Suécia e o Terceiro Reich: A Neutralidade Era Apenas uma Fachada? Uma Investigação sobre as Alegações de Apoio Oculto à Alemanha Nazista

 



No ano 1944, Roosevelt encontrou na sua almofada de sua cama um bilhete sobre a qual estavam escritas as seguintes palavras: “Senhor Presidente: os experimentos nucleares de Chicago não devem continuar; a vida de todo o planeta está em perigo se não se põe fim ao que foi começado”. Ninguém da sua família conseguiu explicar como aquele bilhete pode chegar à sua habitação. Depois de dois dias, os responsáveis das experiências atómicas e vários dos seus colaboradores receberam mensagens semelhantes àquela encontrada pelo presidente. Na Universidade de Chicago reforçou-se a vigilância do projecto e continuou-se, portanto, a um forte ritmo até à fabricação da primeira bomba atómica.

Soube de uma insólita reunião no palácio, na que participaram três estranhas criaturas amarelas, delgadas, de pouco mais de 1.20 metros de altura, com grandes olhos e voz monocorde que se declararam preocupadas com a situação mundial e, em especial, pela ameaça nuclear que podia constituir um perigo não só para o nosso mas também para o seu planeta. Truman não podia acreditar no que tinha lido mas quem assinava a carta era nada mais nada menos que o rei Gustavo V da Suécia, soberano de um dos países mais avançados do mundo. A pessoa que tinha na frente era o embaixador daquele País. Permaneceu mudo durante uns instantes e submergiu-se na leitura do largo documento de nove densas páginas no qual seres inteligentes diziam habitar no interior da Terra e contava nos seus mínimos detalhes como tiveram que abandonar a superfície do planeta em tempos remotos por ter feito mau uso da energia atómica: ‘estamos a pôr o mundo de alerta através dos seus países mais importantes... desejamos que se realize uma conferência internacional contra o desenvolvimento da energia nuclear para fins bélicos. Em contrapartida, estamos dispostos a revelar-vos os segredos para o domínio da energia magnética...’


Suécia e o Terceiro Reich: A Neutralidade Era Apenas uma Fachada? Uma Investigação sobre as Alegações de Apoio Oculto à Alemanha Nazista



Entre a Neutralidade e a Colaboração: O Papel Controverso da Suécia na Segunda Guerra Mundial


A Neutralidade Sueca na Segunda Guerra Mundial: Diplomacia ou Colaboração? Uma Investigação Histórica sobre as Relações entre a Suécia e o Terceiro Reich

Introdução

A neutralidade da Suécia durante a Segunda Guerra Mundial permanece um dos temas mais controversos da historiografia europeia. Durante décadas, prevaleceu a narrativa de que o governo sueco adotou uma política estritamente pragmática para preservar sua soberania diante da expansão militar da Alemanha Nazista. Entretanto, a partir da década de 1990, jornalistas investigativos, escritores e parte da historiografia passaram a questionar essa versão, argumentando que a neutralidade sueca teria sido, em diversos momentos, uma forma de colaboração econômica, logística e diplomática com o Terceiro Reich. Esse debate contrapõe a interpretação tradicional da "realpolitik" à chamada perspectiva da "responsabilidade moral".

Este estudo investigará principalmente essa segunda linha interpretativa, sem deixar de mencionar, de forma resumida, a posição historiográfica tradicional.


Capítulo I – O nascimento da hipótese da "neutralidade falsa"

Até os anos 1980, a maior parte da historiografia sueca defendia que a política do primeiro-ministro Per Albin Hansson era a única alternativa possível para impedir uma invasão semelhante às ocorridas na Noruega e na Dinamarca.

Essa visão começou a ser fortemente questionada em 1991 com a publicação de Maria-Pia Boëthius, jornalista e escritora sueca, autora de Heder och Samvete ("Honra e Consciência"). Boëthius acusou o governo de ter construído um mito nacional sobre a neutralidade, argumentando que a Suécia fez concessões muito além do necessário, permitindo trânsito de tropas alemãs, exportações estratégicas e censura interna. Seu livro desencadeou amplo debate público e estimulou uma revisão crítica da memória nacional.

Nos anos seguintes, autores como Steven Koblik, John Gilmour, Henrik Berggren, Klas Åmark, Gerard Aalders e Cees Wiebes aprofundaram diferentes aspectos dessa discussão. Alguns reforçaram críticas às concessões suecas; outros defenderam que tais decisões ocorreram sob intensa pressão militar alemã. 


Capítulo II – A Economia Sueca e a Máquina de Guerra do Terceiro Reich

A hipótese da chamada "neutralidade favorável" ganha maior força quando se analisam as relações econômicas entre a Suécia e a Alemanha entre 1939 e 1944. Diversos pesquisadores argumentam que, embora a Suécia não tenha aderido formalmente ao Eixo, sua indústria desempenhou um papel importante no fornecimento de matérias-primas e produtos estratégicos para a economia de guerra alemã.

O minério de ferro: o recurso mais estratégico

O ponto central dessa discussão é o minério de ferro extraído principalmente nas minas de Kiruna e Gällivare, no norte da Suécia. O minério sueco possuía alta concentração de ferro, sendo especialmente adequado para a produção de aço de qualidade superior.

Historiadores como John Gilmour, Steven Koblik e Klas Åmark observam que a Alemanha dependia significativamente dessas importações, sobretudo nos primeiros anos da guerra. Parte desse minério era exportada pelo porto norueguês de Narvik, cujo controle tornou-se um dos objetivos estratégicos da campanha alemã na Noruega em 1940. A invasão da Noruega é frequentemente interpretada como ligada, entre outros fatores, à necessidade de assegurar essa rota de abastecimento. Essa relação é amplamente documentada, embora haja debate sobre o peso exato desse fator entre as causas da invasão. (archives.gov)

A indústria sueca

Além do minério, empresas suecas exportaram produtos considerados essenciais para uma economia em guerra:

  • aço especial;
  • rolamentos industriais;
  • máquinas-ferramenta;
  • equipamentos elétricos;
  • produtos químicos;
  • componentes de engenharia.

Autores críticos afirmam que esses produtos eram utilizados em diversos setores industriais alemães, incluindo fábricas de veículos, motores e equipamentos militares. A discussão historiográfica concentra-se na extensão do impacto dessas exportações, mais do que em sua existência, que é amplamente documentada. (archives.gov)

A SKF

Entre as empresas frequentemente mencionadas está a fabricante sueca de rolamentos SKF (Svenska Kullagerfabriken).

Os rolamentos eram componentes indispensáveis para motores, locomotivas, aeronaves e diversos equipamentos industriais. Pesquisadores destacam que tanto a Alemanha quanto os Aliados buscavam garantir o fornecimento desses produtos, reconhecendo sua importância estratégica. A literatura diverge sobre o grau em que as exportações suecas influenciaram a capacidade militar alemã, mas concorda que esses itens eram considerados de alto valor estratégico.

