Com 200 páginas e 16 capítulos que jamais deixam cair seu contundente interesse, PRIVATARIA TUCANA é o resultado final de anos de investigações do repórter Amaury Ribeiro Jr. na senda da chamada Era das Privatizações, promovida pelo governo Fernando Henrique Cardoso, por intermédio de seu ministro do Planejamento, ex-governador de São Paulo, José Serra. A expressão “privataria”, cunhada pelo jornalista Elio Gaspari e utilizada por Ribeiro Jr., faz um resumo feliz e engenhoso do que foi a verdadeira pirataria praticada com o dinheiro público em benefício de fortunas privadas, por meio das chamadas “offshores”, empresas de fachada do Caribe, região tradicional e historicamente dominada pela pirataria.
Essa “privataria” toda foi descoberta num vasto novelo cujo fio inicial foi puxado pelo repórter quando ele esteve a serviço de uma reportagem investigativa, encomendada pelo jornal “Estado de Minas”, sobre uma rede de espionagem estimulada pelo ex-governador paulista José Serra para levantar um dossiê contra o ex-governador mineiro Aécio Neves, que estaria tendo romances discretos no Rio de Janeiro. O dossiê teria a finalidade de desacreditar o ex-governador mineiro na disputa interna do PSDB pela indicação ao candidato à Presidência da República, e levou Ribeiro Jr. a uma série de investigações muito mais amplas, envolvendo Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro das campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, o próprio Serra e três de seus parentes: Verônica Serra, sua filha, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marín Preciado. Serra e seu clã são o assunto central do livro, mas as ramificações e consequências sociais e políticas das práticas que eles adotam são vastas e fazem com que o leitor comum fique, no mínimo, estupefato.
Essa “privataria” toda foi descoberta num vasto novelo cujo fio inicial foi puxado pelo repórter quando ele esteve a serviço de uma reportagem investigativa, encomendada pelo jornal “Estado de Minas”, sobre uma rede de espionagem estimulada pelo ex-governador paulista José Serra para levantar um dossiê contra o ex-governador mineiro Aécio Neves, que estaria tendo romances discretos no Rio de Janeiro. O dossiê teria a finalidade de desacreditar o ex-governador mineiro na disputa interna do PSDB pela indicação ao candidato à Presidência da República, e levou Ribeiro Jr. a uma série de investigações muito mais amplas, envolvendo Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro das campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, o próprio Serra e três de seus parentes: Verônica Serra, sua filha, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marín Preciado. Serra e seu clã são o assunto central do livro, mas as ramificações e consequências sociais e políticas das práticas que eles adotam são vastas e fazem com que o leitor comum fique, no mínimo, estupefato.
Sem dúvida, o brasileiro padrão, mediano, que paga seus impostos, trabalha dignamente e luta pela vida com dificuldades imensas estará longe de compreender o complexo mundo de aparências e essências, fachadas e bastidores da corrupção política e empresarial, e toda a sofisticação desses crimes públicos que passam por “lavanderias” no Caribe, e, neste caso, o estilo objetivo e jornalístico de Amaury Ribeiro Jr. é de grande ajuda para que as ações pareçam inteligíveis para qualquer pessoa mais instruída.
Um dos principais méritos do livro é descrever toda a trajetória que o dinheiro ilícito faz, das “offshores” a empresas de fachadas no Brasil, e da subsequente “internação” desse dinheiro nas fortunas pessoais dos envolvidos. Neste ponto, o livro de Ribeiro Jr., embora não tenha nada de fictício, segue a trilha de livros policiais e thrillers sobre corrupção e bastidores da política, já que o leitor pode acompanhar o emaranhado e sentir-se recompensado pelo entendimento. O livro, aliás, tem um início que de cara convida o leitor a uma grande jornada de leitura informativa e empolgante, revelando como Ribeiro Jr., ao fazer uma reportagem sobre o narcotráfico na periferia de Brasília, a serviço do “Correio Braziliense”, sofreu um atentado que quase o matou e, descansando desse atentado, voltou tempos depois a um jornal do mesmo grupo, “O Estado de Minas”, para ser incumbido de investigar a rede de espionagem estimulada por Serra, mencionada no início. É o ponto de partida para tudo.
