasil porque só ele podia tirar a nova carteira modelo 19 exigida pelas mudanças legais - para, em seguida, entregá-la a Pedro. Os dois Wolfgang Gerhard - o verdadeiro e o falso - passaram no mesmo dia 3 de fevereiro de 1976 para as fotografias da nova carteira. Semanas depois, o verdadeiro Gerhard retirou o documento na Delegacia de Estrangeiros, entregou-o ao amigo e voltou à Áustria. Assim, entre 1969, quando chegou ao Brasil, e 1979, quando morreu afogado em Bertioga, um estrangeiro viveu no país com documentos falsificados, alguns deles de forma grosseira. Esse estranho senhor não se chamava "Wolfgang Gerhard", nem "Peter Gerhard", tampouco "Peter Stammer", muito menos "Pedro". É certo, enfim, que esse homem foi enterrado no cemitério do Embu com o nome de Wolfgang Gerhard.

CRISE NERVOSA - A policia alemã tem evidências de que o verdadeiro Wolfgang Gerhard morreu a 16 de dezembro de 1978 e está enterrado na cidade de Graz, na Áustria. A polícia brasileira constatou na semana passada, de forma igualmente indiscutível, que um falso Wolfgang Gerhard foi sepultado no cemitério de fevereiro de 1979, acompanhado de um atestado de óbito assinado pelos médicos Jaime Edson Andrade Mendonça e Carlos Affonso Novaes de Figueiredo, ambos da cidade de Santos. O enterro foi feito pelo coveiro José Laurindo, 49 anos, o mesmo que na quinta-feira passada participou dos trabalhos de exumação.

"Lembro-me bem daquele enterro, porque só havia uma mulher acompanhando o caixão", recordava Laurindo na semana passada. "É a mesma mulher que está aqui hoje." Era Liselotte Bossert. Quando o amigo morreu afogado, ela decidiu enterrá-lo na sepultura onde jazia a mãe do verdadeiro Wolfgang Gerhard. No momento em que o administrador do cemitério do Embu, que conhecia Gerhard graças às suas visitas ao túmulo materno, preparava-se para abrir o caixão, Liselotte sofreu uma crise nervosa. O incidente apressou o sepultamento e o caixão não foi aberto. Se o fosse, o administrador perceberia que o morto não era o homem que havia conhecido. Na semana passada Liselotte confessou que a crise nervosa fora uma simulação.

Dois dias depois do enterro, Wolfram Bossert foi à casa da Estrada do Alvarenga para transmitir a notícia à empregada Inês e pedir que ficasse à espera de alguns amigos do morto, que apareceriam nos próximos dias. Pouco depois, lá estiveram uma mulher e dois oficiais da Marinha Mercante cuja descrição corresponde à esposa de Gesa, Gittara Stammer, e seus filhos Peter e Miklus. Na semana passada, agentes da Polícia Federal vasculharam a casa e já encontraram, no livro em que o inquilino fazia insistentes anotações, fotos e cartas que na sexta-feira eram examinadas com extremo interesse por técnicos brasileiros e alemães. É possível que ali estejam a caligrafia e o rosto de Josef Mengele - a verdadeira identidade, neste caso, do homem que chegara ao Brasil em 1969, vindo do Paraguai como "perseguido por motivos políticos", e que em seus dez anos de silenciosa vida no sítio de Caieiras e na casa da Estrada do Alvarenga usara os nomes de "Wolfgang", "Peter" e "Pedro".

VISITAS DO FILHO - "Ele era Josef Mengele", afirmou Wolfram Bossert na semana passada ao depor na Polícia Federal. "Dois ou três anos depois que nos conhecemos, ele próprio revelou-me sua verdadeira identidade. Como já éramos amigos, eu e minha mulher resolvemos nada dizer às autoridades e continuamos a ajudá-lo." Na última sexta-feira, confrontada com fotos antigas do "Anjo da Morte", Elza Gulpian de Oliveira não hesitou: "É o seu Pedro". Também na semana passada, um envelope apreendido na casa da Estrada do Alvarenga traz uma carta que Rolf Mengele, o filho do primeiro casamento do médico de Auschwitz, enviou em 1983 ao casal Bossert. A carta veio acompanhada por uma foto que mostra Rolf ao lado da mulher e do filho pequeno do casal - portanto, o neto de Mengele. Ao ver a foto, Elza reconheceu nela o "moço bonito que falava alemão e italiano" e lhe fora apresentado como "sobrinho" do patrão. "É esse o rapaz que passou duas semanas com o seu Pedro em 1977", disse Elza.

"Rolf Mengele esteve duas vezes no Brasil", garante Wolfram Bossert. "Além da visita que fez ao pai em 1977, ele voltou ao Brasil depois da morte de Mengele. Entreguei-lhe uma pulseira de ouro e um diário que haviam pertencido a seu pai." Bossert também entregou a Rolf algumas fotografias que tiraram do amigo, mas várias outras permaneceram na casa da Estrada do Alvarenga. Elas retratam o fugitivo em diferentes poses, trajes e situações. "Gosto muito de fotografar e uso meus amigos para me exercitar", explica Bossert.

Graças a tais exercícios, a polícia dispunha na semana passada de um farto material para a comparação de traços fisionômicos. "Existe 90% de chance de que o corpo encontrado no Embu seja o de Josef Mengele", diz o delegado Romeu Tuma. Mais comedido, o comissário alemão Gerhard Schöller, um dos policiais enviados ao Brasil para acompanhar as investigações, limita-se por enquanto a informar que, nos últimos meses, se haviam multiplicado as pistas que apontavam para a presença de Josef Mengele no Brasil.

'PISTA FRIA' - "Esta é a sétima morte de Mengele", ironizou em Nova York o célebre caçador de nazistas Simon Wiesenthal, abrindo uma ofensiva de ceticismo quanto à possibilidade de que sejam do "Anjo da Morte" os restos mortais exumados no Embu. "Só no Paraguai ele já foi sepultado três vezes, sempre com testemunhas que juravam ter visto seu rosto. Numa dessas ocasiões, encontramos um cadáver de mulher." A exemplo de outros perseguidores de criminosos nazistas, Wiesenthal acredita que se encontra em curso uma manobra destinada a forjar a morte de Mengele e, assim, dar-lhe fôlego para prolongar a clandestinidade. "O corpo exumado no Brasil não é o de Josef Mengele e sim o de um impostor ali colocado para tirar da pista os caçadores do 'Anjo da Morte'", endossa John Loftus, ex-promotor do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que em anos anteriores participou da caçada ao médico de Auschwitz.

"A pista é fria", afirmou na quinta-feira passada Neal Sher, também do Departamento de Justiça americano. Na sexta-feira, por via das dúvidas, Sher desembarcou em São Paulo para acompanhar os trabalhos de identificação do cadáver. Depois de terem formulado ironias contra a hipótese de que Mengele morreu em 1979, tanto Wiesendial quanto o casal Serge e Beate Klarsfeld, que há anos se dedicam a buscar o criminoso nazista, julgaram melhor, no final da semana, esperar os resultados dos exames nos restos exumados no cemitério do Embu.

De qualquer forma, todos eles permanecem céticos. "Se realmente Mengele tivesse morrido, o mundo inteiro seria informado 5 minutos depois, não cinco anos depois", diz Wiesendial. "Sua mulher, os filhos, todos os parentes, além dos amigos e simpatizantes, teriam feito tudo para anunciar a morte de Mengele, para passarem tranqüilos o resto de suas vidas. Para Wiesenthal, Mengele está vivo e escondido no Paraguai - país no qual chegou a se naturalizar e onde passou a maior parte do tempo desde que sumiu da Alemanha, no final da guerra. Assim também pensa Beate Klarsfeld, que em maio passado esteve no Paraguai, sempre à procura do célebre foragido alemão. "O governo do general Alfredo Stroessner teria todo o interesse em informar que Mengele está morto se isso fosse verdade", raciocina Beate. "Assim, o país se livraria da imagem de valhacouto de nazistas."

TEORIAS EQUIVOCADAS - "É muito estranho que essa história apareça no momento em que se anuncia uma recompensa de 3,4 milhões de dólares a quem oferecer informações capazes de levar à captura de Mengele", intriga-se Beate Klarsfeld. "Além disso, Stroessner programou uma viagem à Alemanha em julho. É muito compreensível que ele tente livrar-se do fantasma de Mengele antes dessa visita." Na sexta-feira, precavido, o próprio Stroessner tratou de adiar a viagem. Em Paris, Serge Klarsfeld mostrou-se mais cauteloso que sua esposa e Wiesenthal. "Tanto pode ser Mengele como o sinal de um trabalho bem-feito", comentou. Na quinta-feira, ele ouvira de um procurador da Justiça alemã que não são poucas as chances de efetivamente ter-se encontrado o cadáver do médico nazista.

Em Moscou, a agência de notícias Tass vislumbrou os culpados de sempre: "Os Estados Unidos estão por trás dessa trama, cujo objetivo é encerrar o caso Josef Mengele", decidiu um despacho da agência soviética. Em Haifa, Israel, funcionários do Instituto de Pesquisas sobre o Nazismo suspeitam de que policiais brasileiros caíram numa armadilha montada por neonazistas e deixam claro que não confiam no delegado Romeu Tuma, por tratar-se de um policial que já exercia funções idênticas "nos tempos do regime autoritário". Também no instituto baseado em Haifa circula a tese de que o Brasil não costuma empenhar-se no cerco a fugitivos nazistas.

Ambas as teorias são equivocadas. Afinal, foram policiais brasileiros os autores da prisão em 1967 do nazista Franz Paul Stangl, antigo comandante dos campos de concentração de Treblinka e Sobibor, na Polônia, e que sob identidade falsa trabalhava na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo. Em 1978, o próprio Romeu Tuma comandou a operação que resultou na captura de Franz Wagner, responsável pela morte de milhares de prisioneiros judeus no campo de concentração de Sobibor. No caso da busca ao suposto Josef Mengele, Tuma e os demais policiais brasileiros fizeram o que lhes cabia fazer - e, também corretamente, passaram as investigações ao Instituto Médico Legal. Agora, resta esperar pelas conclusões dos exames.

LAUDO CONCLUSIVO - Ao contrário do que se supõe, é possível que o exame do esqueleto do Embu não seja suficiente para determinar com absoluta segurança que nele viveu Josef Mengele. Através de cálculos de medicina legal, pode-se estabelecer o sexo, a altura e a idade aproximadas de uma ossada. Já se sabe que na cova estava um homem. Em poucos dias se saberá sua altura, com uma margem de erro de 5 centímetros. Como Mengele tinha 1,74 metro, daí resultará um bom elemento de comparação. Os exames químicos permitirão estabelecer a idade com que a pessoa morreu, tolerando-se uma margem de erro de dois anos. Mengele, nascido em 1911, teria 68 anos em 1979. Além disso, os legistas poderão descobrir a que grupo étnico pertencia a pessoa.

Mesmo que se possa garantir que no Embu estava um homem branco, caucasiano, com pouco mais de 1,70 metro de altura e com pouco menos de 70 anos de idade, isso será certamente pouco para que termine a lenda de Mengele. Precisa-se de mais de algo que apenas Mengele tivesse. Essa curiosidade só poderá ser saciada pela comparação da única ficha dentária de Mengele, datada de 1938, com as arcadas do esqueleto do Embu. Nele foram encontrados sete dentes, quatro na arcada superior e três na inferior, um dos quais com um trabalho de restauração. A ficha de 1938 é a de um homem de 27 anos em cuja boca ainda estavam quase todos os 32 dentes. Por isso, a comparação será muito mais definitiva para provar que o esqueleto não é de Mengele do que para sustentar sua identidade. Basta que na ficha de 1938 um dente esteja assinalado por alguma restauração e que nas arcadas de 1985 esse mesmo dente esteja intacto para que se possa proclamar com certeza que o homem do Embu não é Mengele.

Embora haja a possibilidade do mistério de Mengele sobreviver ao exame dos dentes, a junção de todas as pesquisas dos legistas poderá levá-los a emitir um laudo diante do qual só não acreditará que ele era o dono do esqueleto do Embu quem não quiser. Isso porque o exame dos ossos da mão esquerda mostrará se nela ocorreu, na juventude de seu dono, uma fratura. Mengele sofreu um ferimento nessa mão e o senhor Pedro carecia de alguns movimentos com ela. Na verdade, com a ajuda de legistas americanos e alemães, o IML de São Paulo poderá ir até os limites da medicina legal de hoje - uma ciência tão avançada que ao fim da guerra do Vietnam, onde morreram cerca de 46.000 soldados americanos, um centro de análises montado no Havaí conseguiu identificar todos os corpos, exceto um, que se tornou no ano passado o Soldado Desconhecido.

MEDO E ÓDIO - Por que o casal Bossert não anunciou antes Bossert o fim de Mengele? "Tínhamos medo de sofrer perseguições ao se saber que havíamos abrigado Mengele", alega Liselotte Bossert. Na sexta-feira, ela constatou que seus temores tinham fundamento: foi demitida do Colégio Humboldt, onde lecionava há nove anos para crianças do jardim da infância e do pré-escolar. "Não queremos ser acusados de acobertar nazistas", argumenta o professor Adolfo Ernesto Gothelf Krause, 44 anos. "A demissão é irreversível", diz Krause. "Ela só voltaria a dar aulas se provasse estar inocente no caso."

Assim, Josef Mengele acabou fazendo mais uma vítima - seja dele ou não o cadáver exumado no Embu. Quarenta anos depois do fim da guerra, o médico que horrorizou o mundo com seus experimentos em Auschwitz continua a suscitar ondas de ódio e medo. Essa trajetória, por sinal, requeria um desfecho mais espetacular que a cena de Mengele morrendo quando se divertia numa tarde de verão em Bertioga. O jornalista Ottmar Katz, dono de um dos mais completos arquivos sobre o "Anjo da Morte", vê com naturalidade a eventual confirmação dessa hipótese. "Nesse caso, a história se repetirá mais uma vez", diz Katz. "Diante da imensidão dos rumores que circularam em torno da lenda de Mengele, a verdade de seu fim será surpreendentemente singela."


NA TRILHA DO CARRASCO

“Eram nove horas quando ele apareceu em frente à Casa da Crianças, pedindo auxílio. Logo vimos que era uma pessoa estranha, mas importante, pois vestia uma roupa boa e estava descalço. Pediu para ficar na entidade por dois ou três dias, já que não tinha para onde ir”. O relato de dona Irene Ribeiro Salotti, de 93 anos, presidente da instituição na época, é sobre um desconhecido que pediu abrigo na casa e lá ficou durante cinco meses e meio, na segunda metade da década de 1970, tornando-se um ajudante elogiado e bem visto pelos funcionários.
Ela só não sabia que estava abrigando o médico nazista Joseph Mengele, conhecido mundialmente como “Anjo da Morte” e responsável por experiências científicas em seres humanos no campo de concentração de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial e acusado pelas mortes de 400 mil deles. Por isso, era o homem mais perseguido do mundo, sobretudo pelas milícias secretas de Israel, que ofereciam milhões de dólares por informações sobre seu paradeiro, enquanto ele estava em Assis, cuidando da horta da Casa das Crianças.

