O Grande Arquiteto do Universo









A tradição esotérica dos judeus, a Cabala, considera o nome de Deus sagrado e impronunciável. Possivelmente, a origem desse conceito está no terceiro mandamento: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Êxodo, capítulo XX, versículo VII).

Assim, um grupo de sábios judeus, conhecidos como massoretas, incorporou “acentos” que funcionavam como vogais e viabilizavam a pronúncia do tetragrama, resultando na palavra Adonai (Senhor), que passou a ser utilizada para pronunciá-lo. Os nomes Jeová, Iehovah, Javé, Iavé ou ainda Yahweh são adaptações para a língua portuguesa da palavra Adonai, e não do tetragrama original.

Porém, há ainda uma crença entre os judeus do início do período cristão de que a própria palavra Torah seria parte do nome divino. Há outra relação interessante encontrada nos nomes originais de Adão e Eva, Yod e Chawah, respectivamente. A combinação entre esses dois nomes resulta em uma das variações do tetragrama, YHWH, fato que sugere uma relação entre Criador e criatura.

Com o decorrer do tempo, foram adotados outros termos para se referir ao tetragrama: “O Nome”, “O Bendito” ou “O Céu”.

--










Pentagrama
O pentagrama assume diversos significados de acordo com o contexto em que é encontrado. Neste caso, é a base do Tetragrammaton. Assim, podemos interpretá-lo como símbolo do “Homem Realizado”, isto é, uma representação da entidade humana evoluída em todos os estágios espirituais.
Os olhos do Pai – Júpiter
No ângulo superior do pentagrama, encontramos “os olhos do Pai” e a representação do planeta Júpiter, uma alusão aos olhos do Criador, ao espírito e ao poder que coordena tudo e todos.
Marte
Nos “braços” do Tetragrammaton encontra-se o símbolo astrológico e zodiacal do planeta Marte, representando a força, ou a energia pura da criação.
Saturno
Nos ângulos inferiores está a representação astrológica e zodiacal do planeta Saturno. É um dos principais símbolos usados na magia, representando os mestres que anularam o próprio ego e as falhas inerentes ao ser humano, atingindo, assim, a perfeição.
Sol e Lua
Posicionados nas linhas verticais do pentagrama, próximos ao centro da figura, o Sol e a Lua fazem referência aos polos feminino e masculino da criação, contidos em todos os organismos, incluindo o microcosmo e o macrocosmo.
Mercúrio e Vênus
Estes símbolos são amplamente encontrados na literatura alquímica e são representações astrológicas e zodiacais desses planetas. Localizados sobrepostos no centro da figura, referem-se à união dos polos, de onde surgirá o Caduceu de Mercúrio.
Caduceu de Mercúrio
O Caduceu de Mercúrio é o símbolo alquímico da transmutação. Associado aos símbolos superiores de Mercúrio e Vênus, refere-se à criatura, ou seja, ao resultado da união entre os polos feminino e masculino, entre as forças lunares e solares, e ao ponto de equilíbrio entre eles. Por estar localizado no centro da figura, também pode ser interpretado como a “coluna vertebral”, ou Kundalini, responsável pela união da energia sexual entre as polaridades.
Jeová
Esta inscrição hebraica é um tetragrama pronunciado Jeová (lê-se da direita para a esquerda), sendo mais uma das várias alusões ao “Nome de Deus”.
Alfa e Ômega
Alfa e Ômega são, respectivamente, a primeira e a última letra do alfabeto grego. Esta é uma referência ao princípio e ao fim de todas as coisas. Alfa está abaixo dos “olhos do Pai”. Ômega encontra-se invertido, na base do Caduceu de Mercúrio. Isso pode significar o caldeirão utilizado pelos alquimistas ou, ainda, o caldeirão (útero) da Deusa, para alguns ocultistas.
Binário
Localizados fora do pentagrama, os números 1 e 2 são referências à bipolaridade; isto é, uma representação de que todas as coisas possuem dois lados. Seguindo esse conceito, podemos também compreendê-los como outra manifestação dos polos masculino e feminino, início e fim, bem e mal, entre outros.
Logos
Logos é uma palavra grega que significa razão, mas também é interpretada como “fonte de ideias” e “verbo divino”. Associado ao Tetragrammaton, os números 1, 2 e 3 representam, respectivamente, o Pai, a Mãe e o Filho. Também pode ser interpretado como a Tríade do Cristianismo (Pai, Filho e Espírito Santo) ou como o triângulo, amplamente encontrado nas tradições esotéricas.
Cálice
O cálice significa o polo feminino da criação. Na alquimia, é utilizado para representar o elemento água.
Espada Flamejante
A “espada de fogo”, dentro do contexto alquímico, representa o próprio elemento fogo. Porém, associada ao Tetragrammaton, assume o papel do polo masculino e do pênis, símbolo de fertilidade entre as antigas tradições.
Báculo
O báculo é o bastão comumente usado por magos. Está dividido em sete escalas, representando os estágios de evolução. Na alquimia, está relacionado ao elemento terra.
Hexágono do Mago
O hexágono do mago representa o domínio do espírito sobre a matéria. Na alquimia, está relacionado ao elemento ar.
Não é possível definir apenas uma relação entre os vários símbolos que compõem o Tetragrammaton, tampouco uma finalidade específica desse conjunto. Seus sinais transitam entre correntes tão distintas que a interpretação, em certos casos, chega a ser paradoxal.
Crédito da imagem: Horsehead Image Credit: NASA, ESA e The Hubble Heritage Team.










