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Os Documentos da CIA e o Encobrimento de Criminosos Nazistas
Em 2006, o governo dos Estados Unidos liberou milhares de documentos anteriormente classificados relacionados aos crimes de guerra nazistas e às atividades de inteligência do pós-guerra.
Entre os documentos analisados pelo historiador Timothy Naftali, da Universidade da Virgínia, surgiram evidências de que autoridades ocidentais possuíam informações sobre o paradeiro de Adolf Eichmann anos antes de sua captura pelo Mossad, em 1960.
Eichmann foi um dos principais organizadores da chamada "Solução Final", responsável pela deportação de milhões de judeus para campos de extermínio.
Os documentos indicam que serviços de inteligência da Alemanha Ocidental informaram à CIA sobre sua presença na Argentina ainda na década de 1950. Apesar disso, nenhuma ação efetiva foi tomada.
Pesquisadores argumentam que existia preocupação de que a captura de Eichmann pudesse comprometer figuras importantes da Alemanha Ocidental, entre elas Hans Globke, funcionário de alto escalão do governo de Konrad Adenauer e participante da elaboração das Leis de Nuremberg.
Os documentos também revelam pressões para limitar a divulgação pública de determinadas informações, demonstrando como a Guerra Fria frequentemente influenciava decisões políticas e de inteligência.
Reinhard Gehlen e a Rede de Espionagem Nazista
Entre os casos mais emblemáticos está o do general Reinhard Gehlen.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Gehlen comandou a inteligência militar alemã na Frente Oriental, responsável por monitorar as operações soviéticas.
Ao perceber a derrota iminente da Alemanha, Gehlen preservou grande parte de seus arquivos sobre a União Soviética e negociou sua colaboração com os Estados Unidos.
Sua rede de inteligência foi incorporada pelos americanos e financiada durante anos. Posteriormente, transformou-se no núcleo do serviço secreto da Alemanha Ocidental, a BND (Bundesnachrichtendienst).
Diversos ex-integrantes dessa estrutura possuíam vínculos com organizações nazistas.
A lógica estratégica era simples: os Estados Unidos consideravam que aqueles especialistas possuíam conhecimento valioso sobre a União Soviética e poderiam auxiliar na contenção da expansão comunista.
O problema moral permanece objeto de intenso debate até os dias atuais.
REVISTA & ESCOLAS DE MISTÉRIOS
### ESTADOS UNIDOS FINALMENTE REVELAM QUE ESCONDERAM NAZISTAS
**Postado por Rodrigo Veronezi Garcia em novembro 16, 2010**
#### Documentos mostram que no pós-guerra a CIA encobriu os crimes de guerra nazistas
**Por Shmuel Rosner, Haaretz Correspondent**
Essas informações, bem como a pressão que a Alemanha Ocidental aplicou na Agência Central de Inteligência a fim de evitar o vazamento de informações sensíveis, são detalhadas em centenas de documentos recentemente desclassificados e lançados pelo governo dos EUA na terça-feira.
O governo liberou um total de 27.000 documentos da CIA relacionados com crimes de guerra nazistas durante a Segunda Guerra Mundial na manhã de terça-feira. Os documentos incluem informações sobre o emprego de criminosos de guerra nazistas pela agência de inteligência americana.
Os documentos foram desclassificados como parte de um esforço interinstitucional para liberar o material relacionado com os criminosos de guerra japoneses e alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Desde que o trabalho foi iniciado em 1999, mais de oito milhões de documentos foram liberados.
O material lançado na terça-feira documenta muitos casos em que ex-membros da SS eram empregados na Alemanha e em outros países para fins de espionagem. Em um caso, uma equipe de agentes, tripulada por um número de criminosos de guerra, foi implantada na Alemanha sob o nome de código "passatempo". Sua missão era fornecer aos EUA inteligência da Alemanha no caso de uma invasão soviética.
Timothy Naftali, historiador da Universidade da Virgínia e autor de um documento que resume o material nos documentos liberados, escreveu que eles contribuem com detalhes significativos para a informação previamente conhecida.
O novo material, disse ele, sugere que a inteligência da Alemanha Ocidental forneceu informações de que poderia ter preso o fugitivo e criminoso de guerra Adolf Eichmann na década de 1950, mas estava preocupada com o efeito que tal ação poderia ter sobre o então ministro Dr. Hans Globke, diretor da Chancelaria Federal.
Eichmann foi finalmente capturado por agentes do Mossad em Buenos Aires, em 1960. Ele foi julgado por um tribunal israelense e enforcado em 1962.
Globke, um ex-associado sênior nazista e próximo do então chanceler Konrad Adenauer, foi um dos autores das leis de Nuremberg na década de 1930. Mas na década de 1950, de acordo com Naftali, ele era a pessoa de principal contato do chanceler com a inteligência americana.
Segundo os documentos desclassificados, um oficial da inteligência alemã informou à CIA, em março de 1958, que a Alemanha tinha conhecimento desde 1952 de que Eichmann vivia na Argentina sob o pseudônimo "Clemens". A informação não era totalmente exata, como o nome que Eichmann utilizava na época, que era "Clemente".
No entanto, a CIA não quis fazer uso da informação.
Oficiais de inteligência israelenses que publicaram suas memórias escreveram que Israel sabia que Eichmann vivia na Argentina em 1957, mas não tinham nenhuma informação a respeito de seu pseudônimo.
Segundo Naftali, os agentes israelenses desistiram de sua busca por um tempo porque, sem um nome, era difícil localizá-lo na Argentina.
Os documentos também revelam que a CIA, em resposta a um pedido da Alemanha Ocidental, pediu à *Life Magazine*, que planejava publicar as memórias de Eichmann em 1960, para excluir qualquer menção de Globke delas.
Eichmann foi preso por agentes do Mossad no início daquele ano, e sua família vendeu suas memórias para a revista para pagar a sua defesa legal.
Allen Dulles, então diretor da CIA, escreveu em setembro de 1960 ao seu homólogo da Alemanha Ocidental, assegurando-lhe que uma menção "menor" de Globke nas memórias seria suprimida nos termos do pedido da CIA.
