As Mortes Misteriosas de Cientistas Britânicos (1982-1990) e a Teoria da Conspiração

 









1. Introdução e Contextualização

O presente relatório visa analisar a série de falecimentos e incidentes envolvendo engenheiros e cientistas britânicos, majoritariamente empregados da empresa GEC-Marconi (General Electric Company) e suas subsidiárias, que ocorreram entre 1982 e 1990. O caso, que ganhou intensa cobertura midiática internacional entre 1987 e 1988, é o cerne de uma das mais persistentes teorias de conspiração relacionadas à Guerra Fria e à indústria de defesa.

A teoria, popularizada por jornalistas e céticos das conclusões oficiais, sugere que as mortes não foram meros acidentes ou suicídios, mas sim assassinatos orquestrados para silenciar segredos relacionados a projetos militares ultrassecretos, como o programa de defesa antiaérea e submarina e, crucialmente, a Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI) dos Estados Unidos, conhecida como "Guerra nas Estrelas".

2. A GEC-Marconi e a Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI)

A GEC-Marconi era um pilar da indústria de defesa britânica, amplamente envolvida em projetos de alta tecnologia. Na década de 1980, a empresa estava fortemente ligada a importantes contratos de defesa, incluindo:

 * Torpedo Sting Ray: Um torpedo avançado de guerra antissubmarina para a Royal Navy.

 * Sistemas de Guiagem de Mísseis: Como os mísseis teleguiados mencionados no caso de Trevor Knight.

 * Projetos da SDI: Após o anúncio da Iniciativa de Defesa Estratégica pelo Presidente Ronald Reagan em 1983, a GEC-Marconi se tornou uma importante contratada para o Reino Unido no desenvolvimento de tecnologias para o sistema de defesa espacial.

A natureza altamente classificada e estratégica desses projetos forneceu o pano de fundo para a hipótese de que as mortes estariam ligadas à espionagem industrial ou à eliminação de indivíduos que representavam riscos de vazamento de informações.

3. Análise Cronológica dos Casos Centrais (1986-1988)

O período de maior intensidade, e o foco do texto fornecido, é entre agosto de 1986 e março de 1988. A tabela abaixo resume alguns dos casos notórios, comparando as alegações com as conclusões oficiais:

| Cientista/Engenheiro | Data do Falecimento | Local de Trabalho/Projeto | Causa da Morte Oficial | Alegação Central |

|---|---|---|---|---|

| Vimal Dajibhai | 05/08/1986 | Marconi Underwater Systems (sistemas de orientação de torpedos) | Veredito em aberto (Queda da Ponte Clifton) | Assassinato ligado a segredos do projeto Sting Ray/Cosmos. |

| Ashnad Sharif | Outubro de 1986 | Unidade da Marconi (analista de sistemas) | Suicídio (estrangulamento) | Conspiração. Alegadamente amarrou uma corda a uma árvore e a si mesmo, e então acelerou o carro. |

| Richard Pugh | Janeiro de 1987 | Engenheiro de informática | Inexplicada no texto, frequentemente ligada à asfixia | Assassinato disfarçado de suicídio ou acidente. |

| John Brittan | Janeiro de 1987 | Royal Armament Research and Development Establishment (RARDE) | Suicídio (envenenamento por monóxido de carbono) | Morte ocorrida em sua garagem com o motor do carro ligado. |

| Peter Peapell | Fevereiro de 1987 | Royal Military College of Science (metalurgia) | Acidente/Asfixia (sob o carro com motor ligado) | Morte sob o carro, com motor ligado e portão da garagem fechado. |

| David Sands | Março de 1987 | EASAMS (associada à Marconi, defesa aérea) | Suicídio (acidente de carro/incineração) | Dirigiu o carro, carregado com tanques de gasolina, contra um restaurante e foi incinerado. |

| Trevor Knight | 25/03/1988 | Marconi (engenheiro de informática, mísseis teleguiados) | Suicídio (envenenamento por monóxido de carbono) | Encontrado em seu carro com o gás do cano de descarga dentro. |

Fonte: Registros de inquéritos judiciais (Inquests) e reportagens de época (Sunday Times, Financial Times, The Independent).

Muitos proponentes da teoria de conspiração apontaram a improbabilidade estatística e a natureza excessivamente bizarra de alguns "suicídios" (como o caso de Ashnad Sharif e David Sands) como evidência de execução por agências de espionagem.

4. A Cobertura Midiática e a "Grande Conspiração"

A ligação das mortes com a SDI e a alta tecnologia de defesa foi amplamente explorada pela imprensa, sobretudo após a matéria do Sunday Times (mencionada no Dallas Times Herald em outubro de 1988), que alegava que o Pentágono havia solicitado a reavaliação dos casos devido ao potencial envolvimento em segredos da SDI.

