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A Sociedade Secreta da USP, Bucha uma ramificação dos Illuminati Bilder aus Brasilien

 






No livro Bilder aus Brasilien, o jornalista Carlos von Koseritz (1830-1890) apresenta outra teoria: Frank seria um príncipe alemão, desterrado e ilegítimo. Considernado que o registro localizado na igreja Sankt Margarethen, em Gotha, aponta para o casamento de seus pais apenas um mês antes de seu nascimento, há quem suspeite que seus pais oficiais tenham o adotado para limpar a barra de alguma princesa. E, por isso, ele seria protegido de Adam Weishaupt (1748-1830), professor da Universidade de Ingolstadt, na Bavária, fundador da Ordem dos Perfeitos, os Illuminati.


A Bucha

Oficialmente, a Bucha foi fundada em 4 de julho de 1830, com professores, alunos e pessoas importantes da sociedade como associadas. Coube ao alemão organizar seus estatutos e seu código moral. "A não ser meia dúzia de membros, os demais ignoravam os fins, aliás louváveis, dessa instituição", escreve Schmidt. "O número de sócios elevou-se logo mais de 200. As mensalidades e joias ficaram a critério dos doadores."


O historiador Luís Soares de Camargo lembra que a sociedade, embora primasse o cunho filantrópico, também servia para propagar "o ideal liberal e republicano". "A necessidade de ser secreta impunha-se naquele momento porque tanto os estudantes agraciados quanto os doadores exigiam sigilo", comenta ele.


"Outro motivo era a atuação política, algo que demandava muito cuidado tendo em vista o recente assassinato do jornalista italiano Líbero Badaró (vítima de um atentado no centro de São Paulo em 1830, aos 32 anos, por suas posições políticas)."


"A Bucha permaneceu como sociedade secreta até as primeiras décadas do século 20, quando, então, deixou de existir", afirma Camargo.


Influência

A Bucha tinha uma estrutura própria, dividida em graus hierárquicos. Um braço funcionava dentro do Largo São Francisco: os alunos eram divididos em Catecúmenos, Crentes e Doze Apóstolos. Fora da academia, os já formados tinham outros graus: eram os Chefes Supremos e constituíam o Conselho dos Divinos.


De acordo com Paulo Rezzutti, a Bucha foi ampliando seu poder quando começou a ultrapassar as fronteiras da Faculdade de Direito. "A medida que iam se formando, os ex-alunos buscavam colocações para os que estavam terminando o curso", diz ele. "O ideal inicial também foi sendo modificado: no início, a organização era liberal, abolicionista e republicana. Mas, conforme os ardores juvenis iam se arrefecendo, passou a contar com membros conservadores, escravocratas e monarquistas."


Para entrar para o clube, era preciso convite. Os membros tinham de fazer um juramento.


Aproveitando-se do fato de estar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, logo a Bucha passou a ter seus adeptos nos postos mais importantes do país. "Acredita-se que, durante a República Velha, período entre 1889 e 1930, não havia ministro, juiz ou candidato à Presidência da República que fosse indicado sem deliberação do Conselho dos Divinos", diz o historiador.


Em depoimento publicado pelo Jornal da Tarde em 1977, o jornalista e político Carlos Lacerda (1914-77) comentou sobre a importância política da Bucha. "O fenômeno não tem nada demais, é o mesmo que ocorre com a maçonaria. Uma sociedade secreta em que os sujeitos confiavam nos companheiros, vamos falar assim 'da mesma classe', que passam pelas faculdades, futuras elites dirigentes. Um dia, um sobe e chama o outro para ser governador, para ser secretário, para ser ministro e assim por diante", afirmou.


Publicação da nomeação de Julio Frank para professor, publicada no diário oficial em 1834

Crédito,Reprodução

Legenda da foto,A nomeação de Julio Frank para professor foi publicada no diário oficial em 1834

No livro Os Bacharéis na Política - A Política dos Bacharéis, o cientista político Teotonio Simões afirma que, de todos os presidentes da República Velha, apenas Epitácio Pessoa (1865-1942) não foi membro da Bucha.


Todo ano um evento acontecia na Faculdade de Direito: a Festa da Chave. Como o líder estudantil da Bucha era sempre um aluno do último ano, a formatura coincidia com a passagem de bastão a um mais novo. Esse líder era chamado de chaveiro, daí o nome da solenidade. "Durante a República Velha, a Festa da Chave contava com a presença do presidente do País, autoridades do Estado, prefeito, ministros e juízes", diz Rezzutti.