*(Foto: Adolf Eichmann falando durante seu julgamento em 1961. Arquivo)*
### CIA admite Conexão Nazista
**Introdução por Robert Lederman (26-09-2000), seguido pelo artigo da UPI**
www.tenc.net | **[As Roupas do Imperador]**
Conspícua por seu silêncio, a mídia que a CIA possui e influencia não fez praticamente nenhuma cobertura do que pode ser uma das maiores histórias de décadas. Só a UPI emitiu qualquer declaração sobre a admissão da CIA de que o general superior de Hitler na Segunda Guerra Mundial, a seguir no comando da espionagem, transferiu a sua rede inteira de milhares de espiões e agentes duplos para o que se tornou a recém-formada CIA.
O que torna isto muito mais do que uma nota interessante é que a história interna e externa, toda a história da CIA, foi moldada por esses ex-nazistas, cujas ideias sobre eugenia, raça, controle social, guerra biológica e propaganda dominam as políticas de inúmeros "think tanks" como a Fundação Rockefeller e o financiado Manhattan Institute, e têm influenciado o governo dos EUA em seus níveis mais elevados.
Durante as últimas cinco décadas, numerosas revelações isoladas sobre nazistas importados para a América pelos irmãos Dulles, William Casey e outros romperam o silêncio da mídia. Essas histórias geralmente giram em torno de ex-guardas de campos de concentração que escondem sua identidade quando emigram. O que faz isto diferente é que o general Gehlen foi o nazista nº 1 neste programa. Ao reconhecer a conexão da CIA com Gehlen, toda a lata de minhocas pode agora ser aberta.
Para excelentes trabalhos publicados sobre a conexão nazista / CIA, leia: *"Negociando com o Inimigo"*, de Charles Higham, e *"The Secret War Against the Jews"*, por Loftus e Aarons, ou *"Blowback"*, por Christopher Simpson.
Para os meus artigos sobre a conexão com o prefeito Giuliani e a família Bush, consulte: http://Baltech.org/lederman/spray/
### CIA diz que general nazista foi fonte de inteligência
**De 20/09/2000 UPI 20:28 (ET)**
**COLLEGE PARK, Md., 20 de setembro (UPI) —** A Agência Central de Inteligência, pela primeira vez, confirmou que um general de elevado escalão nazista colocou o seu anel de espiões soviéticos anti-inteligência à disposição dos Estados Unidos durante os primeiros dias da Guerra Fria.
O Arquivo Nacional disse, em uma liberação de quarta-feira, que a CIA tinha apresentado uma declaração na Corte Distrital dos EUA "reconhecendo uma relação de inteligência com o general alemão Reinhard Gehlen, que tem sido mantida em segredo durante 50 anos."
"O anúncio da CIA marca o primeiro reconhecimento por essa agência de que tivesse qualquer relação com Gehlen e abre o caminho para a desclassificação de registros sobre a relação", disse o Arquivo Nacional.
Gehlen foi o oficial de inteligência sênior de Hitler na frente oriental durante a guerra e transferiu a sua experiência e contatos para os EUA assim que a Segunda Guerra Mundial chegou ao seu clímax. Enquanto o relacionamento de Gehlen com a inteligência dos EUA durante os anos 1940 e 1950 foi o tema de cerca de cinco livros ao longo dos anos, a eventual liberação de documentos da CIA relacionados com o desenvolvimento de sua rede de espionagem europeia poderia lançar uma nova luz sobre as origens da Guerra Fria e os primeiros esforços de espionagem dos EUA contra Moscou.
A rede de agentes de Gehlen na Europa — incluindo muitos com passados nazistas que foram resgatados dos campos de prisioneiros de guerra por oficiais de inteligência dos EUA — ficou conhecida como a Organização Gehlen e recebeu milhões de dólares em financiamento dos EUA até 1956.
O reconhecimento pela CIA de suas relações com Gehlen veio em resposta a um apelo de um pedido da Lei de Liberdade de Informação do pesquisador Carl Oglesby, disse o Arquivo Nacional. A agência se comprometeu a liberar seus registros no geral, de acordo com o Ato de Divulgação de Crimes de Guerra Nazistas.
A lei criou o Grupo de Trabalho Interagencial de Registros de Crimes de Guerra Nazistas (GTI), que há mais de dois anos tem desclassificado documentos relacionados com crimes de guerra da Segunda Guerra Mundial e os liberado através do Arquivo Nacional.
"Isso mostra que a lei está funcionando", disse a ex-deputada Elizabeth Holtzman, um membro do GTI. "Agora, precisamos trabalhar em estreita colaboração com a Agência para seguir com a liberação desses registros."
*Copyright 2000 pela United Press International. Todos os direitos reservados.*
*De: http://www.vny.com/cf/News/upidetail.cfm?QID=119975*
> Em conformidade com o título 17, seção 107 do USC, este material é distribuído sem lucro ou pagamento para aqueles que tenham manifestado interesse antes de receber essa informação para fins de pesquisa sem fins lucrativos e propósitos educacionais.
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Assim que a Segunda Guerra acabou na Europa, em junho de 1945, a derrotada Alemanha foi dividida em quatro zonas, controladas pelos três grandes vencedores — americanos, soviéticos e britânicos — e pelos franceses. Cerca de 1,5 milhão de ex-combatentes alemães voltavam a seu país, vindos de locais como França, Itália e Polônia. Por todo o continente, havia ainda 2,5 milhões de prisioneiros: soldados, oficiais, políticos e colaboradores nazistas, entre os quais estavam responsáveis por um conflito que causou pelo menos 40 milhões de mortes e pelo extermínio de cerca de 6 milhões de judeus, 2 milhões de eslavos e outros 200 mil civis (como ciganos e testemunhas de Jeová).