III – Uma das finalidades desse estudo é firmar e confirmar o princípio fundamental – landmark, rule, old charge, norma ou diretriz, sejam como quiserem denominá-lo – talvez o único em que não há divergência no seio da maçonaria autêntica e tradicional: a fé num Deus pessoal, Princípio e Fim de todas as coisas, Criador do céu e da terra. E, em consequência, ajudar a fazer com que seus aderentes tomem disto mais consciência e evitem usar a expressão G.A.D.U. apenas como uma etiqueta, sem nenhum conteúdo, que se pode facilmente esvaziar. Para isto, fazer com que este G.A.D.U. seja, para cada um deles e de nós, um DEUS VIVO e não um DEUS MORTO.


Que este perigo existe, e existe na atualidade, não há dúvida. Se não, a Conferência Episcopal Alemã, depois de “conversações oficiais, durante os anos de 1974 a 1980, por incumbência da mesma e das Grandes Lojas Unidas da Alemanha”, não teria chegado à seguinte conclusão:


“IV-4 – O conceito de Deus dos maçons livres. No centro dos rituais se acha o conceito do ‘Grande Arquiteto do Universo’. Não obstante a boa vontade de abertura para abraçar toda religião, trata-se de um conceito marcadamente deísta. Em tal contexto, não há nenhum conhecimento objetivo de Deus, no sentido do conceito pessoal de Deus do teísmo. O ‘Grande Arquiteto do Universo’ é um ‘Ser’ neutro, não definido e aberto a toda compreensão possível...” (c.f. “Maçonaria e Igreja Católica, Ontem, Hoje e Amanhã”. Ed. Paulinas, 1981, p. 281).


E eis o motivo pelo qual insisti em deixar bem claros os conceitos de TEÍSMO e DEÍSMO e demonstrar que as diferentes alterações das Constituições de Anderson e as diversas declarações das Grandes Lojas Mães da Inglaterra, Escócia e Irlanda não deixam dúvida alguma quanto a este conceito: teísta e não deísta. É claro que, para se entender isto, é preciso, com muito vagar e tempo, refletir sobre toda esta documentação, para ter ideias claras e precisas quanto a estes conceitos.


