O INFERNO NÃO PRECISA DE UM ARQUITETO Quem realmente manda no mundo?
O INFERNO NÃO PRECISA DE UM ARQUITETO
QUEM MANDA NO MUNDO?
Poder, dinheiro, sociedades secretas, interesses econômicos e o grande caos da humanidade
Revista & Escolas de Mistérios
Investigação Constante da Verdade
INTRODUÇÃO — UMA PERGUNTA QUE SOBREVIVEU A VINTE ANOS
Há aproximadamente vinte anos, quando este blog começou a existir, uma pergunta ocupava meus pensamentos:
Quem manda no mundo?
E havia uma segunda pergunta, talvez ainda mais perturbadora:
E se realmente não existir ninguém mandando no mundo?
Naquele período, eu observava guerras, conflitos religiosos, disputas territoriais, interesses econômicos, corrupção, desigualdade social, organizações criminosas, governos em conflito e sociedades inteiras aparentemente incapazes de encontrar uma direção comum.
O mundo parecia — e ainda parece — uma espécie de gigantesca anarquia.
Governos tentam controlar governos.
Nações disputam recursos e territórios.
Empresas disputam mercados.
Religiões disputam fiéis e interpretações da verdade.
Partidos disputam o poder.
Organizações criminosas disputam territórios.
Bilionários disputam influência.
E milhões de seres humanos são diariamente estimulados a consumir, competir, acumular e demonstrar socialmente aquilo que possuem.
Ao mesmo tempo, existem guerras, fome, miséria, violência, corrupção e desigualdade.
Então a pergunta permanece:
Quem está realmente no comando?
Durante muito tempo, a resposta mais sedutora foi imaginar uma estrutura oculta, uma elite invisível ou uma organização secreta coordenando os acontecimentos.
Mas existe um problema nessa hipótese.
Talvez o mundo seja muito mais caótico do que imaginamos.
Talvez existam muitos centros de poder.
Talvez todos estejam tentando controlar alguma coisa.
E talvez ninguém consiga controlar tudo.
CAPÍTULO I — O TRECHO QUE DESENCADEOU A PERGUNTA
Há cerca de duas décadas, encontrei em um livro um trecho que registrei no blog e que, desde então, permaneceu associado à minha reflexão sobre poder, sociedade e comportamento humano:
Isto é, os falsos intérpretes, os caluniadores, os céticos de sorriso estúpido, os inimigos de toda crença e de toda moralidade. Em lugar de vingar a morte de Hiram, vingaram-se seus assassinos. Os anarquistas retomaram a régua, o esquadro e a malheta e em cima escreveram liberdade, igualdade e fraternidade. Isto é, liberdade para as cobiças, igualdade na baixeza e fraternidade para destruir.
O trecho é carregado de simbolismo.
A régua, o esquadro e a malheta remetem ao universo simbólico da construção e, no contexto em que aparecem, também à tradição maçônica e à narrativa de Hiram.
Mas existe algo ainda mais interessante.
O texto pega três palavras que deveriam representar princípios elevados:
Liberdade.
Igualdade.
Fraternidade.
E as transforma em uma crítica corrosiva à natureza humana.
Liberdade poderia significar liberdade para fazer o bem.
Mas também poderia significar liberdade para explorar.
Igualdade poderia representar justiça.
Mas poderia ser transformada em nivelamento pela mediocridade.
Fraternidade poderia significar solidariedade.
Mas também poderia significar união entre indivíduos para destruir aqueles que consideram seus inimigos.
É uma visão profundamente pessimista da civilização.
E foi justamente essa provocação que me fez voltar à pergunta:
Quem realmente governa o comportamento humano?
CAPÍTULO II — O PODER VISÍVEL E O PODER INVISÍVEL
Quando pensamos em poder, normalmente pensamos em presidentes, primeiros-ministros, reis, parlamentos, exércitos e governos.
Mas o poder não está apenas nos palácios.
Ele também está no dinheiro.
Na informação.
Na tecnologia.
No controle de recursos naturais.
Na capacidade de influenciar mercados.
Na produção de conhecimento.
No controle de grandes plataformas de comunicação.
Na capacidade de financiar campanhas políticas.
Na influência cultural.
E, em determinados casos, na capacidade de produzir medo.
Um presidente pode possuir enorme autoridade institucional e, ainda assim, depender de uma complexa rede econômica, burocrática, militar e política para executar suas decisões.
Um bilionário pode possuir recursos financeiros extraordinários, mas não pode simplesmente determinar sozinho o comportamento de centenas de milhões de pessoas.
Um governo pode possuir um poderoso exército, mas não controla necessariamente os mercados internacionais.
Uma empresa multinacional pode possuir enorme influência econômica, mas não controla todos os governos.
É por isso que a ideia de um único grupo controlando absolutamente tudo precisa ser examinada com extrema cautela.
Influência não é a mesma coisa que controle absoluto.
E poder não significa onipotência.
CAPÍTULO III — A TEORIA DAS ELITES
Muito antes da internet e das teorias conspiratórias modernas, pensadores já investigavam a concentração do poder.
Vilfredo Pareto, Gaetano Mosca e Robert Michels, entre outros autores, desenvolveram diferentes análises sobre a formação das elites e sobre a tendência de organizações complexas produzirem grupos dirigentes.
Robert Michels formulou aquilo que ficou conhecido como “lei de ferro da oligarquia”: organizações, mesmo aquelas criadas com objetivos democráticos, podem desenvolver estruturas internas altamente concentradas.
Essa ideia é extremamente importante.
Porque significa que não precisamos imaginar uma sociedade secreta para compreender a concentração do poder.
A própria organização social pode produzir elites.
Quando um grupo cresce, alguém precisa tomar decisões.
Quando instituições crescem, surgem dirigentes.
Quando recursos se concentram, aumenta a capacidade de influência daqueles que controlam esses recursos.
Quando conhecimento técnico se torna complexo, especialistas passam a ocupar posições estratégicas.
E, lentamente, surge uma diferença entre aqueles que tomam decisões e aqueles que apenas sofrem suas consequências.
Talvez uma das maiores perguntas políticas da humanidade não seja:
“Existe uma elite?”
Mas:
“Como impedir que qualquer elite se torne incontestável?”
CAPÍTULO IV — MAQUIAVEL E A NATUREZA DO PODER
Nicolau Maquiavel percebeu algo que continua assustadoramente atual:
o poder possui sua própria lógica.
Governantes não vivem apenas de princípios morais.
Precisam administrar interesses, alianças, ameaças, recursos e sobrevivência política.