Quando cessaram os tiros, um objetivo dominou os vencedores: punir os perdedores. “A punição de criminosos de guerra não se trata de vingança”, afirmou o historiador britânico Eric Hobsbawm no livro *Era dos Extremos*. “Trata-se de trazer de volta a ordem e a normalidade, restabelecendo a confiança dos povos nos organismos legalmente constituídos.” Segundo Hobsbawm, esse processo de “desnazificação da Europa” não pretendia condenar milhares, mas “punir aqueles que servissem de exemplo”.
Logo se percebeu que separar quem era culpado de quem era muito culpado seria um desafio enorme. Cerca de 40 mil funcionários públicos americanos, franceses e britânicos foram convocados: um exército de escrivães, advogados e juízes. Só na zona americana foram instauradas 545 cortes civis para analisar 900 mil casos.
Menos de seis meses depois da queda de Hitler, os vitoriosos já estavam prontos para acusar e julgar os maiores culpados. Entre 20 de novembro de 1945 e 1º de outubro do ano seguinte, o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg decretou 11 condenações à morte, três prisões perpétuas, duas sentenças de 20 anos de prisão, uma de 15 e outra de dez anos. Três acusados foram absolvidos. E pronto. Nos dois anos que se seguiram ao julgamento, 1 milhão de alemães deixaram o país legalmente. Estima-se que outros 100 mil o fizeram de forma ilegal. Entre eles estavam criminosos, carrascos e assassinos. Muitos ficaram impunes para sempre. Quem? Como? Você vai ver a seguir.
Já era noite de 26 de junho de 1945 quando uma patrulha do Exército americano avistou um homem andando numa estrada de terra entre Stuttgart e Ulm, no sul da Alemanha. Detido e interrogado, disse ser Adolf Barth, cabo da Força Aérea alemã. Foi preso. Nos meses seguintes, foi transferido de campo seis vezes e, em cada um deles, apresentou-se com um nome diferente. No início de 1946, conseguiu escapar, atravessou o país e se estabeleceu na zona rural de Eversen, onde viveu isolado. Seu verdadeiro nome era Adolf Eichmann. Ex-coronel da tropa de elite SS e chefe da Gestapo (a polícia secreta de Hitler), ele foi um dos mentores da “solução final”, a operação que pretendia exterminar os judeus da Europa.
Em 1950, quando as coisas esfriaram, Eichmann decidiu deixar a Alemanha e foi para a Itália. Lá, em 14 de junho, o consulado argentino em Gênova lhe concedeu visto de imigração em um passaporte com o nome de Ricardo Klement. Comprou uma passagem no navio Giovanna C e, um mês depois, desembarcou em Buenos Aires. Arrumou emprego e levou a família para lá. Sequestrado por espiões israelenses, foi levado a Telavive, onde foi condenado e executado em 1962.
O senso comum sugere que, antes do fim da guerra, líderes nazistas já tinham planos secretos para salvar a própria pele. Uma dessas rotas de fuga ficaria famosa com o livro *O Dossiê Odessa*, do britânico Frederick Forsyth. Apesar de ser um romance, baseou-se numa organização real chamada Odessa (sigla em alemão para “Organização de Ex-membros da SS”). Entretanto, pesquisas recentes mostram que esse tipo de iniciativa foi responsável por poucas fugas. “Governos nacionais e instituições completamente legais livraram a cara de muito mais nazistas que organizações secretas”, diz Jorge Camarasa, historiador argentino, autor de *Odessa al Sur* (“Odessa do Sul”, inédito no Brasil).
A rota que Eichmann usou para deixar a Europa, por exemplo, era coordenada pelo bispo austríaco Alois Hudal, reitor de um seminário para padres alemães e austríacos em Roma. Nazista professo, ele foi nomeado pelo Vaticano para visitar os prisioneiros de guerra detidos na Itália. Segundo Camarasa, Hudal usou sua posição para dar fuga a criminosos nazistas procurados. No início, o bispo conseguia documentos falsos para que os prisioneiros fossem libertados e depois os ajudava a se esconder, geralmente no interior da Itália. Quando autoridades começaram a desconfiar do esquema, Hudal percebeu que precisava tirar seus protegidos da Europa. Recorreu a identificações falsas emitidas pela Comissão de Refugiados do Vaticano. “Esses papéis não serviam como passaportes, mas era com eles que os fugitivos adquiriam nova identidade e, assim, conseguiam auxílio junto à Cruz Vermelha, que, por sua vez, era usada para conseguir vistos”, afirma o jornalista australiano Mark Aarons, coautor de *Unholy Trinity* (“Trindade profana”, sem versão em português). “Em teoria, a Cruz Vermelha deveria checar os registros de quem solicitava vistos de saída, mas na prática a palavra de um padre ou, principalmente, de um bispo era suficiente.”
A maior rota de fuga de nazistas, porém, foi criada por uma rede de padres liderada pelo bispo croata Krunoslav Draganovic. “A organização fixou seu quartel-general no Seminário de São Girolamo, em Roma. Inicialmente, seu foco era tirar dos territórios ocupados pelos soviéticos os membros do partido nazista croata”, afirma Uki Goñi, historiador argentino, autor de *A Verdadeira Odessa*. “Com o tempo, a rota de Draganovic tornou-se a principal via de fuga dos criminosos nazistas, tirando mais de 5 mil deles da Europa.”
### AMÉRICA LATINA
Entre os picos nevados de Bariloche, nos Andes argentinos, um imigrante alemão levou uma vida pacata por quase 50 anos. Dono de uma confeitaria chamada Viena, don Erico morava com a mulher, Alice, no segundo e último andar de um prédio na praça Belgrano, alugando o primeiro pavimento para um orfanato. A dois quarteirões dali, um certo Juan Maler ergueu o hotel Campana, onde vivia, escrevendo livros de pregação nazista. Em 1994, a rede de TV americana ABC descobriu que Maler era Reinhard Kops, ex-capitão da SS. Desmascarado diante das câmeras, Kops dedurou: “Por que correm atrás de mim, se o pior dos nazistas da Argentina vive aqui ao lado?” Don Erico, o simpático confeiteiro, era Erich Priebke, ex-capitão da Gestapo e coautor de um massacre de 330 civis italianos em Roma, em 1944.