A Bofors

Outra empresa frequentemente citada é a Bofors, conhecida por sua produção de armamentos e tecnologia militar. Sua atuação durante o período é objeto de estudos sobre comércio internacional de armas, embora a situação contratual de cada venda varie conforme o período e o destino das exportações.

Bancos e comércio internacional

Autores como Gerard Aalders e Cees Wiebes investigaram o papel de bancos e empresas financeiras na movimentação de capitais ligados ao Terceiro Reich. Seus estudos discutem mecanismos utilizados para proteger ativos e facilitar operações comerciais em um contexto de guerra e bloqueios econômicos.

Essas pesquisas não sustentam que todo o sistema financeiro sueco estivesse comprometido com o nazismo, mas mostram que determinadas instituições participaram de operações que beneficiaram interesses econômicos alemães.

O argumento dos críticos

Os escritores que defendem a hipótese de uma neutralidade apenas formal sustentam que:

  • a economia sueca permaneceu integrada ao mercado alemão durante boa parte da guerra;
  • as exportações estratégicas contribuíram para a continuidade da produção industrial do Reich;
  • o governo sueco demorou a restringir esse comércio, adotando medidas mais severas apenas quando o equilíbrio militar passou a favorecer claramente os Aliados.

Segundo essa interpretação, a política sueca teria sido guiada principalmente pela preservação de sua economia e de sua segurança nacional, mesmo que isso implicasse beneficiar, ainda que indiretamente, a Alemanha Nazista.

A interpretação historiográfica tradicional

A visão predominante entre muitos historiadores é mais cautelosa. Ela reconhece as concessões econômicas, mas argumenta que a Suécia estava cercada por territórios controlados ou influenciados pela Alemanha e possuía limitada capacidade de resistência militar. Nessa perspectiva, o comércio foi visto como uma estratégia de sobrevivência do Estado sueco, e não como uma adesão ideológica ao nazismo.

Essa diferença de interpretação — colaboração pragmática ou necessidade estratégica — continua sendo um dos principais pontos de debate na historiografia sobre a Segunda Guerra Mundial.

(Continua no Capítulo III: "O Trânsito de Tropas Alemãs, a Cooperação Militar e os Limites da Neutralidade Sueca".)


Capítulo III – O Trânsito de Tropas Alemãs, a Cooperação Militar e os Limites da Neutralidade Sueca

Um dos argumentos mais utilizados pelos historiadores e jornalistas que questionam a neutralidade sueca não diz respeito ao comércio, mas sim às concessões militares feitas ao Terceiro Reich entre 1940 e 1943. Para esses autores, permitir que forças armadas de um país beligerante utilizassem a infraestrutura nacional extrapolava o conceito clássico de neutralidade previsto pelo direito internacional.


A invasão da Noruega e da Dinamarca

Em 9 de abril de 1940, a Alemanha lançou a Operação Weserübung, ocupando simultaneamente a Dinamarca e a Noruega. Em poucos dias, a Suécia passou a estar praticamente cercada por territórios controlados pelo Reich.

Esse novo cenário alterou profundamente a política externa sueca. O governo, liderado por Per Albin Hansson, avaliou que uma recusa absoluta às exigências alemãs poderia resultar em uma invasão semelhante à sofrida pelos vizinhos escandinavos.

É justamente nesse ponto que se inicia a divergência historiográfica:

  • a interpretação tradicional sustenta que essas concessões eram inevitáveis para preservar a independência nacional;
  • os autores críticos afirmam que algumas concessões foram além do necessário e favoreceram diretamente o esforço de guerra alemão.

O "Permittenttrafik"

Um dos episódios mais debatidos é o chamado Permittenttrafik, sistema pelo qual militares alemães em licença eram autorizados a atravessar o território sueco utilizando a malha ferroviária.

Durante vários anos, centenas de milhares de viagens de militares alemães ocorreram por esse sistema. Além de soldados em licença, houve também transporte de equipamentos e suprimentos em determinadas circunstâncias.

Críticos como Maria-Pia Boëthius e John Gilmour argumentam que essa prática era incompatível com uma neutralidade estrita, pois facilitava a movimentação logística do Exército Alemão entre a Alemanha e a Noruega ocupada.


A passagem da 163ª Divisão de Infantaria

Outro episódio frequentemente citado ocorreu em junho de 1941, quando a Suécia autorizou a passagem da 163ª Divisão de Infantaria alemã (Engelbrecht Division) através de seu território rumo à Finlândia.

Essa autorização coincidiu com o início da Operação Barbarossa, a invasão alemã da União Soviética.

Diversos pesquisadores consideram esse episódio uma das maiores concessões militares feitas pelo governo sueco durante toda a guerra, pois envolveu uma unidade armada em deslocamento operacional.

A decisão provocou debates internos e permanece como um dos principais argumentos dos críticos da política sueca.


Cooperação ferroviária

A rede ferroviária sueca desempenhou papel estratégico durante parte do conflito.

Segundo estudos históricos, foram transportados:

  • militares alemães;
  • materiais militares autorizados em determinadas operações;
  • suprimentos destinados às forças alemãs estacionadas na Noruega.

Embora o governo sueco afirmasse estar cumprindo exigências impostas pelas circunstâncias geopolíticas, os críticos argumentam que essas medidas representavam uma forma concreta de apoio logístico.


Inteligência e comunicações

Outro aspecto menos conhecido envolve os serviços de inteligência.

Pesquisas mostram que a Suécia desenvolveu uma sofisticada capacidade de interceptação de comunicações durante a guerra.

Autores como Wilhelm Agrell demonstram que os serviços suecos monitoravam transmissões militares de diferentes países, mantendo uma política flexível conforme a evolução do conflito.

Embora existam evidências de intercâmbio de informações em diferentes momentos com Alemanha e Aliados, a documentação disponível não sustenta a existência de uma aliança secreta permanente com o Terceiro Reich. A política de inteligência sueca variou conforme a conjuntura militar.


A censura interna

Jornalistas críticos também chamam atenção para a política de censura adotada durante os primeiros anos da guerra.

Foram registrados casos de:

  • apreensão de publicações;
  • restrições a jornais considerados excessivamente críticos da Alemanha;
  • controle de informações relacionadas ao conflito.

Maria-Pia Boëthius interpreta essas medidas como parte de uma estratégia para evitar atritos com Berlim e preservar as relações diplomáticas.

Outros historiadores, porém, argumentam que a censura visava principalmente impedir que o país fosse arrastado para o conflito.


O ponto de inflexão: 1943

A partir de 1943, com a deterioração da situação militar alemã após Stalingrado e o avanço aliado, a política sueca começou a mudar.

Entre as principais alterações destacam-se:

  • redução gradual das concessões ao Reich;
  • encerramento do trânsito de tropas alemãs;
  • restrições crescentes às exportações estratégicas;
  • aproximação diplomática com os Aliados;
  • intensificação do acolhimento de refugiados, incluindo judeus provenientes da Dinamarca.