Um dos principais méritos do livro é descrever toda a trajetória que o dinheiro ilícito faz, das “offshores” a empresas de fachadas no Brasil, e da subsequente “internação” desse dinheiro nas fortunas pessoais dos envolvidos. Neste ponto, o livro de Ribeiro Jr., embora não tenha nada de fictício, segue a trilha de livros policiais e thrillers sobre corrupção e bastidores da política, já que o leitor pode acompanhar o emaranhado e sentir-se recompensado pelo entendimento. O livro, aliás, tem um início que de cara convida o leitor a uma grande jornada de leitura informativa e empolgante, revelando como Ribeiro Jr., ao fazer uma reportagem sobre o narcotráfico na periferia de Brasília, a serviço do “Correio Braziliense”, sofreu um atentado que quase o matou e, descansando desse atentado, voltou tempos depois a um jornal do mesmo grupo, “O Estado de Minas”, para ser incumbido de investigar a rede de espionagem estimulada por Serra, mencionada no início. É o ponto de partida para tudo.
O que este PRIVATARIA TUCANA nos traz é uma visão contundente e realista como poucas dos bastidores do Brasil político/empresarial.
O desencanto popular com a classe política, nas últimas décadas, acentua-se dia após dia, e um livro como este só faz reforçá-lo. Para isso, oferece todo um manancial de informações e revelações para que o leitor perceba onde foi iludido e onde pode ainda crer na humanidade, pois, se a classe política sai muito mal, respingando lama, dessas páginas, ao menos o jornalismo investigativo, honesto e necessário, prova que os crimes de homens públicos e notórios não ficam para sempre convenientemente obscurecidos. Há quem os desvende. E quem tenha coragem de revelá-los.
.
Imprensa ‘independente’ esconde livro sobre privataria tucana
.
Nos últimos anos, qualquer livro de autoria de desafetos ou adversários políticos do ex-presidente Lula e/ou do PT recebeu monumental cobertura da grande mídia. Tais obras costumam ser anunciadas em portais de internet, revistas semanais, jornais, televisões e rádios apesar de não conterem nada além de insultos e acusações sem provas.
Que interesse público ou meramente jornalístico pode ter um livro que chama o ex-presidente Lula de “anta” ou outro que chama de “petralhas” os mais de um milhão de filiados do Partido dos Trabalhadores? Apesar disso, esses livros, escritos por pistoleiros contratados para caluniar e xingar, são anunciados o tempo todo pelos grandes meios de comunicação.
Neste fim de semana, chega ao público um livro que, apesar de jamais ter sido sequer mencionado em um grande jornal ou em qualquer outro grande meio de comunicação, era aguardado por dezenas de milhares de internautas que dele souberam através da blogosfera e dO livro recém-lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., acusado no ano passado pela grande mídia de integrar complô para montar dossiê contra José Serra, pode não conter apenas acusações sem provas ou meros xingamentos. Segundo o autor, apresenta provas de roubo de dinheiro público no processo que o jornalista Elio Gaspari batizou como “privataria”.
É revelador como o livro A Privataria Tucana jamais recebeu um único comentário inclusive do autor do termo que resume o que foi o processo de privatização de empresas públicas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ou seja, um dos maiores saques sofrido pela nação em toda a sua história e que superou até a roubalheira da ditadura militar.
A imprensa que vive se dizendo “independente”, portanto, ao tentar esconder o livro “proibido” está dando a ele a maior contribuição que poderia.
Explico: se fosse uma obra fraca, com denúncias fracas, seria excelente alvo para veículos partidarizados como Globo, Veja, Estadão e Folha. Se a escondem, é porque seu conteúdo deve ser arrasador. E como quem se interessa por assuntos assim certamente tem acesso à internet e a blogs políticos, a censura aumentará o interesse.