O problema surge quando a manutenção do poder passa a ser considerada mais importante do que os princípios que justificaram sua conquista.
É nesse ponto que política pode se transformar em manipulação.
E manipulação pode transformar cidadãos em instrumentos.
A história demonstra que governos de diferentes ideologias já utilizaram propaganda, censura, medo e desinformação para preservar estruturas de poder.
Portanto, não é necessário acreditar em uma conspiração mundial para reconhecer que a manipulação política existe.
Ela é documentada historicamente.
A verdadeira investigação começa quando perguntamos:
Quem está manipulando quem?
Com qual objetivo?
Com quais recursos?
E quais são as evidências?
CAPÍTULO V — HOBBES E O MONSTRO CHAMADO LEVIATÃ
Thomas Hobbes apresentou uma visão particularmente sombria da condição humana.
Sem uma autoridade capaz de impor regras, os indivíduos poderiam entrar em uma competição permanente, produzindo aquilo que ele chamou de uma condição semelhante a uma guerra de todos contra todos.
A solução seria criar um poder soberano capaz de estabelecer ordem.
Séculos depois, a pergunta continua atual:
Quanto poder devemos entregar ao Estado para impedir o caos?
E existe uma segunda pergunta ainda mais perigosa:
Quanto poder podemos entregar ao Estado antes que ele próprio se transforme em uma ameaça?
Esse talvez seja um dos grandes dilemas da civilização.
Precisamos de instituições para impedir a violência.
Mas instituições excessivamente poderosas podem produzir abusos.
Precisamos de governos.
Mas governos precisam ser fiscalizados.
Precisamos de leis.
Mas leis podem ser manipuladas.
Precisamos de segurança.
Mas segurança não pode se transformar em justificativa para eliminar liberdade.
A civilização parece viver permanentemente nesse equilíbrio instável.
CAPÍTULO VI — MARX E O PODER ECONÔMICO
Karl Marx deslocou parte importante da discussão para outra dimensão:
a economia.
Quem controla os meios de produção possui poder econômico.
E poder econômico pode transformar-se em poder político e social.
A discussão continua atual, embora as sociedades contemporâneas sejam muito mais complexas do que os modelos econômicos do século XIX.
Hoje, poder não está apenas nas fábricas.
Está também nos bancos, nos dados, na tecnologia, nas plataformas digitais, nas patentes, nos recursos naturais, na propriedade intelectual, nos sistemas financeiros e na capacidade de controlar fluxos de informação.
O dinheiro deixou de ser apenas papel.
Hoje ele também é informação.
É crédito.
É algoritmo.
É patrimônio digital.
É investimento.
É capacidade de influência.
E quanto maior a concentração desses recursos, maior pode ser a capacidade de influência sobre o mundo real.
CAPÍTULO VII — O DINHEIRO QUE DESAPARECE
Existe uma dimensão particularmente perturbadora da sociedade contemporânea.
O dinheiro pode atravessar fronteiras com enorme velocidade.
Empresas podem possuir estruturas internacionais complexas.
Recursos podem passar por diferentes jurisdições.
Organizações criminosas podem tentar ocultar patrimônio.
Esquemas de corrupção podem envolver intermediários, empresas e contas espalhadas por diferentes países.
E aqui surge uma pergunta:
Quanto poder pode ser comprado quando enormes quantidades de dinheiro estão disponíveis?
Dinheiro compra propriedades.
Compra tecnologia.
Financia organizações.
Contrata especialistas.
Paga advogados.
Produz influência.
Pode financiar publicidade.
Pode abrir portas.
Pode criar relações.
E, em sociedades extremamente desiguais, a concentração econômica pode significar também concentração de poder.
Isso não significa que todo indivíduo rico seja corrupto ou que toda grande empresa seja criminosa.
Seria uma conclusão absurda.
Mas significa reconhecer uma realidade:
riqueza concentrada possui capacidade de influência concentrada.
CAPÍTULO VIII — AS SOCIEDADES SECRETAS
E aqui entramos no território que sempre despertou enorme curiosidade entre pesquisadores de mistérios:
as sociedades secretas.
Maçonaria.
Iluminismo.
Illuminati.
Rosacruzes.
Templários.
Ordens iniciáticas.
Sociedades políticas clandestinas.
Grupos revolucionários.
Clubes privados de elites.
Ao longo da história, organizações discretas ou secretas realmente existiram.
Algumas tiveram influência política.
Algumas desapareceram.
Outras foram transformadas em lendas.
E algumas teorias contemporâneas atribuem a essas organizações um poder extraordinário sobre acontecimentos mundiais.
Mas aqui precisamos separar três coisas:
documento histórico, interpretação e especulação.
O fato de uma organização secreta ter existido não prova que ela controle o mundo.
O fato de pessoas poderosas pertencerem a uma determinada instituição não prova que essa instituição controle todos os acontecimentos.
E uma coincidência simbólica não é automaticamente evidência de coordenação.
É justamente nesse ponto que a investigação precisa ser rigorosa.
O mistério fica mais interessante quando não precisamos inventar provas para sustentá-lo.
CAPÍTULO IX — E SE NÃO EXISTIR UM GRANDE COMANDANTE?
Talvez esta seja a hipótese mais desconfortável.
Imagine que não exista uma sala secreta.
Nenhum grande conselho mundial.
Nenhum grupo sentado diante de um mapa do planeta.
Nenhum indivíduo capaz de movimentar todas as peças.
Imagine que o mundo seja simplesmente o resultado da competição entre milhares de interesses.
Um país quer petróleo.
Outro quer segurança.
Outro quer território.
Uma empresa quer lucro.
Outra quer destruir a concorrência.
Um governo quer permanecer no poder.
Uma oposição quer derrubá-lo.
Um grupo religioso quer expandir sua influência.
Um movimento político quer transformar a sociedade.
Uma organização criminosa quer dinheiro.
Uma agência de inteligência tenta impedir suas operações.
Um mercado entra em crise.
Outro mercado reage.
Uma guerra começa.
Outra potência interfere.
E, de repente, o resultado final parece tão complexo que alguém olhando de fora pode imaginar:
“Isso tudo foi planejado.”
Mas talvez não tenha sido.
Talvez o caos seja emergente.
Talvez seja produzido pela própria interação entre os agentes.
CAPÍTULO X — O CONSUMIDOR COMO PEÇA DO SISTEMA
Existe ainda outra forma de poder que raramente aparece nas teorias conspiratórias:
o desejo.