Os autores críticos observam que essa mudança coincidiu com a percepção de que a Alemanha provavelmente perderia a guerra, enquanto a interpretação tradicional a vê como consequência da alteração do equilíbrio estratégico na Europa.


Síntese do capítulo

Os estudos sobre o trânsito ferroviário, a passagem da Divisão Engelbrecht, a cooperação logística e a política de censura constituem alguns dos principais fundamentos da hipótese de que a neutralidade sueca foi, ao menos entre 1940 e 1943, mais favorável ao Terceiro Reich do que sugeria o discurso oficial.

Ao mesmo tempo, a documentação histórica indica que essa política não permaneceu estática. A partir de 1943, o governo sueco passou a reduzir gradualmente essas concessões, aproximando-se dos Aliados, fato que continua sendo interpretado de maneiras distintas pela historiografia.

(Continua no Capítulo IV: "Os Movimentos Nazistas na Suécia: Partidos, Líderes, Empresários, Simpatizantes e as Redes de Influência antes e durante a Segunda Guerra Mundial".)


Capítulo IV – Os Movimentos Nazistas na Suécia: Partidos, Líderes, Simpatizantes e Redes de Influência

Embora a Suécia jamais tenha se tornado um Estado fascista ou nazista, a pesquisa histórica demonstra que existiram partidos, organizações e indivíduos que simpatizavam com o nacional-socialismo alemão durante as décadas de 1930 e 1940. Esses grupos nunca alcançaram maioria política, mas exerceram influência em determinados setores da sociedade, especialmente antes do enfraquecimento militar da Alemanha.

Autores como Heléne Lööw, John Gilmour, Maria-Pia Boëthius e Klas Åmark analisam esse fenômeno sob perspectivas diferentes. Enquanto Lööw estuda a evolução dos movimentos nazistas suecos, Boëthius enfatiza a tolerância inicial das autoridades e das elites econômicas em relação a esses grupos.


O surgimento do nacional-socialismo sueco

Após a ascensão de Adolf Hitler ao poder em 1933, diversos movimentos nacionalistas suecos passaram a adotar símbolos, discursos e elementos ideológicos inspirados no Partido Nazista Alemão.

Entre seus principais temas estavam:

  • nacionalismo extremo;
  • anticomunismo;
  • antissemitismo;
  • culto ao Estado;
  • exaltação da "raça nórdica";
  • oposição à democracia liberal.

Entretanto, diferentemente da Alemanha, esses partidos permaneceram politicamente minoritários.


Principais organizações nazistas

Entre os grupos mais conhecidos estavam:

Svenska Nationalsocialistiska Partiet (SNSP)

Fundado na década de 1930, foi um dos primeiros partidos explicitamente inspirados no modelo alemão.

Defendia:

  • aproximação política com Berlim;
  • reorganização autoritária do Estado sueco;
  • combate ao comunismo;
  • legislação antissemita.

Nationalsocialistiska Arbetarepartiet (NSAP)

Fundado por Sven Olov Lindholm.

Foi provavelmente o maior movimento nazista sueco.

Posteriormente passou a utilizar o nome:

Svensk Socialistisk Samling (SSS)

Buscando apresentar uma identidade considerada mais "nacional" do que simplesmente copiar o modelo alemão.

Apesar da mudança de nome, sua inspiração permaneceu fortemente ligada ao nacional-socialismo.


Sven Olov Lindholm

É considerado por muitos historiadores o principal líder nazista da Suécia durante a guerra.

Antes de fundar seu partido, serviu no Exército Sueco.

Defendia:

  • aproximação política com Hitler;
  • criação de um Estado corporativo;
  • combate ao marxismo;
  • fortalecimento militar;
  • nacionalismo escandinavo.

Após a guerra, afastou-se progressivamente dessas posições e, décadas depois, chegou a participar de manifestações pacifistas, tornando-se uma figura controversa na historiografia sueca.


Outros líderes

Diversos pesquisadores mencionam também:

  • Birger Furugård
  • Sigurd Furugård
  • Gunnar Furugård

Os irmãos Furugård foram responsáveis por introduzir parte da propaganda nazista organizada na Suécia ainda no início da década de 1930.

Mantiveram contatos políticos com representantes do Partido Nazista Alemão e organizaram reuniões públicas, distribuição de panfletos e campanhas eleitorais.


A influência nas Forças Armadas

Um dos temas mais sensíveis investigados por historiadores diz respeito à presença de simpatizantes do nazismo entre oficiais militares suecos.

Há documentação mostrando que alguns oficiais admiravam:

  • a disciplina do Exército Alemão;
  • sua capacidade tecnológica;
  • sua organização militar.

Entretanto, não existe evidência de que as Forças Armadas Suecas tenham aderido institucionalmente ao nazismo ou conspirado para substituir o governo democrático por um regime nacional-socialista. Os casos documentados referem-se a indivíduos ou pequenos grupos, e não a uma política oficial.


Empresários simpáticos à Alemanha

Autores como Maria-Pia Boëthius e John Gilmour argumentam que parte da elite industrial sueca via a Alemanha como seu principal parceiro econômico e demonstrava forte preocupação com o avanço do comunismo soviético.

Segundo essa interpretação, esse contexto favoreceu uma postura conciliadora em relação ao Reich em alguns setores empresariais. Contudo, isso não significa que todos os industriais suecos fossem nazistas, mas sim que interesses econômicos e geopolíticos influenciaram determinadas decisões.


Voluntários suecos na Waffen-SS

Outro aspecto documentado é que um número relativamente pequeno de cidadãos suecos alistou-se voluntariamente para servir na Waffen-SS, especialmente na divisão Nordland, que reunia voluntários de diversos países nórdicos.

As motivações variavam:

  • anticomunismo;
  • identificação ideológica com o nacional-socialismo;
  • pan-germanismo;
  • convicções pessoais.

Esses voluntários não representavam o Estado sueco, mas ilustram a existência de simpatizantes do nazismo no país.


A imprensa sueca

Pesquisadores também analisam o comportamento de parte da imprensa durante os primeiros anos da guerra.

Alguns jornais mantiveram uma linha editorial considerada conciliadora em relação à Alemanha, seja por simpatia ideológica, seja por receio das consequências de um confronto diplomático.

Ao mesmo tempo, havia veículos e jornalistas críticos ao nazismo, mostrando que a imprensa sueca estava longe de ser homogênea.


O declínio dos movimentos nazistas

A partir de 1943, após derrotas decisivas da Alemanha, como a Batalha de Stalingrado, o apoio ao nacional-socialismo diminuiu significativamente na Suécia.

Os partidos nazistas perderam influência política, muitos simpatizantes afastaram-se desses movimentos e, no pós-guerra, a sociedade sueca passou por um intenso processo de revisão crítica de seu comportamento durante o conflito.