Os grandes meios de comunicação fazerem de conta que não viram o livro, portanto, talvez seja tão importante quanto seu conteúdo, pois pessoas bem-intencionadas que têm dúvidas sobre o partidarismo político daqueles meios agora dispõem de prova incontestável desse partidarismo.
Ora, imprensa que se diz “independente”, se fosse mesmo não precisaria concordar com um livro considerado bombástico para noticiar seu lançamento ou para produzir análises de seu conteúdo. O lançamento da obra é um fato político saboroso para qualquer jornalista de verdade. Aliás, é escandaloso que o autor do termo “privataria” tenha se calado.e uma única revista semanal, a Carta Capital.
O desencanto popular com a classe política, nas últimas décadas, acentua-se dia após dia, e um livro como este só faz reforçá-lo. Para isso, oferece todo um manancial de informações e revelações para que o leitor perceba onde foi iludido e onde pode ainda crer na humanidade, pois, se a classe política sai muito mal, respingando lama, dessas páginas, ao menos o jornalismo investigativo, honesto e necessário, prova que os crimes de homens públicos e notórios não ficam para sempre convenientemente obscurecidos. Há quem os desvende. E quem tenha coragem de revelá-los.
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Imprensa ‘independente’ esconde livro sobre privataria tucana
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Nos últimos anos, qualquer livro de autoria de desafetos ou adversários políticos do ex-presidente Lula e/ou do PT recebeu monumental cobertura da grande mídia. Tais obras costumam ser anunciadas em portais de internet, revistas semanais, jornais, televisões e rádios apesar de não conterem nada além de insultos e acusações sem provas.
Que interesse público ou meramente jornalístico pode ter um livro que chama o ex-presidente Lula de “anta” ou outro que chama de “petralhas” os mais de um milhão de filiados do Partido dos Trabalhadores? Apesar disso, esses livros, escritos por pistoleiros contratados para caluniar e xingar, são anunciados o tempo todo pelos grandes meios de comunicação.
Neste fim de semana, chega ao público um livro que, apesar de jamais ter sido sequer mencionado em um grande jornal ou em qualquer outro grande meio de comunicação, era aguardado por dezenas de milhares de internautas que dele souberam através da blogosfera e dO livro recém-lançado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., acusado no ano passado pela grande mídia de integrar complô para montar dossiê contra José Serra, pode não conter apenas acusações sem provas ou meros xingamentos. Segundo o autor, apresenta provas de roubo de dinheiro público no processo que o jornalista Elio Gaspari batizou como “privataria”.
É revelador como o livro A Privataria Tucana jamais recebeu um único comentário inclusive do autor do termo que resume o que foi o processo de privatização de empresas públicas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, ou seja, um dos maiores saques sofrido pela nação em toda a sua história e que superou até a roubalheira da ditadura militar.
A imprensa que vive se dizendo “independente”, portanto, ao tentar esconder o livro “proibido” está dando a ele a maior contribuição que poderia.
Explico: se fosse uma obra fraca, com denúncias fracas, seria excelente alvo para veículos partidarizados como Globo, Veja, Estadão e Folha. Se a escondem, é porque seu conteúdo deve ser arrasador. E como quem se interessa por assuntos assim certamente tem acesso à internet e a blogs políticos, a censura aumentará o interesse.
Os grandes meios de comunicação fazerem de conta que não viram o livro, portanto, talvez seja tão importante quanto seu conteúdo, pois pessoas bem-intencionadas que têm dúvidas sobre o partidarismo político daqueles meios agora dispõem de prova incontestável desse partidarismo.
Ora, imprensa que se diz “independente”, se fosse mesmo não precisaria concordar com um livro considerado bombástico para noticiar seu lançamento ou para produzir análises de seu conteúdo. O lançamento da obra é um fato político saboroso para qualquer jornalista de verdade. Aliás, é escandaloso que o autor do termo “privataria” tenha se calado.e uma única revista semanal, a Carta Capital.
alguma novidade dos 45 escandalos do PSDB?//
5 - Propina na privatização
A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil,é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.
A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do Banco do Brasil,é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.
