OS ADMINISTRADORES DO UNIVERSO
A literatura védica, especialmente textos como o Srimad Bhagavatam e o Rig Veda, apresenta uma visão profundamente metafísica da realidade, onde o universo não é apenas um conjunto de elementos materiais, mas uma manifestação consciente sustentada por uma inteligência suprema. O texto analisado articula três ideias centrais: a unidade de tudo sob uma consciência divina, a ilusão da independência individual e a natureza cíclica e misteriosa da criação.
1. A Consciência Universal e a Superalma
No cerne do pensamento védico está o conceito de uma consciência universal — frequentemente chamada de Superalma (Paramatma). Essa ideia encontra eco em diversas tradições. No cristianismo, por exemplo, há paralelos com a noção de Deus onipresente, como descrito na Bíblia: “Nele vivemos, nos movemos e existimos”.
Na filosofia chinesa, o Tao Te Ching descreve o Tao como a força subjacente que permeia tudo, semelhante à Superalma védica. Já no islamismo, o conceito de tawhid (unicidade divina), presente no Alcorão, também aponta para uma realidade última indivisível.
2. O Universo como “Máquina” e a Física Contemporânea
O texto védico descreve o corpo e o universo como “máquinas” operadas por uma consciência superior. Curiosamente, essa metáfora encontra paralelos na física moderna.
Na física quântica, especialmente nas interpretações mais filosóficas, o universo não é visto como algo sólido e independente, mas como um sistema de probabilidades e interações. O conceito de campo quântico sugere que tudo emerge de um campo fundamental invisível — uma ideia que lembra a energia externa (maya) mencionada nos Vedas.
Além disso, o fenômeno do entrelaçamento quântico demonstra que partículas separadas podem permanecer conectadas instantaneamente, sugerindo uma unidade subjacente da realidade — algo que ressoa fortemente com a visão védica de que tudo está interligado pela consciência suprema.
O físico Erwin Schrödinger, um dos pioneiros da mecânica quântica, foi profundamente influenciado pelos Upanishads e defendia que a consciência é única e indivisível — uma ideia quase idêntica à noção de Atman e Brahman.
3. O Mito da Criação: Rig Veda e Outras Tradições
O hino da criação do Rig Veda (Nasadiya Sukta) é notavelmente diferente de muitos mitos tradicionais. Ele não afirma uma criação clara e definida, mas sim um mistério:
«“Não havia ser, nem não-ser...”»
Esse tipo de abordagem encontra paralelos surpreendentes:
- Na mitologia grega, o caos primordial antecede tudo — como descrito por Hesíodo em sua Teogonia.
- No Egito antigo, o universo emerge do oceano primordial (Nun), uma realidade indiferenciada.
- Na tradição judaico-cristã, o Gênesis começa com “a terra sem forma e vazia”, indicando um estado inicial caótico.
- Na mitologia nórdica, o vazio primordial (Ginnungagap) precede a criação.
Porém, o diferencial do Rig Veda é sua postura quase agnóstica: ele sugere que talvez nem mesmo o criador saiba como tudo começou. Essa ideia é surpreendentemente moderna e se aproxima das incertezas da cosmologia atual.
4. Criação: Consciência, Desejo e Física
O texto menciona que o “desejo” foi a semente da criação. Isso pode ser comparado, simbolicamente, com o surgimento do universo no modelo do Big Bang, onde toda a realidade emerge de um estado inicial extremamente denso e energético.
Na física quântica, o papel do observador levanta questões profundas: a realidade pode depender da observação? Embora isso não signifique que a mente cria o universo literalmente, há um debate filosófico que ecoa a ideia védica de que consciência e realidade estão intrinsecamente ligadas.
5. Karma, Determinismo e Leis Naturais
O conceito de karma como regulador das experiências individuais pode ser comparado às leis naturais da física. Assim como cada ação gera uma reação (como na terceira lei de Newton), o karma representa uma causalidade moral e espiritual.
