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O Pergaminho de Kirkwall: Mitos e Evidências sobre a Origem Templária da Maçonaria

 






A ligação entre a Maçonaria e os Cavaleiros Templários é um dos temas mais persistentes e apaixonantes da história esotérica. Para muitos entusiastas, historiadores não-oficiais e maçons de graus elevados, a prova dessa conexão reside em artefatos enigmáticos, sendo o mais notável deles o Pergaminho de Kirkwall.

​Localizado em Orkney, na Escócia, e atualmente sob os cuidados da Loja Kirkwall Kilwinning Nº 38, o Pergaminho de Kirkwall é um grande rolo de linho pintado à mão. Seu simbolismo complexo, que mistura elementos bíblicos, alquímicos, cabalísticos e inequivocamente maçônicos, tem alimentado a teoria de que ele seria o "elo perdido" que uniu os Cavaleiros Templários refugiados à Maçonaria especulativa escocesa.

​A Tese da Conexão Templária e o Pergaminho

​A teoria templária da Maçonaria baseia-se na ideia de que, após a dissolução da Ordem em 1307 por ordem do Rei Filipe IV da França e do Papa Clemente V, os Cavaleiros sobreviventes fugiram. A Escócia, então sob interdição papal devido à sua luta pela independência, teria se tornado um refúgio seguro. O argumento é que os Templários teriam se integrado a estruturas já existentes, como as guildas de construtores escocesas (a futura Maçonaria Operativa), para preservar seu conhecimento e sua riqueza (cf. Result 1.2, 2.5).

​Neste contexto, o Pergaminho de Kirkwall é interpretado como um mapa ou um Painel de Traçar (Tracing Board) primitivo que codifica o conhecimento templário. Autores como Andrew Sinclair, em seu livro The Secret Scroll (O Pergaminho Secreto), argumentam que:

​O Pergaminho possui uma datação medieval, possivelmente do século XV, com base em testes de datação por Carbono-14 feitos em pequenas amostras do tecido (cf. Result 2.6, 2.9). Uma data tão antiga o tornaria contemporâneo ou até anterior aos manuscritos mais antigos da Maçonaria Operativa, como o Poema Regius ou o Manuscrito Cooke (cf. Result 1.5, 2.8).

​A iconografia lateral do Pergaminho, que alguns interpretam como mapas de viagem, e os símbolos cristãos-cruzados no painel central, são vistos como um registro da jornada e do conhecimento dos Templários (cf. Result 2.5, 2.6).

​A associação dos Condes St. Clair de Rosslyn (Sinclair sendo um descendente) é central para a teoria. A família é historicamente ligada tanto aos Templários quanto à Maçonaria escocesa, e a Capela de Rosslyn é citada como um santuário de símbolos templários/maçônicos, onde esse pergaminho poderia ter sido preservado antes de ser doado a Kirkwall (cf. Result 2.7, 2.9).

​Sinclair, um grande defensor da teoria, afirma que o Pergaminho é a prova de como o conhecimento acumulado pelos Templários nas Cruzadas foi transmitido à Maçonaria para ser guardado (cf. Result 2.9, 3.1).

​O Contraponto Histórico-Maçônico

​Apesar do apelo romântico, a visão majoritária entre os historiadores maçônicos e arquivistas de prestígio, como Robert Cooper, contesta veementemente a datação medieval do Pergaminho.

​Cooper, em sua análise, apresenta evidências de que o artefato é, na verdade, um Painel de Chão (Floorcloth) da segunda metade do século XVIII (cf. Result 1.5, 2.2, 2.4). Os argumentos-chave são:

​Registro da Loja: Os arquivos da Loja Kirkwall Kilwinning Nº 38 contêm um registro que data de 27 de janeiro de 1786, detalhando a doação de um "pano de chão" (floor cloth) por um pintor e maçom chamado William Graeme (cf. Result 2.4, 2.7). A análise estilística aponta para a autoria de Graeme ou de alguém sob sua direção, e a peça é um item ritualístico comum no século XVIII, embora incomumente grande (cf. Result 2.1, 2.2, 2.4).