A Privataria Tucana - Jornal da Record News
A Privataria Tucana - Por Maurício Ricardo
http://www.youtube.com/watch?v=KjwRtgUHbQw&feature=related
.
"A privataria tucana" Humberto Costa quer apuração sobre denúncias. 14.12.2011
http://www.youtube.com/watch?v=DiNSem3A0Wc&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=KjwRtgUHbQw&feature=related
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"A privataria tucana" Humberto Costa quer apuração sobre denúncias. 14.12.2011
http://www.youtube.com/watch?v=DiNSem3A0Wc&feature=related
Ao fechar a primeira fase da apuração, entreguei ao
Estado
de Minas
um relatório explicando como funcionava a inteligência
da campanha de Serra. Mas, usando da liberdade conferida
aos repórteres especiais da diretoria, resolvi aprofundar as averiguações.
Aproveitei a oportunidade para retomar um tema que
sempre me fascinou: a Era das Privatizações, sob a égide do presidente
Fernando Henrique Cardoso, particularmente os negócios
que se deram na área das telecomunicações. Comecei a investigar
26
história
agora
o caso no início deste século quando ainda trabalhava na sucursal
paulista de
O Globo.
Fiz uma varredura em cartórios de títulos e documentos, além
de juntas comerciais de São Paulo e do Rio, e consegui mapear o
modus operandi
do ex‑
diretor da área internacional do Banco do
Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, e de seus muitos pupilos, ou
seja, aqueles que observam a mesma metodologia para lidar com
empresas e dinheiro no Brasil e nos paraísos fiscais do Caribe.
Entre os alunos, uma presença expressiva de tucanos paulistas.
Encontrei a primeira transação de Ricardo Sérgio nas Ilhas
Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe. Os papéis atestavam
que o ex‑
tesoureiro das campanhas eleitorais de Serra e de FHC
pilotava, no final da década de 1980, a empresa
offshore Andover.
Com endereço em Road Town, capital das Ilhas Virgens Britânicas,
a Andover servia para injetar dinheiro que estava no estrangeiro
em outra empresa de sua propriedade em São Paulo, a Westchester.
A princípio, ainda inexperiente na época no rastreamento de
dinheiro, supunha que o objetivo era enviar dinheiro para o exterior.
Percebi que estava equivocado ao consultar, por sugestão de
fontes do serviço de inteligência da Receita Federal e do Banco
Central, o jurista Heleno Torres. Uma das maiores autoridades do
Brasil na análise jurídica de movimentações de valores, Torres atesta
que o método servia para trazer e não para mandar recursos para
fora. “É uma operação clássica de internação de dinheiro”, afirmou
ao examinar a documentação que eu levantara.
O dinheiro entrava no país por meio de aumentos sucessivos do
capital da empresa brasileira. Tais valores eram integralizados pela
empresa caribenha. À primeira vista, parecia um investimento de
uma empresa estrangeira em outra empresa sócia no Brasil, já que
a manobra permitia que o dinheiro chegasse ao país por meio de
uma operação de câmbio autorizada pelo Banco Central (BC).
Porém, os documentos deixavam o rastro grosseiro da fraude.
A privataria
tuca na
27
Ricardo Sérgio assinava nos dois lados da operação: como dono da
empresa brasileira e procurador da
offshore do Caribe. Tratava‑
se
exatamente do mesmo sistema usado pela quadrilha da advogada
Jorgina de Freitas, que ganhou notoriedade por fraudar a
Previdência Social em mais de R$ 1 bilhão.
1
No início de 2008, ao analisar os primeiros papéis recolhidos
na Junta Comercial de São Paulo, na Justiça e nos cartórios de títulos
e documentos da cidade, percebi que outro personagem entrava
na história e, do mesmo modo, vinculado a Serra. O corretor
Alexandre Bourgeois, genro do então governador de São Paulo,
usara a mesmíssima metodologia bolada pelo ex‑
tesoureiro do
sogro. Ao focar minhas investigações no 3
o Cartório de Títulos e
Documentos, da Capital paulista, onde também havia encontrado
a Andover, acertei em cheio o alvo. Descobri que, logo após a
privatização das teles, Bourgeois abriu no mesmo paraíso fiscal,
duas
offshores: a Vex Capital e a Iconexa Inc., ambas operando no
mesmo escritório utilizado por Ricardo Sérgio nas Ilhas Virgens
Britânicas, o do Citco Bulding.