Na memória de dona Irene, o carrasco nazista não lembra em nada o homem discreto, calado e até bondoso que tomava conta da horta e do jardim e por vezes medicava os garotos assistidos pela associação, que naquela época funcionava como internato. A convite do Diário de Assis, a ex-presidente recordou a época em que o nazista esteve abrigado na Casa da Crianças, sua rotina e hábitos.
Mengele chegou à instituição em uma manhã (dona Irene não recorda o ano exato), deixado “ao acaso”, por um carro escuro. Bem vestido, porém descalço, ele pediu abrigo por “três ou quatro dias”, já que não tinha onde ficar. A presidente e a diretora da casa, irmã Georgette, o hospedaram em um cômodo com quarto e banheiro, onde atualmente está instalado o consultório odontológico da instituição. O local fica um pouco afastado do prédio central e era onde o médico passava a maior parte de seu tempo.
O nazista, como lembra dona Irene, falava português “arrastado”, com bastante sotaque e não deu nenhuma referência de seu passado, tampouco respondia às perguntas de dona Irene e Georgette. Assim, a irmã decidiu chamá-lo de “seu Pedro”. O que era para ser uma hospedagem de três dias, se prolongou para uma estadia de cinco meses e meio, devido a uma solicitação da própria irmã, que “achou que seria útil ele ficar” na entidade.

Sua rotina era cuidar do jardim da associação, onde ele plantou uma muda de paineira, próxima ao seu antigo quarto e que hoje é uma frondosa árvore. A horta também era zelada pelo médico, que ainda cultivava morangos, vendidos e consumidos pelas crianças. No restante do tempo, Mengele costumava ler, sempre isolado em seu quarto. Solitário, ele não permitia contato direto com os funcionários e nem mesmo nas horas das refeições se juntava aos demais servidores. Conversava apenas com dona Irene e Georgette e “não tomava conhecimento de ninguém”. Quando a instituição recebia visitas, o médico costumava se trancar na despensa da cozinha e somente saía do local quando não pudesse mais ser visto. Suas atitudes despertavam a suspeita dos funcionários, que o consideravam “estranho” e desconfiavam que se tratava de alguém importante.

O nazista trabalhava em troca de abrigo e nunca aceitou pagamento em dinheiro. Nos raros momentos em que não havia funcionários na cozinha da casa, ele ensinava dona Irene a fazer chás medicinais para as crianças. Por isso, percebeu que o abrigado acumulava conhecimentos médicos, que ela própria identificou facilmente, pois é farmacêutica. No entanto, como já conhecia o “estilo calado” do hóspede, ela não fez mais perguntas relacionadas à sua vida. “Percebemos que era o jeito dele e não adiantava perguntar nada”, recordou a ex-presidente. Mesmo assim, os funcionários continuavam desconfiados com o jeito esquisito do forasteiro. “O que mais nos intrigava é que ele escrevia e recebia cartas sem que víssemos nada. Sabíamos disso somente porque às vezes ele comentava”, contou dona Irene.
Mengele surpreendeu a presidente e a diretora da instituição quando revelou que ia embora, sem especificar, no entanto, para onde. Disse apenas que “tinha compromissos” e precisaria ir embora no dia seguinte, às cinco horas da manhã. Do mesmo jeito misterioso que chegou, também desapareceu.
Irene lhe deu de presente uma camisa de linho de manga comprida, que foi recusada pelo médico. “Não quero. Fica de presente para as crianças”, teria respondido o hóspede à presidente. Naquele momento, ele beijou sua mão e agradeceu pela hospedagem. “Deus lhe pague por tudo que a senhora fez por mim. Agradeço pelo leite que tomei aqui”, teriam sido algumas palavras ditas pelo nazista à dona Irene.
Mengele foi embora no dia seguinte às quatro horas da manhã, em um carro que apareceu para buscá-lo. A cena foi vista por Georgette, escondida atrás de uma janela. Depois da ida do hóspede, a irmã e dona Irene inspecionaram o quarto do médico, em busca de materiais esquecidos, mas nada encontraram de objetos pessoais ou documentos.

A verdade sobre sua identidade foi descoberta por dona Irene somente anos depois, após a revista “IstoÉ” publicar uma foto do nazista Joseph Mengele, encontrado morto tempos antes em uma praia de Bertioga, no litoral paulista. No entanto, há indícios de que Georgette pudesse saber quem era na verdade o homem que hospedou na Casa da Criança. “Uma vez, flagrei a irmã conversando em alemão com o ‘seu Pedro’. Perguntei e ela me disse: ‘não, você entendeu errado, eu não sei falar alemão’”, revelou dona Irene. Para a ex-presidente, Georgette “desconfiava” de algo errado com o hóspede.
A morte do nazista comoveu dona Irene, que chegou a chorar quando soube da notícia. Ao ter conhecimento, porém, dos atos de seu abrigado, a ex-presidente teve uma “decepção muito grande”. “É difícil acreditar que ele fez tudo isso de mau, pois também fez muita coisa de bom”, considerou.
Em sua memória, impera ainda hoje a lembrança de uma “pessoa boa” e que ajudou a entidade. “Ele foi uma pessoa praticamente boa”, avaliou a ex-presidente, que durante cinco meses conviveu com um dos criminosos mais cruéis da história, mas que prefere manter a lembrança do ajudante calado, discreto e prestativo.

“O seu direito termina onde começa o meu”
Roberto Silo lembra que a religiosa Irmã Georgette, de origem húngara, então encarregada pela Casa das Crianças, foi quem mais proximamente conviveu com Mengele, durante sua estadia na instituição e a entrevistou, provavelmente entre 1984 e 1985, quando então dirigia o Asilo São Vicente de Paulo, onde recebeu Silo e Kiko Roselli, depois de constantes apelos.
Então, se travou o seguinte diálogo entre o repórter e a religiosa (reprodução de memória):
- Irmã,

ARQUIVOS VIVOS
O caso Mengele: novos mistérios

Por Deonísio da Silva em 23/11/2004


Os papéis esquecidos na Polícia Federal, em São Paulo, que levaram à descoberta de mais documentos sobre o criminoso de guerra Joseph Mengele, que morreu afogado em Bertioga, em 1979, sem jamais prestar contas de seus atos, levantaram mais um dos muitos véus que cobrem a atuação dos nazistas na América do Sul, especialmente no Brasil, na Argentina e no Paraguai.

Nos próximos dias e nas próximas semanas, enquanto o assunto está quente, seria de bom tom que os editores pautassem bons repórteres para aprofundar o quadro. São alarmantes os indícios de que documentos reveladores de verdades terríveis jazem em escaninhos insólitos. Ainda insuficientemente estudados, demandam pesquisas sérias. E a imprensa tem função inescapável de mexer no abelheiro. Certamente também haverá quem agora possa falar o que tanto tempo calou.

Quem sabe, como ocorreu a Uki Goñi, jovem repórter do Buenos Aires Herald, jornal dedicado à comunidade britânica, que se interessou por entender os mecanismos e o modo de operar da ditadura militar argentina, algum repórter venha a desencavar os fios que faltam para esclarecer enigmas restantes.

Goñi alude a 304 campos de detenção na Argentina, responsáveis pelo desaparecimento de 8.956 pessoas, entre as quais 1.296 de etnia judaica. Isto é, mesmo sendo pequena comunidade – os judeus eram menos de 1% da população – eram judeus 12% do total de desaparecidos, eufemismo demoníaco para aglutinar sob a rubrica pessoas mortas sob tortura ou simplesmente executadas, às vezes à revelia de ordens superiores, outras vezes a mando cifrado.

Goñ trabalhou seis anos compulsando arquivos em dois continentes. Dos 480 criminosos de guerra que chegaram à Argentina, ele identificou quase 300 deles. (Ver A verdadeira Odessa, Editora Record, R$ 59,90).

São igualmente imperdíveis as matérias da Folha de S. Paulo dos dias 21 e 22 deste novembro. O leitor tem o direito de ficar assustado com o que pode ser concluído: uma rede de cúmplices, muito eficiente, permitiu que um criminoso de guerra somente viesse a ser identificado depois de morrer afogado em Bertioga. E assim mesmo graças a um esforço descomunal de busca da verdadeira identidade. Ainda que – sublinhemos – paire alguma controvérsia sobre se aquele era de fato o cadáver de Joseh Mengele. Mas quem teve competência para o ato inaudito certamente não praticou exclusivamente a tarefa de ocultar Mengele.

Escrevi um romance sobre o tema do neonazismo no Brasil meridional -- Orelhas de aluguel (Editora Siciliano) – e sempre guardei comigo a secreta convicção, nascida da intuição de ficcionista, que havia mais coisa em certos bastidores ainda indevassáveis nos anos oitenta, quando escrevi o romance. O texto de Ana Flor e Andréa Michael, pela gravidade do que traz, merece releitura e reflexão mais demorada. Aguardemos os desdobramentos. O assunto é pertinente e quentíssimo. Não será surpresa se encontrarmos nos arquivos dos anos pós-64 ligações que esclareçam certas pendências ainda muito obscuras.

Segue o texto da Folha de S. Paulo (22/11/2004).

Após viver 26 anos longe da Europa, 14 deles no Brasil, o médico nazista Josef Mengele quase retornou para a Áustria em 1974. A tentativa de voltar para perto da família e de seu país -não concretizada e que fez o médico ficar no Brasil até sua morte por afogamento, em 1979- pode ser percebida nas cartas recebidas por Mengele e que foram apreendidas entre os 85 documentos esquecidos na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo.

Os documentos, cuja existência foi revelada ontem pela Folha, mostram detalhes inéditos sobre Mengele, chefe do serviço médico do campo de concentração de Auschwitz (Polônia) de 1943 a 1945. No campo, Mengele usou prisioneiros como cobaias em experimentos pseudo-centíficos.

A maior parte das mais de 20 cartas escritas a Mengele apreendidas pela PF são do amigo Wolfgang Gerhard, cujo nome Mengele usava no Brasil. Austríaco, Gerhard esteve nos quadros do partido nazista. Nunca foi um fugitivo de guerra, mas decidiu morar no Brasil após a Segunda Guerra Mundial por não concordar com a política imposta pelos aliados.

Em uma carta de quatro páginas escrita em novembro de 1974, Gerhard, que havia voltado para a Áustria em 1971, aconselhava Mengele a fazer o mesmo o quanto antes, "antes que esteja muito velho para a viagem". O amigo dizia ainda que, na Europa, Mengele poderia se tratar e ser operado.

Segundo biografia publicada em 1986, Mengele ficou doente em 1972. Por causa da tensão de estar em constante fuga, ele desenvolveu o hábito de morder a ponta do seu bigode. O costume fez com que uma bola de cabelo obstruísse seu intestino, que lhe causava grande dor. Mengele chegou a procurar um hospital no Brasil, apesar do risco.

Na carta, Gerhard relatava ainda com detalhes a doença da mulher, Ruth, que sofria de câncer. Escreve sobre dificuldades financeiras e de uma viagem de tratamento feita a Beirute (Líbano).

A longa explanação sobre a falta de dinheiro parece ser uma forma de explicar ao amigo no Brasil a razão da impossibilidade de lhe enviar dinheiro. Nesta época, segundo cartas enviadas por Mengele, o médico já vivia uma difícil situação financeira.

Gerhard conheceu Mengele no Brasil. Antes de voltar para a Europa, deixou com o nazista seus documentos de identificação. Mais tarde, teria voltado ao Brasil para renovar os documentos.

Gerhard chegava a dizer a Mengele que a ida para a Áustria não era tão difícil como poderia imaginar, e que insistia na idéia porque "jamais daria um conselho que prejudicasse o amigo".

Gerhard quase sempre começava suas cartas referindo-se ao médico como "Lieber Alter" (querido velho), expressão que mostra a proximidade dos dois.

Dos quatro laudos produzidos pela polícia na época, o de número 09516 assinala a análise dos registros manuscritos e mecanografados encontrados entre os pertences de Mengele. Na página 35, está a confirmação da autoria das cartas que o nazista recebeu do amigo Wolfgang Gerhard.

O laudo informa que "a identificação [dos escritos encontrados entre os pertences de Mengele] se deu graças aos exames preliminares realizados entre as assinaturas constantes nos documentos (carteira de identidade para estrangeiro, carteira profissional e carteira Nacional de Habilitação) apreendidos, em nome de Wolfgang Gerhard, adulterados quanto às fotografias neles constantes, que serão objeto de laudo próprio, e aquelas lançadas nos documentos (missivas) com os números 16, 23 e 28, possibilitando, assim, a individualização gráfica do punho de Wolfgang Gerhard também para os documentos com os números 15, 17 a 22, 24 a 27, 29 e 30, bem como lançamentos manuscritos apostos nos documentos mecanografados de número 40".

Vida abastada

Durante quase toda a vida, Mengele viveu longe de apertos financeiros. Seu pai, Karl, era dono de uma empresa de equipamentos agrícolas. Quando, em 1948, Mengele decidiu sair da Alemanha, foi seu pai quem teve a idéia mandá-lo para a Argentina.

Com bons contatos no país sul-americano, Karl viu a possibilidade de Mengele ser seu representante nos negócios, o que deu ao nazista uma vida confortável para um fugitivo. Anos depois, no Paraguai, Menguele já não dispunha de recursos como antes. Sua situação tornou-se crítica no Brasil, por volta de 1974, quando precisou vender o apartamento que tinha em São Paulo -e cujo aluguel era vital- para comprar documentos falsificados.

A partir da mesma época, as quantias que precisava pagar pelo silêncio de quem conhecia sua verdadeira identidade passaram a ficar mais pesadas. Anotações de 1976 em excertos de um diário manuscrito mostram que Mengele passou por momentos em que faltou dinheiro para pagar a gasolina necessária para uma viagem de carro ao Rio de Janeiro.

Sua volta para a Europa, em uma provável tentativa de se esconder com Gerhard na Áustria, era ainda mais difícil. Além dos documentos falsificados de maneira bastante imperfeita, havia a falta de dinheiro para a viagem. (Ana Flor e Andréa Michael, Sucursal de Brasília.)

A Argentina e os nazistas
A história do bispo inglês Richard Williamson que negou o holocausto e ontem foi deportado da Argentina é apenas a ponta de um iceberg. A relação Argentina-nazistas-judeus vem de muito antes, dos anos 30, 40 e 50.

Para se estabelecer no período 1943-1946, o presidente Perón incluiu seu amigo pessoal e empresário Rodolfo Freude entre os conselheiros econômicos do peronismo. Rodolfo Freude era reconhecidamente ligado as teorias nazistas, e isso foi refletido no período, quando a Argentina passou a permitir a entrada de capitais de industriais alemães após a batalha de Stalingrado, em 1943.

Depois, seu filho Rodolfo "Rudy" Freude assume cargo de secretario no governo, permitindo a entrada de milhares de criminosos e colaboracionistas nazistas à Argentina. Não só Alemanha, mas da Polônia, Croácia, França, etc.