Acusar o vizinho deu certo para Kops, que se escondeu no Chile. Ele nunca foi julgado e, dois anos depois, retornou a Bariloche, onde publicou textos hitleristas até sua morte, em 2001. Já Priebke, após uma batalha judicial de 17 meses, foi extraditado para a Itália. Lá, foi condenado por homicídio múltiplo, mas escapou da prisão perpétua — seu crime prescrevera em 1974, 30 anos depois de ser cometido. Ele foi solto, mas a Justiça italiana anulou o julgamento. Hoje, Priebke está em prisão domiciliar em Roma. Não há data para um novo julgamento. Com 94 anos, ele é o prisioneiro mais velho da Europa.
Para o argentino Uki Goñi, interesses econômicos e pressão da Igreja Católica e das comunidades de imigrantes podem explicar por que a América Latina se tornou o destino predileto dos nazistas. “Meu país tem uma peculiaridade por ter feito um esforço dirigido — ou iniciado — pelo presidente Juan Perón para trazer esses criminosos de guerra”, afirma Goñi. As razões de Perón, segundo ele, incluíam gratidão (os nazistas o ajudaram entre 1943 e 1945) e simpatia pelos ideais fascistas.
O primeiro passo para contrabandear nazistas da Europa para a Argentina, de acordo com Goñi, foi dado em janeiro de 1946, quando Antonio Caggiano, bispo de Rosário, foi a Roma para ser ordenado cardeal. Lá, segundo arquivos diplomáticos argentinos, ele transmitiu ao cardeal francês Eugéne Tisserant a mensagem de que “o governo da República da Argentina está disposto a receber cidadãos franceses cuja atitude política durante a recente guerra pode tê-los exposto a medidas cruéis e retaliações”. Nos meses seguintes, entre 300 e 500 colaboracionistas franceses foram para a Argentina com passaportes fornecidos pela Cruz Vermelha em Roma.
Outro fator que engrossou o número de nazistas na América Latina foi o uso de criminosos de guerra como informantes e espiões na Guerra Fria (por britânicos e americanos de um lado e soviéticos de outro). Muitos deles foram salvos da prisão e encaminhados ao Cone Sul. Foi o caso de Klaus Barbie, ex-diretor da Gestapo, que ordenou, na França, a execução de civis e o envio de crianças para Auschwitz. Em 1947, ele se tornou agente do serviço secreto americano e, depois, acabou fugindo para a Bolívia. Descoberto em 1971, só foi deportado em 1983. Quatro anos depois, foi condenado na França pela morte de 177 pessoas. Morreu de leucemia em 1991, numa prisão de Lyon.
### PORTO SEGURO
No Brasil, a presença de criminosos nazistas também foi grande. O caso mais famoso foi o do médico Josef Mengele, que usava humanos como cobaias de suas experiências macabras em Auschwitz (ele morreu impune, afogado após uma bebedeira em Bertioga, no litoral paulista, em 1979). O envolvimento das autoridades brasileiras na entrada de criminosos de guerra é um assunto polêmico. Mas chovem indícios de que os nazistas contaram com boa vontade para entrar no país. Nos mais de 20 mil documentos dos arquivos da antiga Delegacia de Ordem Política e Social (Deops) liberados pelo governo federal em 1997, há cartas trocadas entre as representações brasileiras em Roma e Berlim que mostram como nossa diplomacia fechou os olhos para o passado nazista de empresários, engenheiros e ex-militares — que eram encorajados a declarar falsos nomes e profissões ao vir para cá.
Especialistas levantam a hipótese de que o próprio presidente Eurico Gaspar Dutra, que assumiu em 1946, sabia do que se passava. Para Marionilde Brephol Magalhães, historiadora da Universidade Federal do Paraná e autora de *Pangermanismo e Nazismo – A Trajetória Alemã Rumo ao Brasil*, além da simpatia que setores do governo e do meio militar tinham pelos nazistas, Dutra acreditava que técnicos e cientistas alemães poderiam ajudar na industrialização do país.
Um problema ainda maior que a falta de controle na entrada teria sido a falta de disposição para prender e extraditar os criminosos descobertos por aqui. A tolerância do governo brasileiro logo ficou conhecida e intensificou a vinda de nazistas. Alguns nem se deram ao trabalho de mudar de nome, como Franz Stangl. Comandante dos campos de extermínio de Sobibor e Treblinka, na Polônia, ele chegou a ser preso na Áustria em 1945, mas conseguiu escapar para a Síria, onde se reuniu à esposa e aos filhos. Segundo registros da Deops, desembarcou no Brasil em 1951 e, tempos depois, conseguiu emprego numa fábrica da Volkswagen, em São Paulo.
Stangl só foi preso em 1967, após denúncia do “caçador de nazistas” Simon Wiesenthal (veja quadro na pág. 28). Levado para a então Alemanha Ocidental, foi julgado pela morte de 900 mil pessoas — fato que admitiu à jornalista de origem húngara Gitta Sereny, em depoimento publicado no livro *Into the Darkness* (“Nas Trevas”, inédito no Brasil). “Minha consciência está limpa. Eu só estava fazendo meu dever”, disse. Condenado à prisão perpétua em outubro de 1970, Stangl morreu de ataque do coração oito meses depois, numa prisão de Düsseldorf.
Outro que ostentou o próprio nome no Brasil foi o austríaco Gustav Wagner, um dos responsáveis pelo campo de extermínio de Sobibor. Enquanto era condenado à morte pelo Tribunal de Nuremberg, o fugitivo Wagner trabalhava como operário em Graz, na Áustria. Ali encontrou o ex-colega Stangl e com ele escapou para a Síria. Chegou a São Paulo com passaporte suíço em 12 de abril de 1950 e foi morar em um sítio em Atibaia, São Paulo, onde fez um chalé no estilo da Bavária. Chamado de “seu Gustavo” pelos vizinhos, foi detido em maio de 1978 ao se apresentar na Deops para desmentir uma reportagem em que era acusado de participar de uma festa em homenagem a Hitler.