Essa ideia também aparece:
- No budismo, com a lei de causa e efeito
- No cristianismo: “colhe-se o que se planta”
- No estoicismo de Sêneca, que defende a aceitação da ordem racional do cosmos
6. O Universo como Sonho
O texto afirma que a realidade material é como um sonho — uma ideia profundamente filosófica. Isso encontra paralelo:
- No hinduísmo (Maya)
- No budismo (ilusão)
- Em Platão, com o “Mito da Caverna”
- Em René Descartes, que questiona a confiabilidade da percepção
Na física moderna, algumas interpretações sugerem que a realidade pode não ser fundamentalmente “sólida”, mas emergente — uma espécie de “simulação natural” baseada em informações.
7. Conclusão: Convergência entre Antigo e Moderno
O texto védico analisado não é apenas religioso; ele é profundamente filosófico e, em muitos aspectos, surpreendentemente compatível com questões levantadas pela ciência moderna. Embora não possamos afirmar que os Vedas anteciparam a física quântica, é inegável que ambos apontam para:
- A unidade fundamental da realidade
- A importância da consciência
- A natureza ilusória ou não absoluta do mundo material
- A complexidade e o mistério da origem do universo
A cosmogonia védica, especialmente no Rig Veda, se destaca por sua sofisticação: ela não impõe certezas, mas convida à contemplação — algo que tanto a filosofia quanto a ciência continuam a fazer até hoje.
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OS ADMINISTRADORES DO UNIVERSO
em dezembro 06, 2011
Dentro deste Universo, a Suprema Personalidade de Deus, sob Sua forma de Superalma, esta presente em toda parte – ou seja, onde quer que haja seres móveis e imóveis. Portanto, a pessoa deve aceitar apenas o que lhe esta designado; ninguém deve desejar invadir propriedade alheia. Não devemos pensar que somos independentes; ao contrário, devemos entender que temos direito a uma certa porção da propriedade total da Suprema Personalidade de Deus. Esta compreensão levará a um comunismo perfeito. Nada é propriedade exclusiva de alguma nação ou de alguma pessoa; tudo pertence a Suprema Personalidade de Deus. Tudo que existe neste Universo é propriedade da Suprema Personalidade de Deus. O Senhor não é uma criação de nossa inteligência; ao contrário, foi Ele quem nos criou. Este comunismo universal pode resolver todos os problemas do mundo. Todos devem aprender com a literatura védica que o próprio corpo também não é propriedade da alma individual, mas lhe é dado de acordo com seu Karma.
“O Senhor Supremo acha-Se situado nos corações de todos, ó Arjuna, e orienta as andanças de todas as entidades vivas, que estão sentadas numa espécie de máquina feita de energia material.” Como Superalma, o Senhor acomoda-Se nos corações de todos e observa os vários desejos da alma individual. O Senhor é tão misericordioso que dá á entidade viva a oportunidade de desfrutar de vários desejos em corpos adequados, que não passam de maquinas. Essas maquinas são construidas por intermédio dos ingredientes materiais fornecidos pela energia externa, e, assim, a entidade viva desfruta ou sofre de acordo com seus desejos. Quem propicia esta oportunidade é a Superalma. Tudo pertence ao Supremo, e, portanto, ninguém deve usurpar a propriedade alheia. Temos a tendência de inventar muitas coisas. Especialmente hoje em dia, estamos construindo arranha-céus e desenvolvendo outras condições materiais vantajosas. Entretanto cumpre sabermos que os ingredientes dos arranha-céus e máquinas só podem ser fabricados pela Suprema Personalidade de Deus. O Mundo inteiro limita-se a uma combinação dos cinco elementos materiais (tejo-vâri-mrdãm yathã vinimayah). Um arranha-céu é uma transformação dos elementos terra, água e fogo. Embora possa fabricar tijolos, o homem não pode fabricar os ingredientes de que eles são constituidos. A Suprema personalidade de Deus criou a água, a terra, o ar, o fogo e o céu, e todos podem utiliza-los. Entretanto, ninguém pode arrogar-se o direito a propriedade. Este é o comunismo perfeito. O senhor Manu disse: O ser vivo supremo criou este mundo material animado, e, ninguém deve concluir que Ele tenha sido criado por este mundo material.