Em 1947 é lançado o primeiro plano quinquenal, que incentiva a boa imigração, que permite a chegada dos últimos cientistas nazistas não absolvidos pelos aliados. Von Braun, cientista nazista que criara a bomba voadora B-2, tendo trabalhado depois na Nasa, veio à Argentina. Vários como Von Braun, tiveram suas penas diminuídas em Nuremberg. A intenção da Argentina era atrair esses cérebros a partir de 1947, depois de quatro anos atraindo capital.

Carlos Fuldner funda uma empresa em 1948 e abre para a chegada de nazistas, lançando licenças aos montes. Foi um ótimo negócio para ele, Fuldner, e para os nazistas recém-chegados, como Eichman.

Na mesma época, Perón concedeu documentos para tornar legais todos os imigrantes. Milhares de nazistas se regularizaram, como Otto Papper, que voltou a utilizar seu nome original, após alguns anos de clandestinidade na Argentina. Mengele é outro que regulariza seu nome. Ele chegou à Argentina com uma mala com tipos sanguinios e experimentos de Auschwitz.

Em 16 de setembro de 1955, as Forças Armadas, lideradas pela Marinha, promoveram a revolução libertadora e retiraram Perón do poder. Os militares contavam com a ajuda da Igreja, que passou a apoiar o golpe pouco antes, em março daquele ano, quando Perón lançou uma série de projetos como lei do divórcio, separação da Igreja e Estado.

A proteção militar, contudo, continuava efetiva aos criminosos. Logo após a queda de Perón, Adolf Eichman, que utilizava o nome de Ricardo Klement, assume cargo na Mercedes-Benz na Província de Buenos Aires.

A partir de 1956, o Estado de Israel já estava equilibrado e estabelecido. Com o apoio dos Estados Unidos, passa a colocar seu serviço de inteligência e espionagem para procurar os nazistas que viviam e trabalhavam na América Latina. O foco especial era, claro, a Argentina, um berço de refugiados.

Uma denúncia anônima de um colega de trabalho de Ricardo Klement (Eichman) ao serviço EUA/Israel no início de 1960 provocou uma prática nada ortodoxa. Os israelenses entraram na Argentina e sequestraram Eichman, entre abril e maio de 60, levando-o a Israel. Lá ele seria julgado e condenado à morte pelos crimes dos anos Hitler na Alemanha. Seria morto em 31 de maio de 1962.

A vida dos nazistas na Argentina funcionou normalmente nas décadas de 40, 50 e 60, a não ser pelas incursões dos israelenses ou por políticas da Alemanha (que depois de 45 seria dividida entre os ocidentais e a União Soviética). Em novembro de 1956, após anos de tranquilidade na Argentina - mesmo com as turbulências internas que depuseram Perón um ano antes - um alemão clandestino deu entrada em sua embaixada com nome verdadeiro: Joseph Mengele. Por quase três anos isso não gerou problemas a ele, que continuou levando a vida na Argentina com sua situação normalizada com a Alemanha. Em setembro de 1959, no entanto, a República Alemã pediu sua extradição à Argentina.
Lernforum Deutsch, Bonn


Jornal do Brasil 06/10/2002
América do Sul: alvo nazista

Embaixador revela que partes do Brasil e do Chile seriam dominadas pelos alemães

Denise Assis

Especial para o JB

Não tivessem os aliados derrotado Adolf Hitler, pondo um ponto final à Segunda Guerra Mundial, e a América do Sul, hoje, teria outra feição. Os 13 países do continente seriam transformados em apenas cinco, sendo que a Argentina - país, na época, com muitos simpatizantes do nazismo - teria primazia sobre os demais.

O Brasil cederia a parte sul, onde se encontrava uma das maiores colônias alemãs da época. Gigante pela própria natureza, como nos versos do hino, o país da região com maior território se veria submetido a uma nova linha geopolítica determinada pelos arianos.

A revelação foi feita, esta semana, pelo embaixador Sérgio Corrêa da Costa, no Rio. Para comprovar a informação, dada após 60 anos de silêncio, ele exibiu também um mapa apreendido pelo British Security Coordination (serviço secreto inglês) em 1941, na Rua Paissandu, no Flamengo, próximo ao consulado alemão.

O mundo, então, estava em guerra e o Brasil era alvo de americanos - que sonhavam estabelecer aqui bases militares - e nazistas, cujo espírito expansionista não tinha limites. Apesar de uma simpatia inicial pelos arroubos nazistas, o Brasil acabou optando pelos americanos, em troca da instalação da Companhia Siderúrgica Nacional.

O que não se sabia, até então, era a amplitude da volúpia de Hitler com relação à América do Sul. Pelo mapa da cúpula nazista, o Chile praticamente desapareceria, ficando restrito à sua atual Região Norte. A Venezuela se fundiria à Colômbia, dando origem a um país chamado Newspanien (Nova Espanha).

A queda do espião portador da nova carta da América do Sul, no Rio, diz o embaixador, foi mais um dos fatores para que o presidente Franklin Roosevelt decidisse pela entrada dos EUA na guerra. O governo americano passou a se preocupar com a situação do Brasil:

-Por ser um imenso celeiro de recursos naturais, e por ter uma importante parcela de sua população de origem alemã - observa o embaixador, acrescentando que a maioria das escolas de Santa Catarina era mantida pelos alemães.

Adolph Berle - secretário de Estado assistente, encarregado da ligação com o FBI e com os serviços militares de informação - previu o ataque partindo da Noruega em direção aos Estados Unidos e um outro visando ao Brasil. Por isso, o chefe da missão militar americana no Rio, coronel Lehman Miller, solicitou o alto comando brasileiro a criar um serviço secreto para vigiar os súditos do Eixo.

Contemporâneo de tudo isso, Sérgio Corrêa da Costa, 81 anos, contou em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil, que acompanhou decisões políticas e militares não apenas como funcionário do Itamaraty - na época lotado no Arquivo Histórico de Buenos Aires - mas também como jovem irrequieto, que por não ter chance de ser convocado para o front, pela função que desempenhava, fez ''uma guerra particular''.

Perguntado se isso queria dizer que atuou como espião pelos aliados, Corrêa da Costa assentiu. Os olhos faiscaram e, com o ar de quem fez uma viagem no tempo, protestou:

-Você acabou de me arrancar um segredo de mais de 50 anos, que não revelei nem para a minha mulher.

Pudera. Suas peripécias como espião incluíam encontros furtivos em cinemas, teatros e restaurantes, com eventuais colaboradoras dos serviços inglês e americano, onde as informações eram passadas sob a forma de cochichos.

· Se fosse meu superior e soubesse metade do que aprontei, me demitia. Fiz loucuras pela causa.

Diplomata guardava segredos de guerra

A primeira missão do embaixador Sérgio Corrêa da Costa no exterior foi em Buenos Aires. Ele que ao longo da vida serviu em Londres, Nova Iorque e Washington, chegou à capital Argentina aos 20 anos, logo após o golpe de que já participara o coronel Juan Domingo Perón, e que havia deposto o governo civil. Os militares, que não escondiam suas simpatias pela Alemanha nazista , assumiram o controle total.

Apesar de suspensas as relações com o Brasil, o Itamaraty o fez partir para lá, onde conheceu uma figura de expressão da política local, o secretário-geral do Ministério das Relações exteriores, José Embrioni. Dos almoços e conversas reservadas com a alta patente surgiram revelações que o então simples funcionário do Itamaraty achou por bem registrar em diário.

Logo a brochura estava recheada de segredos militares e de guerra. Um dia Sérgio concluiu que, sem poder publicar uma linha sequer do que anotava, acabaria refém daquele caderno. E se fosse roubado? Fez chegar ao Itamaraty as informações que julgou importantes e o incinerou. Desde então, deixou de tomar notas de fatos que presenciou e marcaram a história contemporânea, como o assassinato acontecido a cinco metros dele, do colombiano Jorge Eliezer Gaitán, em 1948, a quem o embaixador descreve como um misto de Getúlio Vargas e Luiz Carlos Prestes.

Apesar de ter estado sempre na cena de episódios cruciais, Corrêa da Costa furtou-se de anotá-los e de escrever suas memórias. Hoje, aos 81 anos, revê a decisão.

- Menos de 10 minutos depois da minha saída, o tempo de alcançar o Hotel Metrópole, que ficava a uma quadra, o palácio presidencial foi arrasado - recorda.

Autor de livros como Palavras sem Fronteiras, e Brasil, Segredo de Estado, lançados pela Editora Record em 2001 e já na quarta edição, Sérgio Corrêa da Costa é membro da Academia Brasileira de Letras. Agora, prepara-se para mudar-se de Paris para o Rio.

Mapa reduzia o Brasil

Descoberta foi citada por Roosevelt

O registro de ocorrência da apreensão do mapa elaborado pelos nazistas e que daria uma nova feição à América do Sul era sucinto: ''Funcionário alemão seguido por agentes ingleses sofreu um acidente. Sua pasta foi tomada e aberta. Dentro dela encontrava-se um mapa da América do Sul''. O embaixador Sérgio Corrêa da Costa conta que teve acesso ao exemplar, do qual tem uma cópia pendurada na parede de sua sala, em Paris.

- O sujeito sofreu um discreto esbarrão na calçada da Rua Paissandu e teve morte instantânea. Quem esbarrou recolheu discretamente sua pasta, bem ao feitio das ações dos funcionários do British Security Coordination (BSC).

Era a seguinte a proposta de redistribuição territorial nazista para a América do Sul, em caso de vitória:

1- O Brasil perderia os Estados da Região Sul do país, no novo desenho do continente.

2- A Argentina absorveria o Uruguai, o Paraguai, toda a parte baixa da Bolívia e um corredor para o Pacífico na altura de Antofagasta; com isso, o território do país vizinho se estenderia em direção à Amazônia, indo muito além de Corumbá.

3- O Chile perderia sua parte inferior, e incluiria o restante do Peru e da Bolívia.

4- Surgiria a Nova Espanha, formada pela Colômbia, Venezuela e Equador, mais o Panamá e a Zona do Canal.

5- As três Guianas seriam unificadas. O mapa foi mostrado ao presidente Roosevelt, que o citou em discurso irradiado em 27 de outubro de 1941.

''Os peritos geógrafos de Berlim obliteraram brutalmente todas as linhas divisórias para reduzir a América do Sul a cinco estados vassalos, todos sob dominação alemã'', protestou o presidente americano, durante discurso em Washington.

Soube-se depois, que a própria Gestapo havia investigado o incidente. Havia apenas dois exemplares desse mapa. Um no cofre de Hitler, outro confiado ao embaixador alemão em Buenos Aires, Von Thermann. A culpa do vazamento foi atribuída a Gottfied Sandstede, antigo adido civil da embaixada germânica e membro proeminente no partido nazista argentino. O funcionário alemão pagou muito caro por reproduzir o mapa.

Acabou assassinado em Buenos Aires por seus próprios homens.


Wir danken der Botschaft von Brasilien für die Überlassung dieses Artikels.

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Mengele fugiu, indo se tornar nômade por um tempo, até entrar no Brasil, de maneira clandestina. Morreu nos anos 80, de ataque cardíaco, numa praia brasileira. Teria sido mantido pelo Estado alemão até alguns anos antes de sua morte.
Postado por João Villaverde às 13:20
Marcadores: Alemanha, América Latina
COMENTÁRIO DO DONO DO BLOG


Documentos inéditos reconstituem os passos de Josef Mengele na América do Sul e mostram como ele usou a identidade real na Argentina, no Uruguai e no Paraguai.

Como exigia a lei no Uruguai, em 1958, um singelo proclama de casamento foi publicado no jornal do povoado de Nova Helvécia, a 120 Km de Montevidéu. O oficial Pedro Izacelaya anunciou o nome dos noivos e recomendava: quem soubesse de algum impedimento contra a união deveria denunciá-lo durante os oito dias de divulgação do registro, a contar de 17 de Julho.
Casariam-se Marta Maria Will e Josef Mengele. Ela viúva e dona de casa. Ele divorciado, médico, nazista e torturador sádico, responsável direto pela morte de ao menos 3 mil pessoas em experimentos bizarros no campo de extermínio de Auschwitz.

Ninguém apresentou obstáculos. E Mengele retomou a rotina tranqüila de empresário bem sucedido em Buenos Aires. Até que a Alemanha pedisse a sua extradição em 1959, o homem que mereceu ser chamado de Anjo da Morte sobreviveu na barbas de autoridades alemãs, argentinas, uruguaias e paraguaias incólume. E feliz.

Gunzburg é um vilarejo ao sul da Alemanha. Parece pintado a mão. Ali a família Mengele é reverenciada. Em 1907, Karl Mengele comprou uma fábrica de máquinas agrícolas e faria dela uma das maiores da Europa. Sob novos donos, existe ainda hoje, batizada Mengele Agrartechnik. Boa parte dos moradores esta empregada lá.

Há 100 anos, em 16 de março, Karl e a esposa, Walburg, tiveram o primeiro de três filhos, Josef. Karl esperava que o primogênito, assumisse os negócios e perpetuasse a dinastia”, afirmam Gerald Posner e Jonh Ware em Mengele: The Complete Story (sem edição no Brasil). Mas o ambicioso Josef Queria construir sua própria fama. Dizia que todos ainda veriam seu nome na enciclopédia.”
O rapaz estudou medicina e antropologia nas universidades de Munique e Frankfurt. Em 1937, já formado descolou uma vaga no Instituto para Hereditariedade , Biologia e Pureza Racial da universidade de Frankfurt e filiou-se ao partido nazista. No ano seguinte, ingressou na SS, que administrava os campos de extermínio.

Casou-se pouco depois com Irene Schoenbein, mãe de seu único filho, Rolf. Entre 1939 e 1942. Mengele lutou no front oriental e recebeu cinco medalhas por bravura.

O emprego que, enfim, o colocaria na enciclopédia veio em 1943: um posto de médico em Birkenau, parte do complexo de Auschvitz, na Polônia. O sempre elegante doutor ganhou sinal verde para realizar atrocidades “em nome da ciência’. Era parte de sua função selecionar os presos recém chegados. Em segundos, analisava as feições de cada um e mandava-os as fileiras da direita ou da esquerda: trabalho escravo ou a morte. Assim teria determinado a execução de 200 mil a 400 mil pessoas.

Um terceiro destino era reservado a certos prisioneiros, sobretudo os gêmeos: servir de cobaia em testes cruéis. O jornalista Bem Abraham, 86 anos, lembra-se muito bem daquele homem de macabra imponência. “Mengele liderava a junta médica que fez a seleção de meu grupo. Era o Anjo da Morte mesmo. Ele decidia com um polegar quem iria para os fornos crematórios e quem seria usado nas experiências.

Nunca vou esquecer.” Abrahan conseguiu escapar e mora no Brasil. Perdeu a mãe ali. Outros sobreviventes recordam como ele, á primeira vista, muito bem educado e galante, “desarmava suas vítimas.

Não há consenso sobre onde Mengele viveu logo após o fim da Segunda Guerra. O Exercito Vermelho invadiu Auschwitz e libertou 7,6 mil prisioneiros em 27 de janeiro de 1945.
Nazistas como Adolf Eichmann e Erich Priebke seguiram rotas semelhantes, mas Mengele tinha um diferencial. Ele sempre viveu como um milionário, diz o historiador Argentino Carlos de Nápoli, que investiga a trajetória do carrasco há trinta anos.

