A Ascensão do Fascismo e a Perseguição aos Judeus na Itália: Mussolini, as Leis Raciais de 1938 e a Trajetória de Zeev Jabotinsky
A Ascensão do Fascismo e a Perseguição aos Judeus na Itália: Mussolini, as Leis Raciais de 1938 e a Trajetória de Zeev Jabotinsky
Introdução
O período entre as duas Guerras Mundiais foi marcado por profundas transformações políticas e sociais na Europa, especialmente com a ascensão de regimes totalitários. Entre eles, o fascismo italiano, liderado por Benito Mussolini, desempenhou um papel central na reorganização do Estado e na adoção de políticas raciais que culminaram na perseguição aos judeus. Em paralelo, figuras do sionismo como Zeev Jabotinsky emergiam no cenário internacional defendendo a criação de um Estado judeu diante do aumento do antissemitismo europeu. Este relatório analisa a mudança de postura de Mussolini em relação aos judeus, a implementação das leis raciais de 1938 e a trajetória política de Jabotinsky dentro desse contexto histórico.
Redação / Desenvolvimento
A chegada de Benito Mussolini ao poder em 1922 marcou o início do regime fascista na Itália. Nos primeiros anos, o governo não adotava uma política antissemita estruturada, e judeus italianos chegaram a ocupar cargos públicos e participar da vida social e política do país. O fascismo, nesse período inicial, estava mais voltado à consolidação do Estado autoritário do que à perseguição racial sistemática.
Contudo, essa realidade começou a mudar ao longo da década de 1930. A aproximação diplomática e ideológica entre a Itália fascista e a Alemanha nazista influenciou profundamente o regime de Mussolini. Em 1938, foi publicado o chamado “Manifesto da Raça”, documento que serviu de base para a formulação de uma política racial no país. Pouco depois, foram promulgadas as Leis Raciais Fascistas, oficialmente anunciadas em 18 de setembro de 1938.
Essas leis proibiram judeus de ocupar cargos públicos, frequentar escolas e universidades, servir nas Forças Armadas e exercer diversas profissões. Também impuseram restrições econômicas e sociais, além de proibirem casamentos entre judeus e não judeus. Esse conjunto de medidas marcou o início formal da perseguição estatal aos judeus na Itália fascista e alinhou o país às políticas raciais da Alemanha nazista.
A partir desse ponto, o antissemitismo deixou de ser apenas uma corrente marginal e passou a ser política oficial de Estado. A Itália, que historicamente não possuía forte tradição antissemita institucional, passou a integrar o eixo de regimes que perseguiam sistematicamente populações judaicas na Europa.
Nesse mesmo período, Zeev Jabotinsky consolidava sua atuação como líder do sionismo revisionista. Ele defendia a criação imediata de um Estado judeu independente e a necessidade de organização militar e política do povo judeu como forma de garantir sua sobrevivência diante do aumento das perseguições na Europa.
Jabotinsky realizou atividades diplomáticas em diversos países europeus, buscando apoio internacional para o projeto sionista. Embora tenha havido contatos pontuais com autoridades italianas em fases iniciais do regime fascista, tais interações foram pragmáticas e não configuraram alinhamento ideológico. Com a adoção das leis raciais de 1938, qualquer aproximação tornou-se politicamente inviável.
Assim, enquanto Mussolini conduzia a Itália para uma política de exclusão racial institucionalizada, Jabotinsky atuava no sentido oposto: a construção de uma alternativa política para a segurança e autodeterminação do povo judeu.
Relatório ampliado e análise crítica
A mudança de postura de Mussolini em relação aos judeus não foi repentina, mas resultado de um processo gradual de aproximação com o nazismo e de radicalização ideológica do fascismo italiano. O regime, que inicialmente não possuía um núcleo antissemita estruturado, incorporou o racismo como ferramenta política de Estado a partir de 1938.
As Leis Raciais Fascistas representaram um marco histórico de perseguição institucionalizada, excluindo judeus da vida pública, econômica e educacional da Itália e preparando o terreno para a participação indireta do país na dinâmica mais ampla do antissemitismo europeu do período.
Em contraste, Jabotinsky representa uma resposta política ao ambiente de perseguição crescente. Seu pensamento não estava vinculado ao fascismo, mas ao nacionalismo judaico, com foco na criação de estruturas políticas próprias para garantir a sobrevivência do povo judeu.
A comparação entre os dois personagens não deve ser feita como equivalência ideológica, mas como representação de lados opostos de um mesmo contexto histórico: de um lado, a expansão de regimes autoritários e raciais; de outro, a tentativa de construção de uma solução nacional para um povo em situação de vulnerabilidade crescente.
Conclusão
A análise histórica demonstra que a perseguição aos judeus na Itália fascista foi resultado de uma transformação política progressiva do regime de Mussolini, intensificada pela aproximação com a Alemanha nazista e consolidada pelas Leis Raciais de 1938. Nesse cenário, Zeev Jabotinsky emerge como uma figura que, embora contemporânea ao mesmo contexto europeu, representa uma resposta distinta, voltada à autodeterminação e à criação de um Estado judeu.
Assim, não há base histórica para interpretações simplistas que aproximem ideologicamente Mussolini e Jabotinsky. O que existe é a coexistência de trajetórias políticas opostas dentro de um dos períodos mais instáveis e decisivos do século XX.
Bibliografia (ABNT)
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WIKIPEDIA. Ze’ev Jabotinsky. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Ze%27ev_Jabotinsky. Acesso em: 30 abr. 2026.

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