A sociedade moderna descobriu que não é necessário obrigar uma pessoa a consumir.
É suficiente fazê-la desejar.
Desejar o carro novo.
O celular novo.
A casa maior.
A viagem perfeita.
A roupa da moda.
O corpo perfeito.
A vida perfeita.
As redes sociais transformaram esse mecanismo em algo ainda mais poderoso.
Milhões de pessoas observam diariamente outras pessoas aparentemente felizes, ricas, bonitas e bem-sucedidas.
E então desejam aquela vida.
O indivíduo trabalha.
Consome.
Endivida-se.
Trabalha novamente.
Consome novamente.
E continua desejando.
Talvez o sistema moderno tenha descoberto uma das formas mais sofisticadas de controle:
não obrigar o indivíduo a obedecer, mas fazer com que ele deseje voluntariamente aquilo que mantém o sistema funcionando.
Isso é uma conspiração?
Não necessariamente.
Pode ser simplesmente o funcionamento de uma economia baseada no consumo.
E justamente por isso a questão é ainda mais interessante.
CAPÍTULO XI — A VIOLÊNCIA COMO PRODUTO DO CAOS
Quando a desigualdade aumenta, quando oportunidades desaparecem e quando milhões de pessoas crescem sem perspectivas, surgem consequências sociais.
Crime.
Violência.
Revolta.
Radicalização.
Desconfiança.
Medo.
E então o ciclo começa novamente.
A violência gera medo.
O medo exige segurança.
A segurança exige mais controle.
O controle pode produzir revolta.
A revolta pode produzir mais violência.
E o ciclo se retroalimenta.
Isso não significa justificar o criminoso.
Significa tentar compreender o ambiente que permite que determinados comportamentos floresçam.
Uma sociedade que deseja combater a violência precisa combater também algumas das condições que permitem sua reprodução.
Caso contrário, estará apenas combatendo sintomas.
CAPÍTULO XII — O MUNDO É UM TABULEIRO?
Durante décadas, teorias conspiratórias apresentaram o mundo como um gigantesco tabuleiro de xadrez.
De um lado, os jogadores.
Do outro, as peças.
E no centro, uma elite invisível movimentando tudo.
Mas talvez essa metáfora esteja errada.
Talvez o mundo seja um tabuleiro onde milhões de jogadores tentam movimentar as peças simultaneamente.
Presidentes.
Empresários.
Militares.
Cientistas.
Religiosos.
Criminosos.
Ativistas.
Investidores.
Bilionários.
Jornalistas.
Influenciadores.
E cidadãos comuns.
Cada um possui objetivos diferentes.
Cada um possui informações incompletas.
Cada um reage às decisões dos outros.
E nenhum deles possui conhecimento absoluto.
O resultado?
Caos.
Não necessariamente um caos planejado.
Mas um caos produzido pela interação.
CAPÍTULO XIII — A GRANDE ILUSÃO: A NECESSIDADE DE ENCONTRAR UM CULPADO
Talvez exista uma característica psicológica profundamente humana que nos faça procurar uma causa única para fenômenos complexos.
Uma guerra precisa ter um responsável.
Uma crise precisa ter um culpado.
Uma pandemia precisa ter um responsável.
Uma crise econômica precisa ter alguém por trás.
Uma mudança social precisa ter um planejador.
É compreensível.
Nosso cérebro busca padrões.
O problema começa quando encontramos padrões onde existem apenas coincidências.
Por isso, a investigação séria precisa resistir à tentação de transformar suspeita em certeza.
Investigar não é acreditar.
Investigar é perguntar.
Comparar.
Contradizer.
Verificar.
Pesquisar.
E, principalmente, admitir:
“Não sei.”
Talvez essa seja uma das frases mais difíceis para qualquer investigador pronunciar.
CAPÍTULO XIV — ENTÃO, QUEM MANDA NO MUNDO?
Depois de aproximadamente vinte anos, minha pergunta mudou.
Hoje eu não perguntaria apenas:
Quem manda no mundo?
Eu perguntaria:
Quem possui poder suficiente para influenciá-lo?
Quem possui dinheiro suficiente para influenciar decisões?
Quem controla recursos estratégicos?
Quem controla informações?
Quem controla tecnologias?
Quem controla armas?
Quem controla grandes redes de comunicação?
Quem controla instituições?
E quem fiscaliza aqueles que possuem esse poder?
Essas perguntas são muito mais difíceis.
E talvez sejam muito mais importantes.
Porque o poder mundial provavelmente não está concentrado em uma única mão.
Ele está distribuído em uma rede complexa.
Alguns possuem dinheiro.
Outros possuem força militar.
Outros possuem tecnologia.
Outros possuem conhecimento.
Outros possuem influência política.
Outros possuem capacidade de mobilização social.
E alguns possuem várias dessas coisas simultaneamente.
REFLEXÃO — O INFERNO PRECISA DE UM ARQUITETO?
Chegamos então à parte mais perturbadora desta investigação.
Durante muito tempo, procurei compreender se alguém havia planejado o caos.
Hoje considero outra possibilidade:
talvez ninguém tenha planejado.
Talvez o inferno não precise de um arquiteto.
Talvez ele possa surgir naturalmente quando bilhões de seres humanos perseguem simultaneamente seus próprios interesses.
O político quer poder.
O empresário quer lucro.
O criminoso quer dinheiro.
O governo quer sobrevivência.
O militar quer segurança.
O consumidor quer status.
O fanático quer converter.
O revolucionário quer destruir a velha ordem.
O conservador quer preservá-la.
O indivíduo quer prosperar.
E todos movimentam as peças simultaneamente.
O resultado pode parecer uma conspiração gigantesca.
Mas talvez seja simplesmente complexidade.
E isso é muito mais assustador.
Porque uma conspiração possui um comandante.
Um sistema caótico pode não possuir nenhum.
OPINIÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Do ponto de vista analítico, a hipótese de que exista uma única organização secreta controlando todos os acontecimentos mundiais é muito menos plausível do que a existência de múltiplos centros de poder competindo, cooperando e entrando em conflito.
Governos, corporações, mercados, instituições financeiras, forças militares, grupos políticos, organizações religiosas, organizações criminosas e indivíduos extremamente ricos possuem diferentes graus de influência.
Alguns acontecimentos são planejados.
Alguns são consequência de interesses coordenados.
Outros são consequências imprevistas.
E muitos simplesmente acontecem porque sistemas complexos produzem resultados que nenhum indivíduo isoladamente consegue prever.
