“Quando o Absoluto Rompe as Regras: Narasimha e a Liberdade Suprema do Divino”

  


📜 Tradução do texto da imagem

Texto original (em inglês):

“The Lord is completely free and independent to appear anywhere and everywhere by His internal potency.”

Second Bhagavatam 4.18, Srila Prabhupada

Tradução para o português:

“O Senhor é completamente livre e independente para manifestar-se em qualquer lugar e em todos os lugares por meio de Sua potência interna.”

(Śrīmad Bhāgavatam, comentário de Śrīla Prabhupāda)

🕉️ O que a imagem representa na literatura védica

A imagem retrata Narasimha (ou Narasimha-deva), um dos avatares de Vishnu, especificamente um avatar híbrido — metade homem, metade leão.

🔱 Contexto simbólico e textual

Na literatura védica, especialmente no Śrīmad Bhāgavatam (Bhāgavata Purāṇa), Narasimha aparece para destruir o demônio Hiraṇyakaśipu, que havia obtido bênçãos quase absolutas:

Não poderia ser morto nem por homem nem por animal

Nem de dia nem de noite

Nem dentro nem fora

Nem no céu, nem na terra

Nem por armas convencionais

Hiraṇyakaśipu acreditava que isso tornava Deus impotente diante dele.

🦁 O significado profundo

Vishnu então manifesta Narasimha, que:

Não é homem nem animal

Surge de um pilar (nem dentro nem fora)

Mata o demônio ao entardecer

Coloca-o no colo (nem céu nem terra)

Usa as próprias garras (não uma arma)

👉 Isso ilustra exatamente a frase da imagem:

o Absoluto não está limitado por leis físicas, lógicas ou conceituais.

📖 Significado filosófico na tradição védica

Na teologia védica (especialmente Vaishnava), a mensagem central é:

✨ 1. Deus não está preso à forma

O Senhor Supremo pode assumir qualquer forma, ou nenhuma, conforme Sua vontade.

✨ 2. A potência interna (antaranga-śakti)

A “potência interna” mencionada no texto refere-se à capacidade divina de:

Criar

Manter

Manifestar-se sem depender da matéria ou das leis do mundo físico.

✨ 3. Limites humanos não limitam o Absoluto

Tentativas humanas de “prender Deus” em definições racionais ou jurídicas são vistas como arrogância espiritual.

🧠 Leitura simbólica e metafísica

Em nível mais profundo, Narasimha simboliza:

A irrupção do sagrado no caos

A verdade que rompe sistemas fechados

A justiça cósmica que surge quando o ego tenta se absolutizar.

Quando o Absoluto Rompe as Regras: Narasimha e a Liberdade Suprema do Divino

A imagem apresentada traz uma das manifestações mais poderosas e simbólicas da tradição védica: Narasimha, o avatar híbrido de Vishnu, metade homem e metade leão. Acompanhando a imagem, lê-se a seguinte afirmação, extraída da tradição vaiṣṇava:

“O Senhor é completamente livre e independente para manifestar-se em qualquer lugar e em todos os lugares por meio de Sua potência interna.”

(Śrīmad Bhāgavatam, comentário de Śrīla Prabhupāda – Segundo Canto)

Essa frase não é apenas uma declaração teológica, mas um resumo profundo da metafísica védica, especialmente no que diz respeito à natureza do Absoluto e à sua relação com o mundo, a lógica e as limitações humanas.

Narasimha na literatura védica

Na literatura védica, sobretudo no Śrīmad Bhāgavatam (Bhāgavata Purāṇa), Narasimha surge como resposta direta à arrogância metafísica do demônio Hiraṇyakaśipu. Após realizar severas austeridades, ele recebe bênçãos que, em sua interpretação, o tornariam invencível:

Não poderia ser morto nem por homem nem por animal

Nem de dia nem de noite

Nem dentro nem fora

Nem no céu, nem na terra

Nem por armas convencionais

Convencido de que havia ultrapassado os limites do próprio divino, Hiraṇyakaśipu passa a se considerar absoluto, negando Vishnu e perseguindo até mesmo seu próprio filho, Prahlāda, um devoto fervoroso.

É nesse ponto que ocorre a ruptura.

A manifestação que rompe todas as categorias

Vishnu manifesta-se como Narasimha, uma forma que não se enquadra em nenhuma das categorias previstas pelo demônio:

Não é homem nem animal

Surge de um pilar (nem dentro nem fora)

Age ao entardecer (nem dia nem noite)

Coloca o demônio em seu colo (nem céu nem terra)

Usa as próprias garras, e não armas

Cada detalhe da narrativa é cuidadosamente construído para transmitir uma ideia central:

👉 o Absoluto não está submetido às regras que regem o mundo condicionado.



Comentários