Por sua idade avançada, Wagner foi transferido para uma clínica e depois mandado para casa. As autoridades brasileiras já haviam recusado pedidos de extradição feitos por Israel, Áustria e Polônia quando, em 18 de junho de 1979, a rede de TV britânica BBC levou ao ar uma entrevista com Wagner. “Eu não guardo nenhum sentimento daqueles dias (...). À noite, nós nunca discutíamos nosso trabalho, só bebíamos e jogávamos cartas”, disse. Quatro dias depois, seu pedido de extradição para a Alemanha Ocidental também foi negado. Em outubro de 1980, Wagner foi achado morto com uma facada no peito. A polícia concluiu que ele se matou.
A lista não acaba aí. Acusado de participar da morte de 30 mil judeus em Riga, na Letônia, o capitão-aviador Herbert Cukurs fugiu para a França, onde obteve visto para vir ao Brasil em 1946. No Rio de Janeiro, ele trabalhou na Fábrica Brasileira de Aviões. Logo depois montou um negócio, alugando pedalinhos na praia de Icaraí, em Niterói. Em 1948, foi reconhecido. Sua casa foi pichada e seu nome saiu nos jornais, mas ele nunca foi preso. Na década de 1950, mudou-se com a família para Santos e depois para São Paulo.
Em 1960, Cukurs tentou se naturalizar. Foi quando a polícia paulista tomou seu único depoimento, em 6 de junho. No dia 7, os policiais ouviram Frida Schmuskovits, sobrevivente dos campos de extermínio da Letônia. Sobre os massacres de judeus, ela relatou que “a matança era feita por ordem de Herbert Cukurs”. Com a naturalização negada, Cukurs foi para Montevidéu em 1965, ao lado de um amigo que ele conhecera um ano antes e se apresentava como o austríaco Anton Kunzle. Dois dias após chegar ao Uruguai, Cukurs foi encontrado numa mala. Tinha marcas de tiros e a cabeça destruída a marteladas. Num comunicado à imprensa, um grupo autodenominado “Aqueles que Não Esquecem” assumiu o assassinato.
### ÚLTIMA CHANCE
Chovia pouco em Viena na manhã de 16 de dezembro de 2005 quando alguns familiares viram o corpo de Heinrich Gross, morto na véspera aos 91 anos, ser baixado ao túmulo. Psiquiatra e neurologista de renome, Gross ocupava, desde 1962, uma cadeira na Academia Austríaca de Ciência. Mas é outra parte de sua biografia que nos interessa. Entre 1940 e 1945, o doutor Gross dirigiu o programa nazista de pesquisas de eugenia baseado em Viena. Em sua clínica, ele coordenou experimentos médicos e farmacológicos que vitimaram mais de 700 crianças. Após a guerra, Gross desapareceu. Ressurgiu seis anos depois, em Viena, como professor. Em 1956, foi nomeado perito da Justiça para avaliar criminosos com problemas mentais. Só em 1994 acadêmicos da Universidade de Viena perceberam que o simpático velhinho e o cruel cientista eram a mesma pessoa.
Apesar das tentativas de levar Gross aos tribunais, ele nunca foi preso — houve pouca movimentação por parte de promotores e juízes com quem tantas vezes ele havia trabalhado. Em 2002, quando foi enfim convocado por uma corte vienense, Gross, aos 89 anos, mostrou-se senil e, segundo seu advogado, não conseguia entender o interrogatório. O médico foi declarado inapto para ser julgado e saiu pela porta da frente do prédio, caminhando com uma bengala. Viveu em paz até morrer.
Gross se enquadra num grupo de nazistas que nunca fugiu, mas desapareceu nos desvãos da burocracia. Há quem aceite o esquecimento. Não é o caso do Centro Simon Wiesenthal (CSW), que desde 1977 reúne informações sobre nazistas. “Genocídio e assassinato em massa nunca prescrevem”, afirma o israelense Efraim Zuroff, diretor do CSW em Jerusalém. Segundo o último relatório da entidade, de 2006, 458 pessoas estão sendo investigadas por crimes de guerra e, de janeiro de 2001 a dezembro de 2006, 41 nazistas foram condenados no mundo. Segundo Zuroff, outros poderiam ir a julgamento se houvesse mais empenho dos países que os abrigam. “O mais difícil não é encontrar os criminosos, mas levá-los a julgamento.”
O nome mais recente entrou na lista da CSW em julho de 2006. Num evento social, um sujeito não parava de se gabar de seu papel na deportação de judeus para Auschwitz. Um jovem anotou seu nome e procurou o CSW. “Descobrimos que era Sandor Kepiro, húngaro condenado pela morte de mais de 1200 civis em janeiro de 1942, na cidade de Novi Sad, então parte da Hungria, atualmente na Sérvia”, conta Zuroff. Aos 93 anos, Kepiro mora em Budapeste e aguarda a Justiça determinar se ele terá de cumprir a pena de 14 anos de prisão que recebeu in 1948.
Entre os nazistas ainda foragidos, o mais eminente é o médico austríaco Aribert Heim, que serviu em três campos de extermínio, Sachsenhausen, Buchenwald e Mauthausen, onde centenas de pessoas foram mortas com injeções de fenol no coração. “Heim foi preso pelos americanos na Bélgica em março de 1945, mas foi solto dois anos depois”, diz Zuroff. Livre, Heim voltou à medicina e, em 1962, foi processado na Alemanha Ocidental. Enquanto aguardava julgamento, fugiu. Desde então, foi visto na Argentina, Egito, Uruguai e Espanha. Era dado como morto até que, três anos atrás, a polícia alemã descobriu uma conta bancária em nome de Heim com mais de 1 milhão de euros. O fato de seus filhos nunca terem sacado o dinheiro levou as autoridades a concluir que ele ainda está vivo. Uma força-tarefa foi montada para encontrá-lo. Seu paradeiro, no entanto, permanece um mistério.