Portanto, a pergunta “quem manda no mundo?” talvez tenha uma resposta diferente daquela imaginada pelas grandes teorias conspiratórias.
Ninguém manda completamente.
Existem pessoas que mandam em determinadas estruturas.
Existem instituições que exercem enorme poder.
Existem grupos capazes de influenciar decisões históricas.
Mas não existe evidência suficiente para afirmar que uma única entidade controla integralmente o planeta.
A visão mais realista talvez seja menos cinematográfica e, justamente por isso, mais assustadora:
o mundo é governado por uma disputa permanente entre poderes.
CONCLUSÃO — VINTE ANOS DEPOIS, A PERGUNTA CONTINUA
Quando escrevi aquela pergunta pela primeira vez, eu queria descobrir quem estava por trás do grande teatro mundial.
Vinte anos depois, talvez eu tenha chegado a uma conclusão diferente.
Talvez não exista um único diretor.
Talvez existam milhares.
Talvez alguns tentem controlar o espetáculo.
Talvez outros estejam apenas tentando sobreviver dentro dele.
E talvez milhões de pessoas sejam simultaneamente espectadores e atores.
O mundo não parece funcionar como uma máquina perfeitamente planejada.
Ele parece funcionar como um gigantesco organismo em permanente conflito consigo mesmo.
Governos contra governos.
Ideologias contra ideologias.
Religiões contra religiões.
Mercados contra mercados.
Classes contra classes.
Crime contra Estado.
Estado contra Estado.
Indivíduo contra indivíduo.
E, no meio de tudo isso, uma humanidade tentando convencer a si mesma de que possui controle.
Talvez essa seja nossa maior ilusão.
Acreditar que estamos no comando.
Porque talvez a verdadeira pergunta não seja:
“QUEM MANDA NO MUNDO?”
Talvez seja:
“O MUNDO ESTÁ SENDO GOVERNADO — OU APENAS ADMINISTRAMOS O CAOS?”
Essa pergunta continua aberta.
E, como em toda investigação digna desse nome, a Revista & Escolas de Mistérios não pretende encerrar o assunto com uma resposta conveniente.
Investigação Constante da Verdade.
Porque entre a conspiração e a coincidência existe um território muito maior:
RELATÓRIO SUPLEMENTAR
O INFERNO FOI PLANEJADO?
Autores, livros e teorias que defendem que o caos mundial pode ser produzido deliberadamente
Revista & Escolas de Mistérios
Investigação Constante da Verdade
INTRODUÇÃO — E SE O CAOS NÃO FOR ACIDENTAL?
Na matéria principal desta investigação, chegamos a uma hipótese desconfortável:
talvez o inferno não precise de um arquiteto.
Talvez guerras, crises econômicas, conflitos religiosos, corrupção, desigualdade, violência e disputas pelo poder sejam consequências naturais da competição entre bilhões de seres humanos e milhares de instituições.
Mas existe uma segunda hipótese.
E ela é muito mais perturbadora:
e se parte desse caos for deliberadamente produzida?
Essa ideia não nasceu com a internet.
Muito antes das redes sociais, escritores, historiadores, jornalistas, filósofos, economistas e autores de literatura conspiratória já sustentavam que determinados grupos de poder poderiam provocar ou aproveitar crises para modificar sociedades, derrubar governos, reorganizar economias e ampliar mecanismos de controle.
Alguns foram muito além e defenderam a existência de uma conspiração mundial organizada.
Outros foram muito mais cuidadosos.
E existe uma diferença fundamental entre essas posições.
A primeira afirma:
“Eles criam o caos para depois impor uma nova ordem.”
A segunda afirma:
“Quando o caos acontece, determinados grupos aproveitam a oportunidade para impor mudanças que seriam muito mais difíceis em condições normais.”
A primeira é uma hipótese conspiratória.
A segunda pode ser investigada historicamente e, em determinados episódios, possui documentação.
O objetivo deste relatório é justamente separar essas coisas.
1. ORDEM A PARTIR DO CAOS
Uma das expressões que aparecem frequentemente nas discussões sobre poder, sociedades iniciáticas e teorias conspiratórias é:
Ordo ab Chao — Ordem a partir do Caos.
A expressão possui uma longa história simbólica e está associada particularmente ao Rito Escocês da Maçonaria.
Ao longo do tempo, entretanto, ela passou a ser reinterpretada por autores conspiracionistas como se significasse:
“criar o caos para depois impor a ordem desejada.”
Essa interpretação ganhou enorme força na literatura sobre conspirações e Nova Ordem Mundial.
Mas existe um problema metodológico.
O simples fato de uma organização utilizar uma expressão como “ordem a partir do caos” não prova que ela tenha um plano para produzir guerras, crises ou catástrofes.
É necessário encontrar documentação demonstrando intenção, planejamento e execução.
Essa será uma regra fundamental desta investigação:
Símbolo não é prova.
Coincidência não é prova.
Possibilidade não é prova.
Documento, testemunho corroborado e evidência independente possuem peso muito maior.
2. JOHN ROBISON E AUGUSTIN BARRUEL — A IDEIA DE UMA CONSPIRAÇÃO HISTÓRICA
Se queremos encontrar antecedentes intelectuais da ideia de que acontecimentos históricos aparentemente caóticos poderiam fazer parte de uma conspiração, precisamos voltar ao final do século XVIII.
John Robison publicou, em 1797, Proofs of a Conspiracy, no qual apresentou uma interpretação conspiratória envolvendo os Illuminati e setores da Maçonaria.
Pouco depois, o sacerdote francês Augustin Barruel publicou suas Mémoires pour servir à l'histoire du Jacobinisme, entre 1797 e 1798.
Barruel também interpretou a Revolução Francesa como resultado da ação combinada de correntes filosóficas, revolucionárias e sociedades secretas.
Independentemente da validade de suas conclusões, essas obras são importantes para compreender a genealogia das teorias conspiratórias modernas.
Elas ajudaram a estabelecer um modelo narrativo que reapareceria muitas vezes:
crise → caos → conspiração → destruição da ordem → transformação política.
Esse modelo atravessaria os séculos XIX, XX e XXI.
3. H. G. WELLS — UM PROJETO DE REORGANIZAÇÃO MUNDIAL
Um caso muito diferente é o do escritor britânico H. G. Wells.
Em 1928, Wells publicou The Open Conspiracy, posteriormente revisado em outras edições.
Wells defendia publicamente uma transformação profunda da organização mundial.
Imaginava uma humanidade integrada politicamente, socialmente e economicamente, com instituições internacionais fortalecidas e uma organização mundial baseada na razão e na ciência.
