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COMO A VIDA APARECEU SEGUNDO OS ABORÍGENES (O TEMPO DO SONHO)




A mitologia dos aborígenes australianos gira em torno do Tempo do Sonho. No início, a Terra era plana e escura. Não havia vida ou morte, sol, lua ou estrelas. Todos dormiam embaixo da Terra, junto aos ancestrais eternos. Um dia, o sol se levantou e todos os outros acordaram de sua eternidade para viajar por todo território, fazendo rios e planícies, andando como homens, animais, plantas ou seres híbridos, espalhando guruwari, a semente da vida. Dois deles - os Ungambikulas, que haviam se criado a partir do nada - começaram a enxergar pessoas parcialmente criadas pelos ancestrais, que jaziam disformes, inacabadas, semi transformadas, híbridas de animais ou plantas. Tudo finalizado, todos os ancestrais voltaram ao Tempo do Sonho. Alguns se transformaram em rochas e árvores para marcar o caminho sagrado que eles uma vez fizeram. O Tempo do Sonho não é só um período da história passada. Ele está sempre presente, manifestando-se em rituais sagrados. Sacerdotes tornam-se ancestrais nessas cerimônias para contar essas viagens pelo território australiano. O Homem é ((atuado)) em profundidade – no inconsciente, por instinto ou por lei biológica – sem que o seu intelecto participe da escolha e no processo da ação nas manifestações mais elevadas da sua evolução. Este fenômeno é regido: pelo plano da sua espécie, razão primordial que o diferencia dos animais e das plantas; pelas suas aquisições hereditárias registradas no seu complexo biológico. A memória do homem e dos animais é anterior ao nascimento. O que ontem se chamava instinto(noção inata), continuando a ser verdadeiro para certos caso(impulso, sentimento motivado por um sentido misterioso) é,  na maioria das vezes, uma recordação hereditária transmitida pelos cromossomas-memórias ao sistema nervoso. Extrapolando, certos biólogos pensam até que o fenômeno se estende a todos os reinos da natureza e ao Cosmos. Donde pode concluir-se que o Universo possui também os seus cromossomas-memórias análogos ao arquivos acáxicos do mundo, pressentidos quase milagrosamente, desde á séculos pelos espiritualistas. Os indivíduos nada inventam de essencial. A sua inteligência (reflexão, especulação, trabalho experiência) apenas lhes serve para evoluírem socialmente em progressão, em regressão ou em mutação, segundo as diretivas do plano que é ele mesmo regido, verossímilmente, pelas leis universais a que é permitido chamar de Deus ou Leis de termos diferentes. A inteligência, que  parece implicar no livre arbítrio e na criatividade, depende de aquisições baseadas fundamentalmente no fenômeno memória. Em resumo pode dizer-se que o plano de cada espécie é uma memória inicial e hereditária inscrita prioritariamente nos cromossomas.

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