Ao flagrar as transações de Bourgeois, cometi uma tolice quase
do mesmo tamanho daquela de retornar à Cidade Ocidental
após ter denunciado o assassinato de adolescentes pelo narcotráfico.
Telefonei para a assessoria de imprensa do governador paulista.
Queria um pronunciamento dele sobre o assunto. A
resposta não tardou. Serra agiu para tentar barrar a matéria ainda
em fase de apuração. Telefonou em seguida para o então editor
de política do
Correio Braziliense, Alon Feuerwerker. Ao ouvir
de Feuerwerker que a matéria estava sendo tocada por Minas
Gerais e para o
Estado de Minas, Serra quis falar com a direção do
jornal e com a irmã do governador Andrea Neves, sem sucesso.
1
A quadrilha integrada por Jorgina de Freitas foi condenada por desviar R$ 1,2 bilhão do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). Condenada em 1992, foi libertada em junho de 2010. Do total
visando atingir a pré -candidatura de Aécio abaixo da linha -d’água.
Contrastando a linha conservadora do jornal, instilou uma insinuação
pesada, uma suposta ligação de Aécio ao “Pó”, ou seja, cocaína
para atingir dois objetivos: expor publicamente, de modo vulgar e
dissimulado, o comportamento do rival de Serra e enviar -lhe um
recado muito claro.
Para o
Estado de Minas, havia ainda outra razão para detestar o
“Pó pará, governador”: o sarcasmo com que eram abordadas as relações
entre os jornais mineiros e o comando político estadual. “Em
Minas, imprensa e governo são irmãos xifópagos”, gracejava o articulista.
Para, pitorescamente, agora em tom de seriedade, comparar
Minas com São Paulo, onde Serra e seus antecessores seriam “cobradossubtraído do INSS, apenas R$ 69 milhões foram recuperados.
com força, cabresto curto” pelos jornalões paulistanos. Era, enfim, difícil
digerir Serra e o serrismo. Mas a vingança estava a caminho.
“Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a
arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que
foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor
do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador
Aécio Neves.” Assim começa o editorial “Minas a reboque,
não!”, do
Estado de Minas, em 8 de março de 2010, que rejeita o
papel subalterno de Minas e de Aécio numa eventual composição
com Serra para enfrentar Dilma Rousseff.
Não era a primeira vez que o Estado de Minas trombava com o
tucanato paulista. Antes, aconselhado por Aécio, Serra foi a Belo
Horizonte para participar, no dia 7 de março de 2008, das homenagens
aos 80 anos do jornal ao lado de outros caciques tucanos. Ao
chegar à festa, porém, o então governador paulista acabaria surpreendido
pelo famoso discurso do presidente dos
Diarios Associados,
Álvaro Teixeira da Costa. “São Paulo, não mexa com Minas, que
Minas sabe dar o troco”, advertiu o orador para constrangimento
de Serra. Dois mil convidados estavam presentes. Teixeira da Costa
já havia lido o relatório parcial das minhas investigações.
O discurso recebeu várias críticas. Mas, pela minha experiência
no jornal, tenho a convicção é de que foi menos anti‑
Serra do que
em favor daquilo que o jornal acreditava ser o interesse de Minas. A
participação do
Estado de Minas no episódio Serra termina aí.
Após relatar o assalto ao patrimônio público do país por meio
das privatizações, este livro pretende desnudar as muitas e imaginativas
maneiras de ganhar dinheiro que se sucederam. Entre elas,
os processos de internação de valores de origem suspeita.
São operações realizadas pelo clã Serra — sua filha Verônica
Serra, seu genro Alexandre Bourgeois, seu primo político
Gregório Marín Preciado, seus muitos sócios, seus amigos e seus
colaboradores. E outros tucanos de altos poleiros. Em muitos
casos, são transações envolvendo empresas brasileiras e empresas
offshore
no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, escoradas
no anonimato.