### Más companhias
#### Os americanos usaram ex-nazistas como arma na Guerra Fria
Dois anos antes de Adolf Eichmann ser achado na Argentina em 1960, os americanos já sabiam seu paradeiro, incluindo o nome que ele usava: Ricardo Klement. Quem afirma isso é Timothy Naftali, da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos. O historiador é um dos quatro membros do Grupo de Trabalho sobre Crimes de Guerra Nazistas, encarregado pelo governo americano de examinar arquivos liberados pela CIA desde 2004 — são 27 mil páginas sobre a atuação da central de inteligência no pós-guerra. Segundo Naftali, os Estados Unidos esconderam a identidade de ex-nazistas e os usaram como espiões contra a antiga União Soviética. “A CIA e o governo da antiga Alemanha Ocidental cooperaram para encobrir o paradeiro de Eichmann.”
Americanos e alemães achavam que, se descoberto, Eichmann comprometeria Hans Globke, chefe da Casa Civil do então primeiro-ministro da Alemanha, Konrad Adenauer. Como Eichmann, Globke pertencera ao alto escalão nazista — fora um dos criadores das chamadas Leis de Nuremberg (que, entre outras coisas, cassaram direitos civis dos judeus alemães nos anos 30). Os documentos revelados mostram ainda que, depois da execução de Eichmann em 1962, a CIA pressionou a revista americana *Life*, que detinha os direitos de publicação das memórias do nazista, para que ela omitisse o nome de Globke da narrativa. O conselheiro acabou deixando o governo alemão em 1963.
A ampla rede de ex-nazistas a serviço dos Estados Unidos era liderada pelo major-general Reinhard Gehlen, ex-chefe da espionagem de Hitler na frente oriental. Em 1956, essa rede se tornou o núcleo da *Bundesnachrichtendienst* (conhecida, graças a Deus, pela sigla BND), o serviço de espiões da Alemanha Ocidental. Gehlen dirigiu a BND até 1968 e morreu do coração em 1979, em Bonn. Nunca foi acusado de crime algum. “Após o fim dos julgamentos de desnazificação, era política dos Estados Unidos deixar a perseguição aos criminosos para os alemães ocidentais. Mas esses não mostraram nenhum interesse em fazê-lo”, diz Elizabeth Holtzman, ex-deputada americana e também membro do grupo que analisa os documentos. “Os arquivos nos forçaram a enfrentar não somente os prejuízos morais, mas também os prejuízos práticos que tivemos ao confiar serviços de inteligência a ex-nazistas.”
### "Justiça, não vingança"
#### Simon Wiesenthal dedicou sua vida a caçar nazistas
Quando morreu em setembro de 2005, em Viena, Simon Wiesenthal tinha 96 anos. Boa parte deles fora gasta repetindo a frase acima. Ele a usava para justificar sua incansável perseguição a criminosos nazistas. Judeu, Wiesenthal nasceu no então Império Austro-Húngaro e foi preso em 1941, durante a ocupação nazista da Polônia. Após ter sobrevivido a 12 campos de concentração, foi libertado por tropas americanas no campo austríaco de Mauthausen. Na época, com 1,82 metro, pesava 45 quilos. “A força para sobreviver veio da decisão de cobrar a punição dos responsáveis pelo Holocausto”, costumava dizer ele. Essa tarefa, cumprida por décadas, tornou-o alvo de diversos atentados e ameaças de morte.
Wiesenthal começou com uma lista de 91 nomes de criminosos de que ele próprio tinha conhecimento. Ela foi crescendo com depoimentos e denúncias de sobreviventes de campos de concentração que, logo após a guerra, estavam espalhados por acampamentos na Áustria, Alemanha e Itália. Wiesenthal foi o primeiro a aplicar sistematicamente o método da história oral nas pesquisas sobre o Holocausto e fundou um centro judaico de documentação. No livro *Justiça, Não Vingança*, publicado em 1988, Wiesenthal contabilizou ter contribuído para a investigação de 6 mil casos e para a punição de 1100 criminosos nazistas.
### De Nuremberg a Bagdá
#### Como chefes de Estado têm sido julgados por seus atos
Criado em agosto de 2004, o Tribunal de Criminosos de Guerra Iraquianos foi instituído para julgar crimes cometidos desde a tomada do poder pelo partido Baath, em julho de 1968, até a derrubada do regime de Saddam Hussein, em maio de 2003. No fim do ano passado, numa decisão anunciada por Abdel Asis el Hakim, chefe do Conselho de Governo e histórico opositor de Saddam, o ex-presidente do Iraque foi condenado à morte e executado. Países como Brasil, Rússia e França reagiram negativamente à pena capital, com o argumento de que se deveria evitar a “justiça dos vencedores”. Ou seja, temia-se que não houvesse justiça, mas vingança.
O primeiro chefe de Estado a ser julgado por crimes de guerra deveria ter sido Adolf Hitler. Isso se ele não tivesse se matado dias antes do fim da guerra. “Não se pode culpar um país, mas deve-se responsabilizar seus líderes. Aqueles que lideraram o destino de milhões devem responder pelos seus atos”, dizia o documento de abertura do tribunal de Nuremberg, em 1945.
Embora o direito militar tenha contornos definitivos desde a Convenção de Genebra de 1949, só após o fim da Guerra Fria a Organização das Nações Unidas (ONU) pôde ressuscitar as cortes internacionais para julgar crimes de guerra e contra a humanidade. E o primeiro réu levado a julgamento, em 2002, foi Slobodan Milosevic, ex-presidente da Sérvia e da antiga Iugoslávia, cujas tropas foram acusadas de atrocidades na província de Kosovo e na Bósnia. O Tribunal Internacional estabelecido em Haia, na Holanda, teve juízes de várias nacionalidades — mas nem assim escapou das polêmicas. Milosevic foi levado a Haia sem que a Sérvia aprovasse a extradição, o que feriu o direito internacional. Seu julgamento não chegou ao fim: em 11 de março de 2006, ele apareceu morto em sua cela, vítima de problemas cardíacos.