O historiador conta uma passagem que se tornou anedótica. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), um delegado de polícia estranhou a movimentação no Jardim da Luz. A Bucha se reunia no subsolo do prédio hoje ocupado pela Pinacoteca do Estado. "Pensando tratar-se de espiões, o delegado invadiu o encontro, dando voz de prisão a um grupo fantasiado, que usava capas de cavaleiro com insígnias coloridas em forma de coração e espadas", relata.


Um dos presentes à reunião era Altino Arantes (1876-1965), então governador de São Paulo. Washington Luís (1869-1957), ainda prefeito de São Paulo, também estava lá. E ambos tiveram de explicar ao delegado o que acontecia ali. "O delegado foi iniciado na organização para preservar seu segredo", diz Rezzutti.


Os integrantes da Bucha foram fundamentais para a criação da Liga Nacionalista de São Paulo, grupo organizado em 1916. "Entre outras coisas, pregavam a melhoria e a ampliação da instrução pública no Brasil", explica o historiador. "Ajudaram a montar hospitais e a cuidar das viúvas e órfãos durante a epidemia de gripe espanhola, em 1918."


Mas a Liga significaria o fim da Bucha. Após a Revolução Tenentista de 1924, o presidente Artur Bernardes (1875-1955) proibiu o funcionamento da organização - decretando, por extensão, o fim do clube criado por Júlio Frank.


Teorias da conspiração

O mistério que ainda envolve a vida de Júlio Frank, bem como a natureza secreta de sua instituição, alimenta teorias e histórias.


Em História Secreta do Brasil, o controverso e polêmico intelectual Gustavo Barroso (1888-1959) defendeu que Júlio Frank seria um heterônimo de Karl Ludwig Sand (1795-1820), estudante da Universidade de Jena, na Turíngia, integrante da Burschenschaft de lá. Oficialmente, Sand foi decapitado em 20 de maio de 1820, condenado pelo assassinato do dramaturgo August von Kotzebue (1761-1819).


"As últimas testemunhas falaram de Júlio Frank como de um homem singular, aparecido em São Paulo ali por 1830, calando avaramente tudo quanto se referia ao seu passado", escreve Barroso.


No livro Bilder aus Brasilien, o jornalista Carlos von Koseritz (1830-1890) apresenta outra teoria: Frank seria um príncipe alemão, desterrado e ilegítimo. Considernado que o registro localizado na igreja Sankt Margarethen, em Gotha, aponta para o casamento de seus pais apenas um mês antes de seu nascimento, há quem suspeite que seus pais oficiais tenham o adotado para limpar a barra de alguma princesa. E, por isso, ele seria protegido de Adam Weishaupt (1748-1830), professor da Universidade de Ingolstadt, na Bavária, fundador da Ordem dos Perfeitos, os Illuminati.


Seja como for, seu túmulo é ornamentado com a figura do mocho, ou coruja de minerva - distintivo das lojas maçônicas frequentadas pelos "iluminados" bávaros.


Morte

Frank não presenciou o auge da instituição. Ele morreu precocemente em 1841, aos 32 anos, vítima de pneumonia. E foi por ter nascido em família protestante, a despeito de não ser praticante de nenhuma religião, que a ele acabou sendo destinado um inusitado túmulo dentro da Faculdade de Direito.


"Na época não existiam cemitérios públicos na cidade. Os sepultamentos eram realizados no interior das igrejas católicas ou em pequenos cemitérios anexos", pontua o historiador Camargo.


"A cidade contava também com o Cemitério dos Aflitos [no bairro da Liberdade], muito desprestigiado, posto que destinado aos condenados pela Justiça, aos escravos ou aos extremamente pobres. Vale lembrar que este cemitério também era administrado pela Igreja Católica", acrescenta o historiador. "Todos sabiam que o protestante Júlio Frank não seria aceito em nenhuma igreja. Já o enterro no Cemitério dos Aflitos seria muito humilhante."


Como ressalta Camargo, destino assim não seria cabível para um "eminente professor da Faculdade de Direito, com largo círculo de amigos entre alunos e professores".


Houve protesto de seus alunos. Uma alternativa foi pensada, então. Coube ao conselheiro José Maria de Avellar Brotero (1798-1873), político e jurista, fazer uma solicitação especial ao bispo de São Paulo, Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade (1767-1847). "Então surgiu a ideia por todos aceita: Júlio Frank seria sepultado no pátio da Faculdade. E assim foi feito", relata Camargo.


O túmulo de Júlio Frank, no interior da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, é patrimônio histórico tombado em São Paulo.







 texto foi originalmente publicado em 10 de agosto de 2019.

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