Mas existe uma distinção fundamental:
Wells não estava descrevendo secretamente uma conspiração que já controlava o planeta.
Ele apresentava publicamente um projeto político e civilizacional.
Isso é importante para nossa investigação.
Um projeto de transformação política não é automaticamente uma conspiração.
Mas demonstra que a ideia de uma reorganização global da humanidade já estava sendo discutida por intelectuais muito antes da popularização da expressão “Nova Ordem Mundial”.
4. CARROLL QUIGLEY — ELITES E REDES DE PODER
Aqui chegamos a um dos autores mais interessantes para a investigação.
Carroll Quigley foi professor de História e estudou estruturas políticas e redes de influência anglo-americanas.
Entre suas obras mais conhecidas estão:
Tragedy and Hope
e
The Anglo-American Establishment.
Quigley analisou grupos ligados ao círculo de Cecil Rhodes, Alfred Milner e outros integrantes do establishment britânico.
Sua pesquisa descreveu redes de influência política e econômica que, segundo sua interpretação histórica, exerceram importante influência sobre acontecimentos internacionais.
É fundamental, porém, não transformar Quigley em algo que ele não foi.
Ele não apresentou simplesmente a tese de que “uma sociedade secreta controla absolutamente tudo”.
Seu trabalho histórico é muito mais complexo.
Posteriormente, entretanto, autores da literatura conspiratória passaram a utilizar sua obra como uma espécie de ponte entre história documentada de elites organizadas e teorias sobre uma estrutura mundial de poder.
Por isso, Quigley merece ser estudado cuidadosamente.
5. GARY ALLEN — A TEORIA DA NOVA ORDEM MUNDIAL
Na década de 1970, o escritor americano Gary Allen publicou None Dare Call It Conspiracy.
A obra tornou-se uma referência importante na literatura conspiratória americana.
Allen defendia a existência de uma elite transnacional extremamente poderosa e associava instituições financeiras, organizações internacionais e estruturas políticas à construção de uma nova ordem mundial.
O argumento central dessa corrente de pensamento pode ser resumido assim:
crises podem enfraquecer estruturas existentes; estruturas enfraquecidas podem ser substituídas; e aqueles que controlam a transição podem obter poder adicional.
É uma ideia muito próxima da pergunta que motivou esta investigação.
Mas novamente precisamos estabelecer uma fronteira:
uma tese apresentada por um autor não se transforma automaticamente em fato histórico.
O trabalho do investigador é verificar cada afirmação.
6. WILLIAM COOPER — O MUNDO COMO UMA OPERAÇÃO SECRETA
Outro nome fundamental é William “Bill” Cooper, autor de Behold a Pale Horse, publicado em 1991.
Cooper combinou em sua obra temas como:
- UFOs;
- inteligência;
- governos secretos;
- sociedades secretas;
- operações clandestinas;
- assassinatos políticos;
- guerra às drogas;
- controle populacional;
- Nova Ordem Mundial.
Sua visão apresenta acontecimentos aparentemente independentes como componentes de uma estrutura maior.
A hipótese recorrente é que determinadas crises poderiam ser utilizadas para produzir mudanças políticas e sociais.
É uma das formulações que mais se aproxima da ideia:
“O caos pode ser uma ferramenta de engenharia política.”
Entretanto, Cooper pertence ao campo da literatura conspiratória.
Suas afirmações devem ser tratadas como hipóteses e investigadas individualmente, e não como fatos automaticamente comprovados.
7. DAVID ICKE — PROBLEMA, REAÇÃO E SOLUÇÃO
Entre os autores contemporâneos, David Icke tornou-se um dos mais conhecidos defensores da ideia de que crises podem ser utilizadas como instrumentos de transformação social.
Uma das fórmulas recorrentes em sua obra é:
Problema → Reação → Solução.
O modelo funciona da seguinte maneira:
1. Problema: uma crise é criada ou aproveitada.
2. Reação: a população reage com medo, revolta ou insegurança.
3. Solução: apresenta-se uma resposta que amplia determinadas formas de controle ou modifica a estrutura existente.
A força dessa narrativa está justamente em sua simplicidade.
Mas sua simplicidade também representa seu maior problema.
Para demonstrar que uma crise foi deliberadamente criada, é necessário provar a intenção.
Não basta demonstrar que alguém se beneficiou dela.
Essa diferença é essencial.
Beneficiar-se de um acontecimento não significa necessariamente tê-lo provocado.
8. NAOMI KLEIN — QUANDO A CRISE SE TRANSFORMA EM OPORTUNIDADE
Aqui encontramos uma abordagem muito diferente.
A jornalista e escritora canadense Naomi Klein, em The Shock Doctrine, desenvolveu a ideia conhecida como “doutrina do choque”.
Klein argumenta que grandes crises — guerras, catástrofes, colapsos econômicos e convulsões políticas — podem criar períodos de desorientação social nos quais reformas profundas conseguem ser implementadas com muito menos resistência.
Essa abordagem é especialmente interessante porque não exige a existência de uma conspiração mundial.
Uma crise pode acontecer por razões completamente diferentes.
Depois disso, grupos políticos ou econômicos podem perceber uma oportunidade.
A população está desorientada.
As instituições estão enfraquecidas.
As regras estão sendo renegociadas.
E determinadas mudanças podem ser introduzidas rapidamente.
Temos aqui uma diferença fundamental:
Criar uma crise é uma coisa.
Aproveitar uma crise é outra.
Essa distinção deveria estar no centro de qualquer investigação séria sobre o assunto.
9. A ESTRATÉGIA DA TENSÃO — QUANDO O MEDO PODE SER UTILIZADO POLITICAMENTE
Existe um campo histórico ainda mais interessante.
A expressão Strategy of Tension, ou Estratégia da Tensão, é utilizada por pesquisadores para estudar episódios da política italiana do pós-guerra, especialmente durante os chamados “anos de chumbo”.
Atentados, violência política, organizações extremistas, operações clandestinas, tentativas de golpe e atuação de setores dos serviços de segurança foram objeto de investigações históricas e judiciais.
A ideia central associada à expressão é que a produção ou exploração de medo e instabilidade poderia influenciar o comportamento político da população.
Aqui temos algo diferente de uma teoria abstrata.
Existem episódios concretos que podem ser investigados através de documentos, processos, testemunhos e pesquisas históricas.
Mas também precisamos evitar o salto lógico:
um episódio documentado não prova uma conspiração mundial permanente.