O médico se amparava na fortuna do pai – multiplicada durante o nazismo graças a mecanização da agricultura e depois na reconstrução do país. Para ajuda-lo, Karl entrou em contato com Jorge Antonio, braço direito de Perón e homem de confiança dos alemães no Rio da Prata. Argentino de origem Síria, el Turco enriqueceu noa anos de 1950 usando seus vínculos com o poder, a ponto de se tornar presidente da filial argentina da Mercedez Benz e sócio de dezenas de outras empresas.

A Mercedes ajudou vários nazistas, a exemplo de Eichman. Mengele, porém não precisou de emprego. Criou suas próprias empresas com o dinheiro paterno. Os investimentos foram feitos por meio do empresário alemão radicado na Argentina Roberto Mertig, dono da fábrica de fogões Orbis. Uma das firmas que ele montou foi a Tameba (sigla em espanhol de Oficinas Metalúrgicas de Buenos Aires). “Ele fabricava hastes de torneira e vendia para Eichmann, que nessa época, trabalhava na industria de sanitários FV, do alemão Franz Viegener”.

O Carrasco levava uma vida social regular na capitalo do Tango(onde esta curiosamente, a maior comunidade judia da América Latina. A ponto de fazer parte de um grupo que jogava Bridge no qual havia judeus, relata Gerald Astor em Mengele OUltimo Nazista. Ele se sentia tranqüilo sabendo que havia uma rede de proteção no Estado. E ela continuou mesmo após o golpe contra Perón, em 1955, afirma Sergio Widder, diretor do Centro Simon Wiesenthal.

Em 1956, um novo negócio, o laboratório Fradofarm(fábrica de drogas farmacêuticas). E voltou a ser Josef Mengele. Na embaixada alemã, deu o nome e endereço e pedou uma cópia da certidão de nascimento. Com ela, obteve uma cédula de identidade argentina.

O nazista saiu do armário(teve até o nome na lista telefônica) para garantir sua participação na herança da família. A essa altura, seu pai estava á beira da morte e ele precisava recuperar seu nome. ‘Se continuasse como Helmut Gregor, não receberia nada. Assim o segundo passo foi retomar a identidade”Diz De Nápoli. O seguinte seria se casar com a viúva do irmão mais novo, Kal Jr.

Sim, Marta Maria era sua cunhada. Chegara a Argentina com o filho, Karl Heinz, em 1956. Como divorciados não podiam se casar no país, Mengele foi com ela ao Uruguai. Com as bênçãos de Karl pai, ambos garantiram que os bens da família não se dispersassem.


Em maio de 1985, a policia alemã fez uma busca na casa de Hans Sedlmeier, que havia sido procurador da empresa de maquinas dos Mengeles, em Gunzburg, e encontrou cartas escritas por Josef Mengele e remetidas do Brasil pelos Bosserts. O delegado Romeu Tum, superintendente da PF, foi informado e interrogou o casal. Eles disseram que encobriram Mengele entre 1970 e 1979. Em fevereiro daquele ano, já com a saúde debilitada, o médico foi a convite deles passear em Bertioga, no litoral paulista... E teria se afogado, talvez vítima de um derrame. No boletim de ocorrência, o morto é o austríaco Wolfgang Gerhard. Na verdade, esse era o nome do sujeito que apresentou Mengele aos Bosserts.

A tumba de Mengele, revelaram os Bossert, estava no cemitério do Rosário, em Embu, Grande São Paulo. Uma equipe de legistas exumou os restos do corpo, em junho de 1985, e concluiu que eram do nazista. Em 1992, um exame de DNA confirmou a descoberta. A analise utilizou uma amostra de sangue de Rolf, filho do carrasco, e foi conbduzida pelo geneticista britânico Alec Jonh Jeffreys. Sete anos antes Rolf dissera não ter percebido no pai, na visita a São Paulo, nenhum sentimento de culpa ou remorso.

Marco Antonio Veronezi, ex diretor regional da PF, recorda a expectativa mundial que havia em torno do cadáver achado em Embu. Estranhamos o fato de conhecidos de Mengele aparecerem anos após a morte, para falar da ossada. Bem Abrahan sempre duvidou da ossada. Aponta há anos uma série de incongruências, inclusive entre o corpo e a ficha médica do nazista na SS. Para ele o médico fabricou um sósia.

Para Carlos De Nápoli, a “farsa’ dos restos no Brasil foi criada, mais uma vez, para fins econômicos. A Fradofarm não foi vendida e seus testas de ferro, Ernest Timermann e Heinz Truppel, iam até a Alemanha para prestar contas.

A família nunca requisitou o corpo.

De todo o material publicado pelo criminoso nazista Josef Mengele a partir de 1960, quando ele se tornou conhecido do grande público, após a chegada á Argentina do pedido de extradição feito pela republica federal da Alemanha, destaca-se o enrome valor documental da autobiografia de Miklos Nyisxli, prisioneiro judeu que foi assistente de Mengele em Auschwitz, Médico o autor realizava autopsias das vítimas mortas em vários experimentos e enviava os resultados a um endereço: Berlin Dahlen, Institut Fur Rassenbiologische Forschunagen(...) Um dos institutos mais famosos do mundo.”

Em outro trecho, diz: “Os gêmeos morreram na mesma hora. Agora jazem aqui, sobre minha mesa para dissecação dos cadáveres. Graças a sua morte, agora será possível analisa-los por meio de uma autópsia e descobrir o segredo da multiplicação humana. O grande objetivo dessas investigações é, de fato, a multiplicação raça superior. Trata-se, exatamente de colocar uma mãe alemã em condições de criar sempre gêmeos no futuro. Esse plano é uma loucura! Foi promovido pelos loucos teóricos da raça do Terceiro Reich. E, para as pesquisas necessárias, encarregam o doutor Mengele(...) Esse criminoso é capaz de passar horas comigo entre microscópios e fármacos, ou de estar na mesa de anatomia, com o jaleco sujo de sangue, observando e tocando com as mãos, também sujas de sangue. Trata-se da multiplicação da raça germânica: o objetivo final é que haja alemães suficientes para repovoar os territórios chamados de Lebensraun, ou seja espaço vital do Terceiro Reich, depois de deixa-los limpos da presença de checos, húngaros, poloneses, holandeses e outras populações. Nyiszli conseguiu obter, com os resultados das autópsias que podia analisar, uma aproximação bastante certeira dos planos finais dos nazistas. No entanto como muita gente, nunca conseguiu compreende-los em sua real extensão.


Isso se deve a que, por motivos políticos, o verdadeiro ideólogo racial do nazismo, o argentino Ricardo Walther Darré, passou como um fantasma pelas páginas da História. Darré foi a primeira pessoa a levar á prática as idéias raciais nazistas, impondo aos integrantes da SS, desde 1929, todo o tipo de restrição a sua admissão. Rambém fundou a Rusha, sigla em alemão de Escritório Central de Raça e Reassentamento.  

FONTE DE PESQUISA:

Revista Aventuras na História Editora Abril, matéria de Eduardo Szklars, resportagem de Eduardo Cordeiro.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A TÉCNICA DE GOLPE DE ESTADO DA CIA (O GOLPE DE 1964 E A OPERAÇÃO CONDOR)


1964:

A CIA e a técnica do golpe de Estado*




“Friday, April 3, 1964 - 12:06 p.m.

Thomas Mann: I hope you’re as happy about Brazil as I am.

Lyndon B. Johnson: I am.

Thomas Mann: I think that’s the most thing that’s happened in the hemisphere in three years.

Lyndon B. Johnson: I hope they give us some credit, instead of hell”[1].




Curzio Malaparte, quando escreveu, nos anos 30, Técnica del colpo di Stato, ressaltou que “il problema della conquista e della difesa dello Stato moderno non è un problema politico, ma tecnico”[2]. Essa técnica, que se vinha modificando, no curso dos séculos, paralelamente à transformação da natureza do Estado[3], desenvolveu-se enormemente e ganhou maior dimensão, ao ser ampla e sistematicamente utilizada pelos Estados Unidos, como instrumento de política exterior e ingerência nos assuntos internos de outros países, desde a criação da Central Intelligence Agency (CIA), em 1947, durante o governo do presidente Harry Truman (1945-1953). “We must learn to subvert, sabotage and destroy our enemies by more clear, more sophiticated and more effective method than those against us” [4] – recomendou um documento secreto, anexado ao Doolitle Report para a Hoover Commission, em 1950[5].

A CIA, sucessora do Ofice of Strategic Services (OSS), dedicou-se não apenas à coleta de dados, mas a vários tipos de operações de guerra psicológica e paramilitares, conhecidas como PP ou KUKAGE, que jamais deveriam ser a ela atribuídas ou ao governo dos Estados Unidos e sim a outras pessoas ou organizações[6]. O ex-agente da CIA, Philip Agee reconheceu, em seu livro Inside the Company: Cia Diary, que essas operações são arriscadas porque quase sempre significam intervenção, pois visam a influenciar, por meios encobertos, os assuntos internos de outro país, com o qual os Estados Unidos mantém relações diplomáticas normais, e a técnica consiste essencialmente na “penetração”[7], buscando aliados desejosos de colaborar com a CIA. Daí que a regra mais importante na sua execução é a possibilidade de “plausible denial”, i.e., negar convincentemente a responsabilidade e a cumplicidade dos Estados Unidos com o golpe de Estado, ou outra operação, uma vez que, se fosse descoberto seu patrocínio, as conseqüências no campo diplomático seriam graves.

As operações de guerra psicológica implicam propaganda e divulgação, ou seja, campanha através da mídia, junto às diversas organizações estudantis, sindicatos, outros grupos profissionais e culturais, bem como junto aos partidos políticos, sem que a procedência das informações possa ser atribuída ao governo americano. Ela é efetivada, muitas vezes, por agentes da CIA, estacionados na Embaixada Americana como diplomatas, ou homens de negócios, estudantes ou aposentados, enquanto as operações paramilitares consistem na infiltração em áreas proibidas, sabotagem, guerra econômica, apoio aéreo e marítimo, financiamentos de candidatos nas eleições, suborno, assassinatos (executive actions) pela Division D, dentro do projeto conhecido como ZR/RIFLE[8], treinamento e manutenção de pequenos exércitos (covert actions) etc[9]. Essas operações tipificam a técnica do golpe de Estado, que a CIA desenvolveu e aplicou no Brasil e em diversos países da América Latina, nos anos 60 e 70 do século XX, radicalizando, artificialmente, as lutas sociais, até ao ponto de provocar o desequilíbrio político e desestabilizar governos (spoling actions), que não se submetiam às diretrizes estratégicas dos Estados Unidos. “In some cases, a timely bombing by a station agent, followed by mass demonstrations and finally by intervention by military in the name of the restoration of order and national unity – revelou Philp Agee, acrescentando que as operações políticas da CIA foram responsáveis por coups, que obedeceram ao mesmo padrão no Irã, em 1953, e no Sudão, em 1958.

Os agentes da CIA e seus mercenários nativos, encarregados de promover “hidden World War Three”[10], executaram no Brasil, desde 1961, as mais variadas modalidades de covert action e spoiling action, engravescendo a crise interna e induzindo, artificialmente, o conflito político à radicalização, muito além dos próprios impulsos intrínsecos das lutas sociais, das quais a comunidade empresarial norte-americana participava como significativo segmento de suas classes dominantes. Àquele tempo, as corporações multinacionais, em busca de fatores mais baratos de produção, não podiam tolerar nos new industrializing countries nenhum governo de corte social-democrático, que, sob influência dos sindicatos, favorecesse a valorização da força de trabalho. E, conquanto o presidente John F. Kennedy (1961-1963) condenasse, formalmente, os golpes de Estado e privilegiasse a democracia representativa como forma de evitar revoluções e combater o comunismo, os Estados Unidos trataram de enfraquecer e derrubar o governo do presidente João Goulart, não apenas por causa de algumas nacionalizações, mas, sobretudo, com o objetivo de modificar a política externa do Brasil, que defendia os princípios de autodeterminação dos povos e se opunha à intervenção armada em Cuba.

Em 11 de dezembro de 1962, Kennedy reuniu o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional para examinar a “ameaça comunista” no Brasil e a crise do seu balanço de pagamentos. Ao que tudo indica, naquela oportunidade, decidiu-se que os Estados Unidos suspenderiam totalmente qualquer financiamento ao Governo Goulart, nada fazendo, como prorrogação de vencimentos, para aliviar as dificuldades de suas contas externas, e só destinando recursos aos Estados, depois denominados “ilhas de sanidade administrativa”, cujos governadores eram militantes anticomunistas. No dia seguinte, ao falar a imprensa, Kennedy referiu-se duramente à situação do Brasil, declarando que uma inflação de 5% ao mês anulava a ajuda norte-americana e aumentava a instabilidade política. Segundo ele, uma inflação no ritmo de 50% ao ano não tinha precedentes e os Estados Unidos nada podiam fazer para beneficiar o povo brasileiro, enquanto a situação monetária e fiscal dentro do país fosse tão instável. Assim, publicamente, proclamou que o Brasil estava em bancarrota. E ao receber em audiência, no dia 13, o senador Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, e Alberto Lleras Camargo, ex-presidente da Colômbia, prognosticou que, não importando o que os EUA fizessem, a situação do Brasil devia deteriorar-se[11].


Quem está à direita de Colby na foto é seu então adjunto e vice-diretor da CIA, general Vernon Walters, em parte premiado com esse cargo pelos bons serviços prestados em favor do sucesso em 1964 do golpe militar que pôs fim à democracia no Brasil (ele conseguiu também instalar como primeiro  dos cinco presidentes dos 20 anos de ditadura, o amigo Humberto de Alencar Castello Branco).  Os demais são (não nesta ordem) o secretário-executivo do USIB, representantes dos departamentos de Estado, do Tesouro, do FBI (Justiça), da AEC (Comissão de Energia Atômica), da DIA, da NSA e da Inteligência do Exército, Marinha e Força Aérea

Apesar dos fatores domésticos, que os possibilitaram, os golpes de Estado nos países da América Latina, após a revolução cubana, constituíram batalhas da “hidden World War Three”. Eles resultaram da mutação da estratégia de segurança continental, promovida pelo Pentágono, redefinindo as ameaças, com prioridade para o inimigo interno, e difundindo, através da Junta Interamericana de Defesa, particularmente, as doutrinas de contra-insurreição e da ação cívica. Quase todos os golpes de Estado na América Latina, durante os anos 60 e 70, configuraram, assim, um fenômeno de política internacional continental, mais do que de política nacional, interna, da Argentina, Peru, Guatemala ou Brasil. Evidenciou-o o fato de que a intervenção das Forças Armadas no processo político visou, sobretudo, a alterar diretrizes de política exterior e ditar decisões diplomáticas, conforme os objetivos estratégicos dos Estados Unidos, e ocorreram, geralmente, contra os governos que se recusavam a romper relações com Cuba. O que mais afetava, então os interesses de segurança dos Estados Unidos, no hemisfério, não era exatamente a luta armada pró-comunista, como as guerrilhas na Venezuela e na Colômbia, mas sim, o desenvolvimento da própria democracia naqueles países, onde o recrudescimento das tensões econômicas e dos conflitos sociais aguçava a consciência nacionalista e os sentimentos anti-norte-americanos passavam a condicionar o comportamento de seus respectivos governos. Em tais circunstâncias, conquanto Kennedy adotasse, como um dos pressupostos da Aliança para o Progresso, o princípio de não reconhecer governos que não obedecessem às normas do regime democrático-representativo, sua administração foi a que mais incentivou as Forças Armadas, percebidas como a organização social mais estável e modernizadora, a participarem da política interna de seus respectivos países, através de “ações cívicas” e de contra-insurreição. Daí o surto militarista, com a propagação dos golpes de Estado, que tinham como principal fonte de inspiração a Junta Interamericana de Defesa. Não sem motivo o embaixador Ilmar Pena Marinho, chefe da Delegação de Brasil na OEA, manifestou sua preocupação com a possibilidade de que o Colégio Interamericano de Defesa, criado por pressão dos Estados Unidos e ao que Goulart se opôs, viesse a transformar-se em uma “academia de golpes de Estados”[12], onde os estagiários e instrutores norte-americanos, a influenciar seus colegas latino-americanos, expressavam abertamente opiniões sobre a necessidade de criar-se um sistema permanente de ação coletiva, capaz de intervir onde quer que não se pudesse enfrentar, com recursos internos do próprio país, a ameaça comunista.