​Simbologia do Século XVIII: A análise detalhada da simbologia do Pergaminho por Cooper sugere que, embora complexa, ela é mais coerente com a Maçonaria Especulativa do século XVIII e a evolução dos graus simbólicos, do que com uma codificação templária do século XV. Alguns símbolos, inclusive, parecem ser uma adaptação do brasão da Grande Loja da Inglaterra, algo improvável em um documento medieval escocês (cf. Result 2.6, 3.2).

​Datação C-14 Controvertida: Embora uma amostra do centro do pergaminho tenha sugerido datas mais antigas (séculos XV/XVI), a datação de material orgânico de uma peça reutilizada ou restaurada como esta é inerentemente controversa. A data de século XVIII é reforçada pelas evidências documentais de William Graeme (cf. Result 2.9, 2.2).

​Para esses historiadores, a Maçonaria tem sua origem historicamente traçada nas guildas operativas de pedreiros da Escócia e Inglaterra do final da Idade Média, evoluindo para a Maçonaria Especulativa no início do século XVIII (cf. Result 1.6, 2.8). O Pergaminho seria, portanto, um documento maçônico fascinante, mas tardio para provar a tese templária (cf. Result 1.5).

​Conclusão

​O Pergaminho de Kirkwall é, inegavelmente, um artefato de grande importância para o folclore maçônico e para as lendas de conexão com os Templários (cf. Result 3.3). Ele serve como um catalisador poderoso para a narrativa de que os Cavaleiros da Ordem do Templo transmitiram seu conhecimento esotérico e sua estrutura hierárquica à Maçonaria, especialmente na Escócia (cf. Result 1.2, 1.3).

​Contudo, a pesquisa histórica e arquivística mais rigorosa, particularmente a apresentada por Robert Cooper, tende a datar o Pergaminho no século XVIII, classificando-o como um Painel de Chão maçônico escocês. A teoria da origem templária, embora culturalmente rica e fundamental para a identidade de alguns Ritos Maçônicos (como os Graus Cavaleirescos e o Rito Escocês Retificado, onde a influência templária é mais forte), permanece uma lenda não comprovada pelo Pergaminho de Kirkwall, que é, em última análise, um objeto da história moderna da Maçonaria.


BAPHOMET E A ESTRELA ALGOL


reconhecerá os seus”. A Cruzada Albigense foi, seguramente, uma guerra sangrenta e inominável.

Para que o leitor tenha uma noção do assunto, vamos tentar explicar melhor, em poucas linhas, essa tormenta:


…estamos nos tempos das Cruzadas, França, no Languedoc (o Midi Francês), início do século XIII, quando a riqueza e a opulência floresciam nessa região. Sua política torna-se afim com os reinos de Leon, Aragon e Castela (Espanha). O Languedoc era governado por várias famílias nobres, que se submetiam aos condes de Tolouse e à sua poderosa casa de Trencavel. Um principado que se tornara a mais fiel representação da Cultura, do Progresso e da Sofisticação, despertando, assim, a inveja dos potentados de todo o continente europeu cristão que, diga-se de passagem, enfrentavam um verdadeiro colapso cultural de sua civilização Grego-Romana. Apesar dos rígidos padrões de controle do pensamento e da reflexão pela estrutura eclesiástica, surgiam vozes que se levantavam contra o abuso e a arrogância da Santa Madre Igreja.


Embora cristão, Languedoc não era fanático. Seus habitantes valorizavam a educação, a filosofia, as artes, a ciência, bem como eram conhecedores de boa parte da tradição espiritual do Ocidente, ecos do pensamento de Heráclito, Pitágoras e Platão.