Ele demonstra apenas que determinados atores históricos podem, em determinadas circunstâncias, utilizar a tensão política como instrumento estratégico.
Essa diferença é fundamental.
10. ANTONY C. SUTTON — DINHEIRO, INDÚSTRIA E CONFLITO
Outro autor que merece atenção é Antony C. Sutton.
Sutton investigou relações entre interesses financeiros, industriais e políticos e escreveu extensivamente sobre o financiamento e o desenvolvimento de estruturas associadas a grandes conflitos ideológicos do século XX.
Sua obra tornou-se muito influente na literatura conspiratória.
A pergunta levantada por Sutton é extremamente interessante:
poderes econômicos podem financiar ou favorecer indiretamente estruturas políticas que, posteriormente, tornam-se seus adversários?
Se isso acontece, temos uma situação paradoxal.
O dinheiro pode atravessar fronteiras ideológicas.
Interesses econômicos podem sobreviver a mudanças de governo.
Empresas podem negociar com Estados adversários.
Mercados podem continuar funcionando enquanto governos entram em conflito.
Nesse modelo, o caos não precisa necessariamente ser criado por uma única organização.
Ele pode surgir da própria combinação entre interesses econômicos, geopolíticos e estratégicos.
11. EDWARD BERNAYS — A ENGENHARIA DO CONSENTIMENTO
Existe ainda uma dimensão diferente do problema:
o controle da opinião pública.
Edward Bernays foi um dos pioneiros das relações públicas modernas e escreveu Propaganda, em 1928.
Sua obra ajudou a desenvolver técnicas de comunicação destinadas a influenciar percepções e comportamentos coletivos.
Aqui não estamos necessariamente diante de uma conspiração.
Estamos diante de algo talvez mais cotidiano:
persuasão em escala industrial.
Governos comunicam.
Empresas fazem publicidade.
Partidos constroem narrativas.
Organizações disputam opinião pública.
Marcas associam produtos a determinados estilos de vida.
E as pessoas tomam decisões influenciadas por informações, emoções e símbolos.
Isso nos leva novamente à nossa pergunta:
é necessário controlar uma população pela força quando é possível influenciar seus desejos?
12. O CONCEITO MAIS IMPORTANTE: CRIAR OU EXPLORAR?
Depois de analisar esses autores, encontramos uma distinção que não pode ser ignorada.
Existem pelo menos quatro modelos.
MODELO 1 — O CAOS NATURAL
O mundo é caótico porque indivíduos e instituições possuem interesses diferentes.
Não existe planejador central.
MODELO 2 — O CAOS EXPLORADO
Uma crise acontece.
Determinados grupos percebem uma oportunidade.
Aproveitam a situação para implementar mudanças.
É a lógica mais próxima da chamada doutrina do choque.
MODELO 3 — O CAOS PRODUZIDO LOCALMENTE
Determinados atores podem provocar deliberadamente crises específicas para atingir objetivos estratégicos.
Aqui entram os estudos históricos sobre operações clandestinas, terrorismo político e estratégia da tensão.
MODELO 4 — O CAOS GLOBALMENTE PLANEJADO
Uma organização ou elite internacional deliberadamente produz guerras, crises econômicas, conflitos religiosos e colapsos sociais para conduzir a humanidade a uma nova estrutura mundial.
Esta é a hipótese mais extraordinária.
Consequentemente, exige também as evidências mais extraordinárias.
Até o momento, não existe consenso histórico ou evidência pública suficiente para demonstrar que uma única organização controla e planeja integralmente o caos mundial.
13. TALVEZ EXISTAM VÁRIOS ARQUITETOS
Existe, entretanto, uma quinta possibilidade.
Talvez não exista um arquiteto.
Talvez existam vários.
Imagine uma estrutura mundial composta por diferentes centros de poder:
Governos.
Bancos.
Multinacionais.
Forças militares.
Serviços de inteligência.
Organizações políticas.
Bilionários.
Grandes grupos de comunicação.
Organizações criminosas.
Instituições religiosas.
Mercados financeiros.
Cada um possui interesses próprios.
Eles cooperam em determinadas situações.
Competem em outras.
Entram em conflito.
Fazem alianças temporárias.
E rompem essas alianças quando seus interesses mudam.
O resultado pode parecer uma conspiração gigantesca.
Mas talvez seja simplesmente uma rede de interesses.
14. QUEM GANHA QUANDO O MUNDO ENTRA EM CRISE?
Essa talvez seja a pergunta mais produtiva de toda a investigação.
Em vez de perguntar imediatamente:
“Quem criou a crise?”
devemos perguntar:
Quem se beneficiou?
Quem perdeu?
Quem financiou?
Quem ganhou poder?
Quem ganhou território?
Quem ganhou influência?
Quem comprou ativos?
Quem controlou a informação?
Quem conseguiu aprovar medidas que antes seriam politicamente impossíveis?
Essas perguntas são verificáveis.
E podem transformar uma teoria conspiratória em uma investigação histórica.
15. AUTORES FUNDAMENTAIS PARA CONTINUAR A INVESTIGAÇÃO
| Autor | Obra principal | Ideia relacionada ao tema |
|---|---|---|
| Carroll Quigley | Tragedy and Hope / The Anglo-American Establishment | Redes históricas de elites e influência |
| Gary Allen | None Dare Call It Conspiracy | Elite transnacional e Nova Ordem Mundial |
| William Cooper | Behold a Pale Horse | Governo secreto e estruturas ocultas |
| David Icke | The Biggest Secret e outras obras | Problema–Reação–Solução |
| Antony C. Sutton | Obras sobre Wall Street e revoluções | Relações entre poder financeiro e conflitos |
| Naomi Klein | The Shock Doctrine | Exploração política e econômica das crises |
| H. G. Wells | The Open Conspiracy | Projeto declarado de reorganização mundial |
| Edward Bernays | Propaganda | Influência e formação da opinião pública |
| John Robison | Proofs of a Conspiracy | Conspiração, sociedades secretas e revolução |
| Augustin Barruel | Memoirs Illustrating the History of Jacobinism | Interpretação conspiratória da Revolução Francesa |
16. QUAL DESSES AUTORES PODE TER SIDO O LIVRO QUE VOCÊ LEU?
Essa é uma das questões mais interessantes para continuar investigando.
Como você relata que leu o livro aproximadamente vinte anos atrás e que a ideia que ficou gravada na sua memória era a de que o caos mundial poderia ser deliberadamente planejado, alguns autores se tornam particularmente interessantes.
