A MÃE DA CRIAÇÃO E OS ECOS DE UMA CIVILIZAÇÃO PERDIDA: O ENIGMA DA “BÍBLIA DO ZIMBAWE”
Introdução
Entre os inúmeros mistérios que atravessam a história humana, poucos são tão intrigantes quanto aqueles que parecem desafiar a própria cronologia das civilizações conhecidas. Relatos arqueológicos, tradições orais e descobertas isoladas, quando reunidos, sugerem a possibilidade de culturas esquecidas, tecnologias anacrônicas e narrativas que transcendem os limites do conhecimento convencional.
O texto a seguir, atribuído a uma interpretação alternativa de descobertas arqueológicas e tradições africanas, apresenta uma narrativa que mistura história, mito e especulação. A proposta aqui é dupla: preservar integralmente o conteúdo original — com correções linguísticas e organização textual — e, ao mesmo tempo, oferecer uma análise crítica e aprofundada sobre os temas abordados.
Redação (versão corrigida e reorganizada do texto original)
A BÍBLIA DO ZIMBAWE (A MÃE DA CRIAÇÃO) – Ninavanhu-Ma
A EXPEDIÇÃO HOLANDESA DE 1968
Postado por Rodrigo Veronezi Garcia em outubro de 2013
Em 1968, uma expedição holandesa desenterrou, em Deir Alla, no vale do Jordão, em um jazigo, diversos objetos, entre os quais um vaso contendo uma inscrição em escrita desconhecida. Descobriu-se também, em um revestimento de gesso com 4.000 anos de idade, a representação de um rito religioso, provando que uma civilização ignorada havia precedido os hebreus e, antes deles, os cananeus, no atual território de Israel.
Outro mistério, mas nas Índias: trata-se de um esqueleto também com quatro milênios de idade, cuja radioatividade era cinquenta vezes mais forte que a do meio arqueológico circundante. Como se, em suma, o defunto tivesse sido atomizado.
Sabe-se que existem, na Rodésia do Sul, ruínas e, em especial, torres sem outra abertura além da do topo, integradas a um conjunto arquitetônico elíptico, em que todos os bordos são arredondados (e não em arestas vivas, como em outras construções). O lugar chama-se Zimbawe, e até muito recentemente pensava-se que ele representava a mais antiga civilização do povo negro.
Ora, um feiticeiro curandeiro, Wuzamazulu, de sangue bushman-bantu, convenceu-se de que tinha a obrigação de contar o que sabia da cultura e da história dos negros. Quebrando seu juramento de guardar segredo, escreveu o livro Indaba My Children, editado em Joanesburgo, do qual uma artista suíça, senhora P. J. M. Kluitman de Campestro, nos fornece gentilmente um resumo.
Depois de descrever o Gênesis, o livro conta a história de um povo original vermelho que teria conhecido a radioatividade, os robôs e as máquinas espaciais, e que, após uma disputa terrestre, foi enviado a outro planeta a fim de capturar a “Mãe da Criação”, Ninavanhu-Ma.
Como consequência, verificou-se a destruição total dessa raça e de seu continente, exceto por uma mulher de puro sangue e um macho de casta inferior. Ambos chegaram, a bordo de um peixe artificial, à foz do Congo.
A mulher tornou-se a mãe da raça dos pigmeus e dos bushmen; depois, com Odu, seu companheiro de viagem e de raça antiga, povoou a região dos Camarões, onde posteriormente se encontraria uma linguagem associada aos homens do Paleolítico.
Quando a África começou a ser povoada, vieram os fenícios, que fundaram uma colônia na margem do lago Makari-Kari, na Bechuanalândia. Eles exportavam o ouro das minas e inúmeros escravos. Sua cidade foi destruída por uma revolta.
Os fenícios eram chamados Ma-iti. Em toda a África, os feiticeiros ainda conservam, secretamente, capacetes, espadas e armas provenientes desses conquistadores.
Mais tarde, chegaram outros estrangeiros, que subiram o Zambeze de barco. Reconstruíram um centro fortificado com pedras das ruínas da cidade fenícia, transportadas por trenós desde Makari-Kari até o atual Zimbawe, cujo nome verdadeiro seria Zima-mbje.