A operação para eventualmente intervir no Brasil começou, por volta de 1961. O Departamento de Estado, naquele ano, começara a solicitar ao Itamaraty vistos para cidadãos americanos, que entravam no Brasil sob os mais diferentes disfarces (religiosos, jornalistas, comerciantes, Peace Corps etc.), dirigindo-se a maioria para as regiões do Nordeste. Em meados de 1962, da tribuna da Câmara Federal, o deputado José Joffily, do partido Social-Democrático (PSD), denunciou a “penetration” e, no princípio de 1963, o jornalista José Frejat, através de O Semanário, revelou que mais de 5.000 militares norte-americanos, “fantasiados de civis”, desenvolviam, no Nordeste, intenso trabalho de espionagem e desagregação do Brasil, para dividir o território nacional. Se a guerra civil eclodisse, segundo ele, a esquadra do Caribe estaria pronta para apoiar as atividades dos supostos civis americanos, com armas e tropas. Comprovadamente, até 1963, o Itamaraty concedera mais de 4.000 vistos e recebera solicitação para mais 3.000, cujo atendimento os militares nacionalistas brasileiros obstaram. Esse volumoso número de requerimentos. causara tanta estranheza que levou o Itamaraty, certa vez, a interpelar o embaixador Gordon. A resposta foi evasiva. Ele declarou que apenas 2.000 americanos utilizaram efetivamente os vistos, sendo que os demais ficariam como reservas. Não era verdade. Mentiu. Cerca de 4.968 norte-americanos, conforme as estatísticas oficiais de desembarque, chegaram ao Brasil, apenas em 1962, batendo todos os recordes de imigração originária dos EUA e superando quase todos os números registrados durante os anos da Segunda Guerra Mundial, quando eles instalaram, oficialmente, bases militares em diversos estados do Nordeste. Aquele número baixou, em 1963, para 2.463, talvez em virtude de restrições do Itamaraty, mas, ainda assim, continuou acima da média de entradas de norte-americanos em todos os anos anteriores e posteriores.

Esses americanos integravam as Special Forces, conhecidas como Green Berets, criadas para travar guerras de baixa-intensidade (low-intensity wars) e treinar as forças nos diversos países, onde houvesse essa perspectiva de conflito armado. E desde meados de 1963, pelo menos, a CIA e o Pentágono começaram a elaborar vários planos de contingência, denominados Brother Sam, a fim de intervir militarmente no Brasil, diante da eventualidade de que João Goulart, como conseqüência da pressão econômica dos Estados Unidos, reagisse e envergasse para a esquerda, não propriamente comunista e sim sob a forma do autoritarismo ultranacionalista, algo no modelo de Getúlio Vargas ou Juan D. Perón, conforme a avaliação da CIA. E até o seu assassinato (executive action) foi planejado. Em 10 de outubro de 1963, à mesma época em que o Grupo Especial do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos autorizara novas operações de sabotagem em Cuba, os soldados do 1º Batalhão da Polícia do Exército brasileiro, sob o comando do Major Ary Abrahão Ellis, vasculharam um sítio em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), perto de uma propriedade de Goulart, e descobriram 10 metralhadoras Thompson, calibre 45, 20 carregadores, 72 caixas de cartuchos Remington Kleanbore 45, 10 granadas Federal Blast Dispersion Tear Gas (CN) e um rádio transmissor motorola, marcado com o símbolo do programa Ponto IV (mãos apertadas), da embaixada dos Estados Unidos(32). O ministro da Justiça, Abelardo Jurema, declarou que as metralhadoras Thompson entraram clandestinamente no Brasil, pois nenhuma daquele tipo existia nas suas organizações de polícia nem no seu Exército, cujos oficiais desconheciam todos aqueles modelos de armamentos, tão modernos que eram. E as investigações evidenciaram a existência de uma trama para a eliminação de Goulart e de seus filhos, bem como de muitos políticos e generais favoráveis ao governo. Não há dúvida de que a CIA estava por trás do complot.

O golpe de Estado, que derrubou em 1964 o presidente João Goulart, tipificou o conjunto das operações que a CIA desenvolveu e aprimorou, e com tais procedimentos ela conseguiu desestabilizar o governo e permitir a sublevação dos militares, a pretexto de restaurar a ordem e evitar o comunismo. A oposição tinha, decerto, uma dinâmica interna própria, determinada pelas contradições econômicas e sociais, que se aguçaram no Brasil. Mas teriam os militares brasileiros, que conspiravam contra Goulart, desfechado o golpe de estado, para derrubar um governo legalmente constituído, se não soubessem que contariam com o respaldo dos EUA? Teriam ousado empreender essa aventura, que poderia deflagrar uma guerra civil, se não estivessem seguros de que receberiam assistência militar Washington, sob a forma de gasolina, armas, munições e até mesmo assessores, se necessário fosse? Seguramente, não. A assertiva do embaixador Lincoln Gordon, segundo a qual derrubada de Goulart foi realizada pelos militares brasileiros sem “assistance or advice” dos EUA não corresponde à realidade. Não é consistente com os fatos. No dia 30 de março de 1964, no momento em que Goulart discursava para os sargentos no Automóvel Club, o secretário de Estado, Dean Rusk, leu para o embaixador Lincoln Gordon, pelo telefone, o texto do telegrama n° 1296, informando-o de que, como os navios, carregados de armas e munições, não podiam alcançar o Sul do Brasil antes de dez dias, os EUA poderiam enviá-las por via aérea, se fosse assegurado um campo intermediário em Recife ou em qualquer outra parte do Nordeste, capaz de operar com grandes transportes a jato, e manifestou o receio de que Goulart, o deputado Ranieri Mazzilli, os líderes do Congresso e os chefes militares alcançassem naquelas poucas horas uma acomodação, fato que seria “deeply embarrassing” para governo norte-americano e “would leave us branded with an akward attempt at intervention”[13]. No mesmo telegrama, Dean Rusk forneceu o script da encenação, de forma a disfarçar o golpe de estado e a intervenção dos EUA, ao recomendar que:

“It is highly desirable, therefore, that if action is taken by the armed forces such action be preceded or accompanied by a clear demonstration of unconstitutional actions on the part of Goulart or his colleagues or that legitimacy be confirmed by acts of the Congress (if it is free to act) or by expressions of the key governors or by some other means which gives substantial claim to legitimacy”[14].

Era necessário, conforme Dean Rusk enfatizou, que, o golpe de Estado tivesse uma aparência de legitimidade, de modo que os EUA pudessem fornecer a ajuda militar aos sediciosos, conforme o embaixador Lincoln Gordon reconheceu em seu livro Brazil’s – Second Chance – En Route toward the First World[15]. E o senador Auro Moura Andrade cumpriu literal e fielmente o roteiro prescrito. Declarou a vacância da presidência da República, mesmo sabendo que Goulart não renunciara e continuava no Brasil, empossou no cargo o deputado Ranieri Mazzilli, que como presidente do Congresso estava imediatamente na linha de sucessão. Aí, se resistência houvesse e a guerra civil irrompesse, ele poderia requerer a assistência dos EUA, com base no Acordo Militar, renovado através das notas reversais de 28 de janeiro de 1964. Mas não foi necessário. Resistência não houve. E o embaixador Lincoln Gordon pôde declarar que estava “muito feliz” com a vitória da sublevação de Minas Gerais, “porque evitou uma coisa muito desagradável, que seria a necessidade da intervenção militar americana no Brasil”[16]. E continuou a insistir na “plausible denial”, i.e., em negar convincentemente a responsabilidade e a cumplicidade dos EUA com o golpe de estado, norma esta pela qual os governos norte-americanos pautaram muitas vezes suas políticas de intervenção em outros países.

Ao escrever sobre o golpe de Estado, o 18 Brumário de Luís Bonaparte, Karl Marx comentou, ironicamente, que

“a sociedade é freqüentemente salva todas as vezes que o círculo dos seus dominadores se restringe e um interesse mais exclusivo se sobrepõe. Qualquer reivindicação, ainda que da mais elementar reforma financeira burguesa, do liberalismo mais vulgar, do mais formal republicanismo, da mais trivial democracia, é ao mesmo tempo castigada como ‘atentado contra a sociedade’ e estigmatizada como ‘socialismo’. Por fim, os pontífices da ‘religião e da ordem’ são eles mesmo expelidos a pontapés de suas cadeiras de Pythia[17], arrancados da cama no meio da noite e da névoa, colocados em camburões, lançados no cárcere ou enviados para o exílio, seu templo arrasado, sua boca lacrada, suas plumas partidas, sua lei rasgada, em nome da religião, da propriedade, da família, da ordem”[18].

Esse trecho de Marx sobre a França de 1848 parece descrever, exatamente, o que ocorreu no Brasil, durante e logo após o golpe de Estado de 1964. Contudo, embora se recomende, aos governantes, estadistas, povos preferivelmente o ensinamento através da experiência da história, como Hegel ressaltou, o que a experiência e a história ensinam é que os povos e governos nunca aprenderam qualquer coisa da história nem se comportam de acordo com suas lições[19]. Daí a necessidade de recordar sempre o passado, que continua modelando o presente, e a importância de obra como esta, organizada brilhantemente por Túlio Velho Barreto para a Fundação Joaquim Nabuco publicar no transcurso do 40° do golpe de Estado, que ocorreu em 1° de abril 1964 e, em homenagem ao Dia da Mentira, logo se denominou Revolução Redentora, antecipando a data para 31 de março, ao mesmo tempo em que, a pretexto de defender a democracia, destruía a democracia e implantava uma ditadura militar.




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[1] O diálogo foi extraído das gravações publicadas por Beschloss, Michael (edit). Taking Charge: the Johnson White House Tapes, 1963-1964. New York: Simon & Schuster, 1997, p. 306.

[2] MALAPARTE, Curzio. Tecnica del colpo di Stato. Roma: Oscar Mondadori, 2002, p. 31.

[3] Id, ibid., p. 47.

[4] Apud JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S. intelligence in a Hostile World. New Haven-London: Yale University Press, 1996, p. 60.

[5] A Commission on Organization of the Executive Branch, do governo americano foi estabelecida pela P.L. 80-162 de 27 de julho de 1947, sob a presidência de Herbert e criou uma Task Force on National Security Organization, dirigida por Ferdinand Eberstadt, que esboçara o projeto do Security Act of

1947. U.S. War Dept. Board on Officer-Enlisted Man Relationships. The Doolittle Report: The Report of the Secretary of War's Board on Officer-Enlisted Man Relationships. 27 May 1946.

[6] AGEE, Philip. Inside the Company: Cia Diary. London: Allen Lane, 1975, pp. 69-70.

[7] MARCHETTI, Victor & MARKS, John D. The CIA and the Cult of Intelligence. New York: Alfred A. Knopf, 1974, pp. 36-37.

[8] BAMFORD, James. Body of Secrets:Anatomy of the Ultra-Secret National Security Agency. New York: Anchor Book, 2002, p. 479.

[9] Id., ibid., pp. 69-72.

[10] JOHNSON, Loch K. Secret agencies: U.S. intelligence in a Hostile World. New Haven-London: Yale University Press, 1996, p. 38.

[11] KENNEDY, John F. Public papers. Washington, DC: Government Printing Office, 1962, p. 871. O Estado de São Paulo , São Paulo, 13.2.1962. Diário de Notícias , Rio de Janeiro, 14.2.1962.

[12] Telegrama nº 303, confidencial, da Delegação do Brasil junto à OEA, a) embaixador Ilmar Pena Marinho, Washington, 25/25.06.1962, AHMRE-B, Junta Interamericana de Defesa, América, 1961/65.

[13] Text of State Department telegram 1296 to American Embassy, Rio de Janeiro, dated March 30, 1964, 9:52 p.m. (Washington time), in GORDON, Lincoln. Brazil’s Second Chance: En route toward the First World. Washington: Brook Institution Press , pp. 68-70.

[14] Id., ibid., p. 69.

[15] “Rusk continued by reading a long draft telegram to me, noteworthy for ist emphasis on the need of legitimacy in any anti-Goulart movement to wich we might provide military support”. Id., ibid., p. 68.

[16] “As confissões de Lacerda,” in Jornal da Tarde, São Paulo, 6-6-1977, p. 20.

[17] Pythia foi a sacerdotisa de Apolo d oráculo em Delphi. O nome deriva-se de Python, o dragão que Apolo matou.

[18] “Die Gesellschaft wird ebenso oft gerettet, als sich der Kreis ihrer Herrscher verengt, als ein exklusiveres Interesse dem weiteren gegenüber behauptet wird. Jede Forderung der einfachsten bürgerlichen Finanzreform, des ordinärsten Liberalismus, des formalsten Republikanertums, der plattesten Demokratie, wird gleichzeitig als ‚Attentat auf die Gesellschaft’ bestraft und als Sozialismus’ gebrandmarkt. Und schließlich werden de Hohenpriester der Religion und Ordnung’ selbst mit Fußtritten von ihren Pyathiastühlen verjagt, bei Nacht und Nebel ais ihren Betten geholt, in Zellenwagen gesteckt, in Kerker geworfen oder ins Exil geschickt, ihr Tempel wird der Erde gleichgemacht, ihr Mund wird versiegelt, ihre Feder zerbrochen, ihr Gesetz zerrissen, im Namen der Religion, des Eigentums, der Familie, der Ordnung”. MARX, Karl – Der achtzehnte Brumaire des Louis Bonaparte, in MARX, Karl – ENGELS, Friedrich – Werke, Band 8, Berlin, Dietz Verlag, 1982, p. 123.