Síntese do capítulo

A documentação histórica confirma que existiram partidos nacional-socialistas, líderes, simpatizantes, empresários e voluntários suecos alinhados ao nazismo. No entanto, esses grupos permaneceram minoritários e não controlaram o Estado sueco.

Os autores que defendem a hipótese de uma "neutralidade favorável" argumentam que, embora esses movimentos não tenham governado o país, sua existência, somada às concessões econômicas e logísticas ao Reich, contribuiu para uma política externa mais complacente com a Alemanha entre 1940 e 1943.

(Continua no Capítulo V: "Ordens Esotéricas, Sociedades Discretas e Ocultismo Nórdico: Entre Evidências Históricas e Hipóteses sobre Possíveis Conexões com o Nacional-Socialismo".)


Capítulo V – Ordens Esotéricas, Sociedades Discretas e o Ocultismo Nórdico: Entre Evidências Históricas e Hipóteses de Conexão com o Nacional-Socialismo

Introdução

Um dos temas mais controversos relacionados ao nacional-socialismo é sua relação com o ocultismo, o neopaganismo germânico e determinadas sociedades iniciáticas. A partir das décadas de 1960 e 1970, pesquisadores, jornalistas e escritores passaram a investigar se havia conexões entre organizações esotéricas da Escandinávia e alguns círculos ideológicos que influenciaram setores do nacional-socialismo alemão.

É importante distinguir o que está documentado daquilo que permanece como hipótese ou especulação histórica. Há evidências de intercâmbio intelectual entre movimentos nacionalistas e neopagãos de diferentes países nórdicos e da Alemanha, mas não há comprovação de uma rede secreta sueca que dirigisse ou controlasse o Terceiro Reich.


O ambiente cultural escandinavo

No final do século XIX e início do século XX, difundiram-se na Suécia, Noruega, Dinamarca e Alemanha movimentos interessados em:

  • mitologia nórdica;
  • runas;
  • literatura islandesa medieval;
  • religião germânica pré-cristã;
  • nacionalismo romântico.

Esses movimentos eram muito diversos. Alguns tinham caráter puramente cultural ou religioso, enquanto outros incorporaram ideias de nacionalismo étnico e teorias raciais que mais tarde seriam apropriadas por setores do nacional-socialismo alemão.

Autores como Nicholas Goodrick-Clarke mostram que parte do chamado völkisch alemão foi influenciada por esse ambiente intelectual, mas alertam contra a tendência de atribuir a todas essas correntes um vínculo direto com o nazismo.


A influência do ariosofismo alemão

Entre os principais nomes estudados estão:

  • Guido von List;
  • Jörg Lanz von Liebenfels.

Esses autores desenvolveram doutrinas esotéricas que misturavam:

  • runologia;
  • misticismo germânico;
  • teorias raciais;
  • interpretações ocultistas da história.

Suas obras influenciaram determinados círculos nacionalistas alemães antes da ascensão de Hitler. Entretanto, os historiadores divergem quanto ao grau de influência efetiva dessas ideias sobre a liderança nazista.


A Sociedade Thule

A Sociedade Thule, fundada em Munique após a Primeira Guerra Mundial, é frequentemente mencionada em estudos sobre as origens ideológicas do nacional-socialismo.

Ela reunia nacionalistas, anticomunistas e interessados em simbolismo germânico. Alguns de seus membros participaram dos primeiros círculos políticos que dariam origem ao Partido Nazista.

Contudo, a maior parte da historiografia considera que sua influência foi mais relevante na fase inicial do movimento do que durante o governo de Hitler.


Existiam sociedades semelhantes na Suécia?

Pesquisadores identificam na Suécia a existência de:

  • associações culturais dedicadas à tradição nórdica;
  • grupos neopagãos;
  • organizações nacionalistas;
  • sociedades de estudos rúnicos;
  • ordens iniciáticas de diferentes orientações.

Alguns desses grupos mantiveram intercâmbio intelectual com pesquisadores e organizações alemãs, sobretudo em áreas como arqueologia, linguística e estudos sobre a antiguidade germânica.

No entanto, não há documentação histórica que demonstre que essas organizações tenham integrado uma estrutura clandestina coordenada pelo Terceiro Reich.


A Maçonaria Sueca

O chamado Rito Sueco da Maçonaria é uma das tradições maçônicas mais antigas da Europa.

Embora alguns autores de literatura conspiratória tentem estabelecer ligações entre a Maçonaria sueca e o nacional-socialismo, os estudos históricos não sustentam essa tese. Pelo contrário, o regime nazista perseguiu diversas organizações maçônicas na Alemanha, considerando-as incompatíveis com sua ideologia.

Isso não exclui a possibilidade de que indivíduos maçons tenham tido simpatias políticas variadas, mas não há evidências de uma política institucional de apoio ao nazismo por parte da Maçonaria sueca.


A Sociedade Manhem

Um tema citado por alguns pesquisadores é a Sociedade Manhem, organização cultural sueca voltada ao estudo da identidade nacional e da herança nórdica.

Alguns de seus integrantes manifestaram interesse por ideias nacionalistas difundidas na Europa entre as décadas de 1920 e 1930. Entretanto, a documentação disponível não permite concluir que a organização tenha atuado como instrumento do governo alemão.


O Instituto Estatal de Biologia Racial

Um elemento historicamente documentado, e muitas vezes associado ao debate sobre a influência ideológica, foi a criação, em 1922, do Statens institut för rasbiologi (Instituto Estatal de Biologia Racial), em Uppsala.

Esse instituto desenvolveu pesquisas sobre eugenia e classificação racial antes mesmo da ascensão de Hitler ao poder.

Historiadores observam que teorias eugênicas circulavam em diversos países ocidentais no início do século XX, não sendo exclusivas da Alemanha. Ainda assim, essas ideias contribuíram para um ambiente intelectual posteriormente explorado pelo nacional-socialismo.


A hipótese das redes discretas

Alguns escritores contemporâneos levantam a hipótese de que elites econômicas, círculos nacionalistas e organizações discretas da Escandinávia mantiveram contatos informais com setores conservadores alemães durante o período entre guerras.

Essas hipóteses baseiam-se em:

  • correspondências entre intelectuais;
  • encontros internacionais;
  • congressos científicos;
  • intercâmbio cultural e acadêmico.

Entretanto, até o momento, não foi encontrada documentação que comprove uma coordenação secreta entre sociedades iniciáticas suecas e o governo do Terceiro Reich. Essa distinção é fundamental para uma análise historiográfica rigorosa.


A visão dos escritores investigativos

Autores como Trevor Ravenscroft, Louis Pauwels, Jacques Bergier e outros escritores voltados ao estudo das origens ocultistas do nazismo exploraram possíveis conexões entre simbolismo esotérico, ordens iniciáticas e ideologia nacional-socialista. Suas obras tiveram grande impacto cultural, mas são tratadas com cautela pela historiografia acadêmica devido ao uso de fontes difíceis de verificar e à mistura entre fatos documentados e interpretações especulativas.

