A Dialética do Controle: A Elite e a Ilusão da Dualidade Política

 





Qual finalidade impele, pois, a guerra entre os homens? O motivo da guerra é, há séculos, o quebra-cabeça das organizações de paz, mas também dos filósofos. Eles chegaram à conclusão de que quase todas as criaturas da Terra se confrontam regularmente por falta de alimento e de território. No entanto, não podemos atribuir ao ser humano apenas a agressividade instintiva dos animais, pois ele possui, além disso, inteligência, consciência e ética.

​Pensemos na diferença que existe entre dois animais predadores que lutam por sua presa e as multinacionais de armamento, que sobrevivem da venda de armas e, portanto, das crises permanentes. Eis aqui um pequeno exemplo de poder: imaginemos que sois o novo rei de um país e desejais ter a segurança de continuar sendo. Então, convocais separadamente duas pessoas das quais tendes a certeza de que farão o que lhes direis. Para uma, dareis diretrizes “de esquerda” e a financiareis para que possa criar um partido. Com a outra, agireis da mesma forma, fazendo-a criar um partido “de direita”.

​Acabais de dar vida a dois partidos de oposição, financiais a propaganda, os votos e as ações, e estais exatamente a par de seus mínimos planos. Isso significa que controlais ambos. Para que um partido tenha vantagem sobre o outro, basta dar-lhe mais dinheiro. Os dois chefes de partido creem ter-vos ao seu lado, e sois, assim, “amigo” de ambos. O povo fica preso nesse vai e vem entre “esquerda” e “direita” e sequer pode imaginar que, como rei, podeis ser a origem da dissensão. O povo chegará, inclusive, a pedir-vos auxílio e conselho.

​2. Análise Crítica e Teorias Semelhantes

​A tese central do texto é que o conflito político (a dicotomia esquerda vs. direita) é uma construção artificial gerida por uma elite financeira ou monárquica para manter o controle social através da "dialética de gerenciamento".

​A Dialética Hegeleriana Aplicada ao Controle

​A ideia de criar dois lados opostos para gerar um resultado controlado é frequentemente associada à interpretação conspiratória da Dialética de Hegel:

  • Tese: Esquerda.
  • Antítese: Direita.
  • Síntese: O controle contínuo do "Rei" (ou da elite financeira), independentemente de quem vença as eleições.

​O Complexo Industrial-Militar e a "Economia de Guerra"

​O texto menciona que multinacionais vivem da crise. Esta é uma crítica real e profunda, formalizada pelo presidente americano Dwight D. Eisenhower em seu discurso de despedida em 1961, onde ele alertou sobre a influência injustificada do "Complexo Industrial-Militar" na democracia.

​Teorias de Elite e a Ilusão da Escolha

​Escritores como Noam Chomsky e Vilfredo Pareto discutem como o espectro de debate é limitado. Para eles, permite-se um debate acalorado dentro de uma moldura estreita, mas as questões fundamentais (quem controla o dinheiro e os recursos) nunca entram na pauta de votação.

​3. Bibliografia e Escritores Semelhantes

​Para aprofundar-se nesta tese, as seguintes obras e autores são fundamentais:

  1. SUTTON, Antony C. - Wall Street and the Rise of Hitler. Sutton documenta como elementos da elite financeira americana financiaram diferentes lados de conflitos globais para benefício econômico e político.
  2. CHOMSKY, Noam - O Lucro ou as Pessoas?. Analisa como o neoliberalismo e as grandes corporações moldam a política de modo que a democracia se torne apenas uma fachada para o poder econômico.
  3. QUIGLEY, Carroll - Tragedy and Hope: A History of the World in Our Time. Quigley, que foi mentor de Bill Clinton, detalha como uma rede internacional de banqueiros opera nos bastidores da política global para estabelecer um sistema de controle financeiro.
  4. ESTULIN, Daniel - A Verdadeira História do Clube Bilderberg. Explora a teoria de que líderes globais se reúnem secretamente para definir os rumos da política e da economia, acima dos governos nacionais.
  5. WRIGHT MILLS, C. - The Power Elite. Um clássico da sociologia que descreve como os líderes militares, corporativos e políticos nos EUA formam uma casta fechada que decide os destinos do país.
  6. MARCHETTI, Victor - The CIA and the Cult of Intelligence. Aborda como agências de inteligência manipulam a percepção pública para manter o status quo.