[19] “Man verweist Regenten, Staatsmänner, Völker vornehmlich an die Belehrung durch die Erfahrung der Geschichte. Was die Erfahrung aber und die Geschichte lehren, ist dies, dass Völker und Regierungen niemals etwas aus der Geschichte gelernt und nach Lehren, die aus derselben zu ziehen gewesen wären, gehandelt haben”. HEGEL, G. W. F. – Vorlesungen über die Philosophie der Weltgeschichte, Band 1 (Die Vernunft in der Geschichte), Hamburg, Felix Mainer Verlag, 1994, p. 19.

Por LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

Luiz Alberto Moniz Bandeira é doutor em ciência política, professor titular de História da Política Exterior do Brasil, na Universidade de Brasília (aposentado) , e autor de mais de vinte obras, entre as quais O Governo João Goulart: As lutas sociais no Brasil (1961-1964), cuja 7ª. Edição revista e ampliada, lançada pela Editora Revan em 2001, Brasil, Argentina e Estados Unidos: Conflito e integração na América do Sul (Da Tríplice Aliança ao Mercosul), e De Marti a Fidel: a revolução cubana e a América Latina.

sábado, 12 de setembro de 2009

OS GEOGLIFOS DO ACRE "SINAIS PARA O CÉU"










Derrubando milhares de hectares de floresta para semear suas pastagens, os fazendeiros e colonos que se instalaram nos vales dos Rios Acre, Purus e Abunã, no Estado do Acre, ao longo destes últimos 30 anos, colocaram à mostra grandes formas geométricas desenhadas no solo.

A exemplo das incríveis linhas de Nazca, no Peru, elas são únicas no mundo e já chamam a atenção de cientistas do mundo inteiro. Tanto que, há duas semanas, os geoglifos, como se denominam esses desenhos, foram visitados por cientistas da Finlândia e tornou-se destaque do Fantástico do último domingo. O sucesso continua.

Uma equipe da BBC de Londres chega esta semana a Rio Branco para rodar um documentário sobre o achado para ser apresentado em rede mundial e até já há a proposta de tombá-los como patrimônio da humanidade.

Fazendeiros e peões de fazenda, desde a derrubada da mata, notaram a existência desses desenhos, até porque, pela falta de estradas trafegáveis no Acre, a maioria das fazendas possui ou aluga aviões para atender suas necessidades.

Assim, ao sobrevoarem os pastos eles viam as formas geométricas e acreditavam ser trincheiras cavadas pelos soldados seringueiros liderados por José Plácido de Castro durante a Revolução Acreana para expulsar as forças bolivianas da região.

Essa explicação simplista satisfazia a todos até ser notada pelo paleontólogo Alceu Ranzi, da Universidade Federal do Acre (Ufac), em 1999, quando viajava de Porto Velho para Rio Branco num vôo da Varig.

"Notei que aquele desenho ficava numa pastagem próxima ao Seringal Bagaço, então convidei um amigo piloto para fazermos um sobrevôo naquela região, localizei geograficamente o desenho e depois fui de carro até lá e tive a certeza de que não se tratam de trincheiras, mas de construções gigantescas", recorda.

MISTÉRIO É TOTAL - Como paleontólogo, Alceu Ranzi é o descobridor do Purussaurus, jacarés gigantescos com até 17 metros de comprimento, que vivam no Acre há mais de dez mil anos. Mas a arqueologia (obras construídas pelos homens no passado) não é o seu forte.

"Eu entendo pouco ou nada sobre os círculos, minha preocupação está em saber se eles foram construídos antes ou depois de a floresta ter surgido. Acredito que são mais antigos que ela, mas aí está o problema porque não temos a menor idéia de quem, como ou por quê esses desenhos foram construídos, só sabemos onde eles estão e isso é muito pouco para que se faça alguma afirmação".

Seriam estes desenhos obras de uma civilização perdida? Pré-incas ou até mesmo de extraterrestres como poderia sugerir alguém mais afoito por uma solução desse enigma? Ninguém sabe. "Houve quem sugerisse que os montes de terra são restos de muralhas que protegiam aldeias ou cidadelas, que eram trincheiras, que serviam como local de rituais e adoração.

As respostas vão ao limite da imaginação, mas nada há que comprove qualquer uma delas", adverte Alceu, que então usa termos de comparação: "tenho viajado a muitos lugares do mundo e estas obras são únicas, a mim parecem tão ou mais importantes que Machu Pichu, as linhas de Nazca e outros tantos mistérios espalhados pelo planeta".

"O volume de terra movimentado para fazer alguns desenhos daria para levantar uma pirâmide daquelas levantadas no Egito. Quantas pessoas seriam necessárias para fazê-los?" Essa é apenas uma das muitas perguntas que atiçam o paleontólogo a insistir na busca da solução desse mistério.

ENTENDA OS GEOGLIFOS - Alguns são em forma quadrado com 215 metros em cada lado é circundado por um fosso que tem 15 metros de largura e quatro metros de profundidade. Para construí-los era necessário movimentar nada menos 51.600 metros cúbicos de terra.

O detalhe é que o material retirado do fosso era cuidadosamente amontoado pelo lado de dentro ou de fora dos desenhos, formando assim uma borda de dois e meio a três metros acima do nível do solo (por isso a idéia de trincheira, mas cabe lembrar que Plácido tinha algumas centenas de soldados que em menos de um ano de batalha não poderiam ter construído um único deles, mas há dezenas a descoberto e talvez centenas sob a mata).

Para identificar o que são realmente estes geoglifos, Ranzi pretende usar método do carbono 14 para chegar o mais perto possível dos fatos que teriam acontecido em terras acreanas e assim determinar a idade correta das imensas árvores derrubadas pelos fazendeiros onde estão esses círculos. Algumas têm mais de dois metros de diâmetro e as estimativas, não oficiais, são de que teriam pelo menos mil e duzentos.

APOIO CULTURAL - Alguns vôos cedidos pelo apoio pessoal de autoridades e fazendeiros que notaram o interesse de Alceu Ranzi nos círculos permitiu que o trabalho fosse levado adiante. O fazendeiro Romário Barreiro, falecido recentemente autorizou por escrito, os estudos em suas terras.

Em 2001, graças a um projeto aprovado pela Fundação Estadual Elias Mansour, pela Lei de Incentivo à Cultura foram conseguidos R$ 5 mil na forma de bônus Ranzi viabilizou recursos para dar continuidade à pesquisa.

Agora as universidades da Flórida, Helsinque e a Usp já trabalham a formalização de um convênio com a Universidade Federal do Acre e o Museu da Borracha para estudar mais detalhadamente o assunto.

EL NIÑO PODE TER SIDO O VILÃO – Está comprovado que as alternâncias climáticas (períodos de muita chuva ou forte estiagem) causadas pela corrente marinha do El Niño, no Oceano Pacífico, destruiu civilizações inteiras que existiam na costa do Peru e Chile. "Nós já sabemos que quando chove naquela região a Amazônia sofre com a seca", adverte Ranzi que então sugere:

"Você já imaginou os efeitos de um super El Niño de 20 anos que fizesses verdejar os desertos do Chile e Peru acabaria torrando o Acre e grande parte da Amazônia numa seca que nós ainda desconhecemos, mas sabemos que os solos acreanos não têm reserva de água e a vida é mantida graças ao equilíbrio do clima".

Aí é que entra o interesse do Paleontólogo, pois sabe-se que há pouco mais de mil anos a maior parte do Acre era coberta por extensas savanas (cerrados secos e ralos a exemplo de algumas áreas do Brasil central). "Para mim, a floresta cresce e encolhe ao longo dessas mudanças climáticas.

Elas marcam também a ascensão e queda de civilizações inteiras. Prova prática disso seriam as savanas da Bolívia, lá denominadas pampas, que estão a menos de 200 quilômetros do Acre, em linha reta".

Essa vegetação pampeira se estenderia para recobrir o solo da região durante os períodos secos, quando volta a chover, as espécies florestais sobreviventes retomariam seu espaço fazendo vicejar a floresta como a conhecemos hoje.

PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE - Embora ninguém saiba quem, como nem porque esses desenhos foram criados, o fato de serem únicos no mundo levou o doutor Martti Parsinen, o qual é professor de arqueologia da universidade nacional de Helsinque, na Finlândia, e que esteve em Rio Branco há dez dias, a propor que eles sejam tombados como Patrimônio da Humanidade pelo Codephat, órgão ligado à ONU.

Revirando os alfarrábios de um explorador espanhol chamado Maldonado, que desceu a encosta oriental da Cordilheira dos Andes seguindo a água dos rios pouco depois do ano 1500, à busca de Manoa a cidade de ouro que seria a capital do lendário império Paititi, encontrou um forte Inca localizado na confluência dos rios Beni e Madre de Dios, junto a cidade de Ribeiralta, próximo à fronteira do Acre, na Bolívia.

"Como não havia registro histórico da existência dessa fortaleza militar inca na Amazônia, Martti foi até Ribeiralta e quando chegou lá com a novidade os moradores todos sabiam onde ela estava, só não os historiadores e ele a está estudando. Sua descoberta é semelhante aos nossos desenhos que alguns pensaram ser trincheiras", recorda Alceu Ranzi.
Com a derrubada da floresta, por causa principalmente da pecuária, a partir dos anos 1970, imensas estruturas geométricas, ao redor de uma área de 250 km 2 entre os rios Acre e Iquiri, começaram saltar aos olhos dos pesquisadores. Isso no Acre, em plena Amazônia.

Nestes últimos cinco anos, com ajuda de ferramentas modernas via satélite, como o próprio Google Earth, a multiplicação desses chamados geoglifos foi tão grande, que mais um grupo de pesquisa resolveu se debruçar sobre o tema.

Ao menos uma centena dessas fendas geométricas existentes em solo acreano já foram identificadas nas regiões de Rio Branco e Xapuri, perto da fronteira do Brasil com o Peru e a Bolívia. O primeiro sítio foi identificado em 1977. Há 15 anos, algumas escavações descobriram também vestígios de objetos cerâmicos no local, como urnas funerárias.

"A floresta, como é conhecida hoje, pode ser mais recente do que se pensava", diz a arqueóloga Denise Schaan, que coordena as escavações dos geoglifos no Acre. Para ela, as estruturas, que podem ter sido aldeias fortificadas, indicam que sociedades complexas se desenvolveram na região e possuíam unidades política e cultural. "As formas geométricas podiam ter valor simbólico."
Durante as atuais escavações, todos os dias, o grupo formado por cientistas da Universidade Federal do Acre, do Pará, do Museu Emilio Goeldi (Pará) e da Universidade de Helsinque (Finlândia) se dirige até a casa do agricultor Severino Calazans. Ele vive na beira da rodovia BR-137, em Rio Branco, capital do Acre, com a mulher e os filhos.
Até pouco tempo, Calazans imaginava que as valas, localizadas no pasto onde plantou bananeiras e cria sua galinhas, eram trincheiras construídas durante a revolução acreana, que levou o Estado a ser declarado independente da Bolívia em 1903. Não imaginava viver sobre um sítio arqueológico.
Para os cientistas, uma das hipóteses de trabalho é que as valas podem ter sido feitas por sociedades pré-colombianas que habitaram o local entre 800 e 2.500 anos atrás.
"As informações que tínhamos sobre sociedades amazônicas eram que elas viviam em várzeas, da pesca e da agricultura. Os geoglifos observados hoje mostram que esse modelo já não se aplica", afirma Schaan, do Goeldi.
De acordo com o paleontólogo Alceu Ranzi, da Universidade Federal do Acre, um dos pioneiros na identificação dos sítios arqueológicos, as estruturas podem oferecer pistas para a compreensão das mudanças climáticas sofridas na Amazônia e de como as civilizações antigas viveram e transformaram o ambiente. "As pessoas que chegaram ao Acre achavam que estavam em uma região virgem. Agora se sabe que, bem antes, o lugar já havia sido desbravado", diz.

Porém, esse mesmo processo de ocupação da floresta, que continua hoje, está causando um outro tipo de preocupação: a preservação dos sítios arqueológicos. Por desconhecimento, muito deles estão sendo destruídos.

As fotos áreas da região mostram, com freqüência, as grandes estruturas geométricas sendo cortadas por estradas, postes de transmissão de energia, currais, sedes de fazenda e até mesmo açudes. Esse processo, inclusive, chamou a atenção do governo, que pretende ajudar na conscientização dos fazendeiros da região.

Deuses astronautas?

O estudo dos geoglifos acreanos já permite a identificação de dois padrões de construção. Ao sul da região delimitada pelos pesquisadores, o que se vê com mais freqüência são desenhos circulares, com 300 metros de raio. No norte, predominam formas retangulares, com 200 metros de lado e três metros de profundidade.

Distantes de rios permanentes, as estruturas, geralmente localizadas no planalto, ficam alagadas quando chove.

Segundo pesquisadores, isso pode ser indício de que tenham servido como açudes em uma época em que a floresta tropical úmida era uma imensa savana -vegetação rala, semelhante ao cerrado.

No deserto de Nazca, na região Sul do Peru, enigmáticas figuras gigantes também ganharam fama internacional após a publicação, em 1968, do livro "Eram os Deuses Astronautas?", do escritor suíço Erich von Däniken.

Ciencia anuncia 250 Geoglifos no Acre
Ciência anuncia 250 geoglifos descobertos no Acre Imprimir E-mail
Edmilson Ferreira
24-Jul-2009
Sobrevoo recente registrou vinte novas estruturas. Pesquisa segue com rastreamento por satélite e estudo de campo

Os pesquisadores Alceu Ranzi e Denise Schaan anunciaram nesta sexta-feira, 24, a identificação de vinte novos geoglifos no Vale do Acre, elevando para 250 o número de estrutura catalogadas em Senador Guiomard, Rio Branco, Xapuri, Plácido de Castro, Acrelândia e Epitaciolândia. Algumas ocorrências foram registradas também em Sena Madureira, Bujari e Epitaciolândia. Acrelândia possui grande potencial de pesquisa e identificação.

"Teremos novas escavações em 2010”, informou Schaan. As últimas escavações fizeram uma descoberta importante em Xapuri: um buraco de esteio em boas condições foi localizado em um geoglifo de formato redondo, reforçando a tese de que os índios daquela época poderiam ter usado fortificações paliçadas para habitação e segurança.