Já pesquisadores acadêmicos como Nicholas Goodrick-Clarke distinguem cuidadosamente as influências intelectuais do ocultismo germânico das alegações de conspirações ocultas, procurando separar o que é demonstrável do que permanece hipotético.


Síntese do capítulo

A investigação histórica mostra que a Suécia possuía um ambiente cultural no qual circulavam ideias sobre mitologia nórdica, runas, identidade germânica e nacionalismo. Também existiram intercâmbios intelectuais entre estudiosos suecos e alemães.

Entretanto, as evidências atualmente disponíveis não permitem afirmar a existência de uma rede secreta sueca subordinada ao Terceiro Reich ou de sociedades ocultistas suecas que tenham dirigido ou coordenado políticas nazistas. As conexões documentadas são predominantemente culturais, intelectuais ou individuais, enquanto as hipóteses de uma coordenação clandestina permanecem sem comprovação documental.

(Continua no Capítulo VI: "Bancos, Grandes Indústrias, Inteligência e Diplomacia Secreta: As Redes Econômicas e Financeiras da Suécia durante a Segunda Guerra Mundial".)



Capítulo VI – Bancos, Grandes Indústrias, Inteligência e Diplomacia: As Redes Econômicas e Financeiras da Suécia durante a Segunda Guerra Mundial

Introdução

Se existe um campo em que a hipótese de uma neutralidade favorável ao Terceiro Reich encontra maior respaldo documental, é o da economia e das finanças. Diversos jornalistas investigativos e historiadores argumentam que, embora a Suécia mantivesse sua neutralidade oficial, seu sistema bancário, suas grandes empresas e parte de sua elite industrial continuaram a realizar negócios com a Alemanha durante boa parte da guerra.

O debate historiográfico não gira em torno da existência dessas relações — amplamente documentadas —, mas de sua interpretação: tratava-se de uma estratégia de sobrevivência nacional ou de uma colaboração econômica que beneficiou significativamente o esforço de guerra alemão?


A elite industrial sueca

Durante as décadas de 1930 e 1940, a economia sueca era dominada por grandes conglomerados industriais e financeiros.

Entre os grupos empresariais frequentemente estudados estão:

  • o grupo Wallenberg;
  • a SKF (Svenska Kullagerfabriken);
  • a Bofors;
  • a ASEA (posteriormente integrada à ABB);
  • companhias de mineração como LKAB.

Essas empresas ocupavam posições estratégicas na economia europeia.

Autores como Maria-Pia Boëthius, John Gilmour, Steven Koblik e Klas Åmark analisam como essa estrutura industrial influenciou a política externa sueca.


A família Wallenberg

Nenhuma família aparece com tanta frequência nesse debate quanto os Wallenberg.

Por meio do Stockholms Enskilda Bank, a família possuía participação em dezenas de empresas industriais.

Pesquisadores como Gerard Aalders e Cees Wiebes examinaram documentos financeiros indicando que bancos suecos participaram de operações envolvendo ativos de empresas alemãs durante a guerra e no imediato pós-guerra.

Esses estudos discutem:

  • administração de investimentos internacionais;
  • proteção de patrimônio empresarial;
  • manutenção de relações comerciais apesar do conflito.

Ao mesmo tempo, é importante lembrar que Raoul Wallenberg, membro da mesma família, tornou-se internacionalmente conhecido por salvar milhares de judeus húngaros durante o Holocausto. Esse contraste ilustra a complexidade histórica do tema e impede generalizações sobre toda a família.


O ouro alemão

Outro assunto amplamente investigado refere-se ao chamado ouro do Reich.

Após a guerra, comissões internacionais examinaram transações realizadas por bancos de países neutros, incluindo a Suécia, para verificar a origem de parte do ouro adquirido do Reichsbank.

As investigações demonstraram que bancos centrais de diferentes países neutros receberam ouro alemão, embora a extensão e a origem específica de cada remessa tenham sido objeto de análises posteriores.

Esses episódios alimentaram críticas de que a neutralidade econômica beneficiou o regime nazista.


A indústria de rolamentos

A SKF era considerada uma das empresas mais importantes do mundo na produção de rolamentos de precisão.

Esses componentes eram fundamentais para:

  • motores de aeronaves;
  • tanques;
  • submarinos;
  • locomotivas;
  • equipamentos industriais.

Tanto a Alemanha quanto os Aliados disputavam o acesso a esses produtos.

Diversos autores observam que o governo britânico e o norte-americano acompanharam atentamente as exportações suecas, reconhecendo seu valor estratégico.


A indústria de armamentos

A empresa Bofors tornou-se conhecida internacionalmente por sua tecnologia militar.

Embora parte significativa de sua produção estivesse vinculada a contratos anteriores ao conflito ou a mercados diversos, seu nome aparece frequentemente em estudos sobre a indústria bélica escandinava.

Os historiadores discutem o alcance dessas exportações e sua relevância para o contexto da guerra.


A inteligência econômica

Pouco conhecida pelo público, a Suécia desenvolveu uma eficiente estrutura de monitoramento econômico.

Autoridades acompanhavam:

  • exportações;
  • importações;
  • circulação de capitais;
  • disponibilidade de matérias-primas;
  • comércio marítimo.

Essa capacidade permitiu ao governo ajustar sua política comercial de acordo com a evolução do conflito.


A diplomacia secreta

Pesquisadores como Wilhelm Agrell destacam que a diplomacia sueca manteve canais discretos de comunicação com praticamente todos os lados envolvidos na guerra.

Esses contatos incluíam:

  • Alemanha;
  • Reino Unido;
  • Estados Unidos;
  • Finlândia;
  • Noruega;
  • União Soviética.

Em diferentes momentos, a Suécia atuou como intermediária diplomática, transmitindo mensagens, facilitando negociações e representando interesses de países que haviam rompido relações diplomáticas entre si.


A mudança após Stalingrado

Diversos autores observam que, após a derrota alemã em Stalingrado (1943), a política econômica sueca começou a mudar.

Entre as medidas gradualmente adotadas estavam:

  • redução das exportações estratégicas para a Alemanha;
  • maior cooperação comercial com os Aliados;
  • restrições adicionais ao trânsito ferroviário alemão;
  • fortalecimento das relações diplomáticas com Estados Unidos e Reino Unido.

Para os críticos da neutralidade sueca, essa mudança indicaria que o governo adaptou sua política conforme o equilíbrio militar da guerra se alterava.

Já a interpretação tradicional sustenta que a alteração refletia apenas a nova realidade geopolítica e a necessidade de preservar a segurança nacional.


Os arquivos desclassificados

Desde o fim da Guerra Fria, a abertura de arquivos em diversos países ampliou o conhecimento sobre esse período.

Documentos provenientes de:

  • arquivos diplomáticos suecos;
  • arquivos britânicos;
  • arquivos norte-americanos;
  • arquivos alemães;

permitiram reconstruir com maior precisão as relações econômicas e diplomáticas mantidas durante o conflito.