1) ENSAIO FILOSÓFICO FORMAL
Título: A Guerra como Engenharia do Poder: Dissensão, Domínio e a Ilusão da Escolha
Introdução
A guerra acompanha a história humana como um fenômeno persistente e devastador. Frequentemente explicada por fatores naturais — escassez de recursos, disputa territorial ou impulsos agressivos herdados da animalidade —, tal interpretação torna-se insuficiente quando aplicada à complexidade das sociedades humanas modernas. O ser humano, diferentemente dos demais predadores, é dotado de razão, consciência moral e capacidade simbólica. Logo, se a guerra persiste, ela não pode ser compreendida apenas como instinto, mas como construção racional e política.
Este ensaio defende a tese de que, na modernidade, a guerra e a polarização política não são falhas do sistema social, mas instrumentos deliberados de poder, mantidos por estruturas que lucram material e simbolicamente com o conflito permanente.
1. Da violência natural à violência organizada
Na natureza, o conflito é episódico e funcional: o predador caça para sobreviver, não para perpetuar o caos. Já na sociedade humana, especialmente sob o capitalismo avançado, a violência assume caráter sistêmico. Multinacionais do armamento, complexos militares e interesses geopolíticos não apenas respondem a conflitos — eles dependem deles.
A guerra, portanto, deixa de ser um meio e torna-se um fim econômico e político, sustentado por narrativas ideológicas, medo coletivo e inimigos cuidadosamente construídos.
2. A dissensão como técnica de governo
O experimento mental do “rei” que cria artificialmente partidos de esquerda e direita revela um mecanismo clássico de dominação: o controle da oposição. Ao financiar, orientar e conhecer antecipadamente as ações de ambos os lados, o soberano mantém-se acima do conflito, apresentando-se como árbitro, mediador ou salvador.
Nesse cenário, a população acredita exercer liberdade de escolha, quando na realidade transita apenas entre alternativas previamente autorizadas pelo próprio poder que a domina. A política torna-se um teatro de antagonismos controlados, no qual a verdadeira soberania jamais é questionada.
3. A ilusão democrática e o poder invisível
A alternância entre forças aparentemente opostas cria a sensação de mudança, mas preserva intacto o núcleo decisório. O povo não percebe que a origem do conflito não está nos partidos rivais, mas na estrutura que os sustenta simultaneamente.
O poder mais eficaz não é o que reprime visivelmente, mas o que organiza o campo das possibilidades, delimitando o que pode ou não ser pensado, votado e desejado. Assim, a guerra externa e a polarização interna convergem como expressões do mesmo princípio: dividir para governar.
Conclusão
A guerra moderna não é um acidente histórico nem uma herança inevitável da animalidade humana. Ela é fruto de uma racionalidade política que transforma o conflito em método de governo e fonte de lucro. Enquanto a população permanecer aprisionada em polarizações artificiais, continuará pedindo proteção ao mesmo poder que fabrica suas crises. Superar a guerra, portanto, exige não apenas tratados de paz, mas a desconstrução das estruturas que lucram com a dissensão.
2) ARTIGO ACADÊMICO
Título: Polarização Política e Guerra Permanente: Uma Análise Crítica do Conflito como Instrumento de Poder
Resumo
Este artigo analisa a guerra e a polarização política como produtos de engenharia social, e não como consequências inevitáveis da natureza humana. Argumenta-se que, nas sociedades contemporâneas, o conflito é frequentemente produzido e administrado por elites políticas e econômicas que se beneficiam da instabilidade contínua. Por meio de um modelo teórico baseado na criação artificial da oposição política, demonstra-se como a dissensão controlada funciona como mecanismo de dominação e manutenção do poder.
Palavras-chave: guerra; polarização política; poder; hegemonia; conflito.
1. Introdução
As explicações tradicionais para a guerra frequentemente recorrem à escassez de recursos e à agressividade inata. Contudo, tais abordagens mostram-se limitadas ao ignorar o papel das estruturas políticas e econômicas na produção deliberada do conflito. Este artigo propõe uma leitura crítica da guerra como instrumento racional de poder, sustentada por interesses que transcendem a mera sobrevivência.
2. Guerra, economia e interesses estruturais
A indústria armamentista e o complexo militar-industrial dependem da continuidade das crises para sua própria reprodução. Nesse contexto, a guerra deixa de ser um evento excepcional e passa a integrar a lógica normal do sistema político-econômico. O conflito permanente garante contratos, influência geopolítica e controle social.
3. Polarização política como mecanismo de controle
A criação e o financiamento de polos políticos antagonistas por uma mesma estrutura de poder revelam a fragilidade da oposição formal. Quando ambos os lados compartilham a mesma origem estrutural, o conflito deixa de ser emancipatório e torna-se funcional ao sistema dominante.
Esse modelo reduz a política a uma disputa simbólica, desviando a atenção popular das relações reais de poder e das decisões estratégicas que permanecem fora do alcance democrático.
4. Discussão
A polarização, longe de representar pluralismo genuíno, pode operar como tecnologia de governo. Ao fragmentar a sociedade, enfraquece-se a possibilidade de ação coletiva autônoma, enquanto o poder central se fortalece como mediador indispensável.
5. Conclusão
A guerra e a polarização política contemporâneas devem ser compreendidas como fenômenos interligados, produzidos por estruturas que se beneficiam da instabilidade. Romper esse ciclo exige questionar não apenas os atores visíveis do conflito, mas as engrenagens invisíveis que o sustentam.

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