Geoglifos são sítios arqueológicos em estrutura de terra construídos há cerca de 2.000 anos e que pela complexidade remontam à civilizações pré-colombianas de elevado grau de conhecimento em várias áreas e domínio de avançadas técnicas de movimentação de terra e água. As pesquisas, de acordo com a arqueológa Denise Schaan, integrante do Grupo de Pesquisa Geoglifos da Amazônia, tem envolvido rastreamento em imagens de satélites cedidas pela Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), sobrevôos e visitas de campo, quando os sítios são mapeados, fotografados e por vezes materiais arqueológicos são coletados para análise. Com o resultado dos trabalhos realizados, já existem alguns acadêmicos que estão desenvolvendo monografias de graduação e especialização sobre os geoglifos do Acre.
Coordenado por Schaan, que é também presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira, o grupo de pesquisa registrado no CNPq com o nome de “Geoglifos da Amazônia Ocidental” vem desenvolvendo desde 2005 pesquisas intensivas sobre os geoglifos no Estado, com o objetivo de fazer um amplo levantamento dos geoglifos na parte Leste do Acre.
Os geoglifos fazem parte de uma lista do Instituto Nacional de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para recomendar à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) o tombamento dessas estruturas como patrimônio cultural da humanidade, assim como as Pirâmides do Egito e as Ruínas de Machu Pichu, no Peru, entre outros exemplos.
O GGAO vem distribuindo folhetos explicativos aos moradores das áreas onde a pesquisa é feita a campo. Em outros lugares do mundo existem estrutura gigantescas que podem ser vistas do alto, como as linhas de Nazca, no Peru. Existem também estruturas de terras defensivas e estradas no Alto Xingu e colinas de terras e lagos artificiais construídos na Ilha do Marajó por civilizações pré-colombianas. Mas os geoglifos ocorrem apenas na Amazônia Ocidental. Por serem únicos, tem o potencial de atraírem a atenção de pesquisadores e visitantes de todo o mundo.
Um geoglifo é uma marca na terra que, por suas dimensões, só é percebida completamente do alto. Na parte oriental do Acre, tem sido encontradas essas estruturas de terra em formatos como círculos, retângulos, hexágonos e outros. Essas estruturas compõem-se de uma vala de um a três metros de profundidade, escavada no solo argiloso, e de uma mureta externa formada pela deposição do solo escavado. O desenho impresso no solo possui entre 100 e 300 metros de diâmetro.
O grupo de pesquisa conta com apoio do CNPq, Governo do Estado do Acre, universidades Federal do Pará e Federal do Acre, Instituto Íbero-Americano da Finlândia e Biblioteca Marina Silva.


Fonte: http://www.agencia.ac.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=9715&Itemid=26

(Jornal A Tribuna, 04.08.2002)
Em clima de mistério, geoglifos se multiplicam no solo do Acre
UOL

sábado, 5 de setembro de 2009

A RAÇA HUMANA NÃO PODERA MAIS PROCRIAR?



Algumas evidências que já começam a ser encaradas seriamente por cientistas e pesquisadores, parecem claramente indicar que as intensas atividades no nosso mundo, exercidas por certas criaturas tripulantes de alguns OVNI, são partes integrantes e até bastante assustadoras daquilo que poderíamos tranqüilamentedenominar OPERAÇÃO ENGANO. Seus tripulantes tentam confundir as vítimas dos seqüestros e também os chamados “contatados”, dando respostas SEMPRE evasivas quando perguntados sobre as suas origens. Os humanóides isto é, os que aqui realizam essas estranhas e inexplicáveis experiências genéticas tendo as nossas mulheres como cobaias, e em complemento outras aberrações de natureza semelhante, NUNCA revelam esse pormenor quando se referem à natureza dessas verdadeiras “misturas genéticas” que produzem, ficando invariavelmente em poder das crianças geradas, sempre dizendo que ‘ESTAMOS BUSCANDO AQUILO QUE NOS PERTENCE”. Ora, se fazem isso, conforme afirmam, para que “a semente do homem não se perca” e que as suas mulheres se tornaram estéreis após um “acidente” que não detalham especificamente qual foi, começamos a desconfiar das verdadeiras e sinistras razões, escondidas por trás dessa verdadeira Operação-Engano: Nos cadáveres examinados a partir do chamado “Acidente de Roswell”, os peritos constataram que as criaturas supostamente alienígenas até que se assemelhavam aos lagartos terrestres. Suas peles, bem como a ausência de órgãos reprodutores externos e a simultânea falta de aparelhos digestivos e excretores, sugeriam que essa raça SOFRERA INVOLUÇÃO FÍSICA DEVIDO A UM ACIDENTE NUCLEAR DE ALTA INTENSIDADE! Aliás, eles mesmos mencionam que “vêm de um mundo em ruínas e que dentro de um período de tempo qualquer será impossível viver lá”. Recordemos ainda que mencionam o fato de que brevemente AS NOSSAS MULHERES TAMBÉM SE TORNARÃO ESTÉREIS E A RAÇA HUMANA NÃO MAIS PODERÁ PROCRIAR! Falam também que a nossa humanidade passará brevemente pelo “grande portal” (esotericamente sinônimo de morte!) e por
isso estariam aqui tentando nos “ajudar”. Muito estranho mesmo! Essas criaturas são dotadas de olhos inteiramente negros, dilatados e oblíquos. Isso sugere de pronto que vivem em um mundo escuro e responsável por certos fatores involutivos que forçaram uma drástica alteração genética, originadora ainda da atrofia dos seus tipos físicos. Enfim, a degradação das suas morfologias internas externas. Os cadáveres desses humanóides examinados apresentavam ainda uma outra notável característica: provavelmente devido a uma intensa exposição à radioatividade ao longo do seu caminhar evolutivo (ou involutivo) suas peles e os músculos eram extremamente rígidos, difíceis de serem dissecados mesmo com as mais potentes máquinas cirúrgicas de corte... O que quer que tenha acontecido no mundo de onde essas criaturas se originam foi efetivamente tão terrível que atrofiou os seus habitantes, fazendo com que perdessem todos os pelos do corpo; aumentando suas cabeças de maneira desproporcional; forçando-os à telepatia para se comunicarem; tornado-os semelhantes a vegetais, ou ainda insetos (talvez devido á necessidade de se abrigarem da radiação em profundas cavernas) e, que é pior de tudo, TRANSFORMANDO-OS EM QUASE CANIBAIS -literalmente dependentes dos hormônios, enzimas e secreções de outras espécies de vidas as quais sacrificam para se alimentarem! Ora, se elas BUSCAM AQUILO QUE LHES PERTENCE e dizem ainda que “conseguiram sobreviver no seu mundo graças à sua engenharia genética e à sua alta tecnologia”, Como (note-se que são eles mesmos, os tais supostos “alienígenas”, que dizem isso!) “se trata de uma questão de sobrevivência”, além de o mundo deles estar em fase de próxima extinção, logicamente reuniriam o útil ao agradável.....

Primeiramente alguns deles se alimentando de nós. Depois fazendo-nos de cobaias para, conforme também dizem (prestemos bastante atenção neste pormenor)), realmente recuperarem as suas formas originais e então -desprezando totalmente qualquer espécie de ética ou filosofia (lembremos que igualmente afirmam serem desprovidos de sentimentos!) -como ponto culminante da OPERAÇÃO-ENGANO, voltando em massa um dia qualquer já devidamente adaptados para um mundo que de certa forma LHES PERTENCE e possa servir de morada. Os legistas constataram que tais criaturas tinham sistemas digestivos atrofiados, além de denotarem ter sofrido através dos tempos intensa exposição à radiação, ao ponto de suas peles terem sido literalmente serradas para a realização das necrópsias!

Existem registros sobre estes seres leiam

Um CONFLITO com outros seres, ELs (humanos gigantes) destruiu a maior parte da civilização , (draconiana). o que forçou alguns a se esconderem em cavernas profundas e outros a deixarem a Terra - para Alpha Draconis e/ou Altair na constelação Aquila, que de acordo com lendas antigas estava associada com criaturas malignas... O conflito é uma Guerra das Espécies, entre a Semente Evadâmica & a Semente Serpente (draconiana). esses gigantes eram fortes aliados de uma raça de nórdicos pré-escandinavos que mantinham uma civilização poderosa e cientificamente bem desenvolvida, cujos restos atualmente permanecem debaixo de toneladas de areia na antiga região da Ásia, o deserto de Gobi. Foi relatado como ambos, os gigantes e o povo louro, lutaram numa guerra pre-histórica contra uma raça(draconiana) baseada na Antártica, que eles conseguiram varrer da superfície do planeta durante o antigo conflito. "Sob o manto da escuridão, com bases escondidas no interior da terra, este invasor noturno decidiu reivindicar o que havia pertencido a eles e usar como uma base para o antigo conflito com os ‘ELs’.

(OBS: Isto é, reivindicar aquilo que as raças serpentes querem que acreditemos pertencer a elas.
ELs são a denominada EL-der race (raça antiga) , uma raça humana associada com os descendentes dos Evadâmicos mas que no entanto havia alcançado ou mantido uma estatura muito alta, 3 a 4 m em média. Outros se referiam a eles como os ‘Anakim’ ou ‘Nepheli’. "Humanos com implantes cerebrais alienígenas (os zumbis), foram programados para derrotar a Humanidade num FUTURO PRÓXIMO. Os ‘Reptóides’ são até capazes de se transformar em seres com características e feições humanas. O planeta Terra está sendo estressado para que a resistência humana seja mínima, durante o ataque declarado e o controle da Humanidade.

"Tudo começou como um programa de interação conjunta. Uma espécie alienígena desejou ‘compartilhar’sua tecnologia avançada com certos humanos em POSIÇÕES-CHAVE DE PODER no governo, entre os militares, corporações, ‘sociedades secretas’, etc... A população como um todo começou a ser manipulada conforme a estratégia alienígena... eles queriam CONTROLE TOTAL sobre nós!

Os Extraterrestres na Política Mundial




Durante o Congresso Internacional desenvolvido em Los Angeles em Novembro de 1998, entrevistamos o conhecido investigador Salvador Freixedo. Os pontos relevantes do largo colóquio mantido com ele estão ilustrados no presente artigo que mostra claramente como a intervenção dos extraterrestres influenciaram profundamente o sistema político mundial.)



Aborreço a ‘charlatanice yankee’ que por desgraça hoje é muito frequente entre nós; se falo dos presidentes dos Estados Unidos não é porque creia que eles saibam tudo ou que sejam superiores, mas porque, por desgraça, a história da ufologia e sobretudo da ocultação de que foi objecto, não se pode escrever sem considerar a estes indivíduos. Gastaram muitas centenas de milhões de dólares para enganar a gente sobre a presença de seres inteligentes não humanos entre nós. Disto quero informar aos leitores nesta entrevista.



Colóquios entre Presidentes dos Estados Unidos e Inteligências Alienígenas
Roosevelt foi o primeiro Presidente que, no ano 1942, recebeu a notícia de alguns avistamentos de objectos voadores não identificados. Recebeu uma carta do General Marshall que falava de alguns misteriosos aviões observados sobre a cidade de Los Angeles e contra os quais a Bateria Antiaérea tinha disparado 1430 projécteis sem conseguir abater nenhum. Eram ao menos 15 os aparatos que voavam muito rapidamente a uma altura entre os 300 e 5500 metros. O General Marshall disse ao Presidente que possivelmente se tratava de ‘aviões comerciais manobrados por agentes de potências inimigas com o objectivo de descobrir onde se encontram as defesas antiaéreas’.

1942 foi o ano em que Enrico Fermi e seus colaboradores começaram a projectar a bomba atómica; neste momento começou o contacto directo dos ‘extraterrestres’ com os Presidentes dos Estados Unidos. No ano 1944, Roosevelt encontrou na sua almofada de sua cama um bilhete sobre a qual estavam escritas as seguintes palavras: “Senhor Presidente: os experimentos nucleares de Chicago não devem continuar; a vida de todo o planeta está em perigo se não se põe fim ao que foi começado”. Ninguém da sua família conseguiu explicar como aquele bilhete pode chegar à sua habitação. Depois de dois dias, os responsáveis das experiências atómicas e vários dos seus colaboradores receberam mensagens semelhantes àquela encontrada pelo presidente. Na Universidade de Chicago reforçou-se a vigilância do projecto e continuou-se, portanto, a um forte ritmo até à fabricação da primeira bomba atómica.

Outro facto misterioso ocorreu no mesmo dia em que Roosevelt foi informado de que a primeira bomba atómica tinha sido construída: “uma grande bola de luz foi vista mover-se sobre a Casa Branca, tal e como afirmou um diário de Washington. Exactamente um mês mais tarde Roosevelt morria. Harry Truman assumiu o cargo de Presidente dos Estados Unidos. A 17 de Julho do mesmo ano fez-se explodir a primeira bomba atómica em Alamogordo (Novo México). Vinte dias mais tarde o mesmo Presidente ordenou o lançamento sobre Hiroshima, causando a morte de cem mil pessoas, e, três dias depois, sobre Nagazaki. Exactamente um ano depois, Truman recebia uma comunicação importante do embaixador sueco do Rei Gustavo da Suécia. O Presidente leu com muita atenção a carta que o Rei da Suécia que tinha enviado e soube que no ano de 1941 a Corte da Suécia tinha sido advertida de que cientistas do seu País estavam trabalhando no projecto para a construção de uma arma que alguns países do mundo consideravam demasiado perigosa para permitir a sua produção definitiva.

Soube de uma insólita reunião no palácio, na que participaram três estranhas criaturas amarelas, delgadas, de pouco mais de 1.20 metros de altura, com grandes olhos e voz monocorde que se declararam preocupadas com a situação mundial e, em especial, pela ameaça nuclear que podia constituir um perigo não só para o nosso mas também para o seu planeta. Truman não podia acreditar no que tinha lido mas quem assinava a carta era nada mais nada menos que o rei Gustavo V da Suécia, soberano de um dos países mais avançados do mundo. A pessoa que tinha na frente era o embaixador daquele País. Permaneceu mudo durante uns instantes e submergiu-se na leitura do largo documento de nove densas páginas no qual seres inteligentes diziam habitar no interior da Terra e contava nos seus mínimos detalhes como tiveram que abandonar a superfície do planeta em tempos remotos por ter feito mau uso da energia atómica: ‘estamos a pôr o mundo de alerta através dos seus países mais importantes... desejamos que se realize uma conferência internacional contra o desenvolvimento da energia nuclear para fins bélicos. Em contrapartida, estamos dispostos a revelar-vos os segredos para o domínio da energia magnética...’

Desde esse momento aumentaram os casos de avistamentos UFO. No mês de Junho verificou-se o avistamento de Kennett Arnold, o primeiro que teve uma grande repercussão no mundo inteiro. Nos começos do mês de Julho caíram dois objectos muito próximo de Alamogordo, no lugar onde tiveram começo e continuaram as experiências nucleares. No mês de Agosto foi abatido o avião caça de Mantell durante uma perseguição de um OVNI e no mesmo mês foram avistados seis UFO nos céus de Washington. Pouco tempo depois, Truman e os chefes das grandes nações do mundo encontraram nos seus respectivos despachos outro bilhete que dizia: ‘Se recusais as nossas ofertas de colaboração, ver-nos-emos obrigados a considerar-vos perigosos. Não teremos escrúpulos em usar a violência se continuais com as provas atómicas.’

As experiências continuaram e começou também o fabrico em série de bombas atómicas. Depois dos ‘Crash’ de Roswell e Magdalena, próximo de Alamogordo, Truman criou o grupo I-12 ou Majestic 12 com o fim de centralizar tudo o que tinha a ver com o estudo dos UFO.

Constatando que as investigações sobre as experiências nucleares continuavam, os extraterrestres procuraram outra ocasião. A 17 de Abril de 1948 às 10 da manhã nas proximidades de Alamogordo apresentaram-se quatro pequenos objectos voadores. Os conselheiros militares de Truman disseram que aquela seria uma boa ocasião para capturar um daqueles aparelhos e o presidente aprovou a ideia. Três deles foram capturados, outro desapareceu. Nas semanas seguintes houve outros contactos, um aparelho caiu e outro aterrou para logo recomeçar o voo.