Esses documentos confirmam a existência de intensas relações comerciais e negociações diplomáticas, mas continuam sendo interpretados de maneiras diferentes conforme a perspectiva historiográfica adotada.


Síntese do capítulo

As pesquisas sobre bancos, indústria, comércio exterior e diplomacia constituem a base mais sólida da hipótese de que a neutralidade sueca beneficiou, em alguma medida, o Terceiro Reich durante os primeiros anos da guerra.

Ao mesmo tempo, a documentação disponível também mostra que essa política sofreu mudanças importantes a partir de 1943, quando a derrota alemã passou a parecer provável.

Essa combinação de continuidade, adaptação e pragmatismo explica por que a atuação da Suécia permanece objeto de intenso debate entre historiadores.

(Continua no Capítulo VII: "Relatório Final de Investigação: Comparação das Evidências, Hipóteses, Documentos Históricos, Jornais e Testemunhos sobre a Neutralidade Sueca e suas Relações com o Terceiro Reich".)


Capítulo VII – Relatório Final de Investigação: Análise Comparativa das Evidências sobre a Neutralidade Sueca e suas Relações com o Terceiro Reich

Introdução

Após analisar documentos históricos, livros acadêmicos, obras de jornalismo investigativo, arquivos diplomáticos, pesquisas sobre economia de guerra e estudos publicados desde o final da Segunda Guerra Mundial, emerge um quadro mais complexo do que a simples oposição entre "neutralidade" e "colaboração".

Este capítulo sintetiza as principais linhas de investigação apresentadas por autores que defendem a hipótese de que a neutralidade sueca beneficiou, em maior ou menor grau, a Alemanha Nazista, contrapondo-as brevemente à interpretação predominante na historiografia.


Linha de Investigação 1 – A economia como instrumento de colaboração indireta

Principais defensores

  • Maria-Pia Boëthius
  • John Gilmour
  • Steven Koblik
  • Gerard Aalders
  • Cees Wiebes

Principais argumentos

Esses autores destacam que:

  • a exportação de minério de ferro continuou durante parte significativa da guerra;
  • empresas suecas forneceram produtos industriais estratégicos;
  • bancos suecos participaram de operações financeiras envolvendo empresas alemãs;
  • houve demora na interrupção dessas relações comerciais.

Segundo essa interpretação, embora a Suécia não integrasse formalmente o Eixo, sua economia contribuiu para manter setores importantes da capacidade industrial alemã.


Linha de Investigação 2 – Cooperação logística

Os pesquisadores apontam como fatos historicamente documentados:

  • autorização para o trânsito ferroviário de militares alemães;
  • passagem da Divisão Engelbrecht em 1941;
  • utilização da infraestrutura ferroviária sueca.

Esses episódios são frequentemente apresentados como incompatíveis com uma neutralidade estrita.


Linha de Investigação 3 – A diplomacia pragmática

Diversos historiadores observam que o governo sueco procurou manter diálogo simultâneo com:

  • Alemanha;
  • Reino Unido;
  • Estados Unidos;
  • Finlândia;
  • Noruega.

Os críticos afirmam que, até aproximadamente 1943, esse equilíbrio favoreceu mais os interesses alemães do que os aliados.


Linha de Investigação 4 – A influência política interna

Pesquisadores como Heléne Lööw demonstram que existiram movimentos nacional-socialistas ativos na Suécia.

Embora esses partidos nunca tenham alcançado maioria parlamentar, eles:

  • organizaram manifestações;
  • publicaram jornais;
  • realizaram propaganda;
  • enviaram voluntários para a Waffen-SS.

Os estudos indicam que o nazismo possuía apoio em determinados segmentos da sociedade sueca, mas não controlava o governo nem as instituições do Estado.


Linha de Investigação 5 – A elite econômica

Autores críticos destacam que parte da elite industrial sueca via a Alemanha como um parceiro comercial essencial e como um contrapeso ao avanço do comunismo soviético.

Segundo essa linha de interpretação, interesses econômicos influenciaram decisões políticas tomadas entre 1940 e 1943.

Ao mesmo tempo, os documentos disponíveis não permitem concluir que tenha existido um plano coordenado entre governo, bancos e indústria para apoiar ideologicamente o nazismo.


Linha de Investigação 6 – O debate sobre sociedades discretas

Durante esta investigação foram examinadas alegações de conexões entre:

  • ordens iniciáticas;
  • sociedades culturais;
  • círculos nacionalistas;
  • organizações de inspiração esotérica.

Os estudos mostram que houve circulação de ideias entre intelectuais escandinavos e alemães ligados ao nacionalismo cultural e ao interesse pela tradição germânica.

Entretanto, não foram encontradas evidências documentais suficientes para afirmar que sociedades secretas suecas coordenaram ou dirigiram ações em apoio ao Terceiro Reich. Essa hipótese aparece principalmente em obras de caráter especulativo e não encontra respaldo equivalente na documentação histórica disponível.


A posição da imprensa

Jornais suecos da época refletiram posições variadas.

Alguns adotaram uma linha de cautela ou acomodação em relação à Alemanha, especialmente nos primeiros anos do conflito.

Após 1943, observa-se uma mudança gradual no tom da cobertura, acompanhando a evolução militar da guerra.

Décadas mais tarde, reportagens investigativas e livros de jornalistas como Maria-Pia Boëthius contribuíram para reabrir o debate público sobre esse período da história sueca.


O impacto da abertura dos arquivos

A desclassificação de documentos diplomáticos, militares e financeiros ao longo das últimas décadas permitiu uma compreensão mais detalhada das decisões tomadas pelo governo sueco.

Esses arquivos confirmam:

  • relações comerciais intensas com a Alemanha;
  • concessões logísticas em determinados períodos;
  • esforços diplomáticos para preservar a neutralidade;
  • mudanças de política conforme o avanço da guerra.

Ao mesmo tempo, não demonstram a existência de uma aliança militar secreta entre a Suécia e o Terceiro Reich.


Breve contraponto historiográfico

A maior parte da historiografia acadêmica contemporânea interpreta essas evidências dentro do contexto geopolítico da época.

Segundo essa visão, a Suécia:

  • encontrava-se praticamente cercada por territórios controlados pela Alemanha;
  • possuía capacidade militar limitada para resistir a uma invasão;
  • buscou preservar sua soberania por meio de concessões pragmáticas.

Mesmo autores críticos reconhecem que esse contexto influenciou as decisões do governo, embora discordem sobre o grau em que tais concessões eram inevitáveis.


Considerações finais do relatório

A investigação permite afirmar com elevado grau de confiança histórica que:

  • a neutralidade sueca foi marcada por importantes concessões econômicas e logísticas à Alemanha entre 1940 e 1943;
  • existiram movimentos nazistas e simpatizantes do nacional-socialismo na Suécia, embora minoritários;
  • empresas e bancos suecos mantiveram relações comerciais relevantes com o Reich durante parte da guerra;
  • a política sueca mudou significativamente a partir de 1943, reduzindo essas concessões e ampliando a cooperação com os Aliados.

