: "Se Maya é irreal, quem sou eu?"
Um homem vai até Shiva após caminhar por anos, mas o tempo não o purificou, apenas o tornou teimoso. Sua jornada não o esvaziou; encheu-o de conclusões e coragem emprestada.
Ele pergunta: "Mahadev, as pessoas dizem que você sabe tudo. Maya é algo fora de mim ou eu sou a própria Maya?"
Shiva olha para ele com a indiferença da própria existência. Ele diz que o homem quer que Maya esteja fora dele por covardia.
O insulto é o que a verdade parece para o ego. Se Maya estiver fora, você pode culpá-la e manter-se intacto. Você quer o despertar sem a "morte" do eu.
Shiva ri: "Ninguém fez nada a você. Você fez tudo a si mesmo. Maya não é uma prisão ao seu redor; é a voz interna que diz 'estou preso'."
Você questionou escrituras e deuses, mas nunca questionou o "eu" que ouve. Esse "eu" é Maya.
Uma mentira só existe com sua cooperação. Você não foi hipnotizado pela vida; você se voluntariou. O sono é conveniente para evitar a responsabilidade de ver.
Ver destrói a identidade. Você diz que quer liberdade, mas não tolera a falta de chão. Você quer ser "alguém" que desperta. Essa contradição é Maya.
Maya é o hábito de insistir que você é alguém. Onde está esse "eu" que você protege? No corpo que muda? Nos pensamentos que se contradizem? Na memória não confiável?
Você guarda um trono vazio e sofre por ele. Maya não é a ilusão de que nada existe, mas a ilusão de que você existe da forma que pensa.
Você foi ensinado a dizer seu nome e defender opiniões, mas ninguém o ensinou a olhar para quem reivindica tudo isso.
Shiva nota a raiva do homem e diz: "Bom, agora você não está mais fingindo ser espiritual". A espiritualidade era apenas um disfarce, trocando ambição por "santidade".
Você ainda é um negociante: medita esperando resultados. O silêncio vem quando o "querer" colapsa.
O homem pergunta: "O que devo fazer?". Shiva responde que o "fazer" assume um executor, o que reforça Maya. O problema é sua relação com a existência; você interfere em vez de viver.
Enquanto você fizer esta pergunta, você é Maya falando consigo mesma."
Mesmo o conceito de "testemunha" vira Maya se você o reivindica como identidade. A consciência não é sua; ela acontece.
O que é libertação? É o fim de quem quer a libertação. É a liberdade de você, não para você.
A verdade é subtração. Você não precisa se purificar, precisa parar de mentir. O ego nunca existiu como uma coisa real.
Maya precisa de confusão para respirar. O medo de ser "ninguém" é o portão. Você investiu tudo em ser "alguém".
Maya diz: "Pelo menos mantenha o dono". A Verdade diz: "Deixe ir".
O homem entende por que poucos despertam: a verdade é devastadora. Ela tira tudo e não dá nada em troca, exceto a realidade.
Maya era a história que você contava para evitar este momento." O homem se curva, mas sem buscador, apenas o vazio. A conversa acaba porque não restou ninguém para continuá-la.
Muitas vezes buscamos a espiritualidade como uma forma de "melhorar" quem somos, mas e se o próprio "eu" que busca a melhora for o maior obstáculo?
Neste diálogo profundo entre um buscador obstinado e Shiva, somos confrontados com uma realidade desconfortável: Maya (a ilusão) não é algo externo ao ser humano, mas a própria construção do ego que insiste em dizer "eu sou".
Destaques da Reflexão:
A Prisão Interna: Maya não é um muro ao seu redor, mas a voz que afirma que você está preso. Sem essa narração interna, a prisão desaparece [01:50].
Espiritualidade como Disfarce: Shiva alerta que muitos trocam a ganância material pela busca pela iluminação, mas a estrutura do ego permanece a mesma — uma negociação por resultados [04:45].
A Libertação não é para você: O ponto mais impactante é que a libertação não é um prêmio para o indivíduo, mas a liberdade da ideia de ser um indivíduo separado [07:27].
Este vídeo nos convida a uma "subtração" em vez de uma adição. Não se trata de aprender algo novo, mas de parar de sustentar a mentira de uma identidade fixa e separada da existência.




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