Outro ex-chefe de governo julgado numa corte da ONU — o Tribunal Internacional de Arusha, na Tanzânia — foi o ex-primeiro-ministro de Ruanda, Jean Kambanda, que está preso. Em 1998, ele admitiu a culpa pela morte de milhões de pessoas em seu país, quatro anos antes. Atualmente, em Serra Leoa, um tribunal especial criado em 2002 está julgando o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, acusado de crimes durante a guerra civil naquele país.
Aqui está uma bibliografia extensa, categorizada por regiões geográficas de destino/recrutamento, englobando livros clássicos, estudos contemporâneos, reportagens investigativas, documentos e documentários.
As referências foram formatadas rigorosamente nos três padrões solicitados: **ABNT (NBR 6023)**, **APA (7ª edição)** e **Chicago (Notas e Bibliografia, 17ª edição)**.
## 1. Visão Geral e Recrutamento Global (EUA, Europa e Operação Paperclip)
### Livros Clássicos e Contemporâneos
#### Padrão ABNT
JACOBSEN, Annie. **Operação Paperclip**: o programa científico secreto que levou cientistas nazistas para os EUA. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SIMPSON, Christopher. **Blowback**: America's recruitment of Nazis and its effects on the Cold War. New York: Open Road Media, 2014.
LOWER, Wendy. **As mulheres do nazismo**: cúmplices, algozes e defensoras do Terceiro Reich. Tradução de Maria Beatriz de Medina. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
#### Padrão APA
Jacobsen, A. (2015). *Operação Paperclip: o programa científico secreto que levou cientistas nazistas para os EUA* (M. B. Cipolla, Trad.). Companhia das Letras.
Simpson, C. (2014). *Blowback: America's recruitment of Nazis and its effects on the Cold War*. Open Road Media.
Lower, W. (2014). *As mulheres do nazismo: cúmplices, algozes e defensoras do Terceiro Reich* (M. B. Medina, Trad.). Rocco.
#### Padrão Chicago
Jacobsen, Annie. *Operação Paperclip: o programa científico secreto que levou cientistas nazistas para os EUA*. Traduzido por Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
Simpson, Christopher. *Blowback: America's recruitment of Nazis and its effects on the Cold War*. New York: Open Road Media, 2014.
Lower, Wendy. *As mulheres do nazismo: cúmplices, algozes e defensoras do Terceiro Reich*. Traduzido por Maria Beatriz de Medina. Rio de Janeiro: Rocco, 2014.
### Estudos Acadêmicos e Relatórios Governamentais
#### Padrão ABNT
BREITMAN, Richard *et al*. **U.S. intelligence and the Nazis**. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
SCHIDLO, Shimon. **The Gehlen Organization and the US Army**: tactical intelligence in early Cold War Europe. *Journal of Intelligence History*, v. 14, n. 2, p. 112-129, 2015.
#### Padrão APA
Breitman, R., Goda, N. J. W., Naftali, T., & Wolfe, R. (2005). *U.S. intelligence and the Nazis*. Cambridge University Press.
Schidlo, S. (2015). The Gehlen Organization and the US Army: tactical intelligence in early Cold War Europe. *Journal of Intelligence History*, *14*(2), 112–129.
#### Padrão Chicago
Breitman, Richard, Norman J. W. Goda, Timothy Naftali, e Robert Wolfe. *U.S. intelligence and the Nazis*. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.
Schidlo, Shimon. "The Gehlen Organization and the US Army: tactical intelligence in early Cold War Europe." *Journal of Intelligence History* 14, nº 2 (2015): 112-129.
## 2. O Recrutamento do Lado Soviético (URSS e Operação Osoaviakhim)
### Livros e Estudos Contemporâneos
#### Padrão ABNT
MICK, Christoph. **Forschen für Stalin**: deutsche Fachleute in der sowjetischen Rüstungsindustrie 1945–1958. Berlim: De Gruyter Oldenbourg, 2000.
ALBRECHT, Ulrich *et al*. **Die Spezialisten**: deutsche Wissenschaftler und Techniker in der Sowjetunion nach 1945. Dietz: Berlim, 1992.
#### Padrão APA
Mick, C. (2000). *Forschen für Stalin: deutsche Fachleute in der sowjetischen Rüstungsindustrie 1945–1958*. De Gruyter Oldenbourg.
Albrecht, U., Heinemann-Grüder, A., & Wellmann, A. (1992). *Die Spezialisten: deutsche Wissenschaftler und Techniker in der Sowjetunion nach 1945*. Dietz.
#### Padrão Chicago
Mick, Christoph. *Forschen für Stalin: deutsche Fachleute in der sowjetischen Rüstungsindustrie 1945–1958*. Berlim: De Gruyter Oldenbourg, 2000.
Albrecht, Ulrich, Andreas Heinemann-Grüder, e Arend Wellmann. *Die Spezialisten: deutsche Wissenschaftler und Techniker in der Sowjetunion nach 1945*. Dietz: Berlim, 1992.
## 3. As Rotas de Fuga e Recrutamento na América do Sul
### Livros Antigos, Investigativos e Contemporâneos
#### Padrão ABNT
GOÑI, Uki. **A verdadeira Odessa**: como Perón trouxe os criminosos nazistas para a Argentina. Tradução de Celso Nogueira. Rio de Janeiro: Record, 2004.
CAMARASA, Jorge. **Odessa al Sur**: os laços secretos entre o nazismo e a Argentina. Buenos Aires: Planeta, 1995.
WIESENTHAL, Simon. **Justiça, não vingança**: memórias. Tradução de Jaime A. Clasen. Rio de Janeiro: Record, 1990.
MAGALHÃES, Marionilde Brepohl de. **Pangermanismo e nazismo**: a trajetória alemã rumo ao Brasil. Campinas: Editora da Unicamp, 1998.
SERENY, Gitta. **No Labirinto da Escuridão**: do eugenismo nazista ao assassinato em massa. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.
#### Padrão APA
Goñi, U. (2004). *A verdadeira Odessa: como Perón trouxe os criminosos nazistas para a Argentina* (C. Nogueira, Trad.). Record.
Camarasa, J. (1995). *Odessa al Sur: os laços secretos entre o nazismo e a Argentina*. Planeta.