Por outro lado, não há evidências documentais suficientes para sustentar a existência de uma aliança militar secreta entre a Suécia e a Alemanha Nazista, nem de uma coordenação por sociedades secretas suecas em apoio ao Terceiro Reich. Essa distinção é importante para separar hipóteses investigativas de conclusões respaldadas pelas fontes históricas.

Esse conjunto de evidências mostra que a neutralidade sueca foi uma política complexa, marcada por escolhas pragmáticas, interesses econômicos, pressões militares e dilemas morais que continuam sendo debatidos pela historiografia contemporânea.

(Na sequência podem ser elaborados: Reflexão, Conclusão e Bibliografia completa em formato ABNT, reunindo livros acadêmicos, jornalismo investigativo, documentos oficiais e artigos científicos.)


Reflexão

A Segunda Guerra Mundial raramente pode ser compreendida apenas pela divisão entre "Aliados" e "Eixo". Entre esses dois blocos existiam países oficialmente neutros que precisaram tomar decisões extremamente difíceis para preservar sua soberania, sua economia e sua população. A Suécia tornou-se um dos exemplos mais debatidos desse dilema.

Durante décadas, a narrativa predominante apresentou a neutralidade sueca como uma política essencialmente humanitária e defensiva. Entretanto, a abertura de arquivos diplomáticos, militares e financeiros, aliada ao trabalho de jornalistas investigativos e historiadores, revelou um quadro muito mais complexo.

As pesquisas demonstram que a Suécia não permaneceu isolada do conflito. Pelo contrário, sua economia, sua indústria e parte de sua infraestrutura continuaram profundamente integradas ao sistema econômico europeu dominado pelo Terceiro Reich entre 1940 e 1943.

Autores como Maria-Pia Boëthius chamaram a atenção para aquilo que consideram um "mito nacional", argumentando que a memória coletiva sueca enfatizou corretamente episódios humanitários — como o acolhimento de refugiados e as ações de Raoul Wallenberg —, mas dedicou menor atenção às concessões econômicas, logísticas e diplomáticas feitas à Alemanha durante os primeiros anos da guerra.

Ao mesmo tempo, diversos historiadores lembram que qualquer análise deve considerar a realidade geopolítica daquele momento. Após a ocupação da Dinamarca e da Noruega, a Suécia encontrava-se praticamente cercada pelo poder militar alemão. Nesse contexto, decisões que hoje podem parecer moralmente questionáveis eram vistas pelas autoridades suecas como instrumentos para evitar uma invasão e preservar a independência nacional.

Essa tensão entre responsabilidade moral e sobrevivência do Estado constitui o núcleo do debate historiográfico.

Outro aspecto importante revelado pela investigação é a necessidade de distinguir rigorosamente fatos comprovados de hipóteses. A documentação confirma relações comerciais, concessões logísticas, trânsito de tropas e cooperação econômica. Entretanto, hipóteses sobre redes clandestinas, sociedades secretas ou coordenação oculta entre organizações suecas e o Terceiro Reich permanecem, até o momento, sem comprovação documental suficiente para serem tratadas como conclusões históricas.

Essa distinção metodológica não enfraquece a investigação; ao contrário, fortalece sua credibilidade. O papel do pesquisador consiste justamente em separar evidências, probabilidades e especulações, permitindo que o leitor compreenda onde termina a documentação e onde começam as interpretações.

Por essa razão, o estudo da neutralidade sueca continua sendo um dos melhores exemplos de como a história é construída por meio da análise crítica de documentos, da revisão constante das fontes e da disposição para reavaliar narrativas consolidadas à luz de novas evidências.


Conclusão

A presente investigação demonstra que a neutralidade da Suécia durante a Segunda Guerra Mundial permanece um tema aberto ao debate historiográfico e continua despertando interesse entre pesquisadores, jornalistas e estudiosos da história contemporânea.

As evidências documentais reunidas indicam que o governo sueco realizou importantes concessões econômicas, logísticas e diplomáticas à Alemanha Nazista entre 1940 e 1943. O fornecimento de minério de ferro, aço e produtos industriais, o trânsito ferroviário autorizado para forças alemãs em determinados períodos e a manutenção de intensas relações comerciais são fatos amplamente documentados.

Esses elementos levaram diversos escritores e jornalistas investigativos a defender a hipótese de que a neutralidade sueca teria sido, na prática, mais favorável ao Terceiro Reich do que a narrativa oficial construída no pós-guerra sugeria. Essa interpretação ganhou força principalmente após a abertura de arquivos históricos e a publicação de estudos críticos nas últimas décadas do século XX.

Por outro lado, a investigação também mostra que a documentação atualmente disponível não permite concluir que tenha existido uma aliança política ou militar secreta entre o Estado sueco e o regime nazista. Tampouco há provas suficientes para afirmar que sociedades secretas suecas tenham coordenado ou dirigido ações em apoio ao Terceiro Reich. Essas hipóteses permanecem objeto de especulação ou de pesquisas ainda inconclusivas.

Observa-se igualmente que, a partir de 1943, a política externa sueca sofreu mudanças significativas, reduzindo as concessões à Alemanha e ampliando gradualmente sua aproximação com os Aliados. Esse reposicionamento demonstra que a neutralidade sueca foi dinâmica, adaptando-se às transformações do cenário militar e diplomático europeu.

Em última análise, o caso sueco ilustra como a neutralidade em tempos de guerra pode assumir formas ambíguas, nas quais interesses estratégicos, econômicos, diplomáticos e morais frequentemente entram em conflito.

Mais do que oferecer respostas definitivas, este estudo busca incentivar a continuidade das pesquisas sobre documentos ainda pouco explorados, arquivos recentemente abertos e novas interpretações historiográficas. A história permanece uma disciplina em permanente revisão, na qual cada nova evidência pode contribuir para uma compreensão mais ampla e precisa dos acontecimentos do passado.


Bibliografia – Normas ABNT (NBR 6023:2018)

AALDERS, Gerard; WIEBES, Cees. The Art of Cloaking Ownership: The Secret Collaboration and Protection of the German War Industry by the Neutrals. Amsterdam: Amsterdam University Press, 1996.

AGRELL, Wilhelm. Fred och Fruktan: Sveriges säkerhetspolitiska historia 1918–2000. Lund: Historiska Media, 2000.

ÅMARK, Klas. Att Bo Granne med Ondskan: Sveriges förhållande till Nazismen, Nazityskland och Förintelsen. Stockholm: Bonnier, 2011.

BOËTHIUS, Maria-Pia. Heder och Samvete: Sverige och Andra Världskriget. Stockholm: Norstedts, 1991.

CARLGREN, Wilhelm M. Swedish Foreign Policy During the Second World War. London: Ernest Benn, 1977.

GILMOUR, John. Sweden, the Swastika and Stalin: The Swedish Experience in the Second World War. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2011.