Todos devem aprender com a literatura védica que o próprio corpo também não é propriedade da alma individual, mas lhe é dado de acordo com seu Karmana daiva-netrena jantur dehopattaye. As 8.400.000 diferentes formas corpóreas são maquinas dadas a alma individual. Tudo o que existe dentro do Universo é propriedade da Suprema Personalidade de Deus. Este é o significado deste verso. Atmavasyam idam visvam. O senhor não é criação de nossa inteligência; ao contrario, foi ele quem nos criou. Atmavasyam idam visvam. Isavasyam idan sarvam. O Senhor dá á cada entidade viva a oportunidade de desfrutar de vários desejos em corpos adequados, que não passam de máquinas( yantrarudhani mayaya) Essas maquinas são construídas por intermédio dos ingredientes materiais fornecidos pela energia externa, e, assim, a entidade viva desfruta ou sofre de acordo com seus desejos. Quem propicia esta oportunidade é a superalma. A Divindade Suprema esta sempre desperta. No estado condicionado esquecemos as coisas porque mudamos de corpos, porém como não muda de corpo, a suprema personalidade de Deus lembra-se do passado, do presente e conhece o futuro. Eis uma distinção entre a Suprema Personalidade de Deus e as entidades vivas. Nytio nityanam cetanas cetananam. De acordo com a versão védica, o Senhor é o supremo eterno, o ser vivo supremo. A diferença entre o Ser Supremo o ser vivo comum é que, quando este mundo material é aniquilado, todas as entidades vivas, entrando em uma condição inconsciente e adormecida, ficam imersas no esquecimento, ao passo que o Ser Supremo fica desperto e age como testemunha de tudo. Este mundo material é criado, permanece por algum tempo e, então, é aniquilado. Entretanto através de todas essas mudanças, o Ser Supremo permanece desperto. Na condição material de todas as entidades vivas,há três etapas de sonho.Quando o mundo material está desperto e é posto em ação, isto é uma espécie de sonho, um sonho vígil. Quando vão dormir, as entidades vivas voltam a sonhar. E, quando ficam inconscientes no momento da aniquilação, após a qual este mundo material fica manifesto, elas entram em outra etapa de sonho. Portanto, qualquer que seja a sua etapa no mundo material, todas elas estão dormindo, contudo no mundo espiritual tudo esta desperto. Verso 6 O rei Indra aniquila os demônios. Tradução “Aqueles tolos e patifes que, através do poder místico ou de meios mecânicos, querem elevar-se ao sistema planetário superior, ou que inclusive esforçam-se por ultrapassar os planetas superiores e alcançar o mundo espiritual ou a liberação,faço que sejam enviados a mais baixa região do Universo” SIGNIFICADO “Sem dúvida, existem sistemas planetários reservados a diferentes pessoas. Como se afirma no Bhagavad-gita (14.18), urdhvam gacchanti sattva-sthah: A palavra divam refere-se ao sistema planetário superior conhecido como Svargaloka. Portanto , a afirmativa de Indra parece indicar que todo aquele que tente ir aos sistemas planetários superiores por meios mecânicos, que são aqui chamados de maya, é condenado a precipitar-se nos planetas infernais, situados na parte inferior do universo
BIBLIOGRAFIA
- Srimad Bhagavatam – Bhaktivedanta Book Trust
- Rig Veda – Nasadiya Sukta (10.129)
- Bhagavad Gita
- Bíblia
- Alcorão
- Tao Te Ching
- Teogonia – Hesíodo
- Obras e interpretações de Erwin Schrödinger sobre consciência e física
- Filosofia estoica de SênecaSe quiser, posso deixar esse texto mais “provocativo” ou mais voltado para engajamento no Blogger (com linguagem mais forte e chamada para comentários).

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