CARROLL QUIGLEY
Se o livro tinha uma aparência mais histórica, acadêmica e discutia elites, bancos, Inglaterra, Estados Unidos, organizações internacionais e redes de poder, Quigley é um candidato importante.
GARY ALLEN
Se o livro falava diretamente em conspiração internacional, bancos, elites e Nova Ordem Mundial, None Dare Call It Conspiracy torna-se um candidato forte.
WILLIAM COOPER
Se misturava governo secreto, UFOs, inteligência, sociedades secretas, guerras e Nova Ordem Mundial, Behold a Pale Horse é uma possibilidade importante.
ANTONY SUTTON
Se o livro enfatizava dinheiro, bancos, indústria, guerras, revoluções e interesses econômicos, Sutton merece investigação especial.
CONCLUSÃO — TALVEZ O CAOS NÃO TENHA UM ÚNICO DONO
Depois de examinar essas diferentes correntes, chegamos a uma conclusão muito mais interessante do que simplesmente afirmar que “tudo é uma conspiração”.
Existem autores que defendem que o caos é deliberadamente produzido.
Existem autores que defendem que crises são deliberadamente exploradas.
Existem pesquisadores que documentaram episódios nos quais medo, violência e instabilidade foram utilizados como instrumentos políticos.
Existem historiadores que estudaram redes de elites e grupos de influência.
Existem intelectuais que defenderam publicamente projetos de reorganização internacional da sociedade.
E existem escritores que reuniram todos esses elementos em teorias de uma conspiração mundial.
São coisas diferentes.
E essa diferença precisa ser preservada.
Porque investigar não significa acreditar.
Investigar significa colocar a hipótese diante das evidências.
Talvez o mundo seja realmente caótico.
Talvez determinados grupos criem crises específicas.
Talvez outros simplesmente aproveitem as crises.
Talvez diferentes centros de poder estejam permanentemente disputando o controle.
Talvez existam arquitetos locais.
Talvez não exista um arquiteto global.
E existe uma possibilidade particularmente inquietante:
talvez o sistema seja tão complexo que ninguém consiga controlá-lo completamente.
Mas isso não significa que ninguém possa se beneficiar dele.
E aqui voltamos à pergunta fundamental desta investigação:
QUEM SE BENEFICIA QUANDO O MUNDO ENTRA EM CAOS?
Talvez essa seja uma pergunta muito mais importante do que simplesmente perguntar quem manda no mundo.
Porque talvez o verdadeiro poder não esteja necessariamente em quem cria o incêndio.
Talvez esteja também em quem possui os recursos para lucrar com as chamas.
NOTA METODOLÓGICA
Este relatório apresenta diferentes autores e correntes de pensamento com objetivos distintos: alguns pertencem à historiografia, outros à filosofia política, outros à literatura conspiratória e outros ao jornalismo investigativo.
A inclusão de determinado autor ou obra não significa concordância com suas conclusões.
O propósito da Revista & Escolas de Mistérios é comparar as hipóteses, verificar suas origens, identificar aquilo que possui documentação independente e separar cuidadosamente fato histórico, interpretação, hipótese e especulação.
A investigação continua.
REVISTA & ESCOLAS DE MISTÉRIOS
Investigação Constante da Verdade.
BIBLIOGRAFIA — RELATÓRIO SUPLEMENTAR
O INFERNO NÃO PRECISA DE UM ARQUITETO: QUEM REALMENTE MANDA NO MUNDO?
1. PODER, ESTADO, CONFLITO E NATUREZA HUMANA
ARENDT, Hannah. As origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
ARENDT, Hannah. A condição humana. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.
ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
HOBBES, Thomas. Leviatã: ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2010.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo civil. Petrópolis: Vozes, 1994.
MONTESQUIEU, Charles de Secondat. O espírito das leis. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
TOCQUEVILLE, Alexis de. A democracia na América. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
2. ELITES, OLIGARQUIA E CONCENTRAÇÃO DO PODER
MOSCA, Gaetano. The ruling class. New York: McGraw-Hill, 1939.
MICHELS, Robert. Political parties: a sociological study of the oligarchical tendencies of modern democracy. New York: Dover Publications, 1959.
PARETO, Vilfredo. The mind and society. New York: Harcourt, Brace and Company, 1935.
MILLS, C. Wright. The power elite. New York: Oxford University Press, 1956.
QUIGLEY, Carroll. The Anglo-American establishment: from Rhodes to Cliveden. New York: Books in Focus, 1981.
QUIGLEY, Carroll. Tragedy and hope: a history of the world in our time. New York: Macmillan, 1966.
DOMHOFF, G. William. Who rules America? The triumph of the corporate rich. New York: McGraw-Hill, 1967.
3. ECONOMIA, CLASSES SOCIAIS E CONFLITO
MARX, Karl. O capital: crítica da economia política. São Paulo: Boitempo, 2013.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Boitempo, 1998.
MARX, Karl. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1999.
POLANYI, Karl. A grande transformação: as origens de nossa época. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
SCHUMPETER, Joseph A. Capitalismo, socialismo e democracia. São Paulo: Editora da UNESP, 2017.
PIKETTY, Thomas. O capital no século XXI. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.
4. PROPAGANDA, MANIPULAÇÃO E FORMAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA
BERNAYS, Edward. Propaganda. New York: Horace Liveright, 1928.
BERNAYS, Edward. Crystallizing public opinion. New York: Boni and Liveright, 1923.
LIPPMANN, Walter. Public opinion. New York: Harcourt, Brace and Company, 1922.
ELLUL, Jacques. Propaganda: the formation of men's attitudes. New York: Vintage Books, 1973.
CHOMSKY, Noam; HERMAN, Edward S. Manufacturing consent: the political economy of the mass media. New York: Pantheon Books, 1988.
ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER, Max. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1987.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
5. CRISES, GUERRAS E A EXPLORAÇÃO DO CAOS
KLEIN, Naomi. The shock doctrine: the rise of disaster capitalism. New York: Metropolitan Books, 2007.
KLEIN, Naomi. A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo de desastre. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.
SNYDER, Timothy. On tyranny: twenty lessons from the twentieth century. New York: Tim Duggan Books, 2017.
ARON, Raymond. Paz e guerra entre as nações. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 2002.
MORGENTHAU, Hans J. Politics among nations: the struggle for power and peace. New York: Alfred A. Knopf, 1948.
KISSINGER, Henry. Diplomacy. New York: Simon & Schuster, 1994.