Muita gente, além dos Serra, agiu assim. Alguns, em vez de comprar
cotas de suas próprias empresas no Brasil, adquirem imóveis,
fazem os recursos rodarem em fundos de investimentos ou compram
automóveis, como o ex‑
presidente do Tribunal Regional do
Trabalho, de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto, que investiu parte
dos R$ 169,5 milhões de reais desviados da construção da sede
do TRT/SP em uma frota de carros importados.
Fiquei pasmado com a voracidade de alguns grupos e a disposição
de levar vantagem a qualquer custo. E, após anos de trabalho,
percebi que o volume do material que havia levantado, a necessidade
de explicar os artifícios empregados nas fraudes, a profusão de
personagens e seus laços com terceiros implicados, o desdobramento
dos fatos ao longo de vários anos e a contextualização exigida
para melhor compreensão dos acontecimentos impunham
outro formato. Matérias de jornal não bastariam para descrever o
que tinha em mãos. Seria preciso mais para melhor contar o caráter
de uma época e dos seus protagonistas. Será gratificante se, depois
da última página, o leitor mantiver seus olhos bem abertos. É uma
boa maneira de impedir que aqueles que já transformaram o público
em privado para seu próprio proveito tentem reprisar algum dia
o que foi feito na era da privataria.
A privataria
A PRIVATARIA TUCANA
Copyright c 2011 by Amaury Ribeiro Jr.
1a edicao — Novembro de 2011
1a reimpressao — Dezembro de 2011
Grafia atualizada segundo o Acordo Ortografico da Lingua Portuguesa
de 1990, que entrou em vigor no Brasil em 2009.
Colecao Historia Agora
Editor e Publisher
Luiz Fernando Emediato
Diretora Editorial
Fernanda Emediato
Produtora Editorial
Renata da Silva
Assistente Editorial
Diego Perandré
Capa e Projeto Grafico
Alan Maia
Preparacao de Texto
Josias A. Andrade
Revisao
Gabriel Senador Kwak
Dados Internacionais de Catal ogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Ribeiro Junior, Amaury
A privataria tucana / Amaury Ribeiro Jr.. ‑‑
Sao Paulo :
Geracao Editorial, 2011. (Colecao historia agora ; v. 5)
ISBN 978-85-61501-98-3
1. 1. Brasil - Politica e governo 2. Jornalismo
politico 3. Privatizacao - Brasil 4. PSDB (Partido
politico) - Brasil I. Titulo. II. Serie.
11-12469 CDDÍndices para catálogo sistemático
1. Brasil : PSDB : Partido politico : Privatizacoes :
Jornalismo politico 070.44932081
geração editorial
Rua Gomes Freire, 225/229 — Lapa
CEP: 05075‑010
— Sao Paulo — SP
Telefax.: +55 11 3256‑4444
Email: geracaoeditorial@geracaoeditorial.com.br
www.geracaoeditorial.com.br
2011
Impresso no Brasil
Printed in Brazil



Cara, descobri hoje esse blog, e tirando essa denuncia que pra mim não é novidade, tem muito material legal de estudo, parabéns!!
ResponderExcluirSERRA CONTRATOU EMPRESA DE INTELIGÊNCIA PARA INVESTIGAR DILMA
ResponderExcluirEmpresa de Inteligência e espionagem profissional que foi contratada por José Serra para investigar Dilma, eles não encontraram nada, ela é idônea eu sempre soube, então eles começaram a investigar os políticos da base aliada. Jornalistas brasileiros não entendem nada de lavagem de dinheiro, por isto os Tucanos deitam e rolam, palavras do Amaury, eu sou obrigado a concordar com ele.VEJAM O VIDEO http://www.youtube.com/watch?v=ufUjcYOY_iE&feature=youtu.be
.VEJAM O VIDEO http://www.youtube.com/watch?v=ufUjcYOY_iE&feature=youtu.be
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