Também estou convencido de que as Grandes Lojas Unidas da Inglaterra, da Irlanda e da Escócia, ao firmarem invariável e ininterruptamente o verdadeiro conceito de G.A.D.U. na Ordem, não estão dogmatizando nem sendo menos liberais, no sentido empregado pelo Grande Oriente de França.


Apenas estão defendendo um landmark ou rule, ou ainda old charge – fundamental delas. E muito menos ainda estão querendo defender uma determinada religião, o que seria contra o espírito e toda a letra das Constituições andersoneanas, mas sim a religião natural, que se baseia na Teologia Natural (ou Teologia Fundamental, ou ainda Teologia Filosófica), que é a TEODICEIA, uma das disciplinas ensinadas pela verdadeira Filosofia, desde os tempos dos filósofos gregos, muito antes de Cristo, sobretudo por Platão e seu genial discípulo Aristóteles. Filosofia esta que, penso, os maçons se veem impelidos a estudar, já que sua instituição é eminentemente filosófica e até, como dizem alguns, Maçonaria é Filosofia.


Caso contrário, o conceito se torna vago, vazio, se dilui e arrasta determinadas mentes ao perigoso desvio que se registra na História da Maçonaria, na interpretação errônea do art. 1º das referidas Constituições, desencadeando o processo regressivo descendente seguinte: do Cristianismo ao deísmo; do deísmo à neutralidade simpática; da neutralidade simpática à neutralidade indiferente; da neutralidade indiferente à neutralidade hostil; da neutralidade hostil ao laicismo; do laicismo ao ateísmo prático e, depois, expressamente declarado, ao teórico — apesar dessas mentes declararem que apenas queriam defender a LIBERDADE ABSOLUTA DE PENSAMENTO...


Por isto, não se esqueçam da distinção entre TEÍSMO e DEÍSMO.

TEÍSMO é a doutrina da escola filosófica que admite a existência de Deus como primeiro princípio e fim último de tudo o que existe: um Deus pessoal.


DEÍSMO é um sistema filosófico-religioso, ou espécie de religião natural, que se opõe à religião revelada, especialmente ao Cristianismo. Não nega a existência de Deus; entretanto, Deus só pode ser alcançado por argumentos puramente racionais. Não há, pois, revelação, e o Cristianismo se torna desnecessário. Também nega a intervenção de Deus no mundo, negando, pois, a sua Providência. Deus, então, confunde-se com a natureza, como no panteísmo, com o qual se identifica, ou exclui-se e separa-se dela, como no dualismo crítico, acabando por ser um ente neutro, sem conteúdo algum, culminando, enfim, no ateísmo vazio.


A estagnação também pode vir a se tornar um ATEÍSMO PRÁTICO. E este perigo existe e é, me parece, mais frequente do que se pensa. E isto por errônea ou deficiente interpretação do art. 6º das Constituições andersoneanas. Tanto isto é verdade que lembro citação que fiz durante a quarta aula, do autorizadíssimo Marius Lepage, que, por sua vez, é lembrado pelo não menos autorizado Nicola Aslan, no seu grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, vol. IV, p. 915, no verbete QUATUOR CORONATI LODGE.


Nicola Aslan, depois de frisar muito bem toda a importância desta mais célebre Loja de Pesquisas Históricas, fundada em 1884, com seus 3.000 membros de todas as partes do mundo (com sua êmula de igual nome da Alemanha, a Villard de Honnecourt de Paris, a Academia Maçônica de Letras do Rio de Janeiro etc.), e de dizer que todos os trabalhos apresentados em Loja são lidos e discutidos e, posteriormente, publicados anualmente nas famosas Atas Ars Quatuor Coronatorum (Trabalhos dos Quatro Coroados), que também registram as discussões, assim como biografias e críticas de livros, esplendidamente ilustradas, devendo comportar, atualmente, mais de 80 volumes (isto em 1976), acrescenta a restrição seguinte, do referido e conhecido Venerável Marius Lepage, citado de sua obra L’Ordre et les Obédiences:


“Entretanto, os nossos irmãos ingleses não tiraram desta superabundante riqueza todo o partido que normalmente se poderia esperar. Isto é devido, e darei exemplos, ao temperamento particular dos maçons ingleses, para quem todas as discussões relativas a assuntos políticos e religiosos são estritamente proibidas em Loja. Veremos mais adiante que uma discussão sobre o aspecto religioso do pensamento de Anderson não pode ser levada a fundo por causa dessa proibição.”