Um dos nossos correspondentes, o Sr. Michel Poitier, do Canadá, escreve-nos a propósito das misteriosas foggaras da Mauritânia:
As foggaras de Adrar mostram-nos que os oásis foram, por vezes, criados pelo engenho humano. Trata-se de extensas galerias subterrâneas, cavadas a oitenta metros de profundidade sob a superfície do deserto. Estendem-se em múltiplas redes ao longo de dezenas de quilômetros, alcançando pontos muito afastados para captar água dos lençóis formados no subsolo pelas raríssimas chuvas saariana (uma a cada dez anos, em média).
Essas galerias são arejadas, em intervalos de aproximadamente cem metros, por poços denominados seggias. Ainda hoje são mantidas por alguns trabalhadores especializados, mas ninguém sabe quem as construiu.
Verdadeiras obras de titãs, realizadas com utensílios rudimentares, as foggaras merecem, com tanta propriedade quanto as pirâmides, figurar entre os grandes feitos da antiguidade misteriosa. Mesmo nos dias atuais, com os recursos tecnológicos disponíveis, a construção de um sistema semelhante apresentaria dificuldades que provavelmente superariam as da rede de metrô de uma grande cidade moderna.
Relatório aprofundado e análise crítica
O texto apresenta uma fusão de três elementos principais:
- Descobertas arqueológicas reais
- Tradições orais africanas
- Interpretações especulativas ou pseudocientíficas
1. A descoberta de Deir Alla
De fato, o sítio arqueológico de Deir Alla (Jordânia) revelou inscrições antigas, incluindo textos associados ao profeta Balaão. No entanto, não há evidência científica de uma “civilização desconhecida altamente avançada” anterior aos cananeus com tecnologia sofisticada. A interpretação apresentada no texto extrapola os dados arqueológicos.
2. Radioatividade em esqueletos antigos
Relatos de esqueletos “radioativos” aparecem frequentemente em literatura sensacionalista, mas não são reconhecidos pela comunidade científica. Não há registros confiáveis de corpos antigos com níveis extremos de radiação que indiquem eventos nucleares pré-históricos.
3. Grande Zimbábue
As ruínas do Grande Zimbábue são reais e impressionantes. Construídas entre os séculos XI e XV, pertencem à civilização Shona. A ideia de que seriam obra de fenícios ou de uma civilização perdida foi descartada pela arqueologia moderna.
4. O livro Indaba My Children
A obra de Credo Vusamazulu Mutwa mistura mitologia zulu, espiritualidade e interpretações pessoais. Não é considerada uma fonte histórica literal, mas sim um registro de cosmologia tradicional reinterpretada.
5. A narrativa de Ninavanhu-Ma
A história da “Mãe da Criação” segue padrões comuns em mitologias globais:
- Uma entidade criadora feminina
- Catástrofe que destrói uma civilização
- Sobreviventes que repovoam o mundo
Paralelos podem ser encontrados em:
- Mitologias africanas (ancestrais primordiais)
- Mitologia mesopotâmica (deuses criadores)
- Narrativas de dilúvio globais
6. Foggaras da Mauritânia
As foggaras são reais e representam uma engenharia hidráulica sofisticada, comparável aos qanats persas. Demonstram que sociedades antigas possuíam conhecimento técnico avançado — mas não necessariamente tecnologia “perdida” ou extraterrestre.
Síntese interpretativa
O texto reflete um fenômeno recorrente: a tentativa de reinterpretar vestígios históricos à luz de narrativas extraordinárias. Isso não invalida seu valor cultural — pelo contrário, revela como diferentes sociedades constroem sentido sobre suas origens.
No entanto, é fundamental distinguir entre:
- História baseada em evidências
- Mitologia simbólica
- Especulação moderna
A riqueza do conteúdo está justamente na intersecção desses três campos.
Bibliografia (formato ABNT)
MUTWA, Credo Vusamazulu. Indaba My Children: African Folktales. Johannesburg: Blue Crane Books, 1964.
FAGAN, Brian M. People of the Earth: An Introduction to World Prehistory. New York: Routledge, 2014.
HALL, Martin. Great Zimbabwe. London: Thames & Hudson, 1987.
TRIGGER, Bruce G. A History of Archaeological Thought. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.
EHRET, Christopher. The Civilizations of Africa: A History to 1800. Charlottesville: University of Virginia Press, 2002.
LEAKEY, Richard. The Origin of Humankind. New York: Basic Books, 1994.
KUHN, Thomas S. A Estrutura das Revoluções Científicas. São Paulo: Perspectiva, 1998.
ELIADE, Mircea. Mito e Realidade. São Paulo: Perspectiva, 1972.

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