O nosso estudo dos monumentos megalíticos dos Celtas, segundo os dados da tradição, não tinha a ambição de resolver o problema, mas sim de expor teses em que, no meio de extravagâncias empíricas, surgiram muitas vezes noções extremamente válidas e dignas de atenção.
Competia a um verdadeiro iniciado, o Mestre dos Ângulos, dar-lhes a explicação científica que, no nosso tempo, é a única que pode convencer o investigador racional.
Um feliz acaso, ou misteriosa intuição, levou-nos a descobrir, com o historiador Eugéne Beavois, uma América secreta de que faustos da Conquista espanhola haviam dissipado a recordação.
E a história dessa América secreta coincidia exatamente com a dos Celtas, dos túmulos e dos menires, ao ponto de não poder dissociar deles.
Como resultado, para compreender a Gália e a Grã-Bretanha célticas, tornava-se necessário, ao mesmo tempo, redescobrir o México e os mexicanos, ((esses pelasgos da América)), dizia o grande naturalista Alexandre Humboldt.
Assim, a visão panorâmica do passado dos Celtas tomava uma dimensão imprevista, provocava desenvolvimentos fantásticos e relevava um postulado que os celtisistas heréticos já tinham pressentido: a civilização céltica é a mais antiga do Mundo e mãe de todas as civilizações do reinado branco.
Os autores antigos, se não consideram a existência de pirâmides na Gália, também nunca falam de agulhas e de mesas de pedra, o que significa que só viram túmulos e outeiros de pedra e terra, os quais não prestam atenção.
Incontestavelmente, diz o Mestre dos Ângulos, pois que inicialmente menires e dólmenes eram obeliscos e pirâmides de betão, todas as nossas convicções sobre a civilização ocidental são de rever.
Em especial, deve-se saber que os grandes cromlecs eram templos com cúpulas em betão, idênticos aos stoupas do Afeganistão, muitos dos quais não passam, nos nossos dias, de colinas de pedregulhos.
O túmulo é, com efeito, uma pirâmide cônica encobrindo um subterrâneo orientado. No Egito, a pirâmide mais antiga, a de Saqqarah, já possui apenas arestas extremamente imprecisas e, em redor, outras pirâmides igualmente antigas com a mesma forma dos túmulos célticos.
Na Lídia (Ásia Menor), a necrópole de Aliate, pai de Creso, é um aterro piramidal, tendo a base de pedra, mas sendo o resto do templo de terra.
Sempre na Ásia Menor, em Nemrut Dağ, o sepulcro dito de Nemrod é uma verdadeira montanha de pedras e de terra.
No Peru, encontram-se inúmeras pirâmides; em tempos existiu uma em Tiahuanaco com o aspecto de uma plataforma em degraus (e também dólmenes).
Diz a tradição que ela foi construída por homens de origem divina, de pele branca, olhos azuis e cabelos ruivos, que eram os últimos descendentes de Viracocha.
Viracocha significa "espuma do mar", que deve aproximar-se da palavra pelasgos: vindos de mares do norte. Mas muito mais significativa é a analogia existente nos estilos arquitetônicos dos Pelasgos, construtores de bétilos, dos Viracocha, dos Egípcios, dos Maias e dos Celtas, construtores de túmulos ou de pirâmides.
Outrora, dizem as tradições da Ilha de Páscoa que um rei Viracocha, chamado Kon Tiki, emigrou do Peru para a Ilha de Páscoa, como homens de grandes orelhas e cabelos ruivos, chamados orejones, que foram os construtores das grandes estátuas pascoenses de cabeleiras vermelhas.
Em Repaiti, na Polinésia, Heyerdahl contou doze pirâmides-castelos nos cumes das montanhas.
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Relatório Amplo e Aprofundado
Introdução Analítica
O estudo das tradições célticas e das descobertas megalíticas, com paralelos em civilizações antigas das Américas e da Ásia Menor, oferece uma perspectiva fascinante sobre a disseminação e evolução das culturas pré-históricas. A hipótese de que os Celtas possuíam conhecimentos avançados em arquitetura e astronomia, semelhantes aos encontrados em pirâmides de Tiahuanaco, Saqqarah ou Nemrut Dağ, sugere uma conexão transoceânica que merece investigação rigorosa.
Análise Crítica das Teorias
1. Celtas e América: A tradição de uma "América secreta" descoberta por Celtas antes da era colombiana se alinha com teorias de difusão cultural, como discutido por Thor Heyerdahl (1960), que explorou a possibilidade de contatos transoceânicos através de embarcações rudimentares.
2. Monumentos Megalíticos: A presença de menires, dólmenes e cromlecs com semelhanças arquitetônicas a stoupas do Afeganistão ou pirâmides egípcias sugere que certos princípios de construção e orientação astronômica eram compartilhados ou paralelos entre diversas culturas. Estudos de arqueologia comparativa, como os de Aubrey Burl (2000), confirmam a complexidade e a precisão destes monumentos.
3. Viracocha e Pelasgos: A conexão entre a tradição dos Viracocha no Peru e os Pelasgos europeus é discutida em termos de mitologia comparada, sugerindo padrões recorrentes de civilização e simbolismo, que autores como Joseph Campbell (1949) destacam em "The Hero with a Thousand Faces".
4. Influência Céltica: A ideia de que a civilização céltica seria a mãe de todas as civilizações do mundo ocidental é controversa, mas não deixa de apresentar paralelos com lendas de fundadores e heróis migrantes, observados em estudos de David W. Anthony (2007) sobre a expansão indo-europeia.
Contexto Histórico e Arqueológico
Egito: Pirâmide de Saqqarah, datada do período de Djoser (c. 2630 a.C.), demonstra técnicas de construção evoluídas que podem ter paralelo em práticas megalíticas europeias.
Peru: Tiahuanaco e as pirâmides escalonadas revelam precisão arquitetônica que sugere conhecimento astronômico avançado.
Ásia Menor: Necrópoles como Aliate e Nemrut Dağ indicam o uso de plataformas piramidais e sepulcros monumentais.
Considerações Mitológicas e Étnicas
As tradições sobre descendentes brancos de Viracocha e a presença de características fenotípicas específicas entre Celtas, Maias e outros povos antigos refletem tentativas de compreender migrações e intercâmbios culturais. É importante tratar essas afirmações com cautela, distinguindo fatos arqueológicos de interpretações mitológicas.
Conclusão
Embora as conexões entre Celtas, antigas civilizações americanas e monumentos megalíticos europeus não possam ser comprovadas de forma definitiva, os estudos arqueológicos e comparativos corroboram a complexidade e sofisticação dessas culturas. As tradições registradas em manuscritos como "O Livro da Morena" e as observações históricas de Humboldt e Heyerdahl fornecem um rico contexto para entender a interconexão de civilizações pré-modernas.
Bibliografia
Burl, Aubrey. A Guide to the Stone Circles of Britain, Ireland and Brittany. Yale University Press, 2000.
Campbell, Joseph. The Hero with a Thousand Faces. Pantheon Books, 1949.
Heyerdahl, Thor. Aku-Aku: The Secret of Easter Island. George Allen & Unwin, 1958.
Anthony, David W. The Horse, the Wheel, and Language: How Bronze-Age Riders from the Eurasian Steppes Shaped the Modern World. Princeton University Press, 2007.
Humboldt, Alexander von. Personal Narrative of Travels to the Equinoctial Regions of the New Continent. London, 1814.
Laffont, Robert. Le Livre du Mystérieux Inconnu. 1969.
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