Esta grave advertência de Lepage deve nos obrigar à séria meditação porque, segundo minha observação pessoal, é também, salvo melhor juízo, o ponto fraco de determinadas correntes maçônicas e de certos maçons brasileiros. E isto pode arrastar-se a uma verdadeira estagnação, contrariando, por conseguinte, frontalmente, uma das diretrizes das Constituições, que determina a INVESTIGAÇÃO CONSTANTE DA VERDADE. Prova-o inquérito feito em 1973 pela CNBB, ao qual responderam 182 maçons. Pode não ser decisivo, já que, para sê-lo, dever-se-ia inquirir todos os maçons brasileiros, mas já é um resultado provisório apreciável, que nos deve levar à meditação. Porque, dos 182, 81 responderam que a Maçonaria em nada influi em sua religião, quando, em nosso parecer, deveria ter influenciado — e influenciado para melhor.


Ora, meus caros ex-alunos, como disse então, e repito agora, para esta afirmação também registrada: se devemos INVESTIGAR a verdade sob todos os ângulos e em todos os seus aspectos e em todos os terrenos — no histórico, como estão fazendo superabundantemente os maçons; no geográfico; no das ciências positivas; na sociologia; na economia; na Política, com P maiúsculo, excluindo, por conseguinte, a partidária; no filosófico etc. —, sobretudo no que toca mais profundamente o homem: no religioso.


Porque, quer queiramos quer não, todo homem é um filósofo, como todo homem é um teólogo. Pois, mais cedo ou mais tarde, todo ser humano racional acaba se perguntando:


QUEM SOU? DONDE VIM? ONDE VOU?


E quer, evidentemente, respostas claras a estas três perguntas fundamentais. E tal é esta necessidade que, se não atender a este reclamo de sua natureza profunda, acaba em desconcerto mental. Poderia agora entrar pela psicanálise e psiquiatria adentro, mas basta, por ora, uma citação, a que fiz em aula e registro também aqui: é de um discípulo de Freud, embora nem sempre concorde com o mestre, Dr. C. G. Jung, grande psiquiatra:


“Durante os últimos trinta anos, pessoas de todos os países civilizados têm vindo consultar-me. Tenho tratado muitos milhares de pacientes... Entre todos os meus pacientes na segunda metade da vida, isto é, com mais de trinta e cinco anos, nem um só houve cujo problema, como último recurso, não fosse o de encontrar uma perspectiva religiosa da vida. Pode-se afirmar com segurança que cada um deles caiu doente porque havia perdido aquilo que as religiões vivas de todos os tempos têm dado a seus seguidores, e nenhum deles ficou curado senão quando recuperou a sua fé religiosa.” (C.f. Modern Man in Search of a Soul, p. 264, cit. por Fulton J. Sheen, em Peace of Soul, trad. de Oscar Mendes sob o título Angústia e Paz, Ed. Agir, 1950, p. 55).


Discutimos, um pouco, a conveniência ou não de tratar do assunto em Loja. Infringiria o art. 6º de Anderson?


Seja como for, não poucos têm levado à sua vida privada o espírito desta proibição, o que é um grave erro, que conduz à estagnação, como já vimos. Porque, como já disse, contraria nossas aspirações mais profundas...



---


Se quiser, posso agora padronizar o texto em formato de artigo para Blogger (com título, subtítulos e formatação profissional).



Comentários