6. SOCIEDADES SECRETAS, CONSPIRAÇÕES E A IDEIA DE UMA ORDEM OCULTA
ROBISON, John. Proofs of a conspiracy against all the religions and governments of Europe. London: T. Cadell Jr. and W. Davies, 1798.
BARRUEL, Augustin. Memoirs illustrating the history of Jacobinism. London: T. Burton, 1798.
WELLS, H. G. The open conspiracy: blue prints for a world revolution. London: Victor Gollancz, 1928.
ALLEN, Gary. None dare call it conspiracy. Seal Beach: Concord Press, 1971.
COOPER, Milton William. Behold a pale horse. Sedona: Light Technology Publishing, 1991.
ICKE, David. The biggest secret. Ryde: Bridge of Love Publications, 1999.
SUTTON, Antony C. Wall Street and the Bolshevik Revolution. Scottsdale: Western Islands, 1974.
SUTTON, Antony C. Wall Street and the rise of Hitler. Scottsdale: Western Islands, 1976.
7. MAÇONARIA, SIMBOLISMO E A IDEIA DE “ORDEM A PARTIR DO CAOS”
MACKEY, Albert G. An encyclopedia of freemasonry and its kindred sciences. New York: Masonic History Company, 1917.
Pike, Albert. Morals and dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry. Charleston: Supreme Council of the Thirty-Third Degree, 1871.
LE FORESTIER, René. Les Illuminés de Bavière et la franc-maçonnerie allemande. Paris: H. Champion, 1914.
YATES, Frances A. The Rosicrucian Enlightenment. London: Routledge & Kegan Paul, 1972.
8. PSICOLOGIA, SOMBRA HUMANA E O CAOS PRODUZIDO PELO INCONSCIENTE
JUNG, Carl Gustav. The undiscovered self. Princeton: Princeton University Press, 1957.
JUNG, Carl Gustav. Civilization in transition. Princeton: Princeton University Press, 1970.
JUNG, Carl Gustav. Aion: researches into the phenomenology of the self. Princeton: Princeton University Press, 1959.
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
FROMM, Erich. O medo à liberdade. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
FROMM, Erich. Anatomia da destrutividade humana. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.
9. FILOSOFIA DA HISTÓRIA E O PROBLEMA DO CAOS
HEGEL, Georg Wilhelm Friedrich. Filosofia da história. Brasília, DF: Editora Universidade de Brasília, 1995.
NIETZSCHE, Friedrich. Além do bem e do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da moral. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
CAMUS, Albert. O homem revoltado. Rio de Janeiro: Record, 1996.
CAMUS, Albert. O mito de Sísifo. Rio de Janeiro: Record, 2004.
SARTRE, Jean-Paul. O ser e o nada. Petrópolis: Vozes, 1997.
10. BUROCRACIA, SISTEMAS E O CAOS QUE NINGUÉM PLANEJOU
BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.
BECK, Ulrich. Sociedade de risco: rumo a uma outra modernidade. São Paulo: Editora 34, 2010.
LUHMANN, Niklas. Social systems. Stanford: Stanford University Press, 1995.
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina, 2005.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000.
11. GUERRA, ESTADO E VIOLÊNCIA POLÍTICA
ARENDT, Hannah. Sobre a violência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009.
SCHMITT, Carl. O conceito do político. Belo Horizonte: Del Rey, 2009.
CLAUSEWITZ, Carl von. Da guerra. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.
FANON, Frantz. Os condenados da terra. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2005.
GALTUNG, Johan. Peace by peaceful means: peace and conflict, development and civilization. London: Sage, 1996.
12. UMA LINHA BRASILEIRA PARA A INVESTIGAÇÃO
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. São Paulo: Global, 2006.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. São Paulo: Globo, 2001.
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001.
SCHWARCZ, Lilia Moritz. Sobre o autoritarismo brasileiro. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
13. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES PARA A INVESTIGAÇÃO SOBRE ELITES GLOBAIS
ROTHKOPF, David. Superclass: how the rich ruined our world. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2008.
STIGLITZ, Joseph E. The price of inequality. New York: W. W. Norton, 2012.
HARVEY, David. A brief history of neoliberalism. Oxford: Oxford University Press, 2005.
HARVEY, David. O novo imperialismo. São Paulo: Loyola, 2004.
SASSEN, Saskia. Expulsions: brutality and complexity in the global economy. Cambridge: Harvard University Press, 2014.
14. EIXO CENTRAL DA BIBLIOGRAFIA
Esta bibliografia permite investigar quatro hipóteses diferentes:
HIPÓTESE A — O CAOS É HUMANO
Hobbes, Freud, Jung, Fromm, Morin e outros autores ajudam a investigar a possibilidade de que violência, competição, medo, ignorância e irracionalidade sejam características estruturais da própria humanidade.
HIPÓTESE B — O CAOS É PRODUZIDO PELO SISTEMA
Marx, Weber, Mills, Michels, Pareto, Foucault, Bauman, Luhmann e outros permitem investigar como instituições, economia, burocracia e concentração de poder podem produzir resultados que nenhum indivíduo isoladamente planejou.
HIPÓTESE C — O CAOS É EXPLORADO
Naomi Klein, entre outros autores, permite investigar situações nas quais crises e desastres podem ser aproveitados para implementar transformações econômicas e políticas.
HIPÓTESE D — O CAOS É DELIBERADAMENTE PRODUZIDO
Robison, Barruel, Gary Allen, William Cooper, David Icke e outros autores da literatura conspiratória apresentam interpretações nas quais crises e conflitos fazem parte de planos deliberados de transformação social e política.
CONCLUSÃO BIBLIOGRÁFICA
O mais interessante desta bibliografia é que ela não conduz necessariamente a uma única resposta.
Ao contrário.
Ela coloca diante do investigador quatro possibilidades:
o homem produz o caos;
o sistema produz o caos;
o poder aproveita o caos;
ou determinados grupos produzem deliberadamente o caos.
A investigação histórica precisa perguntar, em cada caso:
Quem tomou a decisão?
Qual era o objetivo?
Quem possuía os meios?
Quem se beneficiou?
Existe documentação?
Existem testemunhas independentes?
A hipótese explica melhor os fatos do que as explicações alternativas?
E talvez a pergunta mais importante:
O CAOS FOI PLANEJADO — OU APENAS PARECE PLANEJADO PORQUE O MUNDO É COMPLEXO DEMAIS PARA SER COMPREENDIDO POR UMA ÚNICA MENTE?
Essa é a questão que conecta toda esta bibliografia.
Revista & Escolas de Mistérios
Investigação Constante da Verdade

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