Em 1165, lançou-se um grito de guerra sobre o Languedoc. A Igreja de Roma atacou seus pontos fracos. Os que haviam sido julgados hereges já estavam condenados pelo conselho eclesiástico na cidade de Albi-Languedoc (a cidade de Albi fica ao sul na França). Daí a razão da população local ter sido denominada por Roma de albigense.


Muitos podem indagar: quem eram, afinal, os heréticos? A heresia albigense ou cátara não seguia teologia e doutrinas fixas, codificadas e definitivas. Levando-se em conta os poucos documentos que escaparam da destruição da Inquisição, podemos verificar que a prática dos cátaros, em relação ao Cristianismo, eram mais antigas e puras. Rezavam ao ar livre; eram em sua grande maioria vegetarianos (embora comessem carne de peixes); exaltavam à vida simples e à humildade.


Para os cátaros-albigenses, a fé não era apenas uma doutrina a ser pregada e sim um sistema de vida a ser vivido. Eles se denominavam cristãos e chamavam o diabo de “Príncipe do Mundo”. Denominavam sua igreja de “Igreja do Amor” (Roma de traz por diante). Os cátaros diziam que Jesus era o seu profeta, sacerdote, rei, messias, um agente ungido. Conheciam todos os pontos tidos como esotéricos, místicos e mitológicos pregados pelo Cristo.


O princípio feminino florescia em Languedoc enquanto era rechaçado pela Igreja de Roma. As mulheres podiam exercer funções e serem proprietárias dos seus próprios bens em igualdade com os homens.

Para os cátaros, Maria Madalena significava esse “Princípio Feminino” e era parte integrante da lenda do Santo Graal. E aqui surge um outro motivo, talvez a principal razão, para a perseguição e os tormentos que a Inquisição arregimentou contra os cátaros.


E mais… que a verdade oculta desta lenda (ou heresia) não está contida dentro de um cálice miraculoso e sim no ventre de Maria Madalena, como mulher de Jesus, ou seja, um herdeiro do sangue real azul, ou sangue real da dinastia de David, um filho de Jesus e de Maria Madalena — a criança do Santo Graal, na Europa.


Os Cavaleiros Templários também eram excessivamente preocupados com o “Princípio Feminino”. Os Abraxas descobriram documentos da Ordem do Templo os quais relatam que, em seus trabalhos, as mulheres eram incluídas e que seu número era expressivo. Outros pontos de relevância: o Preceptório Templário estava construído em Troyes, cidade de onde Chrètrien de Troyes, o primeiro a escrever a respeito do Santo Graal, retirou nome literário; e a mais famosa igreja de Troyes é dedicada à Maria Madalena.


É aqui que fazemos uma ligação com o começo do texto, quando falamos a respeito dos Manuscritos do Mar Morto. Hugh Schonfield, um dos acadêmicos mais respeitados em relação ao Novo Testamento, demonstrou que os Templários usavam o código conhecido como “Atsbash Cipher”. Esse código está cifrado em diversos pergaminhos. Também revela que, se fizermos a aplicação deste código no nome do ídolo venerado pelos Templários — Bafomé — ele se transformará na palavra grega Sophia, cuja tradução é sabedoria. Vejamos: Sophia também pode ser traduzida para o hebraico como Choknah, uma figura feminina que surge no livro Provérbios do Antigo Testamento.


Para os gnósticos de Nag Hammadi, Madalena é a encarnação idealizada da Atena grega e da Ísis egípcia, que é chamada, às vezes, de Sophia. Choknah é a chave para a compreensão da Cabala. Segundo Lawrence Gardner, em sua obra A Linhagem do Santo Graal, lançado pela Madras Editora, investiga-se a genealogia de Jesus até os nossos tempos. Ele também compara o Novo Testamento com os arquivos romanos e judaicos. Nessa consideração, Gardner detalha como a Igreja corrompeu e manipulou os registros para servir a seus propósitos políticos.

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