A narrativa midiática ganhou força por:

 * Vínculo SDI: O programa SDI era o projeto militar de ponta mais controverso e caro da época, tornando qualquer tragédia ligada a ele um prato cheio para especulação geopolítica.

 * Métodos Suspeitos: A recorrência de envenenamento por monóxido de carbono, acidentes de carro com circunstâncias estranhas e quedas em locais distantes dos domicílios (Dajibhai e Smith) alimentaram a suspeita.

 * Número Total: Embora o texto inicial cite 10 e o Dallas Times Herald 22, o número total de cientistas da GEC-Marconi e outras empresas de defesa falecidos ou desaparecidos de 1982 a 1990 é frequentemente citado em 25, aumentando o senso de um "padrão".

4.1. Conclusão Oficial do Ministério da Defesa

Em resposta à pressão midiática e parlamentar, o Ministério da Defesa (MD) britânico reiterou que as mortes não estavam interligadas. Eles afirmaram que:

 * Todas as mortes foram investigadas individualmente pela polícia e pelos coroners (peritos judiciais).

 * A maioria foi satisfatoriamente explicada como suicídio ou acidente, com alguns vereditos em aberto.

 * Os cientistas trabalhavam em projetos separados, alguns inclusive desclassificados, e a tentativa de ligá-los era um caso de apofenia (a tendência de perceber conexões entre dados aleatórios).

5. Adendo sobre M. J. Jessup e James E. McDonald

O texto fornecido faz um paralelo entre as mortes dos cientistas de Marconi e os falecimentos dos ufólogos Morris K. Jessup (astrônomo/professor) e James E. McDonald (físico/professor).

 * M. K. Jessup (1900–1959): Famoso por seu envolvimento na teoria da Conspiração do Projeto Filadélfia. Sua morte em 1959, por envenenamento por monóxido de carbono em seu carro, foi oficialmente declarada suicídio, mas é amplamente citada como assassinato em círculos de ufologia e teorias de conspiração.

 * James E. McDonald (1920–1971): Um renomado físico atmosférico que se tornou um proeminente investigador de OVNIs. Ele morreu em 1971 de ferimentos de arma de fogo, oficialmente julgado como suicídio, após um período de depressão e tentativas anteriores.

A inclusão desses nomes no contexto das mortes da Marconi serve para integrar a teoria da conspiração industrial-militar com uma narrativa mais ampla de silenciamento de indivíduos que expõem "verdades secretas" (sejam elas sobre defesa militar ou fenômenos ufológicos), caracterizando a crença em uma "Grande Conspiração" que visa "desembaraçar-se de indivíduos que... poderiam prejudicar a ‘Grande Conspiração’".


REVISTA & ESCOLAS DE MISTÉRIOS


AS MORTES ESTRANHAS DE 10 CIENTISTAS BRITÂNICOS

em janeiro 16, 2011


















“O mistério começou em 05/08/1986, quando Vimal Dajibhai, de 24 anos, foi encontrado morto debaixo da ponte Clifton, numa entrância, perto de Bristol, sudoeste da Inglaterra. Pensou-se em suicídio, mas a perícia judicial antes do júri nada pode concluir a respeito da causa da morte... Dajibhai era um engenheiro subalterno e estava levando a cabo investigações sobre sistemas de orientação automática dos torpedos, para a sociedade Marconi Underwater Systems, situada perto de Londres. Ninguém conseguiu determinar o que Vimal estava fazendo em Bristol, que dista 105 milhas de Londres. Três meses após a morte de Dajibhai, Ashnad Sharif, um analista de sistemas de informática e que trabalhava sobre um projeto de defesa para outra unidade da sociedade Marconi, morreu num parque perto de Bristol. Em janeiro de 1987, o desenhista em informática Richard Pugh foi encontrado morto em sua casa ao leste de Londres. As circunstancias da morte nunca foram explicadas. Nesse mesmo mês, John Brittam, um bom entendido em informática e que trabalhava para a Fundação Real de Pesquisa e Desenvolvimento de Armamentos, com a idade de 52 anos, foi encontrado morto em sua garagem com o motor de seus carro ligado, Brittam tinha trabalhado anteriormente para Escola Real de Ciência.



Um mês mais tarde. Peter Peapell, mestre conferidor de metalurgia da Escola Superior, foi encontrado morto sob seu automóvel, com o motor ligado. Em março de 1987, David Sands, um perito em informática bateu seu carro contra um restaurante vazio. O choque o queimou vivo. Sands tinha 37 anos e trabalhava para a Easama, uma companhia associada a Sociedade Marconi. Haviam lhe oferecido um contrato para lidar com defesa aérea. Em abril de 1987, dois cientistas suplementares foram encontrados mortos. Um era Marc Wisner, de 25 anos, especialista em informática numa base de ensaios de armamentos da Royal Air Force. O outro era um cientista da sociedade Marconi, Victor Moore, de 46 anos. Wisner trabalhava num esquema lógico informático para ser usado no avião de combate Tornado e ele já tinha labutado num projeto de visualização noturna para o exército britânico.