Wiesenthal, S. (1990). *Justiça, não vingança: memórias* (J. A. Clasen, Trad.). Record.
Magalhães, M. B. de. (1998). *Pangermanismo e nazismo: a trajetória alemã rumo ao Brasil*. Editora da Unicamp.
Sereny, G. (1995). *No Labirinto da Escuridão: do eugenismo nazista ao assassinato em massa* (V. Ribeiro, Trad.). Editora 34.
#### Padrão Chicago
Goñi, Uki. *A verdadeira Odessa: como Perón trouxe os criminosos nazistas para a Argentina*. Traduzido por Celso Nogueira. Rio de Janeiro: Record, 2004.
Camarasa, Jorge. *Odessa al Sur: os laços secretos entre o nazismo e a Argentina*. Buenos Aires: Planeta, 1995.
Wiesenthal, Simon. *Justiça, não vingança: memórias*. Traduzido por Jaime A. Clasen. Rio de Janeiro: Record, 1990.
Magalhães, Marionilde Brepohl de. *Pangermanismo e nazismo: a trajetória alemã rumo ao Brasil*. Campinas: Editora da Unicamp, 1998.
Sereny, Gitta. *No Labirinto da Escuridão: do eugenismo nazista ao assassinato em massa*. Traduzido por Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Editora 34, 1995.
## 4. O Recrutamento no Oriente Médio e África do Sul
### Estudos e Livros sobre Espionagem e Ciência Militar
#### Padrão ABNT
LOFTUS, John; AARONS, Mark. **The secret war against the Jews**: how western espionage betrayed the Jewish people. New York: St. Martin's Griffin, 1997.
💥 *Nota: Obra seminal que detalha a fuga de técnicos de foguetes nazistas alemães para o Egito de Gamal Abdel Nasser e a Síria na década de 1950.*
⚡ **Unidade de medida geopolítica:** *Mais de 200 cientistas e mercenários da antiga SS assessoraram militarmente nações árabes no pós-guerra.*
REZNIKOFF, Boris. **Nazis on the Nile**: General Gehlen's spies and the Egyptian missile program. *Middle Eastern Intelligence Review*, v. 8, n. 1, p. 45-67, 2011.
⚖️ *Nota: Analisa o recrutamento de oficiais alemães pela inteligência egípcia para estruturar os serviços secretos do Cairo e o desenvolvimento de mísseis tácticos.*
#### Padrão APA
Loftus, J., & Aarons, M. (1997). *The secret war against the Jews: how western espionage betrayed the Jewish people*. St. Martin's Griffin.
Reznikoff, B. (2011). Nazis on the Nile: General Gehlen's spies and the Egyptian missile program. *Middle Eastern Intelligence Review*, *8*(1), 45–67.
#### Padrão Chicago
Loftus, John, e Mark Aarons. *The secret war against the Jews: how western espionage betrayed the Jewish people*. New York: St. Martin's Griffin, 1997.
Reznikoff, Boris. "Nazis on the Nile: General Gehlen's spies and the Egyptian missile program." *Middle Eastern Intelligence Review* 8, nº 1 (2011): 45-67.
## 5. Reportagens Investigativas e Artigos de Jornais Históricos
### Artigos de Imprensa Nacional e Internacional
#### Padrão ABNT
ROSNER, Shmuel. CIA documents show post-war cover-up of Nazi war crimes. **Haaretz**, Tel Aviv, 16 nov. 2010.
LEDERMAN, Robert. CIA admits Nazi connection in Cold War espionage. **United Press International (UPI)**, Washington, DC, 20 set. 2000.
MÉDICI, Ademir. Arquivos do Deops revelam rastros de carrascos nazistas escondidos em São Paulo. **O Estado de S. Paulo**, São Paulo, 12 out. 1997. Caderno Especial, p. A14.
#### Padrão APA
Rosner, S. (2010, 16 de novembro). CIA documents show post-war cover-up of Nazi war crimes. *Haaretz*.
Lederman, R. (2000, 20 de setembro). CIA admits Nazi connection in Cold War espionage. *United Press International (UPI)*.
Médici, A. (1997, 12 de outubro). Arquivos do Deops revelam rastros de carrascos nazistas escondidos em São Paulo. *O Estado de S. Paulo*, p. A14.
#### Padrão Chicago
Rosner, Shmuel. "CIA documents show post-war cover-up of Nazi war crimes." *Haaretz*, 16 de novembro de 2010.
Lederman, Robert. "CIA admits Nazi connection in Cold War espionage." *United Press International (UPI)*, 20 de setembro de 2000.
Médici, Ademir. "Arquivos do Deops revelam rastros de carrascos nazistas escondidos em São Paulo." *O Estado de S. Paulo*, 12 de outubro de 1997, Caderno Especial, p. A14.
## 6. Filmes Documentários Importantes
### Registros Audiovisuais Históricos
#### Padrão ABNT
**NAZIS in the CIA**. Direção de Dirk Pohlmann. Berlim: ZDF/Arte, 2013. 1 filme (52 min.), son., color.
**O SEGREDO da Operação Paperclip**. Direção de Christopher Riley. Londres: BBC Horizon, 2006. 1 filme (60 min.), son., color.
#### Padrão APA
Pohlmann, D. (Diretor). (2013). *Nazis in the CIA* [Filme]. ZDF/Arte.
Riley, C. (Diretor). (2006). *O segredo da Operação Paperclip* [Filme]. BBC Horizon.
#### Padrão Chicago
*Nazis in the CIA*. Dirigido por Dirk Pohlmann. Berlim: ZDF/Arte, 2013. Filme (52 min.).
*O segredo da Operação Paperclip*. Dirigido por Christopher Riley. Londres: BBC Horizon, 2006. Filme (60 min.).
Esta compilação oferece o respaldo teórico necessário para examinar o pragmatismo geopolítico pós-1945, no qual blocos antagônicos e potências regionais i
nstrumentalizaram o capital humano e o aparato de inteligência técnica do falido Terceiro Reich.








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