Todos os ‘crash’ e as aterragens daqueles dias verificaram-se na fronteira dos estados de Novo México e Arizona, precisamente próximo de Alamogordo e Los Álamos, onde se estavam a testar as primeiras bombas atómicas. Todos estes detalhes saíram à luz alguns anos mais tarde devido às declarações das testemunhas directas que, chegadas ao fim da sua vida, não se sentiram já condicionados pelo juramento de silêncio nem pelas ameaças dos militares da CIA. Tais desconcertantes declarações foram proporcionadas pelo senhor Silos Newton, numa conferência realizada na Universidade de Denver no dia 8 de março de 1950, na presença de professores e de mais de 400 estudantes. Naturalmente, o seu valor e a sua sinceridade custaram-lhe a ruína e o descrédito, dado que o governo desmentiu as suas declarações afirmando que eram fruto de um desequilíbrio mental. Newton foi preso juntamente com o seu informante, que tinha tomado parte na iniciativa.

Seja como for estamos seguros que se chegou a um pacto entre as autoridades dos Estados Unidos e os Alienígenas no que diz respeito à proscrição do uso da bomba atómica, e que Truman teve outra ‘visita’ como a do rei Gustavo da Suécia; a rápida e inesperada destituição de Mac Arthur teve seguramente a ver com aquele pacto, dado que o famosos general tinha a intenção de lançar um engenho nuclear sobre a Coreia do Norte, assim como sobre a China.

Este era o panorama que Eisenhower encontrou quando subiu à presidência no ano de 1953. O segredo no que diz respeito às visitas de seres de outros mundos era tão absoluto que até o homem que tinha dirigido a campanha contra Hitler estava na mais completa ignorância. Ainda hoje conhecemos só uma parte do memorando que foi entregue ao general quando chegou à presidência. As partes seguintes são as mais importantes:

Assunto – Operação Majestic 12. Informação preliminar para o presidente eleito Eisenhower. Documento preparado a 18 de Novembro de 1952. Oficial informador – Almirante Roscoe H. Hillen Moetter.

Nota – este documento foi preparado somente com informação preliminar. Deve ser considerado como introdução de outro que será entregue de seguida.

Majestic 12 é uma operação de investigação e desenvolvimento da inteligência militar que dependerá unicamente do Presidente e prestará contas directamente a ele...

Seguem centenas de relatos sobre avistamentos similares... Várias agências militares, independentemente, tentaram de facto averiguar a origem e os propósitos destes objectos, atendendo à segurança nacional. Foram entrevistados testemunhas e ouve várias tentativas, falidas, de perseguição em voo por parte dos nossos aviões. A reacção popular em alguns casos foi de quase histerismo. Apesar das diferentes investigações, destes objectos soube-se pouco, até que um dia uma aldeão deu a notícia de que um deles se tinha precipitado numa região remota de Novo México: era 7 de Julho de 1947. Os restos do prato e os corpos de quatro humanóides foram capturados e o Dr. Bronk analisou os cadáveres. Muitos pensavam que os seres procediam de Marte, enquanto alguns cientistas, como o Dr. Menzel, opinavam que procediam de outro sistema solar.

No memorando apresentado ao General Eisenhower eram referidos os resultados das análises efectuadas ao prato e aos seres e a decisão do MI-12 de tomar medidas de segurança e de estudar uma história de cobertura para o caso de se ter filtrado alguma coisa.

Nenhum das alegações citadas no documento chegaram jamais a nós.

Durante a presidência, exactamente no dia 20 de Fevereiro de 1954, Eisenhower teve a ocasião de ver um UFO guardado próximo da base aérea de Murdoc (Califórnia). Nesta visita esteve acompanhado por Monsenhor Macintire, cardeal de Los Angeles. Segundo as informações de uma político de alto nível, Eisenhower teve a intenção de comunicar à nação toda a verdade tocante ao fenómeno UFO. Mas chegou o mês de Maio e não sucedeu nada.

Quando Kennedy chegou à presidência, a sua relação com os seres procedentes de outras partes do Cosmos (os denominados ‘Cinzentos’) foi de tal intensidade que parecia de ficção-científica, não obstante existem muitos factos que provam a sua veracidade.

Poucos dias depois da sua eleição, um tal William Brodie entregou-lhe um dossier que continha material inerente ao assunto UFO. O documento era fundamentalmente o mesmo que anos atrás tinha sido entregue a Truman e que procedia do rei da Suécia. O estranho do caso é que William Brodie, a 13 de Junho de 1956, foi raptado por inteligências alienígenas enquanto de encontrava em voo, a bordo de um DC-3 da Piedmart Airlines, em Fayette-Ville (Califórnia do Norte). Foi tirado do avião enquanto os outros 22 passageiros se encontravam em estado de choque. Levar-nos-ia demasiado espaço escrever em detalhe tudo o que hoje sabemos da relação dos Kennedy com os cinzentos. Tentaremos resumi-lo.

Quando Kennedy conheceu todo o assunto sentiu-se oprimido e reagiu de forma violenta contra a intromissão daqueles seres na vida dos humanos. Não quis aceitar a proibição da continuação das provas atómicas, sobretudo porque sabia que naquela altura os russos estavam avançando nas suas investigações sobre a energia nuclear. Os armamentos nucleares, de facto, cresceram desmesuradamente durante a presidência de Kennedy e pelo que parece os cinzentos não se limitaram a enviar documentos e advertências por escrito, mas manifestaram-se directamente.

Um episódio especial é o da invasão da Baía dos Porcos, em Cuba. Inexplicavelmente, depois de tudo ter sido planificado até ao último detalhe pelo Pentágono e pela CIA, Kennedy mudou de opinião. É interessantíssimo tudo o que acontece ‘nos bastidores’; resumi-lo-ei dizendo que foram duas situações que forçaram Kennedy a tomar uma decisão tão drástica: o rapto do seu irmão Robert pelos cinzentos e a inesperada visita pessoal de dois ‘pequenos seres’ que, iludindo todos os controles (coisa facilíssima para seres que podem fazer-se invisíveis quando o desejam), se apresentaram no Despacho Oval da Casa Branca e ameaçaram-no de matar o seu irmão se não se detivesse imediatamente a intervenção norte americana na Baía dos Porcos, pelo grave perigo de uma guerra atómica contra a URSS que isso provocaria.

Há numerosas testemunhas que afirmam que nos dias anteriores à invasão da Baía dos Porcos, o Presidente estava fora de si, nervoso e com péssimo aspecto, e seu irmão Robert foi dado por desaparecido devido à sua desaparição de casa durante três dias. Estas duas importantes informações foram conhecidas, naqueles dias, até pela imprensa, mas a confirmação chegou através de declarações feitas por Cristina Onassis em Buenos Aires.

A Onassis contou que um dia, enquanto de se encontrava a bordo de uma iate de seu pai, ouviu Jacqueline Kennedy, já casada com Aristóteles Onassis, dizer que um dia o Presidente Kennedy recebeu no seu estúdio a visita inesperada de dois seres repugnantes, semelhantes a anões, de cor amarelo intenso. Isto coincide perfeitamente com o que Ted Sorensen, uma das pessoas mais próximas ao Presidente, escreveu referindo-se ao mesmo dia: ‘... Ouvimos o Presidente vociferar no seu estúdio, apesar de ninguém estar com ele. Imediatamente o vimos sair transtornado, caminhava pesadamente, como se estivesse oprimido por um peso infinito; sem dizer palavra dirigiu-se a casa onde a sua mulher fez chamar imediatamente o médico da família.’. “Àqueles seres, continuou Jacqueline Onassis, não lhes interessava nada da política exterior dos Estados Unidos, mas temiam que se tivéssemos ajudado abertamente aos inimigos de Castro, isso levasse os russos a usar o seu arsenal para defendê-lo. No dia seguinte Robert desapareceu. Apresentou-se em casa de Kennedy, Dean Rusk dizendo que queria falar urgentemente com John. Reuniram-se em casa, mas não sei de que falaram, porque estiveram fechados nos despacho.”

O que é verdade é que no dia seguinte os diários deram a inexplicável notícia de que os Estados Unidos não interviriam em acções anticastristas. Este foi o começo do desastre do desembarque na Baía dos Porcos. Os biógrafos de Kennedy dizem que a partir destas datas o Presidente não foi já a pessoa jovial e optimista que tinha sido até esse momento. N. Clinch escreveu: “Dava a impressão de ter descoberto algo terrível”. Richard Goodwin, ajudante do Presidente, disse: “Há um temor estranho nos olhos de John. É como se ao assumir a presidência tivesse descoberto coisas fantásticas e terríveis.”

Como já dissemos, mesmo sabendo que o arsenal russo era inferior ao norte americano, Kennedy lançou-se numa desenfreada corrida no fabrico de armamentos nucleares, apesar de ter mostrado aos seus um claro desejo de reduzir o armamento próprio dado que era muito dispendioso para a economia. De facto assinaram com o mesmo kennedy, a 25 de Julho de 1963, um tratado para a não proliferação de armas nucleares. Segundo um biógrafo, Kennedy foi obrigado a assinar este tratado por William Brodie. Mas as provas continuam mesmo assim, desta vez foram subterrâneas. Em Setembro de 1963 Brodie voltou a visitar Kennedy na Casa Branca acompanhado por Robert. Chegou uma espécie de ultimato por parte dos seres que o tinham visitado dois anos antes no mesmo lugar. Era preciso suspender todo o fabrico de arma atómicas. Kennedy disse que pensaria nisso, mas na realidade não fez caso. Dois meses mais tarde morreu, sem que até hoje se tenham esclarecido as muitas circunstâncias estranhas do seu assassinato.

Na morte do seu irmão Robert, a acção destas mãos misteriosas e sinistras é muito mais evidente, mas levar-nos-ia para fora do tema deste artigo.

Depois de Kennedy, subiram à presidência Johnson, Nixon e Ford. De Nixon, ‘o mentiroso’, como era chamado nos círculos políticos desde há anos, sabemos que o seu homem de confiança, Haldeman, estava em estreito contacto com o MI-12. O seu sucessor, Ford, tinha prometido que se chegasse à Casa Branca fazia público todo o que dizia respeito aos UFO, mas quando chegou não manteve a sua promessa. Podemos imaginar que em parte foi para continuar a tradição dos políticos que consiste em não cumprir o que prometem.

Os membros do MI-12 demoraram várias semanas antes de pôr ao conhecimento do novo Presidente Jimmy Carter tudo o que concernia ao fenómeno UFO. Tal atraso foi devido à conhecida rectidão moral do Presidente e da sua promessa, durante a campanha eleitoral, de revelar tudo o que as agências governamentais conheciam a respeito dos UFO. O temor era devido ao facto de que Carter podia revelar o segredo até então tão zelosamente guardado.

O Presidente fez tão desusada promessa depois de um avistamento. De facto, no mês de Outubro de 1969, na companhia de outros membros do Lions Club de Leary (Geórgia), fora espectador durante cerca de 15 minutos das evoluções de uma UFO do tamanho da Lua.

Quando chegou à presidência pediu imediatamente informações detalhadas sobre tais objectos. Achou-se a falar com um grupo restrito dos mais altos cargos do Pentágono e da N.S.A. (Agência de Segurança Nacional) e da C.I.A. que lhe apresentaram os 16 tomos nos quais estava contido tudo o que até àquele momento se tinha averiguado em relação ao assunto.

Durante três horas fizeram-lhe uma síntese de tudo o que estava escrito neles, e mostraram-lhe as fotos e as películas dos UFO caídos e de vários tipos de alienígenas capturados ou vistos. Podemos conhecer todos estes detalhes devido a diversas fontes anónimas militares e, sobretudo, graças ao testemunho de Harvey Mc. Geroge. Tais documentos tiveram um forte impacto no ânimo do Presidente. Em alguns momentos escaparam até algumas lágrimas dos seus olhos e quando se acenderam as luzes todos foram testemunhas de como lhe tremiam as mãos. Obviamente esteve de acordo em que tudo isso não podia ser comunicado à gente.

Depois de Carter, foi eleito Ronald Reagan, um Cowboy com um cérebro de mosquito e uma incultura enciclopédica. Segundo fontes nossas, fascinava-o tudo o que concernia aos UFO e, contudo, soube manter o segredo como os seus predecessores...

O leitor pode agora dar-se conta de que o tema UFO é muito mais profundo do que o que se nos querem fazer crer e que o fenómeno é muito diferente dos avistamentos dos primeiros anos. Que acontecerá?



Opinião da Redacção
Depois de ter-se encontrado com os extraterrestres, Kennady decidiu fazer mudanças decisivas na sua política. Queria, de facto, retirar as tropas do Vietname, reduzir os gastos militares, subsidiar as missões espaciais. Durante uma conferência na ONU ele mesmo declarou: ‘salvemos o mundo da fome, da guerra e da destruição’.

Nos seus projectos estava também a abolição do racismo e a luta contra a mesma máfia que o ajudara a vencer as eleições. Era sua intenção, por conseguinte, levar a cabo uma política a favor da vida e foi assassinado porque desta maneira transtornaria a ordem política mundial.

A nossa opinião é que os alienígenas não são a causa da sua morte, pelo contrário, são os que determinaram a mudança positiva das suas ideias políticas.



Salvador Freixedo
Fez parte da ordem dos Jesuítas durante trinta anos. Ensinou em Cuba, no Colégio de Belém trabalhou activamente com os jovens obreiros católicos e no ano 1957 escreveu o seu primeiro livro ‘40 casos de injusticia social’ (40 casos de injustiça social). A sua publicação abalou as altas esferas do poder, mas justamente por isso foi convidado pelo ditador Baptista a abandonar a ilha. Em 1968 enquanto se encontrava em Puerto Rico escreveu: ‘Mi Iglesia duerme’ (A Minha Igreja Dorme), neste livro falou dos problemas actuais da Igreja e denunciou o mísero espírito evangélico de alguns dos seus dirigentes assim como a irracionalidade de alguns dos seus dogmas. Por estes motivos foi convidado pelos seus superiores a abandonar a ordem.

No ano de 1970 é divulgado na Venezuela o seu livro: ‘Amor, sexo, noviazgo, matrimonio, hijos: cinco realidades en evolución’ (Amor, sexo, noivado, matrimónio, filhos: cinco realidades em evolução). Devido a algumas influências episcopais, o partido social-cristão no poder (na realidade, nem cristão nem social) fez-lho prender. A partir desse momento dedicou-se a estudar a fenomenologia paranormal que considera como uma janela aberta para outras realidades e outras dimensões da existência.

Mais de 20 publicações são o fruto das suas numerosas viagens, das suas investigações e das suas reflexões profundas. Nos livros ‘Videntes’, ‘Visionários’, ‘Vividores’, o autor apresenta-nos uma visão do mundo diferente da que nos é apresentada normalmente pelos jornais e revistas.



Extraído da revista italiana ‘UFO, LA VISITA EXTRATERRESTRE’, de Julho de 1999.

How Long Could You Survive Without Artificial Intelligence?**

  # **How Long Could You Survive Without Artificial Intelligence?** ### *The Illusion of Omniscience and Artificial Cognition in the Data Ag...