As mortes misteriosas pararam até 2 de fevereiro de 1988, quando a polícia voltou a descobrir o cadáver de Russel Smith, um cientista assistente, de 23 anos que tinha caído de uma falésia. Smith trabalhava para United KIngdom Atomic Energy Autority, em Hawell. Ninguém soube explicar porque Smith se encontrava em Land’s End, a 150 milhas de Harwell.



Por fim, em 25/03/1988, outro empregado da sociedade Marconi, Trevor Knigt, com a idade de 52 anos, foi encontrado morto em Harpender, a 25 milhas nordeste de Londres, em seu próprio automóvel, cujo interior estava saturado de gás do cano de descarga. [Dois ilustres investigadores em ufologia, famosos e respeitados, M.J, Jessup, professor e astrônomo, e James Mc Donald, físico, professor e estudioso também foram vergonhosamente assassinados do mesmo modo; depois dos meios de comunicação espalharem que haviam se suicidado.] Trevor Knigt era um engenheiro da informática e trabalhava em pesquisas de mísseis teleguiados, na rede social da sociedade Marconi.”



“O Dallas Times Herald, segunda feira, 10 de outubro de 1988, escreve: “O Pentágono solicita que reexaminemos os falecimentos dos cientistas Britânicos”

“Suicídios e falecimentos inexplicáveis acabaram com a vida de 22 peritos do sistema de defesa, e isso desde 1983.”



“Londres- Os Estados Unidos querem que a Inglaterra permita aos especialistas do Pentágono reexaminar os casos de cerca de 22 funcionários britânicos de defesa, que morreram misteriosamente.

“Citando uma fonte americana não–identificada, o Sunday Time disse que certos funcionários que faleceram estavam implicados nos projetos britânicos ligados a Guerra nas Estrelas, sistema de defesa do espaço baseado em armas especiais.



Sete trabalhavam num empreendimento audacioso da Guerra nas Estrela, na sociedade Marconi, filial da General Eletric Britânica PLC, a qual também havia aberto inquérito interno a respeito do acontecido. A companhia inglesa não tem relações com a General Eletric americana.

As mortes começaram em março de 1982, Keith Bowden, de 45 anos, um perito em ordenadores e superordenadores que controlam aviões, morreu quando seu carro capotou numa autopista de duas mãos e se espatifou num declive. Depois desse acontecimento, 15 outros engenheiros em eletrônica, cientistas e peritos em comunicações e outros funcionários da industria da defesa morreram ou desapareceram misteriosamente.

Como vimos, tudo vale para alcançar determinados fins, ou seja, desembaraçar-se de indivíduos que, quem sabe, poderiam prejudicar a “Grande Conspiração”    


6. Conclusão Técnica

As mortes dos cientistas da GEC-Marconi, embora oficialmente resolvidas como acidentes ou suicídios na sua grande maioria, tornaram-se um estudo de caso clássico na intersecção entre o medo da Guerra Fria, a alta tecnologia militar e a desconfiança em relação às autoridades governamentais.

Tecnicamente, o volume de mortes em um curto período em uma indústria sensível é anômalo, mas as investigações oficiais concluíram pela falta de evidências de um elo criminoso direto entre os casos. A persistência da teoria da conspiração reside na natureza bizarra de alguns dos falecimentos e no envolvimento dos indivíduos em programas de defesa de alto sigilo.

7. Bibliografia e Fontes de Pesquisa

 * Collins, T. (1987). "Defence deaths: the facts behind the story." Computer News. (Reportagem de época citada por fontes secundárias sobre os fatos).

 * Hapgood, D. (1989). The Marconi Scientist Deaths. (Livro que detalha a teoria da conspiração).

 * Marsh, P. (1987). "Bizarre deaths start speculation." Financial Times. (Reportagem inicial sobre a série de mortes).

 * The Associated Press (1987). "Demand government explanation of deaths, disappearance." (Matéria da AP que deu visibilidade internacional ao caso).

 * The Independent (1988). "Deaths which must be investigated." (Editorial clamando por um inquérito mais amplo).

 * Artigos e Entradas de Enciclopédia: "GEC-Marconi scientist deaths conspiracy theory." (Análise histórica e contexto da teoria).

 * The Dallas Times Herald (1988). Edições de Outubro de 1988 (Menciona o interesse do Pentágono nos casos).

 * Fontes de Ufologia: Discussões e biografias sobre as mortes de M.J. Jessup e James E. McDonald.

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