GOODRICK-CLARKE, Nicholas. The Occult Roots of Nazism. New York: New York University Press, 1992.

HILBERG, Raul. The Destruction of the European Jews. 3. ed. New Haven: Yale University Press, 2003.

KOBLIK, Steven. The Stones Begin to Speak: Sweden and the Holocaust. New York: Holocaust Library, 1988.

LÖÖW, Heléne. Nazismen i Sverige 1924–1979. Stockholm: Ordfront, 2004.

PAULES, Louis; BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. (Diversas edições em português.)

SHIRER, William L. Ascensão e Queda do Terceiro Reich. Rio de Janeiro: Agir. (Diversas edições.)

KERSHAW, Ian. Hitler: 1936–1945 – Nemesis. São Paulo: Companhia das Letras.

EVANS, Richard J. O Terceiro Reich em Guerra. São Paulo: Planeta.

BURLEIGH, Michael. O Terceiro Reich: Uma Nova História. São Paulo: Amarilys.

FEST, Joachim C. Hitler. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

SNYDER, Timothy. Terras de Sangue: A Europa entre Hitler e Stalin. Rio de Janeiro: Record.

FRIEDLÄNDER, Saul. Nazi Germany and the Jews. New York: HarperCollins.

ARCHIVES NATIONALES DES ÉTATS-UNIS (National Archives and Records Administration – NARA). Records Relating to Sweden During World War II. College Park, Maryland.

UNITED STATES HOLOCAUST MEMORIAL MUSEUM. Holocaust Encyclopedia. Washington, D.C.

YAD VASHEM. The World Holocaust Remembrance Center. Jerusalem.

ROYAL LIBRARY OF SWEDEN (Kungliga biblioteket). Coleções de jornais suecos publicados entre 1933 e 1945.

RIKSARKIVET (Arquivo Nacional da Suécia). Documentação diplomática e governamental referente à política sueca durante a Segunda Guerra Mundial.

THE NATIONAL ARCHIVES (Reino Unido). Foreign Office Papers Relating to Sweden During World War II.

FOREIGN RELATIONS OF THE UNITED STATES (FRUS). Washington, D.C.: U.S. Department of State.

Jornais Históricos Consultados

Dagens Nyheter (Suécia).

Svenska Dagbladet (Suécia).

Göteborgs-Posten (Suécia).

Aftonbladet (Suécia).

The Times (Londres).

The New York Times.

The Washington Post.

Chicago Tribune.

Artigos e Revistas Acadêmicas

Journal of Contemporary History.

Scandinavian Journal of History.

Holocaust and Genocide Studies.

Central European History.

Journal of Modern History.

The Historical Journal.

International History Review.

European Review of History.

Fontes Complementares

United States Holocaust Memorial Museum (USHMM).

National Archives (NARA).

Bundesarchiv (Alemanha).

Imperial War Museums.

Yad Vashem.

Riksarkivet (Suécia).

Kungliga biblioteket (Biblioteca Real da Suécia).


Se sua tese é investigar a hipótese de que a neutralidade sueca ocultou um apoio significativo ao Terceiro Reich, há um conjunto de autores que fazem críticas severas à política sueca. Entretanto, é importante ser preciso: nenhum historiador de referência afirma, com base em documentação aceita pela academia, que existiu um "apoio secreto" do Estado sueco a Hitler comparável ao de um aliado do Eixo. O que esses autores defendem varia entre "neutralidade comprometida", "colaboração", "acomodação" ou "favorecimento econômico". Abaixo estão os principais livros.

1. Maria-Pia Boëthius (a crítica mais contundente)

  • Heder och Samvete: Sverige och Andra Världskriget (1991)

Tese: A autora sustenta que a Suécia construiu um mito da neutralidade e ocultou o grau de colaboração econômica, política e logística com a Alemanha Nazista.


2. John Gilmour

  • Sweden, the Swastika and Stalin: The Swedish Experience in the Second World War (2011)

Tese: Argumenta que a política sueca fez amplas concessões ao Terceiro Reich, especialmente entre 1940 e 1943, questionando a imagem tradicional de neutralidade.


3. Steven Koblik

  • The Stones Begin to Speak: Sweden and the Holocaust (1988)

Tese: Analisa as relações da Suécia com a Alemanha e a resposta sueca ao Holocausto, destacando concessões e ambiguidades da política de neutralidade.


4. Klas Åmark

  • Att Bo Granne med Ondskan: Sveriges förhållande till Nazismen, Nazityskland och Förintelsen (2011)

Tese: Examina criticamente as relações da Suécia com o nazismo, a Alemanha e o Holocausto, reconhecendo importantes concessões ao Reich, embora sem concluir que a Suécia tenha sido uma aliada secreta.


5. Gerard Aalders e Cees Wiebes

  • The Art of Cloaking Ownership: The Secret Collaboration and Protection of the German War Industry by the Neutrals (1996)

Tese: Investigam como países neutros, incluindo a Suécia, participaram de mecanismos financeiros e empresariais que protegeram interesses da indústria alemã durante a guerra.


6. Heléne Lööw

  • Nazismen i Sverige 1924–1979 (2004)

Tese: Não trata da neutralidade estatal em si, mas documenta os partidos, líderes e movimentos nazistas existentes na Suécia, mostrando que havia simpatizantes organizados do nacional-socialismo.


Livros que ajudam a sustentar uma crítica indireta

Essas obras não defendem explicitamente um "apoio secreto", mas fornecem documentação sobre aspectos usados nesse argumento:

  • Wilhelm M. Carlgren – Swedish Foreign Policy During the Second World War.
  • Wilhelm Agrell – Fred och Fruktan.
  • Raul Hilberg – The Destruction of the European Jews (contexto sobre países neutros).
  • Saul Friedländer – Nazi Germany and the Jews (contexto das relações europeias).

Obras frequentemente citadas, mas que exigem cautela

Alguns livros populares defendem interpretações muito amplas sobre redes ocultas, elites financeiras ou conspirações internacionais envolvendo o Terceiro Reich. Essas obras tiveram influência cultural, mas não são consideradas fontes históricas confiáveis para demonstrar um apoio secreto da Suécia a Hitler:

  • Louis Pauwels e Jacques Bergier – O Despertar dos Mágicos.
  • Trevor Ravenscroft – The Spear of Destiny.
  • Jean-Michel Angebert – The Occult and the Third Reich.

Esses livros são mais adequados como fontes para estudar o imaginário e as interpretações esotéricas do nazismo do que como evidência histórica.

Se o objetivo é construir uma tese sólida, o argumento mais defensável com base nas fontes é que a Suécia adotou uma política de neutralidade que, entre 1940 e 1943, favoreceu materialmente a Alemanha Nazista em diversos aspectos econômicos e logísticos. Ir além disso — afirmando um "apoio secreto" coordenado pelo Estado — exigiria evidências documentais que, até o momento, não foram demonstradas de forma